<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302</id><updated>2012-02-15T23:45:03.828-08:00</updated><title type='text'>O Jardim Secreto</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://osecretojardim.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>72</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-2354814879865691716</id><published>2010-07-06T20:53:00.000-07:00</published><updated>2010-07-06T20:56:19.750-07:00</updated><title type='text'>Produções do "Laboratório de Textos Dissertativos"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;E o que se leva da vida...?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         É de sabedoria geral aquela boa e velha bronca que o que se leva da vida, e parafraseando a música do rapper Túlio Dek, é a vida que se leva. Mais nada além disso, nada além do que nós fizemos nesta passagem terrena. O acúmulo de amigos, planejamentos, vitórias, derrotas, amargores, alegrias...Tudo isso fica cravado no que imagina-se ser a alma humana. O nosso lado bom, nosso lado ruim. O Yin, o Yang. O que temos orgulho, o que queremos esquecer. O que fizemos de imaterial nessa existência, é essa a nossa bagagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Lamento partir alguns corações mas...Não, o poster da Madonna não será levado contigo. Nem que queira ser enterrado com a bandeira do Atlético Paranaense você levará os troféus do clube consigo. Sabe aquela televisão de plasma que você está pagando 17 prestações? Babau! E todos os LP's do Michael Jackson que você conseguiu juntar nas últimas décadas? C'est fini, mon ami!&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lxKU5sOGFPI/TDP6yUK5MlI/AAAAAAAAAK8/0UNUJ4P3lxU/s1600/maria-flores-fake-plastic-love.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 218px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lxKU5sOGFPI/TDP6yUK5MlI/AAAAAAAAAK8/0UNUJ4P3lxU/s320/maria-flores-fake-plastic-love.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491008113009570386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O fato é que a maioria das pessoas não tem essa ideia em suas mentes. Até mesmo o cérebro que vos escreve agora, até mesmo você – tenho certeza – não tem essa certeza. Vou exemplificar. Tenho uma coleção de DVD's antigos a quem gosto e cuido mais do que grande parte dos meus conhecidos. Até o mais politicamente correto, até o mais zen dos hippies tem algum objeto, ou objetos, com grande apresso pessoal. Mas até onde isso é saudável? Até onde isso pode ser considerado algo normal...? No mundo atual, movido pelo capitalismo e pela criação de necessidades, é difícil criar um patamar do aceitável. Mas já é possível ver o que é bizarro nisso tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O Japão, o país das grandes tecnologias e de uma das culturas antigas que ainda persiste bravamente, tem encontrado certos problemas com sua população. Alguns homens já andaram se casando com personagens de mangás, aqueles desenhos em forma de livros-histórias em quadrinho tão populares por lá. Semana passada um dos vídeos de destaque do portal MSN BRASIL mostrava um japonês que tinha mais de 100 bonecas infláveis, das quais tinha além das imagináveis relações sexuais, um vínculo de afeto. Ele dizia que não as trocava por ninguém de carne e osso. Assistia a televisão de mãos dadas com uma das mais de 15 bonecas que o recebiam em sua sala de estar. Espero que um dia esse rapaz leia algo parecido com o que escrevo aqui, neste momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Além de transcender o ideal de pensamento espírita-zen, ou seja lá o que for que foi dito no início deste texto, o excesso de apresso pelos objetos escraviza o homem. O vicia na armadilha de outro, que ganha dinheiro sobre - o que pode-se dizer – doença de outrém. Este prazer não pode nos fazer deixar de viver. E viver não tem preço. Ainda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-2354814879865691716?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/2354814879865691716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/2354814879865691716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2010/07/producoes-do-laboratorio-de-textos_6830.html' title='Produções do &quot;Laboratório de Textos Dissertativos&quot;'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lxKU5sOGFPI/TDP6yUK5MlI/AAAAAAAAAK8/0UNUJ4P3lxU/s72-c/maria-flores-fake-plastic-love.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-8508210773816086702</id><published>2010-07-06T20:51:00.000-07:00</published><updated>2010-07-06T20:52:50.168-07:00</updated><title type='text'>Produções do "Laboratório de Textos Dissertativos"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-weight: bold; font-style: italic;"&gt; A Força de um Desejo&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peculiar imagem de um pequeno humanoide envelhecido e deformado arrancava ínfimas risadas entre as pessoas que estavam nas escuras salas de cinema de todo o mundo. Quando via o seu objeto de desejo, um anel colorido, seus olhos se arregalavam e suas mãos ficavam trêmulas. “Meu precioso!” balbuciava, vidrado.&lt;br /&gt;O gollen, esta personagem que arrancou reações de desprezo, ironia e gozo dos espectadores da trilogia cinematográfica “O Senhor dos Anéis” não é muito diferente da maioria de nós, viventes da terra do consumo.&lt;br /&gt;Pode até ser exagero tal comparação. Pode ser que não arregalemos os olhos ou tenhamos nossos corpos trêmulos. Mas o anel está no nosso imaginário, em forma de outras coisas, o mais simplório dos bens de consumo. O desejo está lá. Plantado, firme e inconveniente como uma erva daninha. E, assim como esta, não adianta arrancá-lo.  Certamente este nascerá novamente.&lt;br /&gt;Assim como o anel&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lxKU5sOGFPI/TDP6B2YKIoI/AAAAAAAAAK0/LAH000HjxtM/s1600/consumismo.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 218px; height: 255px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lxKU5sOGFPI/TDP6B2YKIoI/AAAAAAAAAK0/LAH000HjxtM/s320/consumismo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491007280378421890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; do filme, o poder do produto não está neste, mas sim no imaginário do consumidor. O êxtase da ação não está no elemento e sim no ritual de possuí-lo. Não é muito diferente do modo como o anel era posto como objeto de desejo no filme e a propaganda dos produtos nos dias atuais.&lt;br /&gt;É necessário que seja visualmente atrativo, seja por uma embalagem, marca ou no caso do anel fantasioso, brilhante e dourado. Ah! O produto deve ser razão de cobiça alheia. Que nem todos podem ter, que seja difícil a conquista – ou a compra. Uma mescla de fatores que nos guia a criar uma necessidade que antes não existia. “Como pude viver sem um celular com GPS, câmera digital de 3.1 pixels e MP3 player acoplado?” É uma necessidade firme e efetiva. “Precioso! Meu celular precioso!”&lt;br /&gt;Comparar-se com um monstrengo do filme pode até soar exagerado ou infame, mas existe sim um fundo de realidade cruel, que marca. O fato é que se muda o humanoide, se muda o anel, se muda a realidade ou a história.  Mas a situação é a mesma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-8508210773816086702?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/8508210773816086702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/8508210773816086702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2010/07/producoes-do-laboratorio-de-textos_8540.html' title='Produções do &quot;Laboratório de Textos Dissertativos&quot;'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lxKU5sOGFPI/TDP6B2YKIoI/AAAAAAAAAK0/LAH000HjxtM/s72-c/consumismo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-6777597195813967902</id><published>2010-07-06T20:44:00.000-07:00</published><updated>2010-07-06T20:46:35.850-07:00</updated><title type='text'>Produções do "Laboratório de Textos Dissertativos"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;A Torre da Ilusão&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não seria  a primeira vez que o mundo vislumbraria o deslumbre de jovenzinhas por criaturas criadas no imaginário de outrém. Estranhamente, de outra mulher, que acertaria em cheio ao encontrar o que atraíria todas essas jovens. Deixando de lado qualquer comparação entre o talento de escrita de tais autores e autoras, o que traria uma discussão que soaria numa linha comparatória deprimente comparando com a nossa geração, o fato é que todos tem um potencial em comum: o cativar de jovens corações.&lt;br /&gt;Mais de quatrocentos anos atrás teríamos um modelo de personagem que arrancava suspiros de suas leitoras sonhadoras. Shakespeare acertaria no alvo ao criar o romance “Romeu e Julieta”, particularmente a personagem Romeu. Este, um rapaz que se apaixona por uma garota de uma família inimiga da sua, passa toda a obra lutando por tal amor. Lutou por seu amor até a morte e no fim foi esta quem abraçou os amantes, com o fim da vida de ambos. Não diferente de tal modelo, na Inglaterra do século XIX surgiriam as famosas irmãs Brontë. Duas delas escreveram obras que são lidas e sucesso até os dias atuais: O Morro dos Ventos Uivantes e Jane Eyre. No primeiro, as indas e vindas de um casal que se amava acima de tudo, mas que as convenções e os desejos da “mocinha” não facilitaram a sua união. Heathcliff, o “galã” da história, luta para subir na vida de modo a poder sacear os anseios de sua amada Cathy, o que no fim se revela inútil. Esta morre.&lt;br /&gt;Já em Jane Eyre, um romance homônimo, a protagonista se vê envolta por uma avassaladora paixão por seu patrão, um problemático dono de propriedades, com modos taciturnos e um passado misterioso. Não muito distante de tal perfil, pode-se encontrar o mais famoso de todos os heróis romanticos, o Sr. Darcy. Na famosa obra de Jane Austen conhecemos o romance d&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lxKU5sOGFPI/TDP4kOZNO_I/AAAAAAAAAKs/AgL7a0TRmdc/s1600/principe_encantado.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 228px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lxKU5sOGFPI/TDP4kOZNO_I/AAAAAAAAAKs/AgL7a0TRmdc/s320/principe_encantado.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491005671917566962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;a impetuosa Elizabeth Bennet e o arrogante Fitzwillian Darcy, que acaba por lutar contra tudo e todos, inclusive consigo mesmo, para ficar com a jovem que amava com todo seu coração.&lt;br /&gt;Dando um salto de anos, reconhecemos a última série que abalou a cabeça das jovenzinhas da geração atual. Na série “Crepúsculo” um certo vampiro topetudo que brilha ao sol e se auto-denomina “vegetariano”, é o motivo de suspiros de garotas de todo o mundo. Este luta contra a própria natureza e inimigos para, no final de 4 livros, ficar com a sua amada.&lt;br /&gt;Em quinhentos anos de literatura, com mudanças de comportamento e até mesmo do papel da mulher na sociedade, a fórmula de sucesso ainda é a mesma, podendo ser moldada para outras mídias, como a televisão, cinema e rádio. Um homem misterioso e arredio que luta incansávelmente para ficar com a sua amada, como se esta fosse a razão de seu viver.  Além de tais semelhanças, existe uma ainda maior. Tal homem não existe, é uma ilusão. Seja ele pertencente a uma família inimiga ou brilhando ao sol e sendo portador de uma enorme fortuna, não existe. Uma ilusão que persegue os corações femininos entre séculos e séculos, trancafiando as mulheres num poço de frustrações. Acabam se tornando agentes passívos da sua própria história, sem autonomia, fazendo planos e esperando que sejam ouvidas por alguma fada madrinha. E o amor impossível, presente em todas as histórias, nada mais é do que uma representação da realidade triste e cinzenta que se encontra quando comparam-se com as heroínas e seus destinos “felizes”.&lt;br /&gt;Mulheres são criadas ouvindo histórias de dragões, bruxas malvadas, príncipes encantados e mocinhas indefezas. Não importa quantos sutiens sejam queimados em praças públicas, quantas mulheres que dão o seu sangue para uma sociedade menos machista. Enquanto tiverem seu imaginário criado desde os primeiros anos com ilusões do tipo, continuarão presas numa torre de um castelo feito de sonhos. Tal imaginário é sim um mundo em que se vive para o outro, que a solução está no poder de outra pessoa, não de sí mesmo. E não importa quão grande seja a sua trança de cabelos, nenhum principe surgirá para salvá-la da prisão em que sí mesma se trancafiou. E a vida acabará sendo a sua madrasta má.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-6777597195813967902?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/6777597195813967902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/6777597195813967902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2010/07/producoes-do-laboratorio-de-textos_06.html' title='Produções do &quot;Laboratório de Textos Dissertativos&quot;'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lxKU5sOGFPI/TDP4kOZNO_I/AAAAAAAAAKs/AgL7a0TRmdc/s72-c/principe_encantado.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-5789588990349874844</id><published>2010-07-05T20:35:00.000-07:00</published><updated>2010-07-05T20:36:41.259-07:00</updated><title type='text'>Resenha de "“A Publicidade é um Cadáver que nos Sorri” de Olivero Toscani</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Resenha de “A Publicidade é um Cadáver que nos Sorri” de Olivero Toscani&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nascido em Milão – berço da moda contemporânea – e formado em fotografia pela escola Kunstgewerbe de Zurique,  Olivero Toscani iniciou sua carreira entre as grandes revistas de produções fashion do mundo, como Elle e Vogue for Men. Nas publicidades que estampavam estas publicações Toscani encontrou sua origem. Com sua criatividade audaciosa cativou grandes corporações, fazendo campanhas para Jesus Jeans, Valentino, Fiorucci e para a sua mais famosa parceira, a United Colors of Beneton. Foi nesta que encarou um dos seus maiores desafios: a valorização e a difusão de valores na sua imagem.&lt;br /&gt;Toscani relata em seu livro “A Publicidade é um Cadáver que nos Sorri” outras facetas da publicidade. Além de retratar seu trabalho na Benetton, vislumbra ao leitor como funciona a sua linha de pensamento criativa. Começa a obra retratando como seria um mundo perfeito.  O céu completamente azul, numa mostra de quão feliz seria o dia daquele que o visse. Mulheres de pele perfeita e suave como a de um bebê, carros lustrosos que vagavam silenciosamente, nenhum congestionamento, sequer um acidente para tirar os motoristas do sério. O autor continua seu relato do mundo perfeito, seguindo para as famílias felizes, patrões gentis... Descrições que nos remetem a produções famosas publicitárias e é neste assunto que ele se pauta. Joga um balde de água fria no leitor quando diz “é o universo tacanho e estúpido da publicidade, que nos infantiliza há coisa de trinta anos”.  É este o momento que Toscani mostra seu toque tenaz e inicia a guia do leitor entre o que chama de “dez crimes que a publicidade está cometendo”.&lt;br /&gt;O Crime de Malversação de Somas Colossais mostra o poderio financeiro e territorial da publicidade, que cobre cada rua, cada esquina, cada segundo na televisão, revistas,  cada espaço possível para chamar a atenção do público. Já o Crime de Inutilidade Social é designado para mostrar que os publicitários não fazem um uso “do bem” para a publicidade, ignoram o real bem que podem fazer ao consumidor. O Crime da Mentira não é difícil de se imaginar após ler sua designação. “A publicidade não vende produtos nem ideias, mas um modelo falsificado e hipnótico de felicidade”.  O quarto crime é o Crime Contra a Inteligência, uma crítica aos publicitários que não são capazes de inovar, sempre batendo em teclas repetidas. Crime de Adoração às Bobagens é aquele que se anexa a  já gasta  imagem de sucesso em todas as campanhas publicitárias. No Crime Contra a Paz Civil o autor mostra que a publicidade cria monstros de frustração ao vender tanto a imagem de uma felicidade utópica. A crítica contra a linguagem repetitiva e boba dos slogans fica sob o poderio do Crime Contra a Linguagem. Não muito distante desta temática surge o Crime Contra a Criatividade, que também critica as ideias e linguagens usadas na publicidade. Por fim surge o décimo crime, o Crime de Pilhagem. Neste o autor critica vorazmente o ato da publicidade de vender as ideias, musicas e estilos lançados por personagens da mídia.&lt;br /&gt;Toscani compara a publicidade com a máfia italiana, tão conhecida na literatura e nos filmes. Os raríssimos inovadores são copiados e sugados, impedindo que a publicidade se renove. As marcas usam somente máscaras de diferenciação, porém, seus produtos publicitários são iguais. São como mercadorias que se alastram iguais umas às outras. O autor compara a publicidade com um cadáver em seu velório, bem arrumado, maquiado e perfumado. Parece que na imobilidade e em seu corpo sem vida encontrou uma felicidade, parece sorrir. Está morta mas sorri. É nesta metáfora que Toscani explica o título um tanto quanto bizarro de seu livro.&lt;br /&gt;Após as suas críticas e desabafos sobre o mundo publicitário o autor conta sua experiência de trabalho na United Collors of Benetton.  Olivero Toscani usou o espaço que a marca lhe deu para, além de divulgar esta, fazer um trabalho social. Suas campanhas tinham um viés social, retratando o preconceito em suas várias vertentes. Ideias criativas e muitas vezes chocantes o fizeram ainda mais famoso e admirado, também anexando a tal imagem a empresa. Em cada foto do livro, o autor explica qual foi sua ideia e suas histórias por trás daquela imagem.&lt;br /&gt;A crítica está presente durante toda a obra, mas não se é completamente pessimista o posicionamento do fotógrafo.  Este chega até a admitir que a publicidade, enfim, não é de todo um cadáver. Se existe a repetição e manutenção de um modelo publicitário é porque este tem tido algum efeito.  Entre as páginas deste livro pode-se encontrar informações de como se é o universo de um fotógrafo, a sua relação com a publicidade e seus clientes. Toscani apresentaria um outro olhar sobre o mundo glamouroso da publicidade, abrindo os olhos do leitor. Mesmo que este não concorde de todo com o autor, certamente tal leitura o fará mais crítico quando ver o próximo anuncio publicitário que encontrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-5789588990349874844?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/5789588990349874844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/5789588990349874844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2010/07/resenha-de-publicidade-e-um-cadaver-que.html' title='Resenha de &quot;“A Publicidade é um Cadáver que nos Sorri” de Olivero Toscani'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-2716401288657486176</id><published>2010-07-05T20:34:00.001-07:00</published><updated>2010-07-05T20:34:25.399-07:00</updated><title type='text'>Produções do "Laboratório de Textos Dissertativos"</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;- As aparências enganam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Bem mais que um sapo&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É inevitável. O primeiro julgamento que fazemos sempre é o da superfície, o estético, aquele que nos faz recordar de algo já impregnado em nossa mente, em nossas lembranças. É o mais fácil, talvez o instintivo. Mas nem sempre é o correto, a vida é cheia de camadas, nuances que não são perceptíveis a tais julgamentos superficiais.&lt;br /&gt;Uma das histórias infantis mais famosas da literatura clássica universal é a da “Princesa e o Sapo”. A princesa julga a criatura somente por sua aparência grotesca e animalesca, sem imaginar que por trás daquela forma de anfíbio existia um príncipe encantado. Fugindo das fantasiosas e romantizadas histórias infantis, pode-se sim aplicar tal conceito na nossa vida.&lt;br /&gt;Em 1994 o mundo perdeu o seu ídolo máximo do rock, Kurt Cobain. Tido como revolucionário, ergueu as bases do estilo grunge e o popularizou pelo planeta. Todos invejavam sua vida de dinheiro, festas e glamour. Ninguém imaginava o que realmente deveria ser a vida deste por trás da máscara de pop star. Seu suicídio foi um choque para o mundo, ninguém imaginava que alguém com tanto poderia ver-se numa vida miserável. A verdade é que nem tudo que parece, é.&lt;br /&gt;Não se trata somente da vida humana, mas de expressões desta também. Uma pessoa leiga em literatura sempre considera a poesia como algo leve, ligado ao amor romântico, à paixão. Engana-se profundamente. Entre os malabares de palavras complicadas, entre frases com rimas básicas, pode-se encontrar a faceta de dizeres que alardeiam violência, dor e a morte.&lt;br /&gt;Nem sempre a melhor embalagem contém o melhor produto. A quem deseja levar a vida com prudência, deve usá-la para construir seus julgamentos. A forma é diferente do conteúdo, por mais que insistamos em uni-los como uma coisa só.  No final das contas a princesa estava certa, vale à pena beijar o sapo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-2716401288657486176?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/2716401288657486176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/2716401288657486176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2010/07/producoes-do-laboratorio-de-textos_05.html' title='Produções do &quot;Laboratório de Textos Dissertativos&quot;'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-846544722890341491</id><published>2010-07-05T20:31:00.000-07:00</published><updated>2010-07-05T20:32:41.092-07:00</updated><title type='text'>Produções do "Laboratório de Textos Dissertativos"</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Argumente tentando convencer um empresário sobre a importância de sua instituição ter um setor destinado à comunicação interna. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Comunicação Interna: Agrade os seus!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando se pensa numa ação comunicativa empresarial é quase impossível não anexar a tal ideia a imagem da atuação da publicidade e do marketing, atingindo certeiramente o público que consome a produção ou o trabalho de tal empresa. O comunicador é tido como aquele que chamará o público, que o atenderá, dando às caras da empresa, seus signos e ideais. Tal prerrogativa não está nem de longe errada, mas o processo comunicativo empresarial pode ser muito mais que isso.&lt;br /&gt;A comunicação interna dentro de uma empresa pode trazer mais benefícios do que se imagina. Sua ação pode tornar o resultado final corporativo muito mais eficaz e efetivo.  Dentro de uma empresa sem ações de  comunicação interna não existe nenhuma troca entre a empresa e o empregado. São jogadores de um mesmo time, sem entrosamento, sem capitão, sem guia. Cada um faz a sua parte, limitando-se cada dia mais e não tendo a possibilidade de evolução que somente um bom relacionamento entre empresa e empregado pode criar.&lt;br /&gt;Ações de comunicação interna fazem as informações, que são meramente jogadas aos empregados, fazerem sentido à estes e as guiando para uma mais eficaz aplicabilidade, gerando uma possível mudança de atitude.  Também consegue fazer as informações e mensagens da empresa para aqueles profissionais que antes nada recebiam.&lt;br /&gt;O sucesso de um empreendimento, quase sempre, é centrado nas ações das pessoas que integram seu quadro de empregados e associados. Quando se comunica melhor com estes, acaba-se com a barreira da impessoalidade entre empregado e empregador, os agregando e criando um laço maior entre estes e a corporação.  A comunicação os faz sentir-sem mais valorizados, mais reconhecidos como pessoas e não como peças de uma grande engrenagem. O viés familiar ao invés do maquinário é bem mais atrativo. Vale-se lembrar que o empregado de uma empresa é a propaganda mais efetiva e eficaz que existe. São os porta-vozes de uma imagem agradável da corporação ao consumidor.  Parafraseando o escritor Mário Quintana “O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-846544722890341491?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/846544722890341491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/846544722890341491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2010/07/producoes-do-laboratorio-de-textos.html' title='Produções do &quot;Laboratório de Textos Dissertativos&quot;'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-949427193257686157</id><published>2010-07-05T20:28:00.000-07:00</published><updated>2010-07-05T20:30:56.501-07:00</updated><title type='text'>Produções do "Laboratório de Textos Dissertativos"</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Essencialidade do domínio da Língua Portuguesa na profissão de Comunicador Institucional.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O Pigmalião&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;“Vou transformar esse filhote de dragão numa duquesa!”, essas foram as palavras que designariam o desenrolar de uma das histórias mais famosas do cinema clássico, a do musical estrelado por  Audrey Hepburn chamado “My Fair Lady”. O enredo é baseado na lenda do Pigmalião, o rei de Chipre e escultor que se apaixonou pela sua obra prima, a estátua daquela que imaginava ser a mulher perfeita. Penalizada, a deusa Afrodite transformou a estátua numa mulher de carne e osso, Galatéia.  Não diferente do mito do mito do Pigmalião, o filme mostra o encontro entre o culto professor de fonética Henry Higgins e a mendiga vendedora de flores Eliza Dolittle. Num embate entre ambos e horrorizado com o modo de falar da jovem, o professor diz que a transformaria numa perfeita lady em apenas 6 meses. Bem, o que se imagina ao vislumbrar tal cena é a transformação de Eliza, que termina o filme tal qual a diva de Pigmalião, perfeita aos olhos de seu “criador”.&lt;br /&gt;O que se pode tirar do famoso filme é muito mais do que a história de amor entre Higgins e Dolittle, mas sim, a importância de como algo pode ser aceito, vendido e até amado quando se mostra envolto por algum verniz de cultura, erudição. Assim como a florista, um empregado ou uma empresa  consegue alavancar-se e até ser melhor aceita quando mostra-se capaz de dominar a língua portuguesa com perícia.&lt;br /&gt;Um comunicador institucional, aquele que lida com todos os viés comunicativos de uma organização, quando se não tem segurança e domínio da linguagem vigente em seu país mostra-se completamente incapaz. Lidar com as palavras, saber dominá-las – e não ser dominado – é uma das capacidades mais imprescindíveis para um comunicador.  De tal profissional se espera a completa segurança para tratar a comunicação e nenhuma comunicação é feita com palavrórios errôneos, frases desconexas e sem sentido. O feitiço viraria contra o feiticeiro, o comunicador – a quem se espera ser o pilar da sabedoria linguística da corporação – se tornará desnecessário, podendo ter seu cargo usurpado por pessoas com outras formações diferentes da sua.&lt;br /&gt;Um comunicador institucional deve dominar não só as vivências de uma vida corporativa, as estratégias de comunicação, mas sim como estas devem ser guiadas e redigidas de maneira correta. É o caminho correto para que tal profissional seja digno da mesma admiração que se daria a uma obra prima tal qual a do Pigmalião.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-949427193257686157?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/949427193257686157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/949427193257686157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2010/07/o-pigmaliao-vou-transformar-esse.html' title='Produções do &quot;Laboratório de Textos Dissertativos&quot;'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-5299898959945587659</id><published>2009-02-28T23:12:00.000-08:00</published><updated>2009-02-28T23:16:56.671-08:00</updated><title type='text'>Trecho de  "Platonicamente..."</title><content type='html'>Pensava acreditar ter-se curado daquilo. Sentiu a boca seca, levou um copo até os lábios e o sorveu rapidamente, enquanto fechava os olhos enquanto sentia as batidas de seu coração.&lt;br /&gt;A vida parecia rir dela, rir da sua própria figura. Jogava como uma madrasta má, sempre a colocando em situações amargas, controversas, infames.&lt;br /&gt;Pareceu voltar no tempo, enquanto ouvia os burburinhos que envolviam a saleta. Como se humilhara! Como implorara por seu amor! E o que recebera foi pouco mais do que uma desculpa esfarrapada para não partir-lhe o coração.&lt;br /&gt;"Que parta meu coração, que dilacere-o!" Lembrava que dissera isso para sí mesma, em suas lembranças amareladas e, no entando, tão visíveis em sua memória. Sentia a mesma agonia naquele instante.&lt;br /&gt;"Que queime minha alma, mas não sinta pena de mim! Seja sincero, diga que me acha desprezível, mas não pense em meus sentimentos..."&lt;br /&gt;Ele havia pensado em seus sentimentos. Escolhera bem as palavras que, de modo delicado e disperso, disseram o quão ela era desinteressante para ele. Não havia humilhação maior para uma mulher do que um tratamento exageradamente respeitoso numa situação amorosa daquela. Esperava poder odiá-lo, mas não conseguira.&lt;br /&gt;Queria odiá-lo, desejava expulsá-lo de seu coração. Mas o máximo que pode foi enfiá-lo num cantinho, enquanto buscava em outrém migalhas e sombras do homem que um dia desejara para sí com tanta paixão.&lt;br /&gt;Sentira raiva, ira. Ah, isso sim. Mas o tão desejado ódio, repulsa...Isso nunca conseguira. E agora, ao fitá-lo alí, tão próximo de sí...Sentiu-se envergonhada de sua fraqueza, de sua completa falta de controle emocional.&lt;br /&gt;Respirou fundo e fez o que uma pessoa adulta jamais faria: saiu da sala. Não queria falar com ele. Não queria vê-lo, nem ouvir sua voz. No entando seu coração a tentava, chamando-a para fazer a volta, para poder fitá-lo mais uma vez. Controlou-se, precisava manter seu orgulho por mais infantil que aquilo parecesse. Acabou por adentrar ao elevador, fechando os olhos e encostando a cabeça no material gélido da parede. Era incontrolável. Logo imaginou que este se aproximaria de sua mesa se estivesse ficado na festa de boas vindas, que lhe sorriria e perg&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lxKU5sOGFPI/Sao2P0fwZdI/AAAAAAAAAJo/Ga1gTL6lSpM/s1600-h/lonely.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lxKU5sOGFPI/Sao2P0fwZdI/AAAAAAAAAJo/Ga1gTL6lSpM/s320/lonely.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308114756227327442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;untaria com grande interesse o que acontecera em sua vida.&lt;br /&gt;Ele teria mudado de idéia, veria nela e em seu amor puro e profundo o que realmente desejara para sí. Jamais haveria esquecido suas declarações inflamadas, desprovidas de jogos e de qualquer idéia de egocentrismo. Ela era dele, havia se entregado. Havia depositado todos os seus sentimentos nas mãos daquele homem que, depois de tantas desilusões mundanas, lembrou-se das palavras daquela jovem.&lt;br /&gt;Tola.&lt;br /&gt;Não, um homem não pensa nisso. Isso é típico das mulheres. Um homem jamais se lembra de palavras, lágrimas e devoções. Os homens lembram-se de toques, paixões carnais, loucuras...Não de declarações sentimentais que os deixara completamente sem jeito em algum passado.&lt;br /&gt;Acabou por sair do prédio quase correndo, em completo descontrole. Claro que imaginara, por sinal diversas vezes, que um dia o reencontraria. Em sua imaginação tudo seria completamente diferente, ele a admiraria, a cortejaria. Mas não foi isso que aconteceu.&lt;br /&gt;Como era praxe naquele relacionamento platônico, ela mais uma vez foi sutilmente esquecida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-5299898959945587659?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/5299898959945587659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/5299898959945587659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/trecho-de-platonicamente.html' title='Trecho de  &quot;Platonicamente...&quot;'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lxKU5sOGFPI/Sao2P0fwZdI/AAAAAAAAAJo/Ga1gTL6lSpM/s72-c/lonely.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-6322475366946322839</id><published>2009-02-24T22:34:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:36:47.357-08:00</updated><title type='text'>Capt 4 - Castelo dos Sonhos</title><content type='html'>Fitou-se no espelho, sem muito ânimo. Talvez seu pai estivesse certo, o melhor seria casar-se com o coronel e esquecer aqueles sonhos romanticos, pensou Pepe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez não devesse ir, menina. - Resmungou Zira, que trazia o vestido da jovem passado, pronto para a festividade local. A criada já estava pronta, o casamento do capataz do Coronel iria reunir gente de toda a região, de todas as classes sociais. Uma grande mistura, pensava a criada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vou viver me escondendo, Zira. - Disse Penélope, enquanto voltava-se para a criada e tomava o vestido lilás entre as mãos, voltando-se para o espelho e fitando-o de frente ao corpo. - Queria tanto ser como mamãe. Podia vestir um saco de batatas e ficava linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sua mãe era linda pois não vestia sacos de batatas. E nem os carregava como nós, menina. - A criada como sempre parecia ter sempre algo na ponta da língua para falar mal da sua ex-patroa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai Zira, só você mesmo! - Rindo, a moça se aproximou da criada e a beijou na face. A mulher saiu dalí, acanhada e fingindo-se nervosa com a ação, mas aqueles seus modos rudes não enganavam ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penélope vestiu-se, sentando-se em frente a penteadeira enquanto escovava o cabelo lentamente, com os olhos fixos na própria imagem, mas a mente longe dalí. Não conseguia se esquecer da noite anterior, imaginava como pudera ir do céu ao inferno em tão poucos segundos. Ela fora. Mas, tentava ser positiva. Ao menos agora já não se iludiria mais, sabia que Pedro jamais a veria como mulher. Suspirou, dando de ombros, enquanto aplicava um pouco de maquiagem sobre a face. Não desejava ir mal arrumada na festa, queria ir ao menos sentindo-se bela. Sabia que Carolina estaria lá, não desejava sentir-se assim tão derrotada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu do quarto decidida a deixar alí aqueles pensamentos tristes, aproveitando aquela noite. Haviam poucas ocasiões de lazer para ela, não iria jogar aquela noite fora por causa de alguém que sequer sabia que existia. Sim, tentaria ao menos fingir que tinha o coração vazio, pronto para um novo amor. Sabia que estava se enganando, se iludindo... Mas isso seria algo assim tão ruim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está linda, flor! - Exageradamente gesticulou seu pai, sentado sobre sua cadeira de balanço. Não iria à festa, não tinha gosto por comemorações do tipo. Pepe deu uma voltinha, sorrindo. Enquanto isso seu irmão, muito bem vestido em seus "trajes de domingo", a tomou pelo braço e ambos partiram em direção à propriedade do coronel, na carroça do irmão. Enquanto sacolejavam pela estradinha de terra, o irmão resmungou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando se casar com o coronel, vai andar no único carro da região. Não vai ficar dependendo da boa vontade dos cavalos, nem sentindo esse cheiro de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me incomodo com isso, Antônio. Gosto muito de andar de carroça, se quer mesmo saber. - Fitou-o de soslaio, achando graça da irritação do irmão. A discussão logo acabou quando ambos viram as luzes ao horizonte e a música animada que anunciava o começo do casamento. O sol estava se pondo, deixando o céu alaranjado. Penélope suspirou, deixando sua alma romantica deliciar-se com aquela cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===...===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vai sair do meu pé, não? - Reclamou Carolina, ao lado de Pedro. Ambos estavam sendados nos bancos de madeira improvisados no campo, enquanto esperavam o casamento começar. A cabocla voltou a cabeça para trás, observando as pessoas que chegavam, procurando por Maurício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está se iludindo, idiota. - Murmurou Pedro, impassível. Parecia ter já perdido sua paciência com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Iludindo? Por que diz isso? - Os olhos castanhos da moça se fixaram no homem, levemente cerrados pela desconfiança das palavras do mesmo. Pedro a fitou de soslaio, com a sombra de um sorriso nos lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Abra os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, fica quieto! Você não sabe de nada, nunca vai saber de nada. É um pobretão, mal amado. - A moça se ergueu, fitando-o nos olhos, com as íris ardendo feito chamas de ódio. - Se quer mesmo saber, logo vou estar casada com o homem mais lindo e rico dessa região. E você vai continuar aí, babando por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro agarrou o pulso de Carolina com força, fitando-a nos olhos e mostrando um olhar intenso, com a mesma raiva que esta depositara nele momentos antes. Como podia desejar tanto beijar aqueles lábios impetuosos e ao mesmo tempo esganar aquele pescoço delicado? Pedro perdia a cabeça perto de Carolina, não tinha controle algum de sí mesmo, só tinha noção do poder daquela caboclinha sobre sí. Por fim a soltou, quando viu que iria machucar seu pulso com sua força. A moça partiu sem fitá-lo novamente, seguindo na direção de Mauricio. O filho do coronel rapidamente foi recebido por todas as jovens casadouras da região, batalhando por um pouco de sua atenção. Mas, ao longe, havia uma figura que sequer dava atenção ao jovem. Uma figura vestida em lilás, caminhando sobre o campo, envolta pelo por do sol. Pedro não imaginava, mas não era o único espantado com aquela visão tão doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===...===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fitou-se no espelho, aprovando a própria imagem. Sorriu, como se sorrisse para alguma jovem que desejava prolongar a festividade noturna. Rindo, saiu de seu quarto com passos decididos e cheios de entusiasmo. Primeiramente não havia gostado da idéia do pai dar aquela festa ao pobre criado, presenteá-lo daquela maneira absurda. Mas tudo mudara, agora que sabia da existência de tantas moças naquela região. E todas estariam naquela festa, todas até mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que inferno! - Praguejou alto, enquanto colocava as mãos nos bolsos e caminhava na direção da festa, onde seu pai o esperava. A cerimonia jamais começaria sem o herdeiro do coronel. - Só pode ser algum feitiço, não posso ter me impressionado assim com uma mulher tão sem atrativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou por chutar um pedaço de madeira que havia ao chão, irritado. Então parou, fitando o céu e respirando fundo, em seguida fechando os olhos. Ordenou à sí mesmo parar de pensar em Penélope. Era a pretendente de seu pai, e pior que isso, não parecia ver nenhum dos encantos de Maurício. Por fim forçou-se em pensar na bela Carolina, que certamente o esperava naquela noite para continuar o que haviam começado antes. Sim, depois da festa sentiria o doce gosto daquela caboclinha, a possuiria do jeito que sempre quisera desde que a vira quando retornara da cidade, um mês antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi com aquele pensamento em mente que adentrara à "festa", sendo recebido primeiramente pela filha do Coronel Astuto, uma jovem loirinha de olhar tímido e palavras afetadas, que parecia devorá-lo com os olhos. Em poucos minutos, estaria literalmente cercado por mulheres de todas as classes, cores...Até mesmo algumas senhoras casadas lhe enviavam olhares provocativos, o que fez Maurício sorrir consigo mesmo. Sua fama de conquistador era enorme, algumas desejavam apenas passar uma noite em seus braços. E era o que ele também tanto desejava, o que era um acordo muito proveitoso ao jovem herdeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esses caboclos, são tão sem porte... - Disse uma jovem que Mauricio havia esquecido o nome, mas sabia direito o formato dos pequeninos seios sobre o corpete. Desviou os olhos na direção que a moça olhava e fitou Carolina, que parecia discutir com Pedro. Aquele caboclo irritante! Atrapalhou sua noite com a jovem e ainda o complicou com Penélope, que agora o julgava um patife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todos temos nossos defeitos, senhorita. E nossos pontos fortes. - Sorriu, dizendo aquelas palavras sem pensar muito, só desejando dizê-las para rapidamente sorrir de maneira sedutora para aquela garota. A moça tinha as faces rubras e mordiscava o lábio inferior de leve, o encarando. Encarar era o que Carolina também fazia, seguindo em sua direção e parando ao longe, fitando-o daquela maneira cheia de fome, de desejo. Sentiu um calor tomar seu corpo, fitando-a de maneira intensa, desviando o olhar rapidamente. Se comunicavam com olhares, a atração entre ambos era extremamente forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando deu por sí, Mauricio era o centro das atenções femininas. Vestidos coloridos o cercavam, perfumes doces, laços e lábios pintados com carmim. Os homens o fitavam apreensivos, em seus ternos escuros e respeitáveis. Quando toda aquela atenção já começava a o deixar enfadonho, voltou a face para o horizonte onde viu uma sinueta feminina envolta por um vestido lilás caminhando na direção da festa.O por do sol parecia ser um cenário feito só para aquele anjo, que caminhava sobre o campo verdejante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu coração pareceu bater mais forte, as palmas das mãos ficaram suadas, sabia quem era. Era Penélope. Preparou seu sorriso mais encantador quando esta passou pelas proximidades de seu grupo de companhias femininas, mas ficou sem receber sequer um olhar. A jovem acompanhava o irmão e seguira para as poltronas de madeira, deixando Mauricio seguí-la com o olhar, com uma expressão totalmente perdida e confusa. Triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==== ... ====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vai dançar, Antônio? - Perguntou Pepe, ao ver o irmão que trocava olhares com uma jovem, mas não tomava nenhuma atitute. O rapaz por sua vez a fitou com espanto, sorrindo sem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não a deixarei sozinha aqui, minha irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, não seja tolo! Vá se divertir, não vê que o coronel está acanhado ao me ver ao seu lado? - Imitou um tom dramático que arrancou uma risada do irmão, que lhe deu um beijo na face e seguiu na direção daquela moça com quem flertava com o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penélope fitou o novo casal com uma expressão suave, talvez admitisse para sí mesma uma pontada de inveja. Mas não tinha vergonha daquilo, qual era o mal de desejar ser amada, ter carinho? Baixando os olhos, deslisou a mão sobre o braço e fitou o chão, controlando-se. A noite toda teve de se remediar para não buscar Pedro com o olhar, no meio daquelas pessoas. Sabia que era muito mais do que aquela obsessão. Com aqueles pensamentos tomando-a por completo, as pessoas ao seu redor eram pouco mais que vultos, as músicas um som abafado. Distante. Mal notou a proximidade do Coronel, que vinha em sua direção fitando-a como um caçador fita a presa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sozinha, professora? - Tentou puxar assunto, sorrindo por trás dos bigodes brancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum? - Penélope assustou-se, fitando-o um tanto desnorteada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perguntava-me como uma jovem tão bela está aqui, parada. Não gosta de dançar? - Sorriu novamente, fazendo Penélope engolir seco, temendo que o mesmo fosse pedir uma dança. Não queria dançar com ele, não queria dar nenhuma margem de comentários para aquela gente, que só de ver a professora com o coronel já começavam a inventar milhares de histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gosto sim, mas... - Segurou o ar, enquanto tentava maquinar uma desculpa, fitando as pessoas em evidente pânico. Seu olhar se fixou em Mauricio, que a fitava enquanto dançava com a filha do coronel Astuto. Parecia surpreso com sua atenção e prontamente largou a moça, seguindo em sua direção. Pepe engoliu seco, imaginando que aquele rapaz - por mais que fosse detestável - pudesse salvá-la daquela situação embaraçosa. Com um sorriso nos lábios ele se aproximou do pai e da professora, parecendo decidido em tomá-la para uma dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas...? - Insistiu o coronel, notando que a resposta demorava demais. Mauricio já estendia a mão na direção da jovem, recebendo um olhar estupefato do próprio pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...mas ela já havia prometido essa dança para mim, coronel. - A voz de Pedro soou, fazendo com que dois pares de olhos o fitassem com surpresa. Penélope ficou sem ar, surpresa com aquela situação. Feito uma pessoa hipnotizada, teve a mão tomada pelo rude capataz e seguiu para a improvisada pista de dança, onde as pessoas dançavam ao som daquela viola caipira. Estranhamente, não conseguia fitá-lo nos olhos, tendo a pele clara coberta por um rubor intenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A moça parece estar cabreira com algo. - Disse Pedro, que também parecia sem jeio com aquela situação. A professora ergueu sua cabeça e fitou-o nos olhos, sorrindo de maneira desastrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada, Pedro. Me salvou de uma situação realmente embaraçosa com o coronel. Se quiser ir dançar com alguma moça que prefira, esteja à vontade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, eu estou dançando com a moça que prefiro. - O caboclo falou rapidamente, fazendo com que Penélope o fitasse nos olhos, surpresa. Um suave tremor subiu sobre sua espinha, sentia um calor que queimava sua pele onde Pedro a tocava, estava sem ar. A reação da professora, para aqueles que davam devida atenção ao casal, era notável. A simplória professora de Pequenos Montes era apaixonada pelo caboclo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====...====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina se aproximou de Mauricio sorrateiramente, quando este finalmente estava sozinho. Parecia ter discutido com seu pai e agora tinha os olhos fixos na pista de dança. com uma expressão de poucos amigos. A moça sorriu consigo mesma, ele era lindo até bravo! E sabia bem como tirar-lhe toda aquela tensão, sabia sim. Postou-se atrás do rapaz sem que esse a visse, murmurando ao seus ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está com tanta vontade de dançar assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. - Respondeu firmemente Mauricio, que sequer desviou o olhar para fitá-la. Carolina então ficou ao seu lado, seguindo a linha do olhar do mesmo. Entrou em delírio quando viu que ele fitava Pedro, dançando com aquela professorazinha estranha. Sim, a mesma que interrompeu sua noite de amor. Logo acreditou que Mauricio estava tomado de raiva por Pedro, que a levara consigo na noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fique assim, meu amor. Eu estou aqui, não estou lá com Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do que está falando?! - Perguntou Mauricio exaltado, parecendo já sem paciência com a jovem. Carolina ficou um tanto quando sem jeito, mas continuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do seu olhar de ódio para Pedro. Está com ciúmes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diabos! É tão evidente assim? - Pela primeira vez Mauricio a fitava, parecendo ainda muito nervoso com aquela situação toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, eu te conheço bem. - Carolina não conseguia conter sua satisfação com os ciúmes do rapaz. Sempre fora insegura quanto aos sentimentos do herdeiro do coronel, afinal... Tantas jovens lindas e ricas o cortejavam, mas agora sabia que era dela que ele tinha ciúmes. Dela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Inferno. - Murmurou o rapaz, saindo dalí de supertão e seguindo na direção da própria casa, parecendo realmente irritado. Todos comentavam, afinal qual era o motivo de toda aquela raiva do jovem rapaz? Carolina, por sua vez riu consigo mesma. Ele a amava, confirmara que estava com ciúmes. Ciúmes que o deixavam fora de sí!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===...===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando viu o filho do coronel partir daquela maneira depois de conversar com Carolina, Pedro teve a confirmação do que imaginava. Juntara todas as peças daquele quebra cabeças, desde que o ouvira praguejar aquela manhã próximo da escola, ou a maneira tão sem graça que se portara na noite anterior no celeiro. Jamais vira o filho do coronel tão perdido, sem ação próximo de alguém. Estava encantado com a professora, mas... Até Pedro estava, ou não? Respirando fundo, ouviu a música acabar com uma pontada de tristesa no peito, enquanto levava a moça para fora da pista juntamente com os outros casais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, eu acho que vou para casa. - Sorriu a professora, enquanto procurava com os olhos o irmão. Pedro seguiu sua linha de olhar e riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que seu irmão não quer ir ainda, professora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, realmente... Mas estou muito cansada, acho que irei sozinha. - Voltou a fitar o caboclo, tentando domar seu coração impulsivo. Com aquela pouca atenção que recebera, parecia novamente sentir aquela tão odiosa esperança que a envolvia como braços de um polvo, parecia que jamais conseguiria deixar de pensar naquela maneira. Penélope jamais conseguira domar seus desejos, sentimentos. Sempre tivera a emoção dominando sua razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A professora jamais desataria um amor, não é? - O jeito simplório de falar do caboclo tomava por completo a atenção da moça, que achava aquelas palavras encantadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É verdade, Pedro. Sou uma romantica incurável... - Inconscientemente, suspirou. Quando deu por sí, o caboclo lhe estendeu o braço, num sinal para que se encaixasse alí.&lt;br /&gt;- Então, eu a levarei para casa, Srta. Penélope. - Sorrindo, ele parecia mais irresistível ainda. Tão tomada estava por aquela alegria que mal notou a criada Zira, que surgia correndo feito desesperada em sua direção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-6322475366946322839?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/6322475366946322839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/6322475366946322839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-4-castelo-dos-sonhos.html' title='Capt 4 - Castelo dos Sonhos'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-1389662445235459756</id><published>2009-02-24T22:31:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:34:57.320-08:00</updated><title type='text'>Capt 3 - Castelo dos Sonhos</title><content type='html'>Alguém estava em perigo, sabia que o valente caboclo jamais procuraria outra pessoa se não fosse este o caso. Acabou por encontrar na sala um tipo de capa, sobretudo de seu pai. Fitou-se no espelho, do outro lado da sala. Velho, desbotado e com as pontas esfarrapadas, servia-lhe e isso bastava. Seu pai e ela tinham praticamente a mesma altura, não era uma mulher de formas pequenas. Invejava-as, parecendo tão delicadas que podiam quebrar num simples toque. Ela não, era forte, alta. E sabia se alimentar bem, sem parecer ter grandes vaidades, isso não combinava com aquela região em que vivia, com seu modo de vida. Novamente lembrou-se da mãe, tão bela e charmosa. Uma flor tão frágil jamais sobreviveria naquele lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rápido, professora! - O chamar de Pedro a tirou daquele devaneio e ao mesmo tempo fez seu coração disparar. Conteve um sorriso e saiu da casa praticamente correndo, o encontrando. Ele a recebeu com uma expressão aflita, nervosa. Tirou o chapéu e fez uma rápida mesura, fitando-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado por vir, professora. Sei que é uma mulher boa, já pensei em procurá-la hoje quando... - A face do caboclo pareceu tornar-se rubra, como se este hesitasse em fazer algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga, Pedro. - Falou suavemente, com calma, como fazia com as crianças que aprontavam alguma coisa. O caboclo a tomou pela mão, puxando-a praticamente correndo na direção de um cavalo castanho. Penélope tremeu, sentindo aquele toque quente da mão do capataz contra a sua, sentindo um calor que nascia naquele toque e tomava todo seu corpo. Quando se aproximaram do animal, Pedro voltou-se para Penélope, fitando-a enquanto segurava sua cintura para erguê-la. Foi como se este estivesse vendo aquela mulher pela primeira vez, sentindo suas ancas contra suas mãos brutas. Sentiu-a tremer e suas íris pareciam ainda maiores, enquanto via que a professora não desviava o olhar e nem se afastava de seu toque. Por fim a soltou, como se o corpo dela queimasse sua mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, professora. É a pressa! - De fato era, mas aquilo não era desculpa. A jovem forçou um sorriso, dando de ombros e montando o cavalo sozinha, mostrando o quanto independente era. Rapidamente o caboclo fez o mesmo e então partiram para aquele destino que Penélope ainda não sabia qual era. Só tinha noção do corpo do homem contra o seu, já que o segurava pela cintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro sofria do mesmo mal, praguejando contra sí mesmo naquele momento. A simples respiração da professora contra seu pescoço parecia atordoá-lo, enquanto as formas da mesma tão disfarçadas pelo grosso casaco que vestia, transmitiam um forte calor de seu corpo. Ordenou-se tirar aqueles pensamentos da cabeça e então, quando viu o celereiro ao longe, uma forte garoa começou à cair no campo. Ao pensar em Carolina nos braços daquele rapaz, pareceu esquecer por completo que havia uma jovem consigo e correu ainda mais até chegar próximo do celeiro. Desmontou do cavalo, sentindo já a fúria da chuva que certamente seria passageira. Esperou Pepe desmontar, sequer notando a face da professora totalmente molhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma jovem inocente está sendo tomada por um pervertor alí, professora. Preciso que me ajude a salvá-la, já que é muito respeitada e é uma mulher. E também vai ser a... - "futura esposa do pai do canalha!", pensou Pedro, sem dizer em voz alta. Já tomava a mão da professora contra a sua, correndo, sem sentir nenhum encanto que sentira poucos minutos antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em questão de segundos, adentraram ao celeiro por fim. De fato, encontraram um rapaz parcialmente nu sobre uma moça, com os seios de fora. Penélope fitou Pedro, que hesitava em fazer algo, tremendo de raiva. Seu coração doeu ao vê-lo naquele estado e tomada por aquela dor, se aproximou do casal e chutou o rapaz com força, arrancando um grito da jovem que rapidamente se cobriu e fazendo-o cair para ao lado, gemendo de dor. A moça ergueu-se, pálida feito uma assombração, enquanto o moço também ergueu-se rapidamente e, quase por instinto, socou a figura que o ferira na barriga, fazendo-a cair ao chão. Caiu sobre o estranho, erguendo o punho para esmurrá-lo na face, quando seu pulso foi segurado pelo caboclo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vê que está batendo numa mulher?! - Disse Pedro, entre os dentes. Carolina fitava a cena muda, como se jamais imaginasse que a noite terminaria assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me solte! - Disse Mauricio num tom forte, ainda sem saber ao certo como agir. Perplexo, sentou-se ao lado do estranho e este conseguiu erguer-se parcialmente, tendo a face iluminada pela lua. Uma face delicada, face de mulher, com feios arranhões de quando caíra ao chão. Os olhos da mulher o fitaram por entre a escuridão, parecendo desejar matá-lo com um simples olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não respeita mulher alguma, Mauricio? - Murmurou a jovem, então este ainda sem a reconhecer. Mas ela evidentemente o conhecia, o que estranhou. A voz soava tão doce quanto jamais ouvira naquela região. As palavras eram ditas corretamente, como se fossem planejadas dentro daquela cabeça horas antes de serem ditas. - Sinto tanta dor que seria capaz de matá-lo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro segurava Carolina, que já parecia estar em sí e fitava ambos com uma expressão de poucos amigos. Mauricio se pôs em pé, rapidamente ajudando a jovem a erguer-se, Os cabelos castanhos estavam emaranhados e sujos, com fiapos de palha entre as madeixas, tentando-o em tirá-los. A expressão da moça ainda era de poucos amigos, mas não parecia alguém do tipo que guardava rancor por muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vai dizer nada? - Disparou, enquanto passava a mão sobre o próprio casaco, tirando a palha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E...Eu...- Engoliu seco, jamais ficara nervoso próximo de uma mulher! - Eu sinto muito, jamais a bateria se soubesse que era uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não estou falando disso, estou falando do que estava prestes à fazer com a jovem. Iria desonrá-la! - Parecia perplexa com aquela situação, o que fez Mauricio sentir uma pontada de vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não brigue com ele, professora! Eu queria tanto quanto o Mauricio. - Disse Carolina, que rapidamente sentiu um puxão de Pedro, que a tentava tirar de lá. O caboclo praticamente tomou Carolina nos braços e saiu dalí, deixando-a com Mauricio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Droga! - Murmurou, enquanto seguiu até a porta do celeiro e viu-o partir com a jovem. Naquele momento algo ficou claro para sí, algo que jamais imaginou: Pedro amava Carolina. A trouxera para lá para que esta não o odiasse ao tirá-la dos braços do homem que tanto queria, e para não brigar com o mesmo. Aquele momento mágico antes de chegar alí, foi uma ilusão. Tudo fora esquecido à mensão da existencia daquela bela cabocla na vida de Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhorita está bem...? - A voz hesitante de Maurício a despertou de seus pensamentos tristes e acabou voltando-se para fitá-lo, este já vestido e seguindo na sua direção. Forçou um sorriso e fez um sinal positivo com a cabeça, desviando o olhar. Mas o jovem herdeiro do coronel pode ver o brilho das lágrimas nos olhos da jovem, que parecia uma hora dona da situação e, em outra, uma menina esquecida na chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, eu vou pra casa, senhor. - Murmurou, fechando os olhos até que sentisse o ardor das lágrimas sumir de sua vista. Pedro havia a esquecido por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nessa chuva, caminhando? - Perguntou Mauricio, perplexo. - Deixe-me levá-la, pegarei o carro de meu pai ou a carroça do...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não precisa, gosto de caminhar. Gosto da chuva...- Voltou a fitá-lo, com um sorriso triste. - Gosto da noite. Até mais ver, Mauricio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo que não poderia evitar, o homem encostou-se na porta do celeiro enquanto via a jovem caminhar para casa, já sentindo a fina garoa que caía. Não sabia o que acontecera naquela noite. Não sabia se ficava feliz ou triste, se lamentava por ter perdido a chance de possuir a bela Carolina ou se sentia uma profunda alegria ao ter conhecido aquela mulher tão misteriosa. Acabou jogando-se no feno novamente, sorrindo consigo mesmo. Só sabia que se sentia estranhamente exultante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====...====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que fez na cara, flor? - O pai de Penélope a fitou com desconfiança pela manhã, reconhecendo o arranhado na face delicada da filha e a expressão cansada da mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caí durante a noite, quando fui tomar um copo de água. - A maneira que respondeu não deu margens a outros comentários, fazendo o pai e o irmão trocarem um olhar de cumplicidade. O silêncio durou um pouco alí, enquanto Penélope mantinha os olhos baixos, tristonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É hoje o casamento do Casimiro, Pepe. Você vai? - Antônio fitou a irmã do outro lado da mesa, que tomava seu desjejum antes de partir para a escola. Desejava tirar um sorriso daqueles lábios bonitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou sim. - Respondeu simplesmente, sorrindo para o irmão. Jamais perderia a chance de ir numa festa na casa do Coronel Brás, que naquela noite festejava o casamento de um de seus capatazes. Era certo que encontraria Pedro alí, uma das poucas chances de vê-lo numa situação de entrosamento social. Apesar da dor de saber que o relacionamento de ambos era impossível, era irresistível a chance de vê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma grande chance para aproximar-se do coronel, minha filha. - Intrometeu-se seu pai, arrancando-lhe o sorriso dos lábios. Essa deu de ombros, sem saber o que pensar sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei o que esse velho quer comigo, existem tantas moças por aí com dinheiro. Moças finas, delicadas, bem vestidas. A filha do Coronel Astuto, por exemplo... - O irmão sorriu do outro lado da mesa, fitando-a com carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que homem desejaria outra mulher nessa vida com você tão próxima, Pepe? - Aquele elogio inesperado a emocionou, fazendo-a estender a mão por sobre a mesa ao irmão, que a tomou. Sem poder mais aguentar aquela cena tocante, ergue-se da mesa e pediu a benção ao seu pai, partindo na direção da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras tão doces do irmão ainda ecoavam em sua mente, embora naquele momento trouxessem uma dor tão forte, que chegou a cogitar que era masoquista. Que homem desejaria outra mulher...? Pedro, ele desejava tanto Carolina que foi capaz de tirá-la de casa para salvar a reputação da cabocla. A pequena e fraca esperança que Penélope tinha dentro de sí, havia morrido na noite anterior. Deixou algumas lágrimas caírem até que pode fitar a escola ao longe, controlando-se. Agora não era mais a simples Penélope e sim, uma responsável professora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====...====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho irritante da cortina sendo aberta e a imediata ação da claridade, que feriu os olhos de Maurício mesmo estes estando fechados, acabaram por despertá-lo. Voltando a cabeça contra o travesseiro, praguejou contra todos que gostavam de acordar cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que inferno! Me deixe dormir! - Gritou, enquanto a criada arrumava o quarto, recolhendo as roupas molhadas e um tanto quanto sujas de barro, sem nada comentar. Acabou por virar-se para a mesma, que não tentava dizer-lhe nada, apenas fazia seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que quer, Luzia? Não falei pra me deixar dormir o quanto quisesse?! - Gritou novamente com a criada, que o fitou e deu de ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ordens de seu pai, disse que quer que encontre-o na mesa em cinco minutos. - Esta já não ficava mais surpresa ou magoada com os modos do seu "patrãozinho". Estava acostumada com seu gênio explosivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pra quê? - Murmurou, já mais calmo. Mas não menos irritado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parece que quer apresentá-lo para...- Até a criada riu. - ...a moça que corteja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauricio praguejou, erguendo-se e dando um tapa no traseiro de Luzia, que riu mais alto e saiu do quarto rapidamente. Começou a se trocar, pensando naquela história do pai casando-se novamente. Mais uma caçadora de dotes querendo acabar com sua herança, isso sim. Seu pai já havia falado dela, era a professora local. Uma dessas moças que não arranjam marido e se enfiam em escolas, na esperança de algum velho rico e solitário tirá-las de lá e enchê-las de mimos. Enquanto seguia para a mesa de café da manhã, acabou sorrindo consigo mesmo. Se aquela mocréia achava que iria facilitar o enlace, estaria muito enganada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, meu filho! - Saudou seu pai, já vestido e pronto. Trajava-se em roupas claras e botas escuras, evidenciando o bom gosto daquele homem do interior. Mauricio sentiu orgulho do pai, apesar de saber bem ao certo o motivo de tanta arrumação. Caiu na cadeira, enfiando um pedaço de pão na boca e murmurando entre as mastigadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pensei que já tivesse levado os cadernos ontem, pai. O que vai fazer na escola hoje, aprender a decorar as curvas da sua queria professorinha? - Riu. O velho riu também, enfiando as mãos nos bolsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela é mulher decente, meu filho. Não se decora as curvas de moça de família. Só depois do casamento, quando eu pretendo saber elas de cor e salteado. - Gargalhou, fazendo a barriga erguer-se e calça cair, tendo que juntá-la com as mãos, algo altomático para o coronel Brás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mesmo um velho safado, sabia? - Disse Mauricio, enquanto dava um último gole no café e escutava outra risada vinda de seu pai. Não se arrumara, não devia isso à aquela aproveitadora. Então seguiram para o carro de seu pai, o único carro da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe filho, não sabe como o casamento é algo bom. Já me casei duas vezes e esta será a terceira, e cada vez acho melhor! E você logo herdará essas terras, quero que tenha a vida de um homem decente. - Maurício sentou-se no lugar do passageiro, enquanto ouvia o discurso. Seu pai parecia pronto para continuar aquela conversa, uma discussão que sempre se repetia sem parar, quando foi surpreendido pelas palavras do filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se quer saber, ontem conheci uma garota. Numa circunstância bizarra, que não contarei para o senhor! - Riu, fitando o pai que o observava surpreso de soslaio. - É sério, ela não era como essas meninas com quem eu me envolvo, ela é...Sei lá, é diferente pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E qual o nome dela, então? De qual família, diga! - O velho coronel parecia animado com aquilo, pela primeira vez viu o filho interessado não só no corpo de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É esse o problema, pai. Não sei o nome dela, nem sei de onde veio. Só não consigo me esquecer dos olhos dela, da voz, do soco que ela me deu... - Quando viu, já havia dito em voz alta o que havia pensado. Seu velho pai não tardou em gargalhar, batendo a mão contra o volante e fazendo o carro balançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Céus! Nunca pensei que ouviria dizer que apanhou de uma mulher! Justo meu filho, que conquista todas as que quer por aí!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, pare com isso. Nunca mais vou te contar nada, se quer saber! E pare de agir feito um bobalhão, já estamos chegando na escola. - Estava zangado, seu orgulho era seu ponto fraco. Sabia que seu pai jamais esqueceria aquilo, gozaria dele a vida toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saltariam do carro, já sem ver nenhum corre-corre das crianças. A aula já havia começado e Mauricio sentiu o olhar do pai sobre sí, haviam se atrasado graças ao seu demorado desjejum. Subiu a pequena colina onde estava a escola, ouvindo uma voz familiar falando num tom alto algo como funcionava uma conta de somar. Ele e seu pai se aproximaram da escola em silêncio, não desejando atrair a atenção de ninguém. Ao menos seu pai, não naquele momento. Acabaram parando sobre a porta de entrada, fitando a professora que estava de costas, escrevendo no pequeno quadro sobre um cavalete. Era alta, de cabelos castanhos claros, trajando um vestido azul já surrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom crianças, como vêem não é difícil fazer a... - A garota voltou-se, surpreendendo-se com a imagem do coronel e do filho na porta. Sorriu, um sorriso que não traduzia nenhuma felicidade sincera. - Ora Coronel, seja bem vindo novamente à nossa escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coronel adentrou à sala, aproveitando sua deixa, inflando-se como um galo de briga e seguindo na direção da professora. Maurício, tão pasmo quanto jamais poderia imaginar no começo daquela manhã, seguiu o pai sem desviar os olhos da professora, que não o fitava. Quando ambos se postaram à frente da moça, o velho coronel fez soar sua voz na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Professora, este é meu filho, Maurício. - Os olhos da jovem professora se fixaram no mimado herdeiro do coronel, que tomou sua mão e a beijou, inclinando-se de leve. Esta forçou outro sorriso, sempre muito simpática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um prazer, Mauricio. Sou Penélope Santiago. Creio que não deve lembrar de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falou num tom casual, desejando que ambos partissem o mais rápido possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como poderia esquecer, Penélope? - Murmurou Maurício, feito hipnotizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se da menininha melancólica, que chorava sempre a partida de sua mãe e que também roubava algumas frutas de sua fazenda. Nunca gostara dela e sabia que aquilo era recíproco. Ao menos na época... Mas, pelo modo que ela o fitava, a situação parecia não ter mudado muito naqueles anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa ação até mesmo mal educada, fez uma mesura e com passos rápidos da escola, confuso. Odiava o modo como ficava sem ação quando estava próximo daquela professorazinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diabos! Então...É ela?! - Falou consigo mesmo num tom alto, pouco se importando com aqueles que poderiam ouví-lo. Mal notara que próximo dalí, estava Pedro montado sobre um cavalo, fitando-o ao longe com tanto ódio que seria capaz de sentí-lo dalí, se não estivesse ainda com as idéias tão fixas em outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a mulher que tanto o impressionara era a pretendente de seu pai? Se aproximou do carro e sentou-se no lugar do passageiro, enquanto via seu pai caminhando na sua direção, com uma cara de poucos amigos. Acabou por tocar a própria barriga, sentindo uma pontada de dor onde levara o chutão. Involuntáriamente sorriu, aquela era a dor mais prazeirosa que já sentira na vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-1389662445235459756?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/1389662445235459756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/1389662445235459756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-3-castelo-dos-sonhos.html' title='Capt 3 - Castelo dos Sonhos'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-210627975403479107</id><published>2009-02-24T22:30:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:32:14.542-08:00</updated><title type='text'>Capt 2 - Castelo dos Sonhos</title><content type='html'>Na costumeira roda de violão, em volta de uma fogueira que atraía as pessoas pelo seu calor, a música soava de maneira melancólica naquela noite. Pedro se aproximava daquelas pessoas lentamente, fitando ao longe toda aquela gente, que se unia em meio à aquelas músicas e ao calor das chamas, encontrando naquilo um pretexto para conversarem e se unirem. Mas não ia para lá por causa do calor das chamas, nem da bela música dedilhada pelos dedos rudes de um dos peões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observava ao longe a jovem que se mantinha um tanto quanto afastada do grupo, com os olhos sempre perdidos ao horizonte, como se procurando algo. Como se fosse irresistível - e de fato era para o capataz - se aproximou da jovem, com os braços cruzados e passos largos, despojados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que tando procura? - Direto como sempre, não conteve sua curiosidade. Recebeu um olhar de censura vindo da jovem, que rapidamente começou a rir, dando a volta sobre o peão, fitando-o de maneira provocativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabes bem o que procuro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se soubesse, não perguntaria. - Pedro cerraria os olhos, fitando-a. A moça voltou a rir, jogando a cabeça para trás, fazendo com que os cabelos negros longos dançassem sobre suas costas estreitas e delicadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Procuro por ele! Sempre procuro, sabe disso. - Ainda o provocava, sorrindo daquela maneira que parecia desejar envolvê-lo ainda mais em seus encantos. Pedro manteve-se impassível, mas por dentro seu coração batia mais rápido à proximidade da simplória camponesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei, o filho do coronel. - Murmurou por entre os dentes, desviando os olhos daquela adorável figura. A jovem riu, aproximando-se deste e apoiando-se de leve contra o ombro do homem, murmurando ao seu ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, é ele mesmo. O meu homem. - Riu novamente, afastando-se. - Mauricio. Puxa, até seu nome é diferente... Não é como esses homens daqui, é nome de príncipe! - Sentou-se de maneira ruidosa ao gramado, fitando o céu. Pedro voltou a observá-la, com admiração e ao mesmo tempo, dor. Carolina era um misto de demônio com anjo, dentro do corpo de uma caboclinha ruidosa, serelepe. A amava desde que a viu pela primeira vez, quando esta chegou à fazenda do Coronel Brás com sua família, com seus 11 anos de idade. A viu desabroxar, sem perder o encanto de sua inocência. Hoje era uma das moças mais desejadas da região, com seu corpo miúdo e grandes olhos castanhos, que pareciam devorar o mundo com a gula de um esfomeado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi? Ficou quieto...- Carolina ergueu-se, aproximando-se novamente de Pedro, que sentiu a garganta seca só da proximidade com a jovem. - Está pensando em mim? - Sorriu, maltreira. Sua inocência andava de braços dados com a sua peculiar malícia, adorava manipular aqueles que caíam de amores por sobre sua pessoa. Pedro sentiu-se irritado e então a fitou nos olhos, tentando manter-se calmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não estou pensando em você. - Mentiu, desviando o olhar novamente. - Mas pensava numa mulher, se quer mesmo saber, garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em quem, posso saber? - Aproximou-se do capataz, cruzando os braços da maneira que este jazia à algum tempo. A mensão de outra na vida daquele homem parecia encomodar Carolina. Aquele pensamento aqueceu o coração de Pedro, que conseguiu manter-se calmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A mulher mais perfeita do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum, parece um idiota babando assim em alguma sem vergonha. - Sabendo que não iria tirar a informação tão desejada, Carolina deixou-o alí, se afastando do grupo de cantigas e seguindo na direção dos casebres dos empregados, estranhamente irritada. Pegou-se praguejando contra o caboclo, odiando já uma mulher que sequer conhecia. Aquilo era tão estranho, não amava Pedro. Amava outro e sabia que era correspondida. Sim, era sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com aquele pensamento em mente, Carolina acabou sorrindo consigo mesma e seguindo na direção da casa grande, sem saber como conter aquela ânsia em ver seu amado. Ao longe pode ver a luz vinda da janela do quarto de Mauricio, o único herdeiro do Coronel Brás. Como se algo dentro de sí já não pudesse mais caber em seu corpo, correu na direção da casa, parando em frente a janela do rapaz. Tomou uma pequena pedra em mão, jogando-a contra a janela. Em seguida jogou outra e esperou. A luz falhou duas vezes, era o sinal que Mauricio iria encontrá-la no celeiro onde era guardado o feno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente começou a correr, sentindo aquela sensação estranha de formigamento em seu corpo, como se estivesse já premeditando o prazer da companhia do homem que tanto amava. Não tardou para vê-lo surgir de maneira sorrateira pela porta do celeiro, sorrindo. Por alguns segundos perdeu o ar, contemplando-o. Parecia um príncipe, tão diferente de toda aquela gente simplória que convivia. Alto e esguio, de olhos azuis e cabelos loiros, parecia um anjo que surgira na vida daquela jovem. Sem poder mais conter-se, se aproximou rapidamente do rapaz e o beijando nos lábios, fechando os olhos e sentindo o perfume vindo do corpo do mesmo. Quando por fim se afastaram, o fitou com os olhos brilhantes e então este a acariciou na face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Linda como sempre. Me esperando. Me tentando! - Sorriu-lhe, ainda acariciando a face da jovem. Carolina sentia seu coração bater forte, tomando a mão que deslisava sobre sua face entre a sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mauricio, eu não aguento mais, eu te amo. Quero ficar ao seu lado toda hora, todo minuto dessa minha vida, tenho tanta fome de você! - O rapaz riu das palavras da jovem, mas esta não pensou em nada naquilo além de uma doce ternura. Por fim Maurício se afastou, dando as costas para a garota e se aproximando da porta do celeiro, fitando o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também a amo muito, minha querida. Mas sei que Pedro é apaixonado por tí e me sinto inseguro, afinal vocês parecem tão perfeitos um para o outro... - Rapidamente Carolina o abraçou por trás, encostando a cabeça sobre as costas do amado, sem ver sua expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está enganado, eu te amo! Eu não vivo sem você! - Feito um filhotinho carente, Carolina praticamente se humilhava para o jovem, sentindo seu cheiro de homem "rico", fino. Mauricio, por sua vez, afastou-se da cabocla e cruzou os braços, fitando-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prove que me ama, prove. Não posso viver nessa tormenta, minha querida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que quer que eu faça? - Perguntou de prontidão a jovem, se aproximando. Mauricio acabou com a distância entre eles, tomando a face da jovem, fitou-a nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seja minha do jeito que eu desejo, então serei seu como deseja. - Carolina ficou sem ar, fitando-o. Engoliu seco e então sorriu, hesitante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qu...Quer dizer que casará comigo se eu...Se eu for sua? - Os olhos escuros da jovem pareciam ainda maiores, ávidos por aquela resposta. Mauricio então sorriu, fazendo um sinal positivo com a cabeça e a beijando nos lábios novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal imaginavam que alí estava Pedro, os observando com o coração partido. O caboclo deixou o celeiro de maneira nervosa, sabendo apenas que o filho do coronel amava a sua querida Carolina. O jogo havia acabado para ele, não havia mais jeito! Ou... Haveria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;===== ... ====== &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chovia, sentia a água deslisar por seu pequenino corpo, entre os olhos. Sentia a lama entre seus pequeninos dedinhos, sem importar-se em ferir a planta do pé. Corria. Corria em direção à carruagem em desespero, enquando via uma mão delicada envolta por uma luva renada branca lhe abanar um pequeno lenço róseo, numa despedida singela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãe! Fica, mãe! - Gritava com sua voz infantil, enquanto a carruagem se distanciava ainda mais. Em meio à sua tormenta, por fim a carruagem parou e então pode alcançá-la, se aproximando da janela e observando os traços borrados da face materna. Meredith chorava, mas parecia não vacilar na sua decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Volte, minha querida. Está tarde e vai pegar uma gripe! - A voz da mãe era chorosa, como que se aquela distância lhe doesse muito também. Ao lado dela, havia uma figura em vestes negras, com um capuz e um manto do mesmo tom, escondendo todo seu corpo, toda sua imagem. Fixou seus olhos naquela imagem, com todo o ódio que seu inocente coração infantil poderia sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te odeio! Vou te odiar pra sempre! Pra sempre! - Disse Penélope, enquanto esperava alguma reação do mascarado. Então, como num susto, o mesmo voltou a face na direção da criança e fitou-a nos olhos. Olhos que a engoliram, a jogando de volta à realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penélope acordou com o próprio grito, rapidamente sendo acolhida por Zira, vinda em seus trajes de dormir e a olhando com um olhar calmo. Já havia se acostumado com aquilo. Sentou-se ao lado da garota na cama e a abraçou, como se fosse alí sua mãe e não a criada que sismava em fixar-se num patamar inferior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sonhou com os olhos de novo, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uhum. - Suspirou Pepe, que tinha os olhos bem abertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não precisa de ter medo, sabe bem que quem levou tua mãe foi ela mesma. Não nenhum tipo de demônio, minha menina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei, eu sei Zira. Mas eu jamais vou esquecer aqueles olhos, eu vou odiá-lo pelo resto da minha vida. - Murmurou, trêmula. A criada acariciou os cabelos da garota, tentando acalmá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não o odeie , menina. Ele era pouco mais do que um garoto, sabe disso. Tua mãe que deveria ter juízo, sabe-se lá em qual situação que eles se encontram hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela sabia, a filha de Meredith sabia. A mãe estava em St. Lauren, com o rapaz inglês que a tirou daquelas terras tão selvagens brasileiras. Um jovem galante e rico, que salvou a delicada mulher do destino de uma esposa de um caboclo com berço de ouro. Meredith conseguiu abandonar o barco no mesmo momento em que seu marido entrava em crise, perdendo a maior parte de seu dinheiro nos próximos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pensar no passado às vezes dói, menina. Vá dormir. - Falou Zira, enquanto erguia-se e via a jovem moça cair na cama, fitando o teto, já com o coração mais calmo. Fitou a criada também, correspondendo seu encarar. Pensou em perguntar-lhe coisas, ou conversar sobre a mãe. Sempre quisera falar com alguém sobre a mãe.&lt;br /&gt;Mas calou-se à tempo de nada dizer, sabia que Zira jamais entenderia sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, Zira. Ah! Por favor, faça chá amanhã para mim ao invés de café? Por favor! - Sorriu, já coberta pelos cobertores finos. A criada riu, dando um tapinha no ar e saindo do quarto tão rapidamente quanto chegou. Mas ao invés do que esta imaginava, Pepe ficou à fitar o teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que sua mãe era feliz? Imaginava que sim. Desde que ela entrou em contato com os ingleses novamente, sempre falara com muita admiração do castelo de St. Lauren. Trazia a pequena filha no colo, penteando seus cabelos e contando como era bela aquela propriedade, próxima da casa que vivera antes de conhecer seu marido. A ternura de Meredith era tão grande, que fazia-a parecer uma fada nas lembranças de sua filha. Era uma heresia para Penélope pensar algo ruim daquela pessoa que tanto adorava em sua memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estava próxima de dormir, imaginando-se com a mãe em St. Lauren, ouviu um barulho estranho em sua janela, que não tardou em repetir. Ergueu-se de sopetão, atravessando o quarto pelas proximidades da parede. Quando chegou até a janela, moveu um pequeno pedaço da cortina, temerosa. Foi então que ficou com o coração na boca, fitanto uma imagem masculina próxima da janela, jogando pedregulhos contra o vidro. Era Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi, Pedro? - Perguntou assim que abriu a janela, delicadamente. O caboclo se aproximou ainda mais do parapeito da mesma, fitando Penélope nos olhos. A professora sentiu seu coração quase explodir, só de fitá-lo nos olhos por tanto tempo. Segurou-se na borda da janela, para acalmar o leve tremor que tomava suas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Preciso da tua ajuda, professora. É caso de vida ou morte! - Falou num tom alto, mas ao mesmo tempo murmurado. A jovem fez um sinal positivo com a cabeça, afastando-se da janela e procurando rapidamente o primeiro roupão que encontrasse pela frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-210627975403479107?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/210627975403479107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/210627975403479107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-1-castelo-dos-sonhos.html' title='Capt 2 - Castelo dos Sonhos'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-360078977951281783</id><published>2009-02-24T22:28:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:30:30.800-08:00</updated><title type='text'>Conto - "Castelo dos Sonhos" - Capt 1</title><content type='html'>Com as faces avermelhadas, tanto pelo sol que os vigiava bem ao alto do céu quanto pelo embaraço da situação, a jovem professora de Pequenos Montes cortava o caminho com um caminhar decidido, pisando sobre a grama verde com suas botas gastas escuras enquanto ouvia as risadas das crianças vindas da pequena casa sobre a colina, onde ficava a humilde escola local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não era o fato de ser esperada com toda aquela alegria de seus alunos que a deixava embaraçada, não era isso. Era o fato de que naquela tarde, o capataz do Coronel Brás estaria lá, acompanhando seu patrão na entrega da doação do material escolar para aquelas crianças simplórias, filhas dos empregados locais.&lt;br /&gt;Enquanto atravessava o campo, era comprimentada respeitosamente por todos que surgiam em seu caminho. Era muito respeitada na região, e admirada por todos. Aquele povo acolheu ela, seu pai e seu irmão, vindos de um passado nublado. Os aceitaram, sem perguntas, mas mantinham os olhos bem abertos à qualquer coisa que escapasse da vida da família Santiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua imagem delicada contrastava com as pessoas dalí, trazendo sempre a curiosidade geral. Ela e seu irmão tinham a pele branca e os olhos verdes, juntamente com os cabelos castanho claro, tão raro por alí. Seu pai já era parecido com aquela gente, já que nascera naquelas terras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, professora! - Logo a jovem ouviu a voz forte e melindrosa do Coronel, que evidentemente parecia desejar muito mostrar-se cordial e bondoso com aquela doação. Fitou o homem, de estatura mediana e cabelos brancos, acima do peso mas com uma expressão forte e decidida. Gostava dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, coronel... - Respondeu baixinho, com os olhos levemente fechados devido à forte luz do sol. Ergueu a mão que não possuía nenhum livro aos olhos e então pode vê-lo. Ao lado do homem estava o objeto de todos os devaneios daquela mulher. Alto, forte, de pele morena e áspera. Olhos negros tão misteriosos quando sua própria figura, sempre tão calada e arredia. Se chamava Pedro, fora praticamente criado na casa do coronel, já que sua família morrera de uma doença sorrateira e contagiosa, deixando-o pequeno nos braços do poderoso Brás. - ...bom dia, Pedro. - Continuou a moça, quase sem ar. O homem apenas moveu a cabeça, erguendo de leve o chapéu de couro marrom e então voltando a cruzar os braços, desviando o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espero que estas crianças façam bom uso do material que estou doando, professora. - Declarou o coronel, que fez um sinal para que ela passasse à sua frente e então adentrasse à escola. Ela apenas sorriu, fazendo um sinal positivo com a cabeça, enquanto as crianças sentavam-se em frente as mesas de madeira. O homem se aproximou do quadro negro, sorrindo para a jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, sou um homem da terra, senhorita. Mas como diz seu nome mesmo? - Como de costume, o velho coronel tentava uma aproximação com a jovem professora. Esta sorriu, um tanto quanto embaraçada, enquanto via Pedro do lado de fora da escola, indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me chamo Penélope, senhor. Mas aqui na região me chamam de Pepe. - Mantinha o sorriso nos lábios, não desejando de maneira alguma destratar o homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pepe? Mas isso não é muito masculino pra uma mulher tão delicada quanto a senhorita...? - Brás parecia tentar ser galanteador, mas era evidente que a tentativa era um tanto quanto ridícula. As crianças sufocavam risadas e Pedro os fitava de soslaio. Respirando fundo, Pepe sentou-se na cadeira, esperando que o homem tivesse noção de que estava querendo começar a aula. Puro engano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho esse apelido desde pequena, senhor. Gosto dele. - Sorriu novamente, tentando cortar o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sua mãe era do estrangeiro, não? Foi ela que te deu esse nome estran...Bonito! - O homem sorriu, tentando manter o desastroso gracejo. Pepe fez um sinal positivo com a cabeça, sem nada dizer. - Me diga, sempre quis saber mas sua família é tão arredia, feito um cavalo bravo! Que fim levou sua mãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pepe empalideceu, engolindo seco. Desviou o olhar do coronel para as crianças, erguendo-se, tentando controlar-se. Não era a primeira vez que perguntavam de sua mãe e nem seria a última. Quando voltou a fitar o homem, entreabriu os lábios para dar a resposta que lhe fora ensinada desde pequenenina, Pedro surgiu ao lado do coronel e sua voz soou aos ouvidos da professora pela primeira vez no dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Precisamos ir, coronel. - Não explicou motivos, nem fitou Pepe. Se afastou novamente de maneira arredia, postado-se próximo da porta esperando seu patrão. Pepe voltou a fitar o velho homem, controlando seu alívio e sua amargura e novamente sorrindo de maneira automática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espero vê-la logo novamente, professora Panelapi. Até mais ver... - Fazendo uma mesura, acompanhando a transformação bizarra do nome da garota, este tomou a mão da jovem e beijou-a. Saiu dalí com o peito inflado tal qual um galo de briga e as risadas das crianças após sua partida foram inevitáveis. Pepe acabou por cair sobre a cadeira, rindo também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===== .... ======&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estava anoitecendo quando chegou em casa. Adentrou à sala com esta completamente ilumidada pelas luzes das velas, reconhecendo a imagem de seu velho pai sentado na sua cadeira de balanço, com um cachimbo entre os lábios e os olhos fitando sua pequena propriedade pela janela. Estava dentro de casa à contragosto, preferia ficar na varanda ou até mesmo sentado no pasto. Mas estava doente e não poderia pegar qualquer friagem, e este era o motivo de sua expressão de poucos amigos na face marcada pelos anos de trabalho ao sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, pai. - Pepe se aproximou, baixando-se e beijando a testa do homem. Este segurou uma de suas mãos contra a dele, fazendo-a sentir o toque quente e a pele áspera da mão dele. Acabou por se sentar ao lado do pai, numa poltrona velha que jazia alí desde que chegaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como foi o dia, flor? - Perguntou o homem, tendo a expressão suavizada ao fitar a face da filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Normal, como sempre. Ah! O Coronel Brás esteve hoje cedo, entregando os materiais escolares e... - Foi interrompida pela risada do homem, que ergueu os olhos e fitou o teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-...e a cortejou, não é? - Ainda ria e recebeu uma palmada leve de Pepe, que involuntáriamente também riu daquela situação bizarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, ele não desiste papai. Um dia terei de ser rude com ele, já que todas as minhas dicas foram em vão. - Deu de ombros, fitando as terras da pequena propriedade por trás da janela. O mato estava crescido, seu irmão já não dava conta daquilo tudo sozinho e seu pai estava fraco, entregue à sua doença. Quando o silêncio durou muito, Pepe acabou por voltar a observar o pai, que a fitava de maneira séria. Acabou por sorrir, sem graça. - O que foi, pai? Está me encarando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estava pensando que talvez não devesse ser rude com ele, flor. Talvez devesse até cogitar casar-se com o coronel, por mais estranho que isso possa parecer agora. - Pepe arregalou os olhos, ficando ereta na poltrona e fitando o pai com curiosidade. O homem não aguentou o olhar perplexo da filha e desviou o olhar, baixando os olhos. - Não me olhe assim, Penélope. Mas sabe que somos pobres, teu irmão não entende nada de terra, puxou sua mãe. Logo que eu morrer vai tomar o que lhe sobrou de herança e vai partir para a capital, estudar Direito. E não o julgo, ele está certo. Mas e você, flor...? Vai morrer sozinha aqui? Pobre e sozinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai! Mas o que deu em você, está falando muitas coisas sem sentido hoje! - Riu de maneira nervosa, erguendo-se da poltrona e aproximando-se da janela, como se precisasse tomar ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Penélope, um homem sabe quando a vida está acabando. Eu sei que não vou durar muito tempo, não queria deixar essa vida sem saber que estará bem.- O tom de Tomás era forte, decidido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero falar sobre isso, pai. Vou tomar um banho e trocar de roupa. - Praticamente fugindo, Pepe saiu da sala em direção ao próprio quarto, sendo seguida pela velha criada Alzira, esta que a criou e criou seu pai também. Assim como a velha estava próxima, ouvindo tudo, o primogênito dos Santiago também surgiu. Suado, sujo e com uma expressão cansada, jogou-se no mesmo lugar onde estava a irmã e fitou o pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não adianta, pai. Deixe-a em paz. - Jogou o chapéu ao longe, dando de ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deve me prometer, Antônio. Deve me prometer que vai ajudar tua irmã, jamais vai deixá-la desamparada. - Disse o homem, respirando fundo de maneira cansada. Antônio tomou a mão do pai entre as suas e sorriu, fazendo um sinal positivo com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Prometo. E ainda prometo mais, Pepe vai se casar com o velho. Lhe garanto, pai. Ela vai ser a mulher mais rica da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rica e bem cuidada, filho. Quando a vejo usando esses vestidos velhos, remendados. Cores desbotadas, o cabelo mal cuidado, a pele castigada pelo sol... - Tomás engoliu seco, suspirando alto novamente. Antônio o fitava com calma, sabendo que o pai precisava botar para fora o que pensava. Mantinha-se calado, ouvindo-o sem julgamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tão diferente da mãe, não é isso que quis dizer, pai? - Por fim disse. O homem hesitou, mas por fim fez um sinal positivo com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. Tão diferente daquela maldita. Não sei se fico feliz ou triste com isso. Só queria que ela tivesse a vida que merece, a vida das moças com que eu sonhei que ela fosse um dia, filho. Queria que estivesse em bailes ou em confeitarias, conversando e se apaixonando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, eu sei pai. Queria que ela vivesse a vida que Meredith viveu, não é isso? - Não conseguiu segurar a língua, tocando no nome da madrasta. Seu pai o fitou de prontidão, surpreso com a mensão daquela mulher que visívelmente ainda vivia em seu coração. Sem forças para fingir ou mostrar-se insultado, deu de ombros e voltou a observar a fazenda pela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vou mentir, é isso que penso mesmo. No fim das contas minha teimosia vai custar a felicidade de sua irmã, filho. Deveria ter deixado ela partir com a mãe, quando aquela infeliz voltou para a Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;=== ... ===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que ela faria no meu lugar, Zira? - Perguntou Pepe, enquanto a criada escovava seu cabelo. Não que ela exigisse aqueles mimos, mas a mulher sempre a seguia feito uma sombra desde pequena, a cuidando como uma princesa. Uma princesa pobre, pensou com ironia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela quem, Pepe? - A velha mulher parecia decidida a não facilitar a conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha mãe, sabes disso. - Retrucou, enquanto fitavasse pelo espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tua mãe não é exemplo pra nenhuma moça decente. - Como sempre, Zira era direta e falava o que pensava. Aquelas palavras não magoavam Pepe, já que em parte concordava com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela jamais se sujeitaria a um casamento por dinheiro. Jamais. - Sorriu, enquanto fitava a expressão de desgosto da criada pelo espelho. Então continuou. - Parece que estou ouvindo ela falar agora: "Filha, fuja! Vá até o homem que ama, se declare, caia nua sobre sua cama..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Menina!! - Zira soltou a escova sobre a cama, postando-se em pé, escandalizada. Pepe riu à valer, caindo na cama e fitando o teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah pare, Zira! Estamos entre mulheres e a conheço desde pequena. Qualquer vocabulário infame é permitido entre nós, devido à nossa intimidade. - Falou, ainda caída sobre a cama, enquanto a criada fechava a grande janela de maneira agitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala tão dificil pra fala que quer dizer "semvergonhisse" pra mim. Não gosto. - Pepe voltou a rir do jeito da mulher e então ergueu-se, aproximando-se da mesma e lhe tascando um beijo sobre a face enrrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fique tranqüila, Zira. Pedro nem sabe que existo. Mesmo que me jogasse nua sobre sua cama, com três barras de ouro e duas garrafas de licor, ele fingiria que não é com ele. - Apesar do tom de brincadeira, a criada pode sentir o lamento profundo vindo da voz da garota. Respirou fundo, não sabia dar conselhos. Sabia ouvir, repetir, dizer o que sua simplória mente pensava. E talvez isso não agradasse a professora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá dormir, Pepe. Boa noite. - Partiu do quarto, sem saber o que fazer, deixando a jovem alí. Enquanto fitava o teto, pensava na mãe. Imagens borradas de uma mulher tão encantadora e refinada, que faziam seu coração disparar de encanto por ela. Sem conter-se, seguiu até sua penteadeira de onde dentro de um diário tirou uma pequena carta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta de tamanho reduzido, folhas amareladas e quebradiças de sua idade avançada, traziam um conteúdo precioso. Recebera-as de sua mãe, poucos meses após sua partida. Como era uma criança, seu conteúdo era simplório, com letras grandes e frases fáceis de ler, em inglês. Possuía apenas três cartas da mãe, depois disso seu pai soube da correspondência e queimou todas as cartas que vieram à seguir, até que estas já não vieram mais. Deixando de lado aquelas lembranças amargas, abriu a carta e vislumbrou-se com a caligrafia refinada da mãe, sorrindo. O papel parecia ainda mais frágil de tantas vezes que lera aquelas palavras, como se estas tivessem sido gastas pelo seu olhar. Lia a carta até ver alguma palavra ou frase que acalmasse seu coração, como se alí fosse encontrar alguma resposta para todos seus problemas. E sempre era a mesma frase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Encontre-me no castelo. Me encontre no solário de St. Lauren." &lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-360078977951281783?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/360078977951281783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/360078977951281783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/conto-castelo-dos-sonhos-capt-1.html' title='Conto - &quot;Castelo dos Sonhos&quot; - Capt 1'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-7281436336093338347</id><published>2009-02-24T22:26:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:28:29.977-08:00</updated><title type='text'>Capt 6 - Três Anjos</title><content type='html'>Viu-se naquele reflexo das águas do pequeno lago, que tinha sua água levemente corrente e que levava as lágrimas da moça junto, seja lá para onde for. Evangeline piscou os olhos fortemente, secando as restantes com as costas das mãos e respirando fundo. Chorava ao fitar a própria imagem naquele reflexo, envelhecida e mal cuidada. Um grande aperto em seu peito surgia ao fitar aquela imagem, pensando no que fora e tudo que passara em sua vida, em páginas amargas e ao mesmo tempo tênues, como se sua vida fosse algo ínfimo naquele universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãe? - Evangeline voltou-se de prontidão e sorriu para a figura infantil que se aproximara de sí. Os cabelos encaracolados e negros da menina estavam voando contra o vento, seus olhinhos fechavam-se de maneira delicada para que não fossem feridos com a violêncida daquele sopro da natureza. Involuntáriamente Evangeline sorriu e fez um sinal para que a menina se aproximasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi, Claudia? -Em puro deleite, acariciou a face da menina delicadamente enquanto essa sentava-se no colo da mãe, fitando-a de maneira curiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estava chorando, mamãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estava querida. - Evangeline não mentia para a menina, sabia que a sensibilidade da mesma prontamente a desmascararia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saudades do papai? - Arriscou a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum, o que acha de ajudar a mamãe a levar essas roupas para dentro? - Sorriu Evangeline, rapidamente mudando de assunto. Claudia aceitou de prontidão, ajudando a levar para casa alguns panos de prato. Respirando fundo, seguiu para o caminho de sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se parasse para pensar os caminhos que a levaram para aquela vida, não passaria de uma história contada em alguns minutos. Em uma visão externa, com os julgamentos de um bom ouvinte, certamente a crucificariam. Mas Evangeline sabia que sua história não era tão simplória e que suas escolhas foram extremadas e nada inconseqüentes. Os golpes que a vida lhe daria á seguir, esses sim, ela jamais sofreria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adentrou na cada de pedras à vista e fitou a casa bagunçada. Lembrou-se do seu próprio lar onde após noitadas de jogatina a casa se tornava uma bagunça exagerada. Cansada, deixou por algum tempo as roupas sobre a mesa de madeira e ergueu uma cadeira, sentando-se sobre a mesma e tentando lembrar onde errada em sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;====//=====&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hey, aqui! - Evangeline ergueria sua cabeça do travesseiro que haviam lhe arranjado naquele malfadado convento que seus irmãos haviam a enviado à pouco mais de um mês. Sentiria a luz ferir seus olhos e então encontrou a já familiar figura do jovem paroco que vinha lhe visitar todas as manhãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Noah, seja mais discreto! - Rindo, se aproximou da janelinha pequena e se equilibrou pé ante pé até poder ao menos fitá-lo nos olhos. Era um rapaz de pele clara e magro, de olhos melancólicos e sorriso fácil. Imaginava que o simples contato dele com uma jovem de sua aproximada idade - e com saúde mental - lhe trazia uma estranha alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está de castigo novamente, Evy? - Gracejou o seminarista enquanto lhe contrabandeava uma maçã. Evangeline deu de ombros, dando uma mordida na fruta ainda se equilibrando nas pontas dos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, você acredita? Eu não sou maluca e eles querem me escravizar como fazem com as outras. Se é assim, prefiro realmente me fazer de doida e não trabalhar para esses mortos de fome. - Dessa vez Noah riu alto, também comendo uma maçã. Próximo ao convento existia um mosteiro para jovens padres e rapazes mandandos para lá por suas famílias, por algum motivo que ninguém ousava comentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não acredito que tirou a roupa novamente em meio à plantação de trigo! - Evangeline fez um sinal positivo com a cabeça e ambos tiveram que segurar a risada, fazendo os olhos lacrimejarem. Por fim respiraram fundo e se conteram, comendo suas respectivas frutas e guardando alguns pensamentos para sí mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noah começou a visitar Evangeline na segunda semana que a jovem estava no convento, após a sua segunda aparição nua no meio da plantação dizendo que um anjo dos céus estava a buscando naquele momento. Mais interessado naquela figura insólita do que na possível aparição, este a visitou em seu quarto. As próximas visitas foram escondidas, num clima de intimidade e respeito que surgiu entre ambos. A moça o via como um bom amigo, um raio de luz no meio de toda aquela tristeza. Para ele contara toda sua história, desde a morte de sua mãe até as armações de seus irmãos e por fim o seu amor por Richard. Ele acompanhara tudo com um olhar impessoal e ao mesmo tempo paciente, como se a ouvisse tal qual as confissões a um padre. Pouco dizia da própria vida, apenas que fora deixado naquele mosteiro à alguns anos por sua família e que não queria ser padre, mas fora designado por sua linhagem para tal. Não era um ser muito artístico e nem muito culto, o que era praticamente uma heresia num mosteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Evy, que fim acha que teremos? - Noah acabou com o silêncio após algum tempo trazendo à tona um assunto que Evangeline tanto hesitava em pensar. Por fim ela deu de ombros, desviando os olhos do seminarista. Este pode fitá-la e viu a sua figura levemente iluminada pela pouca luz que adentrava ao aposento. Pequena, de cabelos emaranhados e praticamente desnutrida. Não sabia de onde a jovem ainda arranjava força para lutar contra as freiras daquele lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho medo, Noah. Vejo que aos poucos as moças aqui estão sumindo, eu... Eu acho que alguns de nós, aqueles que não tem "correção", são sacrificados feito animais doentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E a senhorita acha que farão isso contigo...? - Arriscou o rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho, acho sim. Meus irmãos jamais permitiriam que eu vivesse muito tempo. Por mais que sobrasse alguma faísca de amor fraternal, eu sei demais. Se fosse falar o que sei, acabaria com a vida de ambos. - Jogou o que restou da maçã no canto de seu quarto, sem se importar com as formigas que logo surgiriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então fuja comigo, Evy. - Disse o rapaz, segurando de leve a janela do aposento do lado de fora. Não era a primeira vez que ele o fazia e Evangeline sentia seu coração bater mais rápido ao ouvir aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não posso, Noah. Eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Case-se comigo! Vai cuidar de mim e eu de você. Tenho uma casa à 3 milhas daqui, podemos pegar o dinheiro que possuo e investir numa plantação, comprar alguns animais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não posso me casar com você amando outro! E se Richard aparecer? - O tom de voz de Evangeline era forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Richard está morto, Evy! Morto! - O rapaz praticamente gritou, assustando a moça que por sua vez sentou-se na própria cama. Noah continuou. - Depois que me contou sua história, pedi a um irmão meu que pesquisasse sobre o que aconteceu com seu irmão mais velho e com seu noivo. Ambos morreram, nenhum deles sobreviveu às queimaduras do incêndio. Eu...- o tom de voz do rapaz se tornou vacilante.- ...realmente sinto muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não... Eu os salvei, veja! - Estendeu as mãos para frente, ambas com marcas de queimado. Noah fechou os olhos e fez um sinal negativo com a cabeça, fazendo um sinal da cruz em seguida. - Sinto muito, Evy. Eu não queria te contar, preferia que vivesse eternamente com a ilusão de que eles fossem surgir aqui e te tirar desse convento. Mas se a morte está aqui, eu preciso te salvar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem sabe é esse meu destino, Noah. Encontrá-los dessa maneira. - Murmurou Evangeline, baixando a cabeça e fechando os olhos, tentando controlar as lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, seu destino é sobreviver. Venha comigo, por favor. Vamos nos salvar desse destino! Tenho certeza que Deus a enviou para mim, é um sinal Dele. Já avisei ao meu irmão, durante à noite ele a buscará aqui no convento. Paguei uma quantia em dinheiro para uma noviça para que abrisse as portas e deixasse você fugir. Bem, eu tenho que ir. Até mais tarde, Evy!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evangeline não teve nenhuma reação desde que Noah partiu de sua janela. Fitou as sobras das árvores sobre o chão até que estas sumiram com o pôr do sol. Deixou suas lágrimas escorrerem por sua face por toda a tarde e com o anoitecer, estas sumiram por completo. Tal qual um ser movido por sua natureza, conseguiu fugir de maneira furtiva do convento. Encontrou um homem de aproximados 30 anos numa carruagem, que lhe fez um fraco meneio com a cabeça ao adentrar e ambos partiram com o galopar dos cavalos. Chegaram à tal propriedade quase ao amanhecer e a primeira impressão que Evangeline teve da casa era de que a pouca felicidade que seu coração ainda conseguiria receber na vida seria fruto daquele lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;=====//=====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sempre com os olhos perdidos assim, Evy? - Disparou Noah, adentrando na cozinha com uma expressão perdida na face magra. Claudia permaneceu ao lado da mãe, como se não tivesse notado a presença do pai no aposento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai cobrar a mudança do meu olhar agora, Noah? - Evangeline ergueu-se da mesa, tomando a cesta com roupas de encontro com a cintura e seguindo para um pequeno varau que possuía dentro de casa. O seu marido a seguiu com o olhar, fitando-a de maneira estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não me importo com o seu olhar. Nem com o que fala, pensa, come, veste... - O homem deu de ombros, se aproximando da mesa da cozinha e abrindo um pote de vidro onde haviam alguns biscoitos que sua esposa fizera no dia anterior. -... contanto que a casa esteja inteira quando Marcus chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai estar, não se preocupe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcus, este era o nome do irmão de Noah. Evangeline nunca suspeitara que encontraria na própria vida alguém que pudesse odiar mais que seus irmãos. Mas este sim, fazia-a se sentir a pior pessoa do mundo. Aquele fora o homem que a trouxera para a casa de Noah, de olhos frios e calculistas, olhos de serpente. Aquele homem fizera Noah, a figura mais doce que Evangeline conhecera, se tornar um ser amargurado e preso em sua loucura. Sim, ao contrário do que a jovem imaginara, Noah tinha um sério distúrbio psicológico. Marcus por sua vez tomara partido daquela situação, casando o irmão mais velho - ao contrário do que Noah dissera, era ele o mais velho daquele clã - e tomando o dinheiro deste após o matrimônio para sua livre administração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casamento de Evangeline nunca fora real. Na noite em que fora consumado, engravidara de Claudia. Desde então esquivara-se do marido e este aos poucos perdeu o pouco interesse que havia naquela mulher. Marcus o apresentara para diversas rameiras, que lhe tiraram o dinheiro e lhe mostraram um mundo de prazeres muito mais interessantes do que a sua fria esposa mostraria em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parece que hoje ele virá aqui com algumas pessoas, combinar seus negócios. - Noah era tão inocente na própria doença que jamais imaginaria que seu amado irmão nada mais era do que um traficante de escravos. Evangeline fitou o marido e forçou um sorriso, fazendo um sinal positivo com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem. - A mulher desviou o olhar da figura patética do esposo, por alguns segundos lembrando-se de Richard. Por mais que o tempo tivesse se passado, jamais o esquecera. Era naquelas lembranças de seu romance relâmpago que encontrava o bálsamo de suas feridas, a força para criar sua amada Claudia. Imaginava o que teria acontecido se ele não tivesse morrido, se ambos realmente tivessem se casado como haviam planejado. Certamente já teriam ao menos quatro filhos, viveriam em Longburn com Vivian e procurariam viver a vida de maneira correta e digna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade era um choque para Evangeline, mas este já não lhe trazia dor. O que ainda lhe trazia dor era ter de conviver com seu cunhado e Noah, a quem não odiava. Não. Sentia um misto de nojo e rancor do rapaz, mas sabia que não iria odiá-lo nunca. Sabia que este logo padeceria de sua frágil saúde e morreria, deixando sua tão desconcertante vida para trás. Noah havia contraído uma doença que nenhum médico sobe diagnosticar, mas dia a dia tornava-se mais magro e pálido. Evangeline e Marcus sabiam que o rapaz duraria pouco tempo e o pouco dinheiro que ainda lhe restava, caíria nas mãos do irmão, o tutor de sua filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda com essa cara, Evangeline? Vai, trabalhe! - Riu Noah, com a boca cheia de biscoitos. Dando de ombros, Evangeline tornou a trabalhar, desejando sumir com sua filha o mais rápido possível dalí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;======// ======&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi estranho depois de dez anos voltar para a sua cidade natal. Ninguém reconhecia Richard em suas vestimentas gastas, com seu cabelo crescido preso num pequeno rabo de cavalo e a barba surrada. Seus passos eram lentos, tentando acompanhar a limitação de sua perna debilitada. Sentia o olhar das mulheres em sua direção, Demien era a imagem daquilo que nenhuma mãe queria para suas filhas - mas que ao mesmo tempo sonhara em seus próprios leitos.&lt;br /&gt;Deixara aquela cidade como um almofadinha de pouca auto-estima e medo do mundo, fugindo de sua dor e daqueles que tanto lhe fizeram mal. Agora retornava com propósitos claros. Seu primeiro plano foi reencontrar a irmã, mas logo remediou-se. Não tornaria a encontrar Vivian até que seus assuntos fossem acabados. Não queria envolvê-la em suas vinganças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que o surpreendeu foi a notícia do casamento de Alexander Dragear. Aquele velho diabo estava vivo e casando-se naquela tarde! O amado irmão de Evangeline, talvez este soubesse alguma pista dos próprios irmãos. Sabia tão pouco da vida de todos alí que confessava à sí mesmo estar um tanto quanto hesitante em começar as suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;Foi fácil adentrar ao castelo naquele dia de festa, o que fez logo a mente já calejada de Demien imaginar planos maquiavélicos para uma invasão sangrenta caso alí estivessem os outros irmãos Dragear. O que era óbvio que jamais aconteceria.&lt;br /&gt;Já a conversa com Alexander foi pouco produtiva, mas algo alí acontecera para acalentar seu coração. Vira Vivian. Por de trás de uma janela, vira-a bela e já madura ao lado de um rapaz que lembrava vagamente. Diabos, ela não se casara com John então! Bem, o coração de Demien se acalmou ao ver o quão feliz ela estava ao lado daquele outro homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===//==&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do que está falando, mulher? - As palavras de Richard eram lentas e pausadas, como se dizê-las fosse um sacrifício. Por mais temerosa que parecesse, Tereza ergueu o queixo de leve e continuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h3 class="smller" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=9446814812359691894"&gt;๑ Cristinα&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt; &lt;div class="para"&gt; - É isso mesmo que ouviu, senhor. Evangeline Dragear tem chances de estar viva. - Richard naquele momento se voltou por completo para a mulher, ainda sem acreditar nas palavras da mesma. A fitou por completo, observando o decote generoso e o vestido que colava às curvas da mesma. Não era de julgar as pessoas pelas aparências, já que convivera com os piores tipos de piratas e rameiras naqueles dez anos. Continuou em silêncio, enquanto notava as pupilas da mulher se dilatarem de leve ao notarem o olhar do homem a analisando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seus irmãos a mandaram para um convento, o convento de Santa Sophie. - Suas palavras estavam atrapalhadas e então Richard tornou a se aproximar, sentindo que a mulher estava mais nervosa à cada passo seu. Riu consigo mesmo, aquela mulher por mais boa índole que pudesse possuir, ainda era a Tereza Dragear que conhecera quando jovem. Seu ego e sua luxúria sempre seriam a cicuta que esta tomaria para chegar ao seu fim. Por fim sorriu para a mesma, um sorriso rasgado e sem grandes promessas e partiria. Tereza ficaria alí, tal qual um anjo de pedra, imóvel em sua beleza e estupefata. Richard a surpreendera e não sabia o que esperar daquele homem. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-7281436336093338347?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/7281436336093338347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/7281436336093338347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-6-tres-anjos.html' title='Capt 6 - Três Anjos'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-1043016943044672991</id><published>2009-02-24T22:24:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:26:17.699-08:00</updated><title type='text'>Capt 5 - Três Anjos</title><content type='html'>- Morta?! - Até mesmo o velho James, um passivo ouvinte daquela história tão triste, se exaltou com o que Demien acabara de dizer. O homem por sua vez deu de ombros, amargurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdera a vida salvando a do irmão e de seu noivo. - Os olhos negros do pirata estavam fixos no oceano, como se a gritaria de seus colegas fosse algo tão distante que jamais tocaria sua consciência naquele momento. Lembrava-se apenas da aflição que sentira em seu peito, do olhar piedoso da jovem enfermeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diabos, isso eu jamais imaginaria! - O velho daria um murro contra a madeira do convés, parecendo realmente encomodado com a resolução da vida daquela jovem que em poucos minutos de conversa o cativara mesmo que platonicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que ninguém imaginaria é que aquele pesadelo findaria alí, naquele hospital, com a pior notícia da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;=====//=====&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias se passaram rapidamente, embora Richard tivesse perdido a total noção do tempo. Fitava um pequeno relógio que estava preso na parede, um guardião e ao mesmo tempo um algoz, que anunciava que perdia cada minuto daquele. Perdia, parecia já não ter mais razão nenhuma para viver. O único laço que ainda o mantinha vivo era a esperança que naquele momento Vivian já estivesse casada com seu rico pretendente, John. Sim, assim poderia sumir no mundo ou esperar a morte. Talvez, daquela maneira, fosse encontrar com Evangeline.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor, seria bom se comesse algo. Não comeu nada hoje. - A enfermeira murmurou, solícita. Parecia mais pálida que o normal, forçando um sorriso. Naquele momento, pela primeira vez em semanas, a fitou com o mínimo de interesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que aconteceu, enfermeira? - Murmurou com os seus lábios secos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada, apenas quero vê-lo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me ver bem e corado para ao menos ser enterrado belo? - Riu de escárnio, surpreendendo a mulher. Sabia que não estava num hospital, tão pouco aquela mulher era uma enfermeira de verdade. Aquele era um galpão abandonado e alguém pagava o salário daquela coitada. Dias antes havia ouvido uma conversa entre ela e uma voz masculina, que reconheceu como a de Ralph. Desejavam-no bem para alguma armação, como fazê-lo parecer ser o algoz da morte de algum homem importante para logo ser condenado à forca, no lugar deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei do que está falando, senhor. - Respondeu a moça, nervosa. Richard tomou o pulso da mesma com uma força estranha para alguém tão pálido e fraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu ouvi tudo, senhorita. Sabe que olhando bem agora, sua face não me é tão estranha...? Diga-me, é uma das moças que "trabalham" na casa dos Dragear, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor! - A garota usou da própria surpresa para fingir um espanto embaraçado. - Está me ofendendo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga-me, quanto irá receber para dar-me pronto para o abate? - Riu novamente o homem, tendo um divertimento um tanto quanto maléfico naquele momento com a expressão da moça. - Deve ser uma sensação estranha, vendeu sempre seu corpo e agora venderá o de outro. Um corpo que logo estará gélido, com a moral mais suja que o pecado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai morrer de qualquer jeito, senhor. - O queixo delicado da moça ergueu-se, finalmente demonstrando alguma faceta real de seu caráter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E já que vou morrer que qualquer maneira, vai ganhar um dinheiro com isso... Acertei? - Soltou a mão da moça, encostando-se sobre os travesseiros e a fitando de maneira cansada. - É, talvez esteja certa. Minha vida nunca valeu muito, uns trocos para uma meretriz quem sabe a ajude a comprar um pouco de ópio e esquecer da própria existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ópio! O senhor não sabe de nada mesmo! - A "enfermeira" massageava o pulso, o fitando com raiva. - Não sabe nada da minha vida para dar tão pouco valor para ela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E a senhora não está fazendo o mesmo comigo? - Retrucou Richard de maneira calma, fitando-a com uma estranha paz em seu semblante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... - A enfermeira perdeu as palavras, sentando-se no banquinho ao lado do enfermo e desviando o olhar do mesmo. Richard a observou melhor e viu que aquela pobre moça não era tão ruim quanto imaginava. Era uma moça perdida, certamente trazida do interior e perdida entre a má fé dos homens de posses. Um joguete que assim que perdesse a utilidade e a beleza da juventude, seria encontrada em algum beco morta pelo uso de drogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixe-me ir, senhorita. Prefiro ter qualquer fim ao ter de servir para algo aos Dragear. Jamais odiei tanto alguém como odeio aqueles dois homens. Eles fizeram mal à quem eu mais amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se fores, qual será meu fim senhor? Não sou tão boa como imagina, não trocarei tua vida pela minha. - A moça sussurrava, aproximando-se da pequena janera e erguendo de leve a cortina, vendo se algum dos homens Dragear surgia. Era visível que queria deixar aquele lugar e aquela vida tão rapidamente quanto Richard o queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Garanto que já mecheu em minhas coisas. Mas imagino que não notou que em meu paletó existe um fundo falso. - Riu da própria malandragem. - Existe dinheiro alí, será todo seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está sendo tolo, posso muito bem pegar o dinheiro e deixá-lo para os leões. - Disse a moça, aproximando-se do paletó e tateando o tecido escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei. Mas também sei que não o fará. - Os olhos azuis da moça o fitaram com surpresa naquele momento. Ela segurou o tecido em que havia o dinheiro entre as mãos, torcendo-o de leve por entre os dedos de maneira nervosa. - Minha irmã sempre dizia que em nossa vida existiam sempre três anjos terrenos para nos ajudar. Você tem olhos de anjo, "enfermeira". Irá tomar esse dinheiro e lhe darei o endereço de um bom amigo meu que lhe dará um bom emprego em sua propriedade. Deixará essa vida de vergonha para trás assim como esquecerá de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas senhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não pense, anjo. Faça o que é bom para tí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;=====//=====&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o anjo? Como era o nome? - James, como sempre, procurava saber ávidamente dos detalhes das mulheres. Era mesmo um grande mulherengo e fez com que Richard risse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei o nome dela, nunca procurei saber. Sei que Etan Thompson, meu bom amigo, lhe deu uma ocupação em sua casa confiando nas palavras da moça. Nunca mais ví meu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quanto a tí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não estou aqui, na sua frente? - Riu Demien e o velho fez-se incontente com a resposta. O pirada deu de ombros e continuou. - Bom, quanto a Richard....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;=====//======&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça fez apenas o que o enfermo disse. Ambos saíram do pequeno galpão na noite de festejos e jogatinas na casa dos Dragear. Felizmente não havia nenhum homem à postos os observando, o que fez o plano sair mais fácil do que ambos imaginavam. Deixando Richard numa carruagem, o "anjo" deu um pequeno sorriso polido e enviou-o para uma cidade litorânea, onde provávelmente nenhum dos Dragear pudesse procurá-lo. Pelas contas de Richard, naquele momento, sua irmã já estaria casada e esquecendo que um dia foi irmã do dito culpado do incêndio do Galpão de Santa Marta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurava não pensar na irmã. Não queria sentir-se tentado à voltar e vê-la. Seria perigoso para a vida da mesma, ainda mais esta agora sendo a esposa de alguém tão influente. Mas era o pensamento em Evangeline que o torturava. Imaginava-a sendo corroída pelo fogo, morta pela ambição de salvá-lo e salvar o irmão. Morta pela maldade do mundo. Era a imagem de sua amada que o amargurava e Richard, assim que pisou ao cais daquela cidade que sequer sabia o nome, procurou um bom bar e por alí passou algumas noites. De dia dormia, de noite bebia. Até que seu dinheiro acabou e foi posto na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doente, pobre e sem esperanças da vida. Agora a idéia da morte pelas mãos dos Dragear não lhe parecia tão ruim, mas logo remediava sua idéia tola e lembrava que foram aqueles dois que destruiram sua vida. Sua vida e de Evangeline. Preguejava, chorava. Aos poucos, esquecido num canto do cais, recebia algumas esmolas ao dia. Mas nem força para gastá-las tinha. Até um dia que encontrou uma moça que vinha chorando em sua direção, com as vestes rasgadas. Era noite, ela vinha da direção de um dos barcos. Evidentemente que era uma meretriz mas algo a encomodara. Com a pouca força de possuía, ergueu-se e a tomou nos braços, protetor. Fazia tanto tempo que não sentia o calor de alguém contra seu corpo que sentiu seu coração bater mais rápido, descompassado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que aconteceu? - Perguntou com uma voz rouca, notando-a ainda mais máscula. Fazia tempo que não a ouvia, apenas ouvia seus próprios pensamentos masoquistas. Talvez realmente tivesse envelhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vi o que não devia, senhor. Ele quer me matar! - A mulher não o fitou, apenas virou os olhos para trás e apontou para um grandalhão que vinha atrás desta. Rapidamente ela se voltou para Richard, fitando-o nos olhos. Não era uma mulher bonita, a vida já havia a maltratado em demasia. - Ele matou o homem com quem eu dormia, roubou-lhe uns papéis e então me viu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cala boca, sua vagabunda. - O homem se aproximou, era realmente grande e barbudo. O típico pirata bonação, pensou Richard. - É esse magrela que vai a salvar? O mendigo e a prostituta, que par perfeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richard não ficou nervoso com o que este falava sobre ele. Sequer fitou a moça e tão pouco notou que alguns homens vinham dos navios e observavam a confusão. O grandalhão parecia nervoso e rapidamente tentou fugir, sendo aplacado com a multidão de homens que surgia e o envolvia no cais. Richard fitou a moça em seus braços e naqueles olhos escuros pode ver um medo imenso, o mesmo medo que havia dentro de sí. Um medo de viver, de encarar a própria dor. Lembrou de seu pai, numa das últimas vezes que o encarara, temeroso em deixar o cuidado de sua fortuna e de sua filha com seu filho inconstante. Lembrou-se da irmã, que nunca em sua vida deixara de dar-lhe um bom abraço e que avidamente sempre desejara-lhe amar e, finalmente, lembrou-se de Evangeline e de como ela o odiaria vê-lo daquela maneira. Foragido, fraco, temeroso. Um morto-vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com aquele pensamento em mente, Richard deixou a moça de lado e se aproximou do grandalhão. Viu na face avermelhada do pirata a face de todos seus desafetos e sentiu um ódio tão grande que precisou botá-lo para fora de sí usando até mesmo de sua força física. E com esta força, que sequer sabia que possuía, o rapaz surrou o grandalhão. Não se lembrava até hoje de como o fizera, fora dominado pela raiva, seus olhos tornaram-se turvos. Quando deu-se por sí já estava dentro do navio de James, sendo cuidado pela moça que salvara e que até hoje, quando a encontrava naqueles cais, demonstrava uma eterna gratidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho James o acolheu entre os seus quando viu aquele rapaz pálido e fraco surrrar alguém com o dobro de sua força, apenas para salvar a vida de uma pobre meretriz. Pela primeira vez o velho pirata temeu alguém em sua vida, viu naquele rapaz alguém que era dominado pelos seus demônios. Num acordo entre ambos, o jovem trocaria a moradia no navio e a comida pelo seu trabalho. Mostrou-se um homem estudado e perspicaz, diferente dos brutos que havia alí. Era inteligente e esperto, desde que pisara no "Nefasto" não haviam perdido nenhuma batalha, haviam juntado grandes fortunas. A vida daqueles homens melhorou muito, James Sullavan tornou-se temido entre aqueles mares graças ao seu braço direito, o "Lobo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os acordos eram justos. Quando era Demien que descobria algum tesouro ou barco a ser saqueado, ficava com 40% dos lucros. E, como geralmente era o que acontecia, com o passar do tempo acumulou uma grande fortuna. Ao contrário dos demais, tinha uma vida reservada e de poucos gastos. Apesar de sua fama, era modesto e discreto, mantendo-se sempre como um simplório marujo. Quando deu por sí, passou-se 10 anos desde que vira sua irmã pela última vez. Tornou-se um homem forte e calejado pelas batalhas, aventuras e seus próprios temores, que tanto o atormentavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;=====//======&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora? - Disse James, a queima-roupa ao seu braço direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora o quê? - Demien voltou-se para trás, fitando-o enquanto se encostava numa das paredes da embarcação, fitando o velho com seus tão temidos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei que pretende nos deixar, lobo. - O velho mostrou-se um tanto quanto temeroso. Demien se aproximou do mesmo, mancando de leve, uma marca de uma seqüela do incêndio do Galpão de Santa Marta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, eu pretendo mesmo. - Sentou-se ao lado de James, esticando a perna ferida e suspirando de dor. Antes que o corajoso capitão do Nefasto expusesse sua curiosidade, ele continuou. - Quero procurar minha irmã. De modo passivo, deixo claro, não quero arruinar sua vida com John.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, pretendo me vingar daqueles que acabaram com a minha vida. Acabaram com Evangeline. - E então ergueu-se. Seguiu até o próprio aposento, levando consigo apenas um tipo de valise improvisada. Ao contrário de seus outros homens, Demien colocara sua fortuna em bancos ou com pessoas de "confiança", que conhecera nas outras adversidades de sua vida. Deixara algumas de suas esculturas para o velho capitão e um remendado mapa de um tesouro que comprara de uma cigana. Era seu legado para aquele navio que o acolhera por tanto tempo, onde alí fizera sua suja fortuna. Foi a última vez que James Sullavan viu seu melhor homem, mas jamais esqueceu da sua imagem esguia caminhando por entre o cais e partindo sem olhar para trás. Assim era o lobo, forte e destemido. Não temia nada e nem ninguém, apenas à sí mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-1043016943044672991?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/1043016943044672991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/1043016943044672991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-5-tres-anjos.html' title='Capt 5 - Três Anjos'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-5702955012504974173</id><published>2009-02-24T22:23:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:24:26.441-08:00</updated><title type='text'>Capt 4 - Três Anjos</title><content type='html'>Richard viu-se sem ar, ainda sentindo o corpo de Evangeline contra o seu. Fitou a face da garota e viu lágrimas nublarem os olhos da mesma. Não que ela tivesse perdido alguém que amasse, não era efusiva e tola ao bastante por chorar a morte de um desconhecido. Mas chorava pela dor de Richard. Aos poucos ele se afastou da garota, apertando-lhe a mão forte por uma última vez e a fitando nos olhos. Sentia um aperto no peito estranho, não conseguia classificar naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Evangeline...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá, vá se despedir de teu pai! Consolar tua irmã. - A garota, tão cheia da vitalidade da juventude, não conseguia lidar bem com a morte. Com a tristeza. Parecia sugar-lhe a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me espere, Evangeline. - Antes de soltar a mão da jovem, apertou-a uma última vez. Evangeline sorriu entre as lágrimas, um sorriso forte e com fé no futuro, embora triste. Fez um sinal positivo com a cabeça, enquanto sentia os ombros serem envolvidos pelos braços de Tereza, que a abraçava num sinal de carinho raro naquela casa desde a partida de Alexander e da morte de sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;====== // ======&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;O velho James fitava a expressão de Demian, que tinha os olhos fixos no oceano calmo. Havia se levantado e se debruçado no parapeito do navio, observando as águas como se alí pudesse se jogar. Aliviar sua alma, esquecer lembranças ruins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele mal imaginava que aquela seria a última vez que veria sua amada. Foi intenso o amor de ambos, por mais platônico que tivesse sido. Foi forte e marcou o coração do rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o rapaz, é você? - Perguntou James, cruzando os braços e o fitando de maneira calma, como se não quisesse se intrometer na vida de seu melhor homem. Demian voltou seus olhos para James, o olhando como se pudesse dizer coisas naquele olhar. Mais do que um simples sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, era eu. Deixei de ser Richard Winspear uma semana depois do ocorrido da morte de meu pai. - Voltou a cabeça para o oceano, respirando fundo. Havia emudecido, como se tomado novamente pelas lembranças do passado. Mas não sentia raiva, nem remorsos. Apenas lamentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que aconteceu para que Richard perdesse sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Naquela noite, encontrou seu pai morto no escritório dele. Havia se suicidado. Era um homem tão fraco quanto o filho, no fim das contas... Tinha falido e se envolvido em negócios de má fé, num desespero grande para salvar seu patrimônio, sua família da miséria. - Damien, se voltaria para James, voltando a caminhar por sobre as tábuas do chão do navio. Tinha os braços caídos ao lado do corpo, como se pudesse sentir algum peso sobre eles naquele momento. - Mas, como eu havia dito, era um homem bom. Ficou com um peso na consciência que sua moral jamais aguentaria e findou a própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;====== // ======&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richard viu-se envolvido na herança dos problemas que seu pai lhe deixara. Tivera de começar a vender o que possuíam para acabar com as dívidas, temendo pelo futuro da irmã e, por que não, o próprio. À pouco havia começado a se interessar pela vida, pelos negócios da família e agora havia perdido-se no destino, sem saber o que fazer da vida. E o pior, o que fazer com Evangeline.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amava-a, amava-a como a própria vida. Talvez ainda mais do que a sí mesmo, e torturava-se. Não queria tirá-la de casa, de um lar onde apesar de tudo, tinha confortos. Ele, aos poucos, via o patrimônio escorrendo pelos seus dedos feito areia em uma ampulheta, e o pior, recebia ameaças daqueles que seu pai havia se envolvido no ápice de seu desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Richard? - Abriu os olhos e fitou Vivian, que adentrava na biblioteca de maneira hesitante, trajando luto. Voltou-se para a irmã, que o observava com temor e ao mesmo tempo carinho. Pobre Vivian, seu destino seria triste caso realmente não se casasse com John. A certeza daquele matrimônio que acalmava Richard, temia apenas por sí só e pelos sonhos destruídos que teria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim? - Respondeu de maneira rápida, como se estivesse alerta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Recebi um recado, haverá uma reunião no galpão de Santa Marta esta noite. Dizem que irão quitar a dívida de papai de vez, finalmente. Poderemos ainda ficar com alguma coisa de nossa herança. - Vivian sorriu de maneira discreta, mas otimista. Via que a irmã estava mudando durante aquela situação de dor e privações. Estava amadurecendo e perdendo seus modos impetuosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom... - Levantou-se, vestindo o paletó rapidamente, sorrindo para Vivian. - ...se isso for verdade, quem sabe possamos ainda sonhar em continuar com Longburn. Alugamo-a até quitarmos o que nos resta e então ainda poderá casar-se no nosso salão. - Se aproximou da irmã e beijou-lhe a testa, em seguida recebendo um abraço inesperado da mesma. Toda aquela dor havia unido ambos, irmãos que sempre foram distantes. Richard deixou a biblioteca e, em sua inocência, também nunca imaginou que o que viria a acontecer o separaria para sempre de sua irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou rapidamente ao Galpão de Santa Marta, onde encontrou um grande grupo de trabalhadores e alguns conhecidos. Subiu as grandes escadarias e chegou no escritório, onde estava sendo esperado. No meio do caminho, sentiu um toque forte em seu braço e encontrou a figura de Alexander Dragear, irmão mais velho de Evangeline.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dragear. - Apertou-lhe a mão com força, já que conhecia a fama do homem. Ele havia mudado, trajando-se de maneira requintada. Mas a força e os modos rudes ainda eram visíveis em sua figura máscula. Ao contrário do que muitos imaginavam ao ver sua imagem intimidadora, Alexander era um homem sensível e amigável. Comprimentou Richard com um sorriso satisfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero que saiba apenas que sei de suas intenções com minha irmã. Também sei de sua situação financeira e cheguei a desaprovar o casamento. Mas...Mas isso foi até eu ver os olhos de Evangeline. Ela a ama, Therton, e espero que faça o que puder para merecê-la. - Dizendo aquelas palavras, adentrou no escritório e deixou Richard estupefato. Depois de alguns segundos, adentrou pela mesma porta e encontrou dois homens, eram irmãos e pareciam tão surpresos da vida de Alexander e de Richard quanto ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo se passou e ninguém em especial chegava. O motivo de qual os quatro foram chamados foram diferentes e todos começavam a desconfiar. Passou-se meia hora do horário combinado e então Alexander, já impaciente, decidiu deixar o lugar. Foi então que, alheios à tudo, ouviram uma grande gritaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;==== // ====&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Consegue imaginar o inferno, James? - Perguntou Damien, à queima roupa para o velho, que por sua vez o observava com os olhos levemente arregalados, sem perder nenhuma informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só o que minha mãe me dizia. - Deu de ombros, sem entender. Damien engoliu seco e caminhou na direção do velho, baixando o tom de sua voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois eu sei como é e lhe direi. - Colocou as mãos nos bolsos e estranhamente suas íris se tornaram mais negras, fazendo o velho sentir aquele temor primitivo e sem explicação que tinha pelo homem. Como se aquele à sua frente pudesse mostrar sua verdadeira face. - O inferno é um grande galpão de madeira tomado pelo fogo. Chamas que percorrem as paredes, o teto caindo sobre pessoas, fazendo que estas perdessem suas vidas. Gritos de desespero, pedindo por um socorro que jamais viria. Pedindo por clemência de um senhor impiedoso, que não terminaria com aquela tortura. Vidas tendo seu fim, em frente aos seus olhos, com as piores mortes imagináveis, acompanhadas pelo calor daquele caldeirão infame e mortal. E o pior... - O velho segurava a respiração, fitando os olhos daquele homem, que parou em sua frente e então respirou fundo, de maneira discreta. -... não saber se seu fim será o mesmo daquela gente. Saber que para salvar sua vida, poderá findar com a de outros. Imaginar que perderá tudo que ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E... Como sabe disso? - Perguntou James, num murmurar lento e hesitante. Demian sorriu, um sorriso cheio de raiva e amargura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estive no inferno, velho. E o inferno, naquela noite, foi no Galpão de Santa Marta. - Se afastou de James, novamente seguindo até a borda do navio, fitando o mar como se aquilo pudesse acalmá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como está vivo aqui? - O velho pirata não conseguiu conter a curiosidade, observando o outro de maneira discreta, coçando a própria barba branca. Demian ficou um tempo calado, perdido em pensamentos, mas logo continuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O fato é que no meio do inferno, um anjo corajoso e petulante veio salvar minha alma. A mim e a Alexander, um anjo pequenino e de cabelos negros, impetuoso. Um anjo chamado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...Evangeline? - Completou o velho, sorrindo. Já gostava da garota, mesmo sem conhecê-la. Demian sorriu, um dos seus raros sorrisos despojados, fazendo um sinal positivo com a cabeça ainda com os olhos fixos nas águas do oceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. Até hoje não sei como ela conseguiu salvar a mim e a Alexander. Ninguém sabe como ela descobriu também que fomos parar naquela emboscada. Quando dei por mim, fui buscar informações sobre Evangeline, estava com uma grande sede de vida. De viver com ela. - Acabou engolindo seco, respirando fundo e ainda fitando o mar. James esperou pacientemente que o companheiro continuasse, o que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;==== // ====&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richard sentiu um gosto azedo na língua, como se já não sentisse o sabor puro da água em seu paladar. Abriu os olhos e fitou um teto branco, iluminado precariamente pelas luzes das velas. Era noite. Com o pouco da força que possuía, entreabriu os lábios e tentou chamar por alguém. Foi então que sentiu um toque em sua testa e um leve erguer de sua cabeça e logo um copo com água foi guiado até sua boca, onde pode aliviar sua sede. Ergueu os olhos e fitou uma mulher de cabelos castanhos, presos num coque. Vestia-se com simplicidade e ao mesmo tempo sobriedade, que contrastava com o olhar paciente que tinha em seus olhos verdes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acalme-se, senhor. Passou por maus bocados...- Um sorriso polido tomou os lábios da mulher, que novamente sentou-se ao seu lado, como se estivesse em vigília. Richard engoliu seco e então a fitou, falando com a voz rouca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que aconteceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sobreviveu ao incêndio de Santa Marta, senhor. - O informava de maneira distante, mas ao mesmo tempo o fitava com uma curiosidade estranha. - Esteve dormindo por praticamente duas semanas, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Duas semanas?! Mas... O que diabos...?- Tentava-se se erguer da cama e a mulher rapidamente o segurou, sem parecer surpresa com a reação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acalme-se, senhor. Não pode se exaltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero saber o que está acontecendo! - Gritou, exaltado. A mulher o empurrou contra a cama e o fitou de maneira séria, ainda o segurando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se portar-se bem, lhe responderei. - Imediatamente Richard a obedeceu, fitando-a se afastar e novamente sentar-se ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E então? - Insistiu, ao ver o silêncio da mulher. Ela arqueou as sobrencelhas e colocou as mãos por sobre o colo, calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi salvo por Evangeline Dragear, que pode salvar o irmão Alexander. Infelizmente, está sendo indiciado pelo atentado ao Galpão de Santa Marta. O acusam. - A mulher não fazia rodeios, ia direto ao ponto, sem parecer ter muito tato para dar notícias ao enfermo. Ainda desnorteado com tudo aquilo, preparava-se para dizer em voz alta as milhares de perguntas que o atormentavam, mas algo em seu coração o fez sentir uma aflição grande, fazendo apenas uma pergunta para a suposta enfermeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como está Evangeline? - Engoliu seco, segurando a respiração. A enfermeira desviou o olhar, fitando do chão e apertão as mãos uma contra a outra de maneira forte. Por fim voltou a fitá-lo, como se soubesse que não haveria como fugir da curiosidade selvagem daquele homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela está morta. Morreu no incêndio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-5702955012504974173?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/5702955012504974173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/5702955012504974173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-4-tres-anjos.html' title='Capt 4 - Três Anjos'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-9205582553668593159</id><published>2009-02-24T22:21:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:23:20.568-08:00</updated><title type='text'>Capt 3 - Três Anjos</title><content type='html'>Richard havia adentrado naquela casa na noite anterior sentindo-se imprestável, indigno da vida. Naquela manhã, trazia um sorriso feliz e ao mesmo tempo inseguro nos lábios. Seguiu até Longburn a pé, sabia que de qualquer maneira encontraria a desconfiança - merecida - de seu pai e a desaprovação de sua irmã. Mas a manhã e as memórias daquela noite lhe traziam um sabor diferente nos lábios, estava feliz. E a muito tempo não sabia o que era ser feliz, sentir-se bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu maluco! - Gritava Vivian, correndo em sua direção pelos grandes jardins de Longburn. Era a figura mais delicada e feminina que conhecia, tinha muito orgulho da irmã. Certamente conseguiria um bom casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maluco? É, acho que está falando comigo mesmo... - Richard fingiu procurar outra pessoa alí, mas no fim fitou a irmã nos olhos e sorriu. A mesma arregalou os olhos, soltando as saias ao chão enquanto tentava acalmar as batidas de seu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que está sorrindo? - Perguntou lentamente, ainda estranhando aquilo tudo. - Você nunca rí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É a manhã, minha irmã. É esta bela manhã! - Sorriu novamente e a deixou alí, de queixo caído e tão perdida que sequer lembrava o que viera falar para o irmão. Quando Richard estava subindo as escadarias, ela pareceu levar um choque e lembrar do que queria tanto falar. Correu na direção do irmão e o interceptou na porta, gritando por seu nome sem se importar com nada. Vivian era assim, jamais se importava com nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Papai voltou de uma viagem misteriosa ontem. Desde então só bebe na biblioteca, sequer notou seu sumiço ou veio me ver. Estou com medo, meu irmão. - Richard abraçou a irmã, sentindo o corpo da mesma tremer. Vivian não era do tipo que chorava ou demonstrava seus temores, gostava de fazer-se de forte. Queria ser forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou ver o que posso fazer, Vivy. - Richard a soltou e seguiu na direção da biblioteca, sem saber como lidar com tudo aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fora um filho exemplar, tinha medo de decepcionar seu pai e sua irmã ainda mais do que já decepcionara. Sua personalidade melancólica e taciturna o fizeram um homem reservado, sem grandes desejos e planos para a sua vida. Esperava que Vivian fizesse um bom casamento e seu pai vivesse para sempre, ou ao menos morresse depois dele. Temia responsabilidades como um cordeiro teme um lobo. Mas...Desde que conhecera Evangeline na noite anterior, decidiu que não seria mais o cordeiro. Seria o lobo. Seria sempre o lobo, e aquela árdua tarefa começaria naquela manhã, enfrentando seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com aquele pensamento em mente, abriu a porta da biblioteca e logo deparou-se com um forte cheiro de alcool no recinto. As janelas completamente fechadas, a biblioteca estava abafada e ao mesmo tempo fria, já que o fogo da lareira morrera a muito tempo. O pai de Richard estava caído numa poltrona de fronte com a lareira, os olhos fixos nas cinzas, o copo caído ao chão já vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai? - Se aproximou Richard, caminhando até o pai de maneira decidida e ao mesmo tempo temerosa, se aproximando e ficando ajoelhado na frente do mesmo. O velho homem tinha os olhos avermelhados e imóveis, sem nenhuma reação. As íris se moveram lentamente na direção do filho e então ele tossiu, engolindo seco em seguida e resolvedo falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sempre foste minha grande preocupação. Minha filha se casará bem, é uma boa moça. Mas você... Sempre desinteressado pela vida... - O homem fez um sinal exaltado e ao mesmo tempo desanimado, caíndo imóvel sobre a poltrona novamente e então jogando a cabeça para trás, fechando os olhos. - Diga-me, Richard. O que errei contigo, afinal de contas...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai... - Richard tomou as mãos do pai entre as suas, chamando a atenção do velho. Não era de desmontrar qualquer apreço, surpreenderia o velho homem que o fitaria com a máxima atenção que alguém em seu estado conseguia fazer. - Não se preocupe comigo. Estou decidido a ajudá-lo e tomar as rédeas de minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas... O que aconteceu?! - Perguntou o homem, surpreso. Richard sorriu e o ajudou a levantar-se, em seguida rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que acha? Agora... Tomarás um banho, dormirá e terá certeza que nada no mundo é tão ruim que não possa ser resolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que diabos aconteceu?! - Perguntou novamente Eldred, arrancando uma risada de Richard. Subiam as escadarias para o quarto do velho homem e Vivian os seguia calada, curiosa. Richard levou o pai até o quarto e o fez deitar-se, tirando-lhe os sapatos e a gravata. Quando cobriu o pai, ele agarrou sua gravata e gritou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Responda-me, homem! Que aconteceu?! - Richard sorriu e então fez o pai deitar-se e então fitou Vivian, se colocando em pé e então declarando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conheci uma garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;========== // ==========&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então a moça deixou esse Richard caídinho por ela, hein? - James sorriria, balançando a cabeça branca e respirando fundo, de maneira melancólica e romantica. Damien o fitaria de soslaio, estranhando os modos do seu capitão e então o velho homem deu de ombros, rindo de maneira embaraçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso ser um grosseirão dos mares, mas já amei nessa vida maldita. E como amei. E sei como é se sentir assim, como este seu amigo se sentiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De fato, Richard havia se apaixonado. Pela primeira vez na vida, conseguira conversar ou se interessar por uma mulher que não fosse a própria irmã. Mas... Ele não achava que a merecia. - Tomaria o canivete em mãos e o pedaço de madeira, voltando a esculpir de maneira rápida e ao mesmo tempo controlada, frívola. James ergueu-se e seguiu até a beira do barco, fitando o mar calmo daquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E não merecia mesmo. Pelo que me controu era um fraco. Um homem fraco não merece nenhuma mulher neste mundo, deveria deixá-las todas para nós, que sabemos apreciar uma carne delicada e feminina. Apreciar e defender, se é que me entende... - Riria de maneira ruidosa. O velho James ainda era um homem de várias mulheres, sabia seduzi-las de uma maneira que ninguém conseguia compreender. Mas Damien entendia. James conseguia valorizar as mulheres de uma maneira que os outros homens não conseguiam. Via-as como dádivas divinas, como o maior prazer que o homem poderia possuir em sua vida. E Damien o entendia, já sentira algo parecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele concordaria contigo, velho. Mas por isso decidiu mudar. Tornou-se um homem diferente...No dia seguinte, começou a se envolver com os negócios da família. Deixou de beber, deixou de jogar. Se alimentava bem e praticava exercícios, queria ser alguém que Evangeline não só gostasse ou amasse, mas que admirasse e tivesse orgulho de passar o resto de sua vida com ele. Mas, com essa decisão, algo aconteceu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==== // =====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tereza veio lhe ver, Evy. - Disse Germaine para Evangeline, que estava caída na cama de maneira desanimada, fitando o chão. Ainda estava de camisola e despenteada, trouxera comida para o quarto e lia um livro caído no chão. Lia não, deslisava os olhos pelas letras como se estivesse hipnotizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Evy...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero vê-la, Germaine! Por causa dela Alexander caiu no mundo atrás de dinheiro. Só para conquistá-la, ela é odiável. - Evangeline fitaria a criada de soslaio, deixando claro o seu desagrado. A mulher sentou-se ao lado de Evangeline na cama, estava a tanto tempo na casa que tinha intimidade o suficiente para fazer aquilo. Era a segunda mãe da jovem, assumira o papel desde que a velha sra. Dragear morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querida, ela gosta de você. E nunca prometeu nada ao seu irmão, lembre disso. É horrivel ser amada por alguém que gostamos mas não amamos. E ela é visívelmente apaixonada por Jonathan. - Evangeline ergueu-se na cama, sentando-se e fitando a criada. Germaine por sua vez tomaria a mão da jovem entre as suas e sorriria, terna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vou julga-la, está certa Germaine. Deve ser horrível gostar de alguém e não poder corresponder seu amor... Tal qual a... - Evangeline calou-se, encontrando o olhar curioso da criada. Sua face tornou-se rubra e então ela saltou da cama, procurando por seu vestido e o encontrando jogado no canto do quarto. Não era uma pessoa organizada em quase nenhum setor de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer compartilhar algo, querida...? - Disse Germaine, enquanto penteava os cabelos de Evangeline, que já vestida estava em frente a penteadeira. Sua expressão era triste, havia marcas de noites mal dormidas ao redor de seus olhos escuros, tristes. Fitou a criada pelo espelo e deu de ombros, engolindo seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A minha desgraça é tão grande que será egocentrismo meu não partilhá-la com a humanidade. Não, com a humanidade não, isso seria vergonhoso. Mas com uma pessoa talvez. - Fazendo muchocho, fitou a mão por sobre a superfície de madeira da escrivaninha, onde os dedos moviam-se de maneira nervosa sobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então fale sobre tamanho infortuno, pequena... - Germaine fingia-se alarmada, mas conhecia tão bem Evangeline que sabia que aquilo era um de seus exageros de praxe. A garota suspirou, como se já não houvesse mais motivos para viver e tornou a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que assustei Richard. O fiz ficar trancado comigo à um mês atrás, pareceu-me o certo naquele momento. Sabes como sou impulsiva, achei ele tão...Tão... Oh, Germaine! Não sei o motivo de meu sofrimento, ele é um rapaz futil e sem futuro, como todos os que vem aqui nas jogatinas. Mas quando o ví com a vagabunda da Lya naquela noite, eu senti algo no meu peito. Num primeiro momento o tranquei para me vingar, queria profanar a cama de minha mãe! Mas depois... Quando ví passei a noite toda com ele. O destratava, falava mal dele para sí mesmo, mas na verdade jogava aqueles fatos contra mim mesma, para que eu parasse com aquela paixão estúpida e sem fundamentos! Mas no fim... - Os lábios da jovem tremeram e Germaine a abraçou, enquanto pequenas lágrimas que não puderam ser contidas deslisavam pela face arredondada da jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha pequena, arrepende-se? - Murmurou Germaine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, acho que não. Se não tivesse me trancado com ele, jamais saberia o que é estar apaixonada. Mas, ao mesmo tempo, acabei com todas as minhas chances com ele. Ele viu-se trancado com uma garota feia, desprovida de fortuna, talentos e temperamental. Eu, se estivesse no lugar dele, teria derrubado a porta! - Germaine riu dos modos da garota, que por sua vez fitou a mulher de maneira enfezada. A criada se afastou, começando a juntar a bagunça da garota pacientemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não és feia e sabes disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quanto ao resto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não gosto de mentir, pequena. Nem se fosse para aliviar seu coração. - Evangeline sorriria por entre as lágrimas, tomando um lenço da gaveta e as secando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já é noite, o que diabos ela quer comigo afinal? - A garota mudaria de assunto obruptamente, como sempre o fizera de costume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tereza? Bem, sabes como ela é solitária. Acho que quer ser sua amiga. - Disse Germaine, sempre direta e sincera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lamento por ela. Serás tão só como agora quando se casar com Jonathan. - Lamentou Evangeline, que fitava-se no espelho de forma desanimada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não deve se intrometer e sabes disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não o farei. Ou ao menos tentarei me controlar. - Sorriu para Germaine e se aproximou da mesma, lhe dando um beijo nas bochechas róseas e partindo do quarto. Desceria as escadas e encontraria a casa impecável, como acontecia no dia em que Tereza vinha encontrar seu pretendente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tereza tinha grandes posses, um bom dote. E era a mulher mais bela que já conhecera. Trajava-se com elegância, portava-se com elegância. Secretamente sempre desejara ser como ela. Enquanto a fitava sorrir de maneira simpática e polida, imaginou se Richard se importaria de ficar trancado com ela. Ou fugiria dela. Evangeline cogitaria que era mais inteligente que Tereza, também mais forte e decidida. Sabia defender seus interesses, era forte e tinha um humor rápido e sagaz. Mas... Ainda sim, entre as duas, Tereza seria a escolha certa. Com aquele pensamento em mente, o jantar passou-se numa lentidão sofrível e pouco conseguiu demonstrar alguma alegria. Não forçava situações ou sentimentos, era o que era e naquela noite estava de poucos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor Draggear... - Aproximou uma criada e cochichou algo no ouvido de Jonathan, que fitou Tereza e então tornou-se rubro de raiva. Fitou a criada e disse de maneira calma e controlada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mandem eles irem. Diga que a jovem está jantando com seu noivo. - Tereza piscou várias vezes, surpresa. Mas nada perguntaria ao ver a raiva do noivo, voltando-se para o jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um clima ruim se instalaria na mesa, conversar vazias e futeis surgiriam entre Jonathan e Ralph e entediavam ainda mais Evangeline. Seus pensamentos eram ainda mais tristes, apesar de um mês já ter se passado do sumiço de Richard. Achava que iria sofrer para sempre, se logo não desse um jeito naquela paixão idiota. Quando preparou-se para anunciar sua partida ao leito, ouviu uma música desafinada vinda da janela, com uma voz mais desafinada ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que diabos...? - Jonathan se ergueria, seguindo até a janela. Em seguida se voltaria para Ralph com uma expressão surpresa e então começaria a rir, como se visse mais graça que os outros naquilo. Ralph seguiria até a janela e então riria também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deve estar bêbado, o infame. Bêbado e apaixonado pela bela dama que tanto chama, deve ser sua noiva, irmão. Creio que deverá lutar pela honra de Tereza! - Ambos ririam e Tereza sorriria, também tinha aquele humor estranho e peculiar de divertir-se as custas dos outros. Se aproximaria da janela e então cerraria os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Bela dama, apareça na janela... Escute minha pobre música, tão pobre de rimas e tão cheia de amor."&lt;/i&gt; - Cantava o cantor desafinado. Era doce e romantico, apesar da grande dose de humor. Evangeline nunca gostara de coisas melosas e naquele momento invejou ainda mais Tereza. Queria ela ter aquela canção destinada para sí! O mundo era mesmo injusto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jonathan, eu nunca o ví na vida. Nenhum deles! - Declarou Tereza, surpresa. Era acostumada em receber homenagens de todos os tipos de apaixonados, mas nunca algo fora tão platônico assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, Winspear! Que diabos canta para minha noiva?! - Gritou Jonathan. Vários curiosos fitavam a cantoria. Alguns riam, outros o xingavam. Mas uma grande maioria achava graça do romantismo do jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Dama errada, pelos céus... Será que terei de cantar até o amanhecer para ver minha amada?"&lt;/i&gt; - As rimas eram desastrosas e Tereza começou a rir, ainda sem entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evangeline sentiu seu coração bater mais rápido, imaginando que as outras opções eram ela e Germaine. A velha criada, já na janela, também ria do jovem e então Evangeline não conseguiu mais conter sua curiosidade. Empurrou Ralph de maneira bruta para o lado, sendo xingada pelo mesmo e recebendo outro empurrão. Mas seus olhos já estavam fixos naquela imagem familiar e seus dedos seguravam com força o parapeito da janela, com tanta força que nem Hércules a tiraria dalí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Richard?! - Disse Evangeline, surpresa. Em seguida começou a rir, enquanto o rapaz trocava olhares com ela e mantinha um sorriso envergonhado nos lábios, mesmo sem parar a cantoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos alí, naquele momento, sabiam quem era a amada de Richard Winspear e pareciam tão surpresos quando Evangeline com tudo aquilo. Ela, por sua vez, tinha os olhos cheios de teimosas lágrimas. O rapaz deixou os instrumentos de lado, abrindo os braços e sorrindo, cheio de esperança. Logo, a jovem sumiu da janela e Richard parecia tão emocionado quanto a mesma estivera à pouco. Os músicos continuaram a canção, a voz desafinada sumira para a felicidade geral. Logo a pequena figura de Evangeline surgiria alí, hesitante e ao mesmo tempo emocionada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Richard?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Evangeline... Eu... - Richard se aproximou alguns poucos passos da amada, tão nervoso e hesitante quanto a mesma, sem saber como agir. Por fim engoliu seco e respirou fundo, fitando-a nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim...? - Insistiu a moça, que se aproximara dois passos também, ansiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu a amo, não sei como e quando isso aconteceu, mas vim aqui pedir-te em casamento. E a terei para mim mesmo que não queira, estou decidido. - A jovem tinha os olhos arregalados e Richard estava rubro. Deu mais um pequeno passo na direção da garota. - Me fizeste mudar, srta. Dragear. Me fizeste viver, ansiar, aproveitar...E amar. E isso tudo tem um preço muito caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E qual é? - Evangeline tinha a sombra de um sorriso em seus lábios róseos e delicados. Richard sentiu-se mais seguro e cruzou os braços, arqueando as sobrancelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você. Parece-me um bom preço...E o que me diz, é pegar ou largar. - Richard fingia-se de um frívolo mercador e então Evangeline riu, correndo na direção do mesmo e saltando no seu colo, sendo abraçada e tomada por Richard, como se não quisessem mais se soltarem. As pessoas alí se chocariam com os modos da garota, uma jovem digna não se portava daquela maneira. Mas ela não se importava e era isso que fazia Richard adorá-la tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aceito, aceito para todo o sempre! - Se afastou e o fitou, sorrindo de maneira emocionada. Richard também sorria, cheio de satisfação e os músicos tornaram a tocar uma música animada, que lembrava uma canção cigana. Richard sempre achara que Evangeline lembrava uma cigana, tanto em suas ações quando em sua aparência. E aquela música o encheu ainda mais de amor pela jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que acha que está fazendo, Winspear? - Quando deu por sí, Richard se deparou com os irmãos de Evangeline alí, cheios de falsos pudores e fingindo-se chocados. Eram homens perigosos e ainda sentia certo temor por eles. Quando pensou em vacilar, sentiu o toque seguro de Evangeline em sua mão. Fitou-a de soslaio e viu que ela fitava os irmãos de forma valente, corajosa. Amou-a ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou me casar com sua irmã, Sr. Dragear. - Disse de forma firme para Jonathan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai é? - Retrucou Jonathan, daquela maneira tão segura e cheia de sí que faziam as pessoas temê-lo, talvez como nenhum era temido na região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. - Disse Richard, sentindo o olhar de Evangeline em sí e enchendo-se de coragem. Sentia que ao lado daquela mulher, era capaz de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, diga-me... - Jonathan acabaria sendo interrompido por uma gritaria estranha. Um dos mais antigos amigos de Richard, Etan Thompson, o chavama por sobre um cavalo alasão. Richard voltou-se para o amigo, que vinha sem fôlego em sua direção. Quando pode desmontar do animal. Etan viu-se envolto por vários olhares curiosos e um silêncio sepulcral, como se instintivamente todos soubessem do que se tratava. Fitou Richard nos olhos e então lhe tocou nos ombros, solícito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Precisa vir comigo. Teu pai morreu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-9205582553668593159?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/9205582553668593159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/9205582553668593159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-3-tres-anjos.html' title='Capt 3 - Três Anjos'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-5334150608053732366</id><published>2009-02-24T22:20:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:21:30.560-08:00</updated><title type='text'>Capt 2 - Três Anjos</title><content type='html'>- Estar preso com uma mulher? Não sei o que poderia ser melhor! - Riu de maneira ruidosa James, arrancando um sorriso discreto dos lábios de Damien.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E com que mulher, velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Era bela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jamais vi tão bela. Mas, para os demais, não tinha nada de interessante em sua aparência. Poucos conseguiam captar o que havia nela. - Voltou a fitar o céu, parecendo ter seu humor melhorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Continue, Lobo. Quem sabe eu sonhe com essa mulher esta noite. - Provocou James, que recebeu um olhar de troça do companheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, então estavam Richard e Evangeline naquele quarto. Uma única vela ainda queimava, a luz era precária e o ambiente abafado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===== \\ =====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que?! - Richard se pôs em pé da cama, parecendo não saber como agir naquele momento. Se seu pai acordasse e ele não estivesse em casa, o problema seria grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já disse, desculpe! Não vou ficar me humilhando para sempre. - Evangeline sentou-se na cama, cruzando os braços sobre o peito e desviando o olhar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Humilhando? Você só me pediu desculpas duas vezes por algo que merecia...Mil desculpas! - Richard caminhava pelo quarto, irritadiço. Evangeline lhe dirigiu o olhar de maneira discreta, como se fitasse um desafeto ou alguém sem capacidade de entender algo óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então não terá nenhum pedido de desculpa. Esqueça o que eu disse à pouco, prefiro manter-me arrogante do que rastejar-me por seu perdão. Aliás... - Evangeline ergueu-se e se aproximou, erguendo a cabeça e o fitando, enquanto erguia sua mão para apontar seu dedo na cara do rapaz. - ...você é que me deve desculpas, senhor. Por estar...Fazendo coisas diabólicas no quarto de minha mãe, uma senhora sempre tão correta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coisas diabólicas?! - Richard tornou a rir da garota, se afastando e seguindo até a cama e se sentando. - Pelo visto foi criada num convento, senhorita...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, fui criada numa casa digna. Que hoje é um bordel, uma casa de jogos e antro dos homens mais desprezíveis do condado. - A garota o fitava de maneira raivosa, cruzando os braços novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até eu, senhorita? Sou desprezível...? - Perguntou Richard, que tinha o sorriso morrído em seus lábios e a fitava de maneira calma. Estranhamente, a resposta da jovem lhe interessava de maneira curiosa. Evangeline engoliu seca, se aproximando e se sentando ao lado dele na cama, curvando seus ombros para frente e respirando fundo. Parecia pensar rapidamente no que responder, era evidente que seu raciocínio era rápido e sagaz, e isso fez com que Richard a admirasse. Por fim a jovem suspirou e o fitou, postando-se ereta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deseja sinceridade, senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro. Se quisesse uma mentira, não perguntaria à tí. - Sorriu. A mesma lhe correspondeu o sorriso, um tanto quanto embaraçado, e em seguida respirou fundo, o fitando com seriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É tão desprezível quanto os demais aqui, sinto lhe dizer. Gasta dinheiro que provávelmente nem seu é com jogatinas, bebedeiras e meretrizes. Além de desprezível é burro, ao meu ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Burro?! - Richard ergueu-se da cama, exaltado. Jamais imaginaria tais palavras vindas dos lábios de uma jovem com aparência tão delicada. Era realmente tolo por imaginar que aquele pequeno furacão lhe diria algo delicado, não que quisesse ouvir algo delicado daquela jovem. Não, não queria mesmo. Se sentou ao chão, próximo da única vela que ainda restava, e a face de Evangeline era uma máscara de luzes fracas, tal qual uma fantasma. Ela manteve-se calada, parecia não desejar estragar ainda mais aquela situação. Foi então que abraçou à sí mesma na cama, tornando a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem... Ao menos agora terá a chance de melhorar. Um tapa de verdade na face de uma ovelha desgarrada, certamente a faz ver o que é direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você, imagino, é a personificação da perfeição, srta. Dragear. - Respondeu Richard, irônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, estou longe disso. Mas tento melhorar à cada dia que se passar, ao contrário do senhor, que a cada dia está mais enfiado na lama, sua dignidade grita por socorro. - Ergueu-se da cama, se aproximando da vela e postando-se ao lado dele. Parecia ter medo de ficar sozinha, mas era evidente que jamais lhe admitiria aquilo. E Richard também não queria deixar as coisas piores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É melhor mudarmos de assunto. - Respondeu Richard, que sabia que era culpado daquilo. Pedira pela sinceridade daquela jovem de língua ferina e agora pagava o preço de seu gracejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se não aguenta uma guerra, não adentre numa batalha. - O fitou de soslaio e recebeu um olhar de troça de volta, o que a fez também domar sua língua. Um silêncio se instalou no quarto, o tempo passava devagar. Richard ergueu-se e seguiu até a janela, tentando abrí-la. Em seguida a esmurrou, e nada aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não adianta, senhor. Está presa pelo lado de fora. Se ainda fosses um homem forte e vigoroso, quem sabe conseguisse abrí-la. Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não consegue ficar um minuto sequer sem falar mal de mim, senhorita?! - Voltou-se Richard, que a encontrou ainda sentada ao chão, rindo dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, é que o comparo com os homens que leio em meus livros. Ou seja, o tipo de homem com quem eu iria me casar. E quando faço esta comparação me pergunto por quê a providência não o colocou aqui, ao invés de tí, para me salvar. Não que eu esteja reclamando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imagine se não está. - Novamente, o ego de Richard estava terrívelmente ferido. A jovem parecia ainda se vingar de tê-lo encontrado na cama de sua mãe em cada palavra ou olhar de troça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-... é que imaginava quando o destino sorrirá para mim. Sabe como é, as mocinhas fortes sempre sofrem muito até encontrar o herói belo, forte e rico. - Richard se aproximaria de Evangeline e, naquele momento, foi a sua vez de rir da mesma. Escorregaria pela parede e se sentaria ao lado dela, tendo um ataque de risadas. Evangeline o fitou de maneira ofendida e cruzou os braços, cerrando os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual é a graça agora?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parece se valorizar muito, senhorita. Procura um herói belo, forte e rico. Mas por acaso é uma heroína cheia de beleza, dignidade e bons valores? Acredita que alguma mocinha teria uma língua tão ferina e idéias tão pretenciosas como tí, senhorita Dragear?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... - Engoliu seco e então ergueu-se, seguindo até a cama e se sentando, fitando a parede. - Não sou tão bela e nem tão valorosa, mas qual o problema em saber o que quer e desejar o que quer? Acha que só porque sou mulher e porque nasci em tal condição física e de personalidade, não posso desejar o que meu coração tanto deseja? Me diga, por que eu devo me adaptar? Não nasci para isso, não aceitarei nada menos do que meus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richard fitou alí, caído ao chão e totalmente sem palavras. Fitava as costas delicadas da jovem enquanto ouvia palavras tão fortes e tão cheias de obstinação, que ele sentiu vergonha de sí mesmo. Se aquela alma estivesse em seu corpo, provávelmente, seria um homem diferente. Melhor. Com aquele gosto amargo nos lábios, ergueu-se e se aproximou da jovem, sentando-se ao lado dela. Evangeline tinha os olhos fechados e o rosto virado para Richard, sem encará-lo nem com sua aproximação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhorita, por favor, olhe para mim. - Evangeline manteve-se impassível, sem fitá-lo. Richard tocou o queixo da jovem e sentiu que a mesma tremeu naquele momento. Ou fora ele que tremia? Talvez ambos estivessem trêmulos naquele momemento, mas o fato era que a jovem voltou-se e o fitou com os olhos marejados. Naquele momento Richard segurou a respiração e soube que algo dele havia se perdido. Algo havia sido ganho também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É uma pessoa valorosa e a admiro. Terás tudo que deseja e... Se Deus permitir, eu a ajudarei a realizar todos seus sonhos. - Uma lágrima caiu dos olhos da jovem, que rapidamente a secou, um tanto quanto envergonhada. Baixou a face e fitou as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu o tratei mal, não sei se mereço isso. Mas, mesmo sabendo que provávelmente não o mereça, aceitarei sua ajuda... Não sou tão tola quanto uma heroína, sou muito mais esperta que elas todas. - Richard riu da jovem, uma risada sem maldade, mas que compartilhava do prazer das idéias um tanto quanto malucas de Evangeline. O clima entre ambos havia mudado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se elas fossem espertas, minha cara senhorita, as histórias teriam pouca duração. - Essa foi a vez de Evangeline rir e então a noite se passou rapidamente. Ambos haviam deitado-se sobre a cama, fitando o dossel e partilhado de fofocas locais, planos mirabolantes que nunca aconteceriam, comentários sobre os irmãos de ambos. Risadas haviam soado naquele quarto, gargalhadas inocentes. Logo a manhã surgiria pelas frestas da janela e o canto dos pássaros anunciando que tudo logo acabaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richard estava deitado de lado, fitando a face de Evangeline que por sua vez tinha os olhos fixos no dossel, continuando a falar de algum plano maquiavélico. Naquele momento ele tinha noção que jamais se cansaria daquela visão, daqueles discursos bizarros, dos planos mirabolantes sem fundamento, dos sonhos impossíveis. Jamais se cansaria de Evangeline e aquilo lhe causou dor. Em nada se parecia com o que ela desejava e temia jamais se parecer. Temia estar se apaixonando por alguém que jamais lhe daria um segundo olhar após sua partida daquele quarto. Sempre se considerara um homem cético e naquele momento também voltou-se para o dossel, ordenando que aquela bobagem toda sumisse de sua mente e de seu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh... Pegaram no sono! - Evangeline ergueu-se de supetão, fitando a única criada antiga que ainda restara da casa, que adentrou ao quarto discretamente. Richard fechou os olhos, para proteger a virtude de Evangeline. Esta por sua vez se aproximou da criada e a beijou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, Germaine! Veja só, deixaram-me trancada com o senhor Winspear. Ele está dormindo desde que me vi com ele aqui, acho que é o alcóol. Bom... Vou dormir também, estou cansada! - Partiu do quarto com uma estranha urgência, como se quisesse escapar dalí rapidamente. A criada riu da jovem e se aproximou de Richard, o chamando pelo sobrenome. Richard, por sua vez, fingiu-se despertar e então sentou-se na cama, espreguiçando-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que aconteceu aqui, senhora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor adormeceu, estava preso com Evangeline.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, é mesmo. E a senhorita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi dormir também. Acredito que teve medo de dormir ao lado de um estranho, sabe como são as jovens... - Riu a criada, que o fitava com curiosidade. Richard engoliu seco e ergueu o queixo, curioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Algo de errado, senhora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para dizer a verdade, sim. - Ela tinha as sobrancelhas arqueadas e então um sorriso maltreiro surgiu na face enrugada da mulher. Foi então que apontou para a cama e alí jazia um molho de chaves. Richard se aproximou e as tomou em mão, recusando-se a acreditar naquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que isso quer dizer...? - Richard engoliu seco, fitando a criada com ainda mais curiosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer dizer que a senhorita sabia da intenção de seu irmão, que provávelmente a trancaria. Então trouxe consigo o molho de chaves dos aposentos da casa. Ela jamais se deixaria trancar, senhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-5334150608053732366?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/5334150608053732366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/5334150608053732366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-2-tres-anjos.html' title='Capt 2 - Três Anjos'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-475150630636394781</id><published>2009-02-24T22:17:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:20:08.827-08:00</updated><title type='text'>Capt 1 - Três Anjos</title><content type='html'>- Ei! - Richard pode ouvir uma voz feminina ecoar pelo jardim. Voltou-se para trás, temendo que mais alguém houvesse o visto. Rapidamente ele a reconheceu, era a esposa de Jonathan Dragear. Riu consigo mesmo, logo seria uma pobre viúva. Deu de ombros e voltou a caminhar rapidamente, na direção da saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor é Richard Winpear, não é? - A mulher exclamou, já mais próxima. Richard se aproximou dela de supetão, lhe tampando a boca e a aproximando de sí. A pobre coitada era mesmo linda, pensou consigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que quer, mulher...? - Murmurou num tom baixo e ela se afastou, tocando a própria garganta. Ergueu os olhos para ele, como se tivesse medo de tudo que estava fazendo alí naquele momento. Tentou-se mostrar corajosa, arrumando a própria postura, o que pareceu um tanto patético para Richard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai matar meu marido, não? Jonathan Dragear, vai matá-lo. - Piscou, parecendo focalizá-lo melhor e então engoliu seco, tão nervosa que seu corpo parecia duro feito aço. Richard se aproximou da mesma e sorriu, sorriu de modo frívolo e achando graça dos modos da Sra. Dragear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou sim, por que? Vai me impedir, senhora...? - Cruzou os braços sobre o peito, erguendo de leve o chapéu que trazia sobre a cabeça. Tereza riu, como se achasse a hipotese ridícula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! Planejava lhe dar as balas para sua arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então não vai contar nada para ninguém...? - Murmurou Richard, desta vez surpreso com a mulher. Tereza, mais relaxada, deu um passo para trás enquanto ouvia o burburinho do casamento. Logo notariam seu sumiço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, a morte de meu ma... De Jonathan é o que mais desejo em minha vida, que Deus me perdoe. - Fez um sinal da cruz rapidamente, o que arrancou um sorriso de escárnio de Richard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deus não perdoa nada e nem ninguém, mulher. Muito menos quem escuta por trás das paredes... - Era evidente que Tereza havia escutado a conversa dele com Alexander e agora tentava ganhar algo com aquilo. Tão imprestável quanto o marido, pensou. Eram perfeitos um para o outro! Deu-lhe as costas e continuou o caminho para a saída do castelo, atravessando o resto do grande jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não escutei nada. - Disse Tereza de maneira nervosa. - Sei quem é. É Richard Winspear, o...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já me disse que sabe quem eu sou. - Richard a interrompeu, impaciente com aquilo tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-...amado de Evangeline. - Falou rapidamente, num tom alto, para que somente ele pudesse ouvir e compreender o que dissera. Richard se voltou lentamente, a fitando com os olhos negros e perspicazes, tão cheios de tristeza que lhe tocaram o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não toque no nome de Evangeline. - Ele murmurou lentamente e naquele momento Tereza teve certeza que ainda devotava grande amor por sua cunhada. Ela respirou fundo e continuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É por isso que o segui. Não desejo iludí-lo e sequer iludir mais ninguém, talvez por isso só contei para Madelyn o que sei e então... - Falava sem parar, de maneira nervosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fale de uma vez, diabos! - Praguejou Richard, que se aproximou e a apertoou entre os braços, a fitando de maneira discretamente desesperada. Tereza calou-se, segurando a respiração enquanto o encarava com os olhos arregalados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Existe uma chance de que Evangeline Dragear esteja viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==== // =====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar estava calmo naquela noite e os homens no grande barco de James Sullavan estavam felizes, festejando os últimos ganhos. Havia música no convés, havia as estrelhas os brindando, havia rum e todos os outros tipos de bebidas que traziam a alegria daqueles homens tão rudes. Mas havia um alí, tão envolto de sua seriedade, que mantinha-se sozinho na parte superior do barco. Seus dedos moldavam, com a ajuda de um canivete, um pedaço de madeira. Era um homem solitário e instrospectivo, e todos alí aprenderam a respeitar seu jeito. Mas, naquela noite. o velho capitão James se aproximaria do instrospectivo Damien, the Wolf ( Damien, "o Lobo").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não bebe, não dança, não joga, não se envolve com as vagabundas do cais. E mesmo assim, é o melhor homem que tenho neste maldito navio. - O velho comentou ao léu e Damien apenas o fitou com um sorriso rasgado, como se achasse graça da aproximação do capitão embriagado. James, por sua vez, alisou a careca com a mão e deu outro gole em sua bebida, fitando os céus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou lhe dar uma oportunidade hoje, homem... - James se sentou ao lado de Demian e deixou a garrafa de lado de maneira rude, o fitando com os olhos avermelhados. - Pode me contar o que quiser esta noite, serei o melhor ouvinte do mundo! E não se preocupe, amanhã não lembrarei de nada, estarei envolto pela infernal ressaca que sentirei! - Riu de maneira ruidosa e Damien deixou a pequena escultura, ainda sem forma definida, de lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não preciso do seu esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não? - O sorriso do velho morreu em seus lábios rachados, como se não estivesse preparado para a resposta fria de Demian. Começou a preparar-se para se erguer, quando a voz do homem soou novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Confio em tí, salvou minha vida. Apenas... Nunca imaginei que desejasse saber de minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê?! - James riu novamente, em seguida dando um gole na garrafa de vidro e gargalhando em seguida, fitando Demian nos olhos. - És a figura mais misteriosa desse navio infame, todos querem saber tua história. - Demian arquearia uma das sobrancelhas, em seguida cruzando os braços e voltando a fitar as estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então... Me diga o que imagina de minha história, velho. - Havia uma estranha impessoalidade entre o capitão e Demian, algo que não acontecia com os demais piratas do "Nefasto". James arrotou alto e então jogou a garrafa vazia ao mar, dando total atenção à Damien.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vejamos... Eu posso apostar minha última garrafa de saquê japonês que você era um lavrador ou um ladrão. Vivia em algum subúrbio de uma grande cidade. - Analisava friamente o homem ao seu lado, relembrando a tragetória do mesmo. De cabelos negros, na altura dos ombros, e dono de um olhar gélido, era o homem mais determinado e temido de seu navio. Quando o encontrara, estava praticamente morto em um porto. Hoje era um homem forte e ágil, manejava uma espada e uma arma de fogo com a mesma maestria, seja qual fosse. Era, também, cruel em determinados momentos. A dor nublava seus olhos e ele parecia ter um desejo intenso de se vingar da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está enganado, velho. - O fitaria de soslaio. - Se quer mesmo saber, posso lhe contar como vim parar aqui. E como me tornei isso que vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero, quero que conte. O que desejo é um pouco de emoção nessa noite infame. - O homem o fitava de maneira curiosa, e então Demian inclinou seu corpo na direção um barril, encostando-se e então fitando um ponto inexistente à sua frente, como se estivesse sendo engolido pelas temidas lembranças de seu passado. Suas íris se tornariam mais negras, a entonação de sua voz mudaria. Ficaria mais baixa, mais grave. Tensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então quero que imagine isso: - Demian voltou-se para o céu, fitando as estrelas e começando uma narrativa. Sua voz soaria num tom baixo, como se já estivesse alí, no seu passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;===// ===&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Risadas masculinas e femininas envolviam o salão, a fumaça do fumo já era uma camada peculiar no ar do lugar, a maioria das pessoas alí já estavam acostumadas. Era uma casa de família, uma família proeminente na região, os Dragear. Após a morte da matriarca da casa e da viagem ao oriente do irmão do meio, a casa se tornou um antro de jogos e bebedeira, lugar perfeito para induzir jovens ao vício ou afundá-los ainda mais na perdição. E esse era o caso de Richard Winspear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herdeiro dos Winspear, sempre tivera uma personalidade distante e modos de um homem fraco. Não sabia se impor e vivia num tipo de melancolia até mesmo irritante, já que era alguém rico e com chances de ter tudo na vida. Mas... O dinheiro não pode comprar tudo e Richard jamais pudera comprar algo para sarar sua deficiência de caráter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Richard, querido... - Uma jovem de fama duvidosa praticamente sentou-se no colo do rapaz, que jazia com os olhos avermelhados e o cabelo emaranhado. Havia perdido novamente na mesa de cartas, provávelmente chegaria com os bolsos vazios em casa. Fitou a mulher em seu colo com um olhar lento, desnorteado, comum dos embriagados. Fixou os olhos nos lábios pintados e em seguida desceu o olhar, fitando a curva do pescoço e então deparando-se com o decote generoso, que pouco deixava à imaginação. - Quero lhe mostrar algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero ver nada, Lya. - Respondeu Richard de maneira grosseira e ao mesmo tempo assustada. Seu temperamento instrospectivo e temeroso com relação à vida lhe causou certos problemas para se envolver com mulheres. Em qualquer circunstância. Só conseguia falar à vontade com sua irmã, Vivian e com a criada da casa, Sra. Lincon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens trocavam olhares divertidos, sabiam que a mulher desejava limpar de vez o bolso do rapaz. O que não era de todo ruim, já que os donos da casa recebiam parte do dinheiro que as jovens tomavam dos tolos que se deitavam com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sabia que rejeitava uma mulher assim, Winspear. O que acontece? Tem medo de mulheres? -Ralph Dragear o fitou com um sorriso provocativo e arrancou risadas dos demais homens. Era um pirralho borra-botas de 17 anos, mas tinha uma perspicácia de um homem com o dobro de sua idade. Richard, por sua vez, ergueu-se da mesa de maneira desastrada e tomou a cintura de Lya em mãos, praticamente a arrastando dalí. A meretriz ria e então o puxou de encontro com uma parede, distante do salão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O acho tão atraente... O que acha de subir comigo? - A voz de Lya era rouca e delicada, seu perfume era atrativo. Toda sedução, e era evidente que isso era proposital. Tinha os cabelos ruivos presos ao alto da cabeça, combinando com os olhos grandes e castanhos. Tinha um sotaque diferente que Richard não sabia identificar de onde era. Talvez fosse algo inventado, aquelas mulheres tinham grandes artimanhas, mas um homem inexperiente como Richard jamais imaginaria tudo aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E-eu... - Desviou os olhos da mulher e então viu que Ralph o fitava ao longe, ainda com aquele sorriso irritante nos lábios. Como odiava aquele moleque! - Claro, vamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lya o puxou pela mão, rindo. Parecia forjar uma felicidade que, para Richard, era evidente que não existia. Não naquele momento, ao menos. Quando lhe desse seu último dinheiro, aí sim, Lya riria à toa de alegria. Richard não estava nem um pouco animado com a eminente situação que viria, mas deveria mostrar-se másculo para aqueles homens. E assim o faria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou por adentrar com Lya num quarto abafado e iluminado pelas velas. Parecia um quarto de alguém sério, de uma mulher discreta. Logo pode imaginar que era o quarto da mãe, já falecida, de Ralph e Jonathan. Sentiu um arrepio e ao mesmo tempo um certo pudor, de ter relações no aposento que fora de uma velha senhora. Lya praticamente o jogou na cama e então postou-se deitada ao lado dele, já desabotoando os botões da vestimenta do rapaz, como se estivesse ávida por aquilo. Foi então que ouviram o barulho de batidas na porta, que fez com que as mãos experientes da prostituta parassem. Ela fitou Richard e então ergueu-se da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diabos! - Praguejou a mulher, que abriu a porta com certa impaciência. Como um furação, um ser adentrou ao quarto tão rápido que os olhos vidrados de álcool de Richard tiveram dificuldade em decifrar a imagem. Era uma moça de cabelos negros, presos numa trança. Vestia uma camisona de algodão enorme, que devido a sua baixa estatura, quase arrastava-se ao chão. Tinha o rosto redondo e Richard pode lembrar das fadas das histórias que Vivian lia quando menina. Começou a rir discretamente, caído na cama e parcialmente despido, enquanto fitava aquela cena hilária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sua vagabunda, saia já do quarto da minha mãe! - Dizia a "fada", que mais parecia uma bruxa irritadiça, empurrando Lya para fora em fúria. Lya, por sua vez, parecia chocada com aquilo tudo e então esboçou um sorriso, que tornaria uma gargalhada. A glamurosa mulher ria da outra, balançando a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai me tirar daqui, anã? Me diga como então... - O olhar de Lya se tornou venenoso, provocativo. Richard sentou-se na cama, deixando de rir e odiando a prostituta naquele instante. A outra mulher tinha as faces rubras de raiva e então, grunindo de raiva, saiu do quarto e bateu a porta forte. Lya voltou-se para Richard sorrindo, voltando a se aproximar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Enfim sós...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho que não devíamos, Lya. - Cortou Richard, que abotoava os botões de seus punhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, deixe ela. É a tola da irmã de Ralph e Jonathan. Estranho... - Deslisou o dedo pelo braço de Richard, pensativa. - Sempre a trancam no quarto quando fazemos nossas reuniões, não sei por que ela está solta hoje. Ela não lembra um doende? - Riu, fazendo troça da aparência da outra. Foi então que naquele exato momento, o "furacão Dragear" adentrou ao quarto, trazendo uma espada em mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Disse para sair daqui, sua vadia! Saia daqui! - Gritava em desespero, segurando a espada pesada com as duas mãos, movendo-a pelo ar de maneira cortante, visando atingir Lya. Era uma espadachim desastrosa e a situação tragicômica persistia. Lya, por sua vez, começou a gritar enquanto era encurralada pela baixinha. Parecia que ela realmente queria ferir a prostituta, pois não parou suas investidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Richard, me ajude! Essa louca vai me matar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou mesmo, vou te matar! Vou te mat...Ei, seu verme! O que pensa que está fazendo?! - O último grito triunfal da baixinha seria interrompido por Richard, que a abraçou por trás e a levantou com facilidade, enquanto Lya aproveitava a deixa e saia correndo do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou salvando Lya e salvando você. - Respondeu num tom de troça, como se aquilo fosse óbvio. Deixou-a no chão e então praticamente arrancou a espada das mãos da jovem, a empurrando para o chão e caindo junto. Ótimo, o bêbado desastrado e a baixinha enfurecida. Acabou por empurrar a espada para debaixo da cama, enquanto a garota se erguia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um idiota mesmo! Ela vai contar para os meus irmãos e... - Novamente avançava em Richard, que por sua vez havia bloqueado a "entrada" da cama com o próprio corpo. Então começou a golpeá-lo com as mãos, contra a barriga do rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, sua maluca! Pare já, isso dói! - Reclamou Richard, que aos poucos era obrigado a perder os efeitos da bebida para sua própria proteção. O foco de raiva da baixinha agora era ele, Lya podia respirar aliviada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me dê a espada, preciso me defender!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De quem?! De você mesma?! - Perguntou Richard, que finalmente imobilizou as mãos da garota. Ela, por sua vez, pareceu desistir e suspirou alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dos meus irmãos. Lya já deve ter ido chamar eles, preciso me defender. - Parecia acostumada com aquilo, como se a casa dela fosse aquela guerra entre ela e os irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que eles podem fazer...? - Perguntou Richard de maneira discreta. Odiava se meter na vida alheia, mas não sabia como, aquela mocinha havia lhe despertado algum instinto de proteção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me bater, provávelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vou deixar. Vou te proteger. - Richard sentenciou, erguendo o queixo de maneira orgulhosa e corajosa. A garota o fitou de maneira séria e em seguida a surpresa estamparia sua face. Por fim um sorriso surgiu nos seus lábios e em seguida caiu na gargalhada, literalmente rolando no chão. Richard, ainda em baixo da cama, a fitou de maneira impaciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do que está rindo?! Qual a piada?? - A garota o fitou, com os olhos marejados das lágrimas e então respirou fundo para acalmar seu ataque de risadas. Ainda sorrindo, apertou a barriga como se sentisse dor de tanto rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você, me defendendo de Jonathan e Ralph.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E qual o problema?! - Richard perguntou, ultrajado com a insinuação da garota. Ela pareceu ficar sem graça naquele momento, tendo o sorriso morrido em seus lábios. Não queria falar para ele que era um jovem magricela, pálido e bêbado. Não teria chance jamais contra seus irmãos, saudáveis e fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada, foi bobagem minha. - Começou a se erguer do chão, imaginando que Richard imaginava o que havia passado por sua cabeça. Paciência. Estava se preparando para sair do quarto quando ouviu a aproximação de seus irmãos, ouvindo seus praguejares e a voz exaltada de Lya. Fitou Richard, que saía de debaixo da cama e rapidamente seguiu até ele, o empurrando para lá novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que está fazendo, sua louca?! - Disparou Richard, surpreso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá para debaixo da cama, fique com a espada à postos. Podemos precisar disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Podemos...? Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Shhhh! - A garota o empurrou para debaixo da cama à tempo de se postar em pé, para a chegada de seus irmãos, Lya e mais alguns curiosos. Ralph se aproximaria com uma expressão zangada na face bonita, lhe dando um empurrão que a faria cair no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde está Winspear?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem?! - Perguntou a jovem, que erguia-se prontamente. Jamais baixava a cabeça para os irmãos, jamais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O rapaz que estava aqui, com Lya.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh... Ele foi embora e levou a espada de Alexander junto. - Disparou em resposta ao irmão, que por sua vez praguejou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Evangeline, você é mesmo muito idiota! - Seguiu na direção da irmã, a esganando com as duas mãos, sendo parado pelos curiosos que haviam vindo juntos. Evangeline tomava ar, curvando-se em direção ao chão. As pessoas foram saindo dalí, sendo chamadas por Lya e apenas um sobraria alí. Jonathan se aproximou da irmã e ergueu-lhe o queixo com delicadeza, em seguida acariciando seus cabelos negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espero que perdoe Ralph, sabe como ele é impulsivo... Mas você também errou, Evy. Se meteu nos nossos negócios. - Suas palavras eram ditas lentamente, de uma maneira carinhosa. Era dele que Evangeline tinha mais medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jonathan, é o quarto de nossa mãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, e sei que você gosta muito dele. Por isso ficará aqui até amanhã. - Se soltou da irmã e seguiu até a porta, rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que está falando?! Ei! - Jonathan trancou a porta, levando consigo o castiçal que iluminava o quarto. Evangeline batia na porta, chamando pelo nome do irmão. Foi então que teve a noção que fora deixada alí. Resignada, seguiu até a cama onde praticamente jogou-se, ouvindo então um praguejar. O tal "Winspear" estava alí!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Céus! Saia já daí! - Disparou Evangeline, que saltou da cama e ajoelhou-se no chão, o ajudando a sair de debaixo da cama. Richard, já fora dalí, ergueu-se e sentou-se sobre o colchão, caindo para trás como fizera momentos antes com Lya.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E então, quando posso sair do quarto? - Perguntou o rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ahn...Desculpe. - Evangeline parecia envergonhada com tudo aquilo, sentando-se ao lado dele e o fitando com uma expressão hesitante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpada. Mas pelo quê? - Ergueu-se Richard, ficando sentado também e podendo fitá-la nos olhos. Evangeline forçou um sorriso e coçou a cabeça, embaraçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estamos presos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-475150630636394781?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/475150630636394781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/475150630636394781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-1-tres-anjos.html' title='Capt 1 - Três Anjos'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-7860906043559016507</id><published>2009-02-24T22:16:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:17:17.211-08:00</updated><title type='text'>Enquanto isso..."Três Anjos"</title><content type='html'>- Ei! - Richard pode ouvir uma voz feminina ecoar pelo jardim. Voltou-se para trás, temendo que mais alguém houvesse o visto. Rapidamente ele a reconheceu, era a esposa de Jonathan Dragear. Riu consigo mesmo, logo seria uma pobre viúva. Deu de ombros e voltou a caminhar rapidamente, na direção da saída. Não estava com paciência para aquilo, nunca estivera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor é Richard Winpear, não é? - A mulher exclamou, já mais próxima. Richard se aproximou dela de supetão, lhe tampando a boca e a aproximando de sí. A pobre coitada era mesmo linda, pensou consigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que quer, mulher...? - Murmurou num tom baixo e ela se afastou, tocando a própria garganta. Ergueu os olhos para ele, como se tivesse medo de tudo que estava fazendo alí naquele momento. Tentou-se mostrar corajosa, arrumando a própria postura, o que pareceu um tanto patético para Richard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai matar meu marido, não? Jonathan Dragear, vai matá-lo. - Piscou, parecendo focalizá-lo melhor e então engoliu seco, tão nervosa que seu corpo parecia duro feito aço. Richard se aproximou da mesma e sorriu, sorriu de modo frívolo e achando graça dos modos da Sra. Dragear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou sim, por que? Vai me impedir, senhora...? - Cruzou os braços sobre o peito, erguendo de leve o chapéu que trazia sobre a cabeça. Tereza riu, como se achasse a hipotese ridícula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! Planejava lhe dar as balas para sua arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então não vai contar nada para ninguém...? - Murmurou Richard, desta vez surpreso com a mulher. Tereza, mais relaxada, deu um passo para trás enquanto ouvia o burburinho do casamento. Logo notariam seu sumiço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, a morte de meu ma... De Jonathan é o que mais desejo em minha vida, que Deus me perdoe. - Fez um sinal da cruz rapidamente, o que arrancou um sorriso de escárnio de Richard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deus não perdoa nada e nem ninguém, mulher. Muito menos quem escuta por trás das paredes... - Era evidente que Tereza havia escutado a conversa dele com Alexander e agora tentava ganhar algo com aquilo. Tão imprestável quanto o marido, pensou. Eram perfeitos um para o outro! Deu-lhe as costas e continuou o caminho para a saída do castelo, atravessando o resto do grande jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não escutei nada. - Disse Tereza de maneira nervosa. - Sei quem é. É Richard Winspear, o...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já me disse que sabe quem eu sou. - Richard a interrompeu, impaciente com aquilo tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-...amado de Evangeline. - Falou rapidamente, num tom alto, para que somente ele pudesse ouvir e compreender o que dissera. Richard se voltou lentamente, a fitando com os olhos negros e perspicazes, tão cheios de tristeza que lhe tocaram o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não toque no nome de Evangeline. - Ele murmurou lentamente e naquele momento Tereza teve certeza que ainda devotava grande amor por sua cunhada. Ela respirou fundo e continuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É por isso que o segui. Não desejo iludí-lo e sequer iludir mais ninguém, talvez por isso só contei para Madelyn o que sei e então... - Falava sem parar, de maneira nervosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fale de uma vez, diabos! - Praguejou Richard, que se aproximou e a apertoou entre os braços, a fitando de maneira discretamente desesperada. Tereza calou-se, segurando a respiração enquanto o encarava com os olhos arregalados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Existe uma chance de que Evangeline Dragear esteja viva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-7860906043559016507?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/7860906043559016507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/7860906043559016507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/enquanto-issotres-anjos.html' title='Enquanto isso...&quot;Três Anjos&quot;'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-6164893805414495741</id><published>2009-02-24T22:14:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:15:57.268-08:00</updated><title type='text'>Epílogo - A Torre</title><content type='html'>Os convidados se foram aos poucos, numa comunicação silenciosa e maliciosa de que os, então marido e mulher, desejavam ficar à sós. John e Erin Spencer foram os últimos à saírem, um tanto quanto elevados pelo álcool que beberam e felizes pela felicidade de Alexander e da nova amiga do casal, Madelyn. Quando Alexander fechou o portão de ferro e deparou-se com o silêncio do castelo, pode sorrir. Caminhou lentamente pelo salão vazio e bagunçado, com os restos da festa alegre que houvera alí à pouco. Riu baixinho, lembrando do comentário de Vivian Howard, que abraçada ao marido comentou que Wildenthorn estava se tornando popular pelas festas grandiosas e um tanto quanto misteriosas. Mais tarde Alexander pode imaginar que era aquela mulher, também recém casada, que estava sendo observada com tanta atenção por Richard Winspear, seu irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto subia as escadarias, lamentava por Richard. Sua aparência remetia não só o desleixo típico dos piratas - o que ele imaginava que o amigo se tornara - mas também o ódio e a dor de um amor não vivido. Alexander sabia como era aquela dor, vivera com Tereza. Mas não conhecia tal intensidade. A conheceu no tempo em que ficou longe de Madelyn, que a imaginou nos braços de seu irmão, Ralph.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praguejou enquanto tinha a imagem do irmão em sua mente. Seguiu para a biblioteca e serviu-se de conhaque, enquanto fitava a noite através da janela. Ralph havia lhe dito, na noite do baile antes de Madelyn o encontrar, que seu estado de saúde estava ruim e que logo viria à falecer. E que Gerard estava atrás da irmã para matá-la. Enquanto Alexander agonizava com tais noticias, o irmão ainda confessou que estava apaixonado pela jovem e que lhe daria uma boa vida após a morte do irmão. A persuasão ocorreu de maneira fácil, já que Alexander amava muito aquela mulher e não desejava vê-la sofrer. Poderia ter se casado com ela naquele momento, mas logo morreria e Gerard a mataria. Ou algo pior. Sabia que com Ralph estava à salvo, Jonathan tinha uma fama ruim e agora Alexander sabia o motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Evageline... Como pode matar minha irmã...? - Alexander fechou os olhos e jogou a taça de vidro ao chão, trêmulo e inconformado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem de sua irmã salvando-o daquela desgraça e enfrentando os irmãos, sendo levada até a morte por ser uma pessoa boa no meio de todo aquele ninho de cobras o fez sentir-se impotente. Desde que soube de toda a história por Tereza, jamais demonstrara nada. Não queria que nem ela e nem Madelyn se sentissem inseguras ao seu lado. Mas alí, só, poderia por para fora toda sua tristeza. Por mais que aquele dia fosse o dia mais feliz de sua vida, jamais conseguiria preencher o espaço de sua querida Evangeline.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando deixará as máscaras de lado, querido...? - Alexander sentiu o toque de Madelyn em seu ombro e ele se voltou, tentando esconder que chorava. A mesma se aproximou e o tomou pela mão, seguindo até o sofá e o fazendo se sentar. Abraçou-o e fez com que sua cabeça se inclinasse na direção de seu ombro, acariciando os cabelos negros do marido. - Divida tua dor comigo. Não está mais só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexander pode, enfim, mostrar-se por completo para sua amada. A abraçou e chorou, sem dizer nenhuma palavra, mas deixando toda a tristeza pela irmã brotar por seus olhos. Não sabia quanto tempo ficaram alí, abraçados na escuridão da biblioteca, como um ser só. Como a amava, pensou. Alexander sentiu sua respiração se acalmar e ergueu-se, fitando Madelyn e então a tomando nos braços e erguendo a máscara até o nariz, a beijando com toda a paixão que possuía, demostrando naquele toque toda a ânsia de tê-la para sí. Madelyn o correspondia, como se sentisse aquele mesmo desejo na mesma medida. Eram iguais naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alexander... Eu o amo. - Madelyn murmurou entre os beijos e então ele riu, a erguendo com facilidade nos braços poderosos e praticamente correndo pelas escadarias. Madelyn ria alto também, tão feliz como nenhuma mulher poderia se sentir. Seguiram para o quarto dele e então, para a surpresa da noiva, ele desceu a escada acoplada e caminhou pelo caminho da pequena floresta, a levando até o estudio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrou alí seus quadros e muitos outros. Madelyn em suas diversas facetas e em várias fases da vida. Com filhos em seu colo, cavalgando com um cavalo, rindo com seus novos amigos. Sorrindo, Madelyn o abraçou e lhe beijou nos lábios novamente. Foi então que lembrou-se do quadro que vira na noite em que fugira de seu casamento, o quadro que estava ela com um homem sem face. Soltou-se do marido e começou a procurar entre as telas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que está fazendo, Maddy? - Perguntou um estupefato Alexander.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quadro em que estou eu e um homem sem face. - Disse Madelyn de maneira aborrecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É nossa noite de núpcias... -Alexander se aproximou, envolvendo a cintura da esposa. Madelyn por sua vez se debateu, se afastando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Terminou todos os quadros, menos aquele. Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe o motivo. - Alexander desviou o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde ele está? - Insistiu Madelyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praguejando, Alexander adentrou numa saleta acoplada e trouxe o quadro. Alí estavam ela e ele, um homem sem rosto, sem face. Madelyn se aproximou da tela e deslisou os dedos pelo espaço em branco e então sentiu novamente a aproximação de Alexander, que lhe beijava a curva do pescoço. Novamente ela se afastou e ele praguejou outra vez, parecendo sem paciência. Madelyn sorriu, cruzando os braços. Sabia o quão atraente estava em sua camisola rósea, que combinava com os cabelos rubros que caíam soltos até a altura das nádegas. Mesmo assim, se estivesse vestindo um saco de batatas, a vontade de Alexander tê-la seria a mesma. Imensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando deixará a máscara cair?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer que eu tire a máscara para você, Madelyn? Não me aceitou ainda...? - Ele se aproximou, tocando a máscara por sobre a face. A mulher se aproximou, tocando a mão do mesmo e impedindo o que ele iria fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, eu o aceitei. Se for tua vontade, aceitarei que passe o resto da tua vida com esta máscara. - Alexander pareceu se surpreender, arregalando os olhos por trás dos furos da máscara. - Eu o amo. Amarei com qualquer face que eu encontre aí, pois o conheço e nada me surpreenderia, nem de maneira boa ou ruim. Mas... -Se afastou e se aproximou do quadro, fitando a face em branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas...? - Insistiu Alexander, surpreso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jamais poderei ser tua enquanto você não se aceitar. Enquanto você não se amar, Alexander, não poderá amar outra pessoa. - Se postou atrás do quadro e então o fitou nos olhos, demonstrando o quão séria estava falando naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu a amo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não por completo, como eu o amo. Sempre haverá um medo, uma insegurança...- Madelyn engoliu seco e ele não discutiu, sabia que aquilo era verdade. Alexander estralou os dedos de maneira nervosa e a fitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, ou depois se quiser. Mas só me terá quando esse quadro estiver terminado. Quero...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diabos! - Interrompeu Alexander.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe o motivo. - Alexander desviou o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde ele está? - Insistiu Madelyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praguejando, Alexander adentrou numa saleta acoplada e trouxe o quadro. Alí estavam ela e ele, um homem sem rosto, sem face. Madelyn se aproximou da tela e deslisou os dedos pelo espaço em branco e então sentiu novamente a aproximação de Alexander, que lhe beijava a curva do pescoço. Novamente ela se afastou e ele praguejou outra vez, parecendo sem paciência. Madelyn sorriu, cruzando os braços. Sabia o quão atraente estava em sua camisola rósea, que combinava com os cabelos rubros que caíam soltos até a altura das nádegas. Mesmo assim, se estivesse vestindo um saco de batatas, a vontade de Alexander tê-la seria a mesma. Imensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando deixará a máscara cair?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer que eu tire a máscara para você, Madelyn? Não me aceitou ainda...? - Ele se aproximou, tocando a máscara por sobre a face. A mulher se aproximou, tocando a mão do mesmo e impedindo o que ele iria fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, eu o aceitei. Se for tua vontade, aceitarei que passe o resto da tua vida com esta máscara. - Alexander pareceu se surpreender, arregalando os olhos por trás dos furos da máscara. - Eu o amo. Amarei com qualquer face que eu encontre aí, pois o conheço e nada me surpreenderia, nem de maneira boa ou ruim. Mas... -Se afastou e se aproximou do quadro, fitando a face em branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas...? - Insistiu Alexander, surpreso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jamais poderei ser tua enquanto você não se aceitar. Enquanto você não se amar, Alexander, não poderá amar outra pessoa. - Se postou atrás do quadro e então o fitou nos olhos, demonstrando o quão séria estava falando naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu a amo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não por completo, como eu o amo. Sempre haverá um medo, uma insegurança...- Madelyn engoliu seco e ele não discutiu, sabia que aquilo era verdade. Alexander estralou os dedos de maneira nervosa e a fitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, ou depois se quiser. Mas só me terá quando esse quadro estiver terminado. Quero...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diabos! - Interrompeu Alexander.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não soube como me segurei alí, pintando aquele quadro e a imaginando pronta para mim, a mulher que eu amo me esperando... Tive uma vontade de ferro. - Madelyn riu da forma que o marido falava, se afastando e fitando a face do homem que tanto amava. Ele se afastou, como se lembrando que havia tirado a máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um horror, não é mesmo? - Sorriu, um sorriso sem graça. Madelyn sorriu por entre as lágrimas que brotavam de seus lábios e se aproximou novamente do mesmo, deslisando a mão por sobre a face marcada e o fitando com seus olhos verdes tão cheios de ternura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu amo tudo em você. Lamento por isso, mas mesmo assim amo cada cicatriz ou pequena deformação. O amo pelo homem que é e amo estas marcas... - Beijou a face de Alexander, enquanto voltava a murmurar. - ...pois elas mostram o quão corajoso você foi em Santa Marta. Elas fizeram de você o homem que tanto amo, o homem forte que sempre desejei para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é... - Dessa vez foi a vez de Madelyn o fazer se calar, soltando-o e seguindo até o aposento acoplado, onde havia o leito que seu marido havia preparado para a noite de núpcias. Grandes almofadas envoltas por mantas de veludo se faziam de cama, envoltas por velas que já estavam em seu fim. O perfume do incenso e o mundo de cores em véus que haviam no quarto, a faziam lembrar o oriente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão envolta pelo amor que sentia por Alexander, Madelyn seguiu até a "cama" e despiu a própria camisola. Sorriu para o marido, emocionada, vendo que o mesmo sentia aquela tão forte emoção. Deitou-se alí e sorriu de maneira nervosa, abrindo-se por completo como uma flor para a primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nesta noite, mostrarei meu amor por tí. - Murmurou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexander se aproximou rapidamente, cobrindo o corpo com o dela e a beijando, saciando o desejo de apenas beijá-la. Fizeram amor lentamente naquela noite, e durante toda esta, suprindo toda a carência de todos os tipos de afeição existentes no mundo. Ambos passaram anos sem saber o que era carinho, afeto...Amor. Ao amanhecer puderam saber que nunca mais lhe faltariam nada do tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam juntos e juntos eram completos.&lt;br /&gt;Completos e perfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; ==== FIM ==== &lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-6164893805414495741?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/6164893805414495741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/6164893805414495741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/epilogo-torre.html' title='Epílogo - A Torre'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-5289737951704162867</id><published>2009-02-24T22:11:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:13:56.766-08:00</updated><title type='text'>Capt 10 - A Torre (FINAL)</title><content type='html'>Gerard estava morto e Thomas não tardou à falecer, seu corpo não aguentaria a pressão da força dos socos de Alexander por muito tempo. O irmão de Madelyn seria enterrado próximo ao castelo, com a presença de religiosos e seus poucos amigos. Madelyn o perdoara. A mágoa ainda existia em seu peito, não era hipócrita ao ponto de achar que a morte do mesmo apagaria tudo que ele a fizera passar. Mas ele havia a amado, no fim das contas e ela sabia o que era possível de se fazer por amor. Compreendeu Gerard, faria tudo por Alexander. Talvez, confessou intimanente, seria capaz de forçar a sua presença na vida de Alexander mesmo casada com Ralph. Seria adultera, conviveria com o pecado... Mas era tão passional quanto o irmão fora.&lt;br /&gt;Havia completado um mês da morte do irmão e Madelyn trajava-se de negro, em frente ao seu túmulo, tirando todas aquelas conclusões enquanto deixava escapar algumas flores por entre as mãos. Esperava que ele estivesse em paz naquele momento, por mais que houvesse errado tanto em sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O conhecia? - Uma voz soou ao seu lado e ela voltou-se de prontidão para um homem que surgiria ao seu lado de maneira sorrateira. Era alto e magro, de um rosto belo mas triste. Cabelos castanhos e lisos que acariciavam sua testa e vestimentas gastas, com um longo sobretudo negro e botas de couro, lembrava um tipo de pirata daqueles que andavam pelo porto, aqueles que Gerard lidara tantas vezes. Talvez fosse um sócio e estava alí desejando cobrar algo. Madelyn o fitou com uma expressão de poucos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, era meu irmão. - Respondeu de maneira seca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sinto muito. - O homem desviou o olhar, fitando o túmulo com uma expressão seca. Algum tempo se passou e ambos se mantiveram num silêncio, um tanto quanto desconfortável para ela. Suspirando, deixou o lugar rapidamente e seguiu na direção do castelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adentraria ao castelo e encontraria a senhora Lilly andando por alí de maneira sorridente, tudo estava sendo reformado para o casamento. Convites e mais convites estavam sendo enviados para os amigos e famílias dos mesmos de Alexander, os poucos que ele mantivera contato. Madelyn, por sua vez, acabara por chamar apenas Tereza, que seria sua madrinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tereza após o casamento que viera a não acontecer, fora espancada por Jonathan. Sua sorte foi a rápida ação de Alexander, que mandou alguns homens começarem as buscas pela mulher. Ela havia sumido, sabia demais e era vísivel que os irmãos Dragear não a deixariam viver. Nem a ela e nem a Madelyn. Acabara por ser encontrada presa no porão da casa de Jonathan, sem comida e ferida. Mas ao ver que seria tirada de lá, um sorriso feliz a tomou apesar da dor. Naquelas semanas se recuperou bem, tranqüila pela segurança que aquele castelo lhe proporcionava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn não temeu o encontro de Tereza com Alexander, como a maioria das mulheres o fariam em seu lugar. E Alexander tratou a mulher com carinho, um carinho distante mas vísivelmente existente. A deixou em um belo aposento e lhe contratou uma enfermeira. Madelyn a visitava diáriamente, era sua melhor amiga e sabia que pela coragem daquela mulher, pode salvar o homem da sua vida e salvar-se também. Agora sabia que não sobreviveria ao casamento com Ralph, se tornaria a sombra da mulher que era e provávelmente fugiria, sem pudores ou arrependimentos. Sem pensar duas vezes. Conhecia-se tão bem, sabia prever suas próprias atitudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não é do tipo introspectivo pensador, Madelyn. - A voz de Alexander soou, a despertando de seus devaneios e ela o fitou, sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Sou do tipo que falo até com as paredes. - Riu, enquanto o observava fazer um sinal positivo com a cabeça e se aproximar, a abraçando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Confesso que jamais imaginaria que viesse a amar uma mulher como tí. Tão cheia de vida e distante das maneiras e portes que a sociedade exig...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está reclamando? - Interrompeu Madelyn, fingindo-se magoada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, estou constantando. Constatando que eu era um tolo, não sabia ver a flor no meio do pântano. - Se afastou, deslisado o dedo sobre a face da amada. - Não sabia ver o que era uma mulher de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que quer, hein? Está me elogiando tanto...- Gracejou Madelyn, cruzando os braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está estranhando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro! Estranhando o homem que está sempre taciturno, avesso aos carinhos e palavras romanticas, se derretendo aqui por uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por uma mulher, não! Pela mulher da minha vida. Aquela que conhece meu verdadeiro ser...- A fitaria nos olhos e Madelyn se sentiria emocionada, sabia que aquilo era verdade. Tentando fugir daquela situação tão tocante, ela forçou um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prometo que não contarei à ninguém, para que não suje sua imagem de homem cruel do castelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode contar, minha querida. Acha que depois dessa festa eu terei alguma imagem do tipo? Um homem apaixonado como eu, jamais poderá manter uma imagem de homem cruel...- Madelyn tomou a mão dele nas suas e a beijou, em seguida o abraçando e sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você nunca foi cruel, é a pessoa mais doce que conheço. E é por isso que o amo. - Alexander se aproximaria, erguendo a máscara e a beijando delicadamente, enquanto acariciava seu pescoço com toques lentos e decididos, como se soubesse mesmo o que queria e demonstrasse aquilo com aquela simplória e poderosa carícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;----------------- // -------------------&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O salão estava cheio, as pessoas já esperavam pelo casamento de maneira animada. O clima de felicidade era geral, haviam alí apenas pessoas que realmente desejavam o bem de Alexander e Madelyn. O homem fitava-se no espelho, enquanto arrumava a vestimenta de gala que não usava à tanto tempo. Enquanto apertava o nó da gravata, lembrou-se de Evangeline. Ela o ensinara à fazer aquilo. Ela sonhara em vê-lo se casar, queria estar ao seu lado. Sentiu a garganta seca enquanto lembrava a imagem doce da irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn lhe contara sobre o que acontecera. A culpa da morte já não havia em suas costas, mas isso não lhe diminuia a dor. Como Jonathan e Ralph foram capazes de matarem sua irmã? Não havia criatura tão doce e prestativa como Evangeline. Ergueu os olhos e fitou o espelho, vendo neles a irmã. Ela certamente estaria consigo naquele momento e com aquele pensamento, ele tentou afastar qualquer tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pensando nela, não é mesmo? - Alexander se assustou com a voz e fitou a imagem do desconhecido pelo espelho, aos poucos reconhecendo a face do homem. Virou-se e se aproximou com passos largos, ainda não querendo acreditar no que sua mente lhe dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nela quem? - Disse de maneira suave e ao mesmo tempo nervosa com a invasão. O homem se aproximou da janela e viu todas aquelas pessoas e suspirou, enfiando as mãos por dentro dos bolsos de seu sobretudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Evangeline, sua irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Richard? É você?! - Alexander se apoiou na parede, parecendo não poder acreditar no que seus olhos viam. O homem voltou-se de leve para trás, somente para fitá-lo e lhe enviar um sorriso rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem mais poderia ser? Quem mais amou Evangeline como você? - Implícitas naquelas palavras tão calmas, havia uma fúria e uma raiva. Alexander sabia o que Richard sentia. Sentiu o mesmo quando viu Madelyn o deixar com Ralph naquela manhã. Sabia como era horrível saber que jamais viveria tamanho amor em sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fico feliz em vê-lo bem. - Alexander se aproximaria para comprimentá-lo com alegria, mas pararia ao ver o modo frio com que o mesmo se voltara para a janela e fitava aquelas pessoas. Estava tão feliz com seu casamento que acreditava que todos vivessem a mesma felicidade e isso não acontecia com Richard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também, Dragear. Casando-se com uma boa mulher, voltando à tomar seus negócios. Encontrando a felicidade de frente... Sabe, merece a felicidade que tem. Sofreu muito. - Fixou seus olhos em Vivian Winspear, ao lado de seu marido, que pareciam conversar animadamente com John e Erin Spencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deverias também ser feliz, Richard. Veja meu caso, eu encontrei Madelyn e... - Richard se voltaria, deixando os braços caírem ao lado do corpo e sorrindo de maneira triste, fazendo um sinal negativo com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, jamais haverá outra. Você sabe bem disso, Alexander. - E realmente sabia daquilo. A obsessão de Richard era tão grande quanto a de Gerard Therton, mas era numa versão "boa". Não conhecia corretamente a história, mas sabia que ele tentara mudar por sua irmã, mas fora tarde demais. Quando deu conta de seus sentimentos, houve o desastre que separou os três inocentes da vida que tão bem conheciam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só desejo uma coisa agora, amigo. - Continuou Richard Winspear, que se afastara novamente e se aproximava da porta, como se fosse um fantasma que se dissipava pelas sombras rapidamente. - Vingança. Não fará nada com teus irmãos, nem com Antoine. Thomas já está no inferno, mas estes... Estes pagarão. Pagarão por mim, por você, pelos homens que morreram em Santa Marta e principalmente por Evangeline.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Richard eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É a única coisa que estou pedindo. Já tens tua felicidade, deixe-me ter a minha. - Saiu dalí rapidamente, batendo a porta e sumindo tão discretamente quanto surgira. Alexander caiu em uma cadeira, recuperando o fôlego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não serás feliz assim. - Murmurou Alexander, que fitava a porta por onde Richard saíra dalí. Quando preparava-se para postar-se em pé, Tereza adentrou no quarto de supetão, sorrindo. Estava mais bela do que nunca num vestido verde, quase reestabelecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alexander, está atrasado! Madelyn já está arrancando os cabelos! - Comentou entre sorrisos, enganchando em seu braço e o fitando com carinho. Começaram a caminhar na saída do quarto, enquanto percorriam os corredores em silêncio. Foi então que a mesma o quebrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, deveria ser eu alí, casando contigo. - Fitou-o nos olhos, aparentemente emocionada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tereza... - Foi a única coisa que Alexander conseguiu dizer, sem saber como agir. Não queria partir o coração daquela mulher que sabia bem o gosto do sofrimento, tão bem quanto ele. Ela, por sua vez, sorriu e forçou uma expressão feliz, domando as lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas estou feliz, estou vendo o homem que tanto amo casando-se com a melhor mulher que conheço. O destino foi sábio, no fim das contas. - Comentava ao desder as escadarias, todos fitavam com curiosidade o mascarado e sua ex-noiva surgirem alí. Atravessaram as pessoas, comprimentando com sorriso os demais e então foram para o jardim, onde um paroco os esperava ao fim de um tapete vermelho por sobre a grama verde e coberto de pétalas de rosas. As mesmas que Madelyn seguiu até a torre, na noite que escolheu Alexander para partilhar sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar em frente ao tapete, fitou Tereza e lhe tomou as mão entre as suas, sorrindo. A mesma parecia sem jeito, ainda não estava completamente à vontade com Alexander, parecia nunca perdoar-se por tudo que havia feito com aquele homem tão bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Serás feliz, Tereza. Sei disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou completamente motivada à isso, Alexander. Quero muito ser feliz. - Apertou-lhe as mãos e então o abraçou, sorrindo e novamente controlando as lágrimas que nublavam seus olhos. Então o empurrou na direção do tapete, fazendo os demais rirem. Sorrindo por trás da máscara, Alexander deus seus últimos passos como homem solteiro e estranhamente não se sentiu triste com aquilo, como os demais se sentiriam. Seu coração bateu mais rápido quando ouviu o soar de um violino solitário, o seu violino, na mão de um jovem que seguia pelo tapete. Em seguida surgiu Tereza, que se postou ao lado de Alexander e então surgiu Madelyn por entre todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trajava-se com um vestido branco e simples, com algumas pregas e bordados róseos, com um véu que lhe tocava a face e a fazia parecer um anjo. Era seu anjo e sempre seria, pensou Alexander emocionado. Ela adentrou lentamente, sorrindo e o fitando nos olhos. Eram ambos sozinhos no meio da multidão. Quando ficaram frente à frente e Alexander pode erguer o véu, encontrou o sorriso que tanto enchia seu coração de ternura. Os votos foram ditos com urgência, como se ambos temessem que algo poderia interferir novamente na tão lutada felicidade deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, por fim, deram o beijo puderam acalmar seus corações. Alexander se distanciou e sorriu para Madelyn, que chorava sem ter vergonha, sem se importar com o que os outros pensariam. Esta era Madelyn, a mulher de sua vida. Finalmente se sentiu em casa. Com Madelyn, sempre seria seu lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-5289737951704162867?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/5289737951704162867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/5289737951704162867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-10-torre-final.html' title='Capt 10 - A Torre (FINAL)'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-8429294857687670036</id><published>2009-02-24T22:10:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:11:46.963-08:00</updated><title type='text'>Capt 9 - A Torre</title><content type='html'>Piscou algumas vezes, fitando Ralph. Uma face tão bela, um coração tão podre. Fazendo uma expressão de desgosto, tentou por-se em pé de maneira desastrada - afinal, aquele repolho em forma de vestido pesava muito e ela não era nem um pouco leve também. Engoliu seco e fitou o padre e em seguida as pessoas na igreja, não perderia a chance de um bom dramalhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não aceito! Espero que morra sozinho e pobre, seu...Porco! - Cuspiu na face de Ralph, que agora se erguia e a fitava estarrecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ergueria as saias de maneira pouco digna e correria pela nave, sendo acompanhada pelos burburinhos gerais e pelos gritos de Ralph. Foi interceptada por Jonathan, que a apertou com força contra o próprio corpo. Madelyn lhe daria uma bela mordida na mão e lhe chutaria a virilha, saindo correndo em seguida e percorrendo o tapete rubro e saindo da igreja em seguida, encontrando um cavalo à sua espera. Seu pai deveria estar desgosto, talvez nunca houvera tão grande vexame naquela igreja. Voltaria a face para trás e fitaria Tereza, que lhe sorria de maneira satisfeita. Ela havia planejado tudo aquilo. Sentiu que, pela primeira vez na vida, tinha uma amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, eu preciso de um regime. Mas por favor,antes disso, me tire daqui cavalinho. Vá, vá! - Novamente, de maneira atrapalhada, conseguiu montar o cavalo e em seguida o fez correr, sabendo que o pobre animal exigia o máximo de sí. Tereza sabia que era uma ótima amazona, mostra de quão boa observadora era, capitando todas as conversas que haviam naquela casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn sabia que estava sendo seguida e com aquela vestimenta nada discreta, logo seria flagrada. Embrenhou-se no meio do mato, numa ação de desespero, encontrando um pequeno casebre. Apostando na boa fé das pessoas, ela desmontou o cavalo e encontrou um velho senhor, fumando seu cachimbo em frente à casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, poderia me emprestar algumas roupas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem caiu na risada, vendo aquela noiva chique num cavalo velho, pedindo roupas para um pobretão. Mas não hesitou em lhe emprestar as roupas, que ficaram curtas e apertadas em Madelyn. Mais uma vez ela praguejou seu tamanho, não era bom ser tão alta em alguns momentos. Prendendo os cabelos rubros pelo chapéu, deixou o vestido sobre a cama do homem e lhe disse para vender por um bom dinheiro. Tão famosa ficaria com aquele acontecimento na igreja, que o vestido certamente seria comprado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em questão de minutos, voltava a percorrer o caminho para Wildenthorn. Por mais que fosse péssima em localizações, jamais esqueceria o caminho do lugar em que fora tão feliz. Alexander. Ele a amava e precisava dela, algo lhe dizia que se não chegasse logo, algo terrível aconteceria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começava a chover e ela ao menos pode se sentir mais refrescada, assim como o pobre cavalo. Anoitecia e Madelyn começava a admitir que estava com medo. Era uma mulher desarmada, não sabia o que enfrentaria pela frente. A sorte é que Alexander era um bruto, e isso era algo bom em determinados momentos. Pode respirar mais aliviada, quando viu o castelo surgir ao horizonte. Fez com que o cavalo galopasse com mais rapidez e o desmontou assim que chegou aos jardins, correndo por entre os mesmos de maneira desesperada. Assim que adentrou ao salão, começou a gritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alexander! Alexander, onde você está?! - Nada, nada lhe respondeu. Enquanto caminhava pelo lugar, pode notar que nenhuma vela estava acesa e teve que seguir seus instintos, já que conhecia aquele castelo como sua própria alma. Percorreu o jardim, em silêncio e então seguiu para o quarto de Alexander.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu as escadarias do quarto rapidamente, deparando-se com a pequena floresta com o caminho de pedras, o percorrendo rapidamente e fitando o estudio de pintura ao longe. Vidros quebrados, tudo estava bagunçado e isso era visível ao longe. Nada incomum, tratando-se de Alexander e seus ataques de fúria. Seu pensamento era tranquilo até que viu o violino quebrado, à porta do lugar. Ele jamais quebraria seu violino. Engolindo seco, Madelyn adentrou ao estudio correndo, deparando-se com todos os espelhos quebrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que foi tomada por uma grande surpresa. Havia retratos seus por todos os lados. No mínimo vinte quadros de todos os tamanhos, retratando-a em diversas situações. Rindo, chorando, tocando o piano, descansando no jardim, dançando no baile com um mascarado. Foi então que viu um quadro, o maior deles, ainda não terminado. Havia alí ela, sentada no jardim com uma criança nos braços e outra ao seu lado. Um homem em pé, bem vestido e sem face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem nenhuma face. Era como se ele não aceitasse que Ralph fosse o homem que desposaria Madelyn. E que não pudesse entregar-se ao sonho de tê-lo alí, em sua imaginação, ao lado da mulher de sua vida. Com lágrimas nos olhos, mal pode notar que não estava só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pensei que essa hora estivesse nos braços de Ralph Dragear, maninha... - Ela foi tomada por um susto e voltou seus olhos para Gerard, que estava no aposento. Madelyn estava muda, sem saber o que dizer e Gerard se aproximava lentamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fico feliz. Ao vê-la em todos estes quadros, me senti arrependido de ter deixado que Ralph se casasse contigo, irmã. Eu...- Ele se aproximou ainda mais, inclinando a face na direção de Madelyn e tirando-lhe o chapéu, deixando com que os cabelos rubros caíssem pelos ombros. Em seguida os acariciou, como se acariciasse uma amante. Ele estava evidentemente feliz em tê-la alí. Em seguida a abraçou forte contra o corpo. - ...queria tanto poder me casar contigo. Pena que não nos é permitido, não é mesmo...? Mas será que é errado algo que é feito por amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me solte, Gerard. Estou avisando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, virou homem é? Ví sua vestimenta máscula, achei realmente interessante. Sempre tivesse trejeitos de homem, era corajosa e briguenta, sem muita delicadeza e cuidados com a feminilidade. Jamais seria uma lady, por mais que desejasse...Acho que encontrou seu verdadeiro eu, não é? - Gargalhou e Madelyn lhe deu um pisão no pé, que o fez apenas gemer. O desejo de ficar com ela nos braços era maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora não é hora para isso, Gerard. Onde está Alexander?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O demônio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele não...- Madelyn suspiraria, resignada. - Sim, o demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conquistou ele, hum? O que serás que possui, irmãzinha, que faz com que os homens a amem tanto? Afinal, não é requintada e nem tão bela. No enquanto, Alexander e Ralph a amam, assim como eu. - Sorria daquela maneira que ela tanto odiava e ela lhe chutou novamente, quando travaram uma briga de verdade. Não podia perder-se pelo temor, o medo de que matassem Alexander era ainda maior e quando pode, ao invés de revidar os ataques de Gerard, fugiu do estudio correndo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele a perseguia e ela teve de pensar rápido, se embrenhando pela floresta enquanto acalmava seus batimentos e pensava onde poderia estar Alexander. Já estivera em todos os lugares, não sabia onde...Foi então que, por entre as árvores, fitou a torre. Sim, a torre! Era lá que ele se escondia e era um lugar perfeito para uma morte disfarçada, de um homem anti-social e escondido do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a correr, seguindo na direção da entrada da torre, escorregando numa possa de água. Foi então que viu seus dedos tingidos de rubro e pode ter certeza que era sangue. Sufocando um grito, começou a subir os intermináveis degraus, sem parar para tomar fôlego. Ouviu os gritos de Gerard e pode ter certeza que ele começava a subir as escadarias, em seu encalço. Finalmente chegou ao topo, empurrando a porta de madeira com a pouca força que ainda possuía e flagrando uma cena que, tinha certeza, jamais esqueceria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexander estava imobilizado ao chão. Havia um homem com a perna por sobre seu peito, o segurando com força, apesar do mesmo estar ferido. As penas de Alexander estavam rubras de seu sangue, havia sido atingido antes de subir à torre. Era estranho, Madelyn sabia que ele não seria tolo de se enfiar num lugar onde seria encurralado. O outro homem apontava para a face de Alexander, sorrindo como o demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora deixarei sua cara mais feia ainda, Alexander. Achava mesmo que poderia viver na riquesa por tanto tempo e nós, na desgraça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi você, não foi, Thomas? Você que incendiou o Santa Marta! - Gritou Alexander, parecendo já estár desnorteado com a fraqueza que o tomava. - Você que matou aquela gente, matou meus amigos, matou minha irmã e acabou com a minha vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Engano seu, sua vida acabará agora. - Apontou a arma de cano longo na direção da cabeça de Alexander e naquele momento Madelyn adentrou, feito um furação, pulando na direção do homem e empurrando a arma para o teto de maneira desesperada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diabos! - Gritou Thomas e Madelyn continuou a estapeá-lo de maneira desconexa, já que tinha que manter a arma para o alto também. O homem que segurava Alexander, o mesmo que conversara com Ralph e marcara o assassinato, se aproximou e a puxou para sí, lhe dando alguns murros. Quando Madelyn não pode mais suportar, foi jogada ao chão e bateu com a cabeça contra a parede, ficando com a visão vidrada e a cabeça dolorida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo visto você será a primeira... É uma pena, adoraria me divertir. Mas... Não será a falta de vida neste corpo que irá me impedir, não? - Ambos os homens riram e Madelyn sentiu-se enojada com aquele pensamento, enquanto tentava se erguer. Mas a dor na cabeça era forte demais, não conseguia sequer focalizar nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alexander... Desculpe-me, desculpe-me...- Murmurava, enquanto sentia as lágrimas nublarem ainda mais sua visão e arranhava a parede de pedra, tentando erguer-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga adeus, vadia. - Thomas lhe apontou a arma e ela fechou os olhos, já não via nada. Escutou o desparo e ao mesmo tempo algo caiu por sobre sí, um corpo. Não fora atingida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diabos, Gerard! O que fez seu idiota?! - Ouviu a voz de Thomas praguejando e abriu os olhos, encontrando o corpo de seu irmão contra o seu. Naquele momento pode escutar um grito desconexo e ela acabou por se erguer. Estava alarmada por Gerard, ele havia salvo sua vida! Mas desejava salvar à todos e com aquele pensamento se pôs em pé, seguindo na direção do estranho, que estava em frente à janela, e Madelyn pôs-se a golpeá-lo com a pouca força que possuía. Já enfraquecido pelos golpes que levara de Alexander, que se aproveitou da situação e se pôs em pé assim que o homem o soltou para ajudar a livrar Thomas de Madelyn, ele estava quase desacordado quando Madelyn lhe deu o último golpe, que o fez cair pela janela desnorteado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando por vim voltou-se, viu que Alexander derrubara Thomas no chão e o golpeava na face. Parecia realmente que um demônio havia o tomado, o golpeava de maneira brutal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maldito, destruiu minha vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thomas estava já ensanguentado e então Madelyn se aproximou, tomando a arma em mãos e a jogando para fora da janela, onde nenhum dos quatro pudesse tê-la em mãos. Em seguida se aproximou de Alexander, o puxando pelos ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pare, Alexander! Pare! Ele já teve o que merecia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não... Nunca terá o que merece, nunca terá! Ele me tirou tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou aqui, Alexander. - Disse de maneira calma e apertou-lhe os ombros, e naquele momento ele deixou de golpear Thomas. Se voltou para Madelyn e a abraçou de supetão, com a respiração alterada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca mais me deixe, Madelyn. Sou tão idiota, tão burro... Me prometa que jamais me deixará. Jamais! - Murmurava contra seus cabelos e Madelyn sorria, apesar de toda aquela dor. Novamente estavam alí, um curando a dor do outro, como dois passados feridos. E assim seria para o resto de suas vidas, se completavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te amo, Alexander. E nunca mais o deixarei. Nunca mais. - Se afastou e o fitou, sorrindo. Pode sentir que ele sorria por trás da máscara e então sentiu-o cambalear, o levando até a parede para que se apoiasse. Naquele momento correu na direção de Gerard, que estava caído ao chão. Virou-o para fitá-lo e pode sentir que ele estava vivo, respirando com grande dificuldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Madelyn...? - Gerard focalizava o teto, como se seus olhos já não pudessem mais ver nenhuma imagem em especial. Ela tomou sua mão entre a dele, a apertando com força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou aqui, Gerard. Muito obrigada, salvou minha vida. - Falou rapidamente, enquanto apertava ainda mais forte a mão dele. Alexander se aproximava, se sentando postando ao lado de Madelyn. Ela, por sua vez, estava trêmula ao ver que a vida de Gerard esvaíasse como a areia entre os dedos de um viajante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fale, meu irmão. Iremos salvá-lo. - Ela forçava um sorriso por entre as lágrimas e então as íris de Gerard se fixaram em sua imagem e ele apertou sua mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu...Eu sempre a amei, Madelyn. Sempre. - Fechou os olhos e engoliu seco, deixando cada vez mais fraco a pressão de sua mão contra a de Madelyn. Ela, por sua vez, se aproximou mais e ele novamente ergueu os olhos, erguendo uma das mãos e acariciou a face da irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei disso, Gerard. Sempre soube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me perdoa? Madelyn... Fui tão ruim, mas tente compree...-Respirou fundo, seu peito arfou. Madelyn sentiu o toque de Alexander em seus ombros, lhe passando forças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, Gerard. Já o perdoei. E sei que papai também. - Sorria-lhe, tentando lhe dar forças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ore por mim, minha irmã. Cante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendendo o que o irmão pedia, Madelyn começou a cantar um cantigo religioso que ela e o pai cantavam aos domingos, após o culto, antes do almoço. Gerard sempre os fitava ao longe e, naquele momento, Madelyn descobriu que ele se sentia só. Em alguns momentos de "lucidez", Gerard sabia o quão doentias eram suas ações. Agora vivia uma grande lucidez, e morria alí, arrependido e feliz, feliz por morrer nos braços da pessoa que mais amara em sua vida. Feliz por saber que Madelyn estava alí, ao seu lado. Feliz por tê-la salvo e por saber que ela viveria em paz, finalmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-8429294857687670036?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/8429294857687670036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/8429294857687670036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-9-torre.html' title='Capt 9 - A Torre'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-8509981835301435497</id><published>2009-02-24T22:07:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:10:24.299-08:00</updated><title type='text'>Capt 8 - A Torre</title><content type='html'>Madelyn arregalou os olhos, saltando do banco e fazendo com que Ralph se erguesse. Por fim fez um sinal negativo com a cabeça, cruzando os braços por sobre os seios e respirando fundo. Parecia estar num sonho, tudo estava saindo do controle e nada acontecia como planejava antes. Será que sua vida sempre seria aquela bagunça, pensou consigo mesma. Por fim fitou Ralph e sorriu polidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do que está falando, senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Casar-se comigo, senhorita. Quero que seja minha esposa... - Ele forçou outro sorriso, novamente a fitando com aquele olhar esperançoso. Novamente ela respirou fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso é loucura. - Ela abraçou a sí mesma, ainda em choque com aquilo tudo. Ralph se aproximaria e tomaria sua mão novamente, fazendo-a o fitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou apaixonado por tí, senhorita. Confesso que não a amo desde que a conheci...Mas com o tempo, acabei vendo que é uma mulher forte e ao mesmo tempo delicada, encantadora. A companheira que tanto procurei e nunca encontrei. Vejo que sempre procurei no lugar errado... - Com aquelas palavras, Madelyn lembrou do que Alexander havia dito em seus bilhetes, na noite do baile. Acabou por erguer seus olhos e reconhecer um vulto na torre, um vulto que os observava. Alexander.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca demonstrou nada, senhor... Como posso acreditar. - Ela soltou a mão de Ralph com uma certa urgência, temendo o julgamento de Alexander, que por sua vez sumira da torre. Ao menos sabia que ele estava alí e torcia para que estivesse com ciumes. Sorriu intimamente, apesar da situação trágica. Voltou os olhos para Ralph e lhe sorriu de maneira polida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ralph eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não responda agora. - Ele a interrompeu de maneira exasperada. - Me responda amanhã. Eu voltarei e então me dirá o que pensa sobre o assunto, mas espero que considere bem o meu pedido. - Ralph fez uma mesura e começou a se afastar, como se fugisse da sinceridade de Madelyn. Ela, por sua vez, tinha urgência em não o iludir e então gritou à suas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ralph, eu não o amo! Amo outro homem! - Ele parou e voltou apenas a face para trás, como se soubesse daquilo à algum tempo. Deu de ombros e lhe sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me amará com o tempo, assim como eu o fiz contigo. Até mais, senhorita Therton. - E então sumiu tão bruscamente como havia surgido, deixando uma garota estupefata no jardim. Madelyn ergueu os olhos para a torre e então seguiu para o próprio quarto, deitando-se e fitando o teto, esperando que alguma resposta caísse dos céus. Quando anoiteceu, não pode mais se conter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o jantar, subiu na direção da torre de maneira rápida, tropeçando em alguns degraus de maneira desastrada. O que não era raro para ela, sempre havia uma aquarela de marcas em seu corpo, nem ligava mais para aquilo. Acabou adentrando a saleta da torre de supetão, estava desesperada para ver Alexander. Queria saber se ele estava bem, qual o motivo de seu afastamento dela e principalmente, deixar claro que não havia nada entre ela e Ralph, que o casamento fora uma idéia unilateral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alexander? - Empurrou a porta e nada avistou, sentindo-se nervosa. Foi então que viu seu corpo, envolto pela escuridão, sentando ao chão junto à parede. Estava com a camisa branca aberta no peito, caído de maneira displicente e a fitando por entre a máscara. A fitava de uma maneira diferente, estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que quer? Já disse para nunca vir à torre. - Sua voz soou arrastada, baixa. A fez sentir um calafrio subir à espinha, o que a deixou ainda mais nervosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixou-me vir aqui na noite do baile. - Falou de maneira petulante, tentando não demonstrar nenhum tipo de temor, como sempre. Alexander riu, desviando o olhar de sua figura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mesmo uma tola. Queria que tivesse uma boa lembrança de nós e agora fica aí, parada na porta observando um homem caído em sua desgraça. Envolto pelo álcool e pelas tristezas. - Madelyn engoliu seco e então adentrou ao quarto, fechando a porta e o fitando novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tenho pena de tí, se é isso que quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero sua pena. Quero que saia daqui. - Voltou a desviar os olhos, fechando-os em seguida. O cheio de álcool era forte, mas foi ela que naquele momento se sentiu zonza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sair? Quer que eu vá embora de Wildenthorn? - O fitou de maneira desesperada, como se custasse a acreditar no que ouvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero. Quero que saia daqui amanhã. - Ele se ergueu, de maneira vacilante, se aproximando da mesma e a fitando nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está bem então. - Por mais que não entendesse o que acontecia, Madelyn jamais desejaria ficar num lugar que sua presença não fosse bem aceita. Voltou-se de costas e então caminhou na direção da saída, sendo puxada pelo braço por uma mão forte, que a trouxe de encontro ao corpo másculo e então a máscara fora parcialmente erguida, sendo beijada de maneira apaixonada e desesperada. A respiração de Alexander estava alterada, assim como a de Madelyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia quanto tempo aquele beijo durara, e tão pouco o abraço que se seguiu. Ela começou a chorar, enquanto ouvia as batidas do coração dele. Alexander estava trêmulo, talvez por saber que aquela seria a escolha que o faria infeliz para o resto de seus dias. Foi então que ele se afastou, se aproximando da janela e sendo envolto pela luz da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você me ama, Alexander. Eu sei disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, nunca foi segredo que a amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então por...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Madelyn, apenas aceite minha escolha. Eu a amo e sei que estou fazendo o que é de melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é melhor, para mim, é ficar contigo! - Se aproximou e tentou abraçá-lo, mas o mesmo fugiu dela como se fosse o demônio da cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá, Madelyn. - E saiu da torre como se realmente tivessem demônios dentro de sí. Madelyn seguiu até seu quarto, como um zumbi, os olhos perdidos e a cabeça envolta por pensamentos desconexos. Quando caiu sobre a cama, abraçou o travesseiro e desatou um choro desesperado. Sabia que ele estava dizendo para que se casasse com Ralph, jamais a colocaria para fora se ela não tivesse uma alternativa. Durante a noite, ouviu coisas serem quebradas vindas do jardim, vindas do estúdio dele. Não conseguia entender por que dois corações que se amavam tanto, deveriam se distanciar daquela maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã, quando tudo havia se silenciado, ela saiu do quarto com um vestido e outros itens próprios em sua valise. Desceu as escadarias com seu chapéu e a face inchada, sendo recebida por Ralph. Ele a fitou e sorriu, como se entendesse que aquele era um sim para seu oferecimento. A enganchou em seu braço e saiu de Wildenthorn, a fazendo adentrar na mesma carroagem que a levara até lá. Madelyn não voltou seus olhos para trás, não queria aceitar que estava deixando seu coração alí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; ---------------- // -----------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Chegaria até o casarão de Ralph, notando imediatamente que ele morava com seu irmão mais velho, Jonathan. Várias coisas começavam a fazer sentido para Madelyn, mas muitas não. Fora bem recebida pelo primogênito dos Dragear, um homem magro e de palavras fáceis e modos fúteis. Lembrou-lhe Gerard e Antoine e aquele pensamento a fez sentir um calafrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iria ficar alí até o casamento, onde Ralph esperava que pudessem ter a própria casa. Ralph era o mais novo de quatro irmãos, sendo a irmã deles Evangeline, dita como louca e enviada à um convento onde poderia reencontrar sua paz. Todos evitavam falar de Evangeline, mas inevitávelmente Ralph tocara no assunto enquanto seguiam em viagem. Jonathan era casado com Tereza, uma mulher que ainda não lhe dera nenhum filho para seguir a linhagem. Havia herdado tudo do pai, deixando para Ralph alguma soma em dinheiro. O mistério era como Alexander conseguira sua fortuna e como mantinha contato com Ralph e não com Jonathan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior aconteceria ao anoitecer, quando o jantar fora servido. Havia muito luxo e pouca comida, na opinião de Madelyn, que tinha noções de decadência. Estava acabando o dinheiro daquela família e isso era evidente, por mais que todos se mantessem tranqüilos. Jonathan, na cabeceira da mesa, gritou por Tereza que não tardou em aparecer. Madelyn sentiria a garganta seca e a reconheceria: Era a mulher do retrato que Alexander pintara e que estava na galeria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ser apresentada para Madelyn, ela pode sentir um olhar curioso e ao mesmo tempo penoso vindo da direção daquela mulher. Não parecia tão glamurosa como no quadro. Se portava de maneira calada, como se estivesse envolta por uma tristeza tão grande que Madelyn podia sentir apenas com sua proximidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quando será o casamento, srta. Therton? - A voz de Jonathan lhe tirou de seus devaneios e ela forçou um sorriso para o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei, tudo depende de Ralph.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu pretendo que seja o mais rápido possível. - Ralph estendeu-lhe a mão por entre o espaço de Tereza e lhe tocou, fazendo com que a mulher se erguesse da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, me sinto indisposta. É um prazer conhecê-la. srta. Therton. - Fazendo uma mesura, a mulher se afastou e subiu as escadarias. Madelyn jamais pode ver mulher tão bela e refinada, era mesmo uma lady. Conquistaria qualquer um e foi assim que o fez ,conquistando Alexander e seu irmão Jonathan. E, como qualquer mulher refinada e acostumada com luxos, escolheu o primogênito. Aos poucos tudo começou à fazer sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As semanas se passariam e aquela situação se repetiria. Ralph saía cuidar dos negócios de Alexander, Jonathan "trabalhava" em casa, recebendo vários homens por dia, alguns até saíam dalí o xingando. Sim, ele lembrava muito Gerard. Tereza mantinha-se em seu quarto, como uma belladona sofrida, sendo mimada pelos criados durante todos os dias. Madelyn via-se envolta apenas dos preparativos do casamento, que se aproximava dia após dia. Ganhara vestidos novos, que a faziam parecer tão chique quanto Tereza. Seus modos estavam sendo corrigidos por Jonathan e Ralph de maneira incansável, e ela estranhamente não lutava contra aquilo. Estava se moldando para a vida que teria. A antiga Madelyn havia ficado alí, em Wildenthorn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes flagrava olhares estranhos de Tereza, que a fitava de longe de maneira melancólica e ao mesmo tempo culpada. Quando era notada, voltava a beber. Tereza bebia de maneira desesperada, como se apenas o álcool pudesse fazê-la suportar alguma coisa que acontecia alí, acontecia em sua vida. Tentara várias aproximações com Tereza, mas isso fora em vão. Quando a mesma a repelia, Ralph o fazia. Dizia que a cunhada era má influência para Madelyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que Jonathan e Ralph saíram juntos numa tarde e uma criada chamara Madelyn até os aposentos da Sra. Dragear, sendo recebida pela mesma. Estava caída num tipo de divã, bebendo algo que parecia vinho e ainda em trages de dormir. Mesmo embriagada e despenteada, continuava a mulher mais bela que conheceu em sua vida e naquele momento a invejou. A invejou por ser tão bela e requintada, e por ter tido a chance de se casar com Alexander. A chance de tê-lo para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, você veio. - Ela se pôs em pé, a fitando de maneira estranha. Tomou-a pelas mãos e então a tirou do quarto, levando-a para a escada superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde vamos, senhora...? - Madelyn estranhava os modos de Tereza, mas não estava supresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para o sótão. - E assim foi feito. Ambas adentraram no andar de teto baixo e empoeirado, cheio de coisas pessoais antigas e incrívelmente abafado. Tereza se aproximaria de um monte de entulhos, o jogando para o lado de maneira desesperada. Foi então que encontrou um quadro e o trouxe na direção de Madelyn, sem importar-se com a sujeira que fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veja... Isto foi antes da desgraça. - No retrato, ela pode reconhecer Jonathan e Ralph, ao lado de uma velha senhora sentada numa poltrona próxima a lareira. Do outro lado, uma jovem de aparência jovem e cheia de vida sorria, abraçada com um homem. Foi então que o coração de Madelyn começou a bater mais rápido, podendo reconhecer aqueles olhos até mesmo de um retrato. O pintor parecia ter a sensibilidade de botar naquele pedaço de pano, o que acontecia alí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é ela? - Perguntou Madelyn baixinho, ainda em choque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É Evangeline, a irmã deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A louca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não creio que... Esqueça. - Tereza pareceu não ter coragem em completar o que ia dizer e Madelyn segurou sua curiosidade, temia qua ela voltasse a deixá-la longe, deixasse de falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E este é Alexander, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, abraçado com a irmã. O pintor dizia para que ficasse de maneira formal, mas ele dizia que queria que o amor pela irmã e ficasse eternizado. A mãe riu e deixou, era uma senhora muito boa e amava muito os filhos. Tinha orgulho do relacionamento entre Alexander e Evangeline. - Deixou o quadro encostado na parede e se postou ao lado de Madelyn, admirando a imagem. Então continuou. - Alexander nunca teve uma beleza comum e eu demorei para compreender isso. Sempre admirei os homens como Jonathan, que pareciam treinados de tonas as maneiras para serem bem quistos na sociedade. Tarde demais eu ví a verdadeira beleza. Ele... Ele tinha um sorriso lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês eram noivos? - Madelyn não conseguiu controlar a língua e Tereza a fitou surpresa, saindo dalí rapidamente e a deixando só com o quadro. Não era necessária confirmação após a reação da mulher, haviam sido enamorados antes dela casar com Jonathan. Fixou os olhos na imagem de Evangeline e tentou imaginar como uma jovem poderia entregar-se à loucura, era algo que não imaginava. Em seguida fitou Alexander, tendo pela primeira vez a noção de como era sua face e ao mesmo tempo, sentindo que o reconheceria em qualquer retrato. Foi então que alí, deixou as lágrimas contidas caírem depois de muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, o casamento aconteceria. Trajando um requintado vestido de noiva branco e cheio de laços e cortes bufantes, Madelyn fitava-se no espelho de maneira desajeitada. Era requinte demais, estava se achando um repolho real, ou algo do tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do "sim", deixaria seu sobrenome e a pessoa que fora um dia, seria totalmente diferente. Respirou fundo e então tomou o buquet em mãos, saindo do aposento e caminhando na direção da nave da igreja. Ouvia muitos burburinhos, aparentemente muita gente havia sido convidada. Foi então que fora interceptada por Tereza, que a trouxe na direção de outro aposento. Um aposento apertado e escuro, ela a abraçou de encontro a sí e começou à falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se case com Ralph, Madelyn. Não faça isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está bem, Tereza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não estou bem desde que fiz a besteira que você está próxima de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu digo...Você bebeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca estive tão sóbria na minha vida, Madelyn. - Ela sussurava, se afastando o bastante para fitá-la nos olhos. Era verdade o que dizia, parecia estar sob o domínio de sí mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas me dê um motivo para tudo isso...Ralph é um homem bom e... - Tereza a apertaria novamente e então se afastaria, a fitando nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jonathan está falido. Ralph deseja a fortuna de Alexander. Eles estão matando o irmão aos poucos à anos. - Disse ela de maneira rápida, como se não quisesse desistir no meio do caminho. Madelyn, em choque, encostou-se na parede do cômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas...Como assim? Não entendo, eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jonathan era o herdeiro e eu acabei casando-me com ele, deixando Alexander. Alexander, por sua vez, enquanto ainda tinha chances comigo começou a fazer fortuna, o que atraiu Ralph. Ralph é um advogado, deixou a chance de ser paroco por ser ganancioso demais. Quando notaram que podiam ter o que Alexander possuía, tentaram o matar no incêndio do galpão de Santa Marta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi então que ele ficou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, foi assim que ele ficou deformado. Foi salvo pela irmã, Evangeline, que descobriu tudo e pode salvá-lo e salvar também Richard Winspear, que ficou com a culpa de tudo. Alexander ficou vivo e foi inocentado, mas Richard e Evangeline pagaram pelos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está me deixando tão confusa, Tereza! - Ouviu uma voz masculina chamar por seu nome e ela engoliu seco, fitando a mulher em desespero. - E Evangeline?! - Esta, por sua vez, tornou a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Evangeline salvou o irmão e Alexander ficou inconsciente por muito tempo. Durante este tempo ela acusou os verdadeiros culpados, então foi dita como louca e mandada para o convento, na verdade creio que não seja nenhum convento. Foi mandada para a Espanha e acredito que já não esteja entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E Alexander? - Tereza fechou os olhos e encostou-se na parede, tornando à falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alexander viu-se deformado e acabou por perder quase todos seus amigos em Santa Marta. E ainda fora golpeado com a notícia de que Evangeline morrera no incêndio, para salvá-lo. Sim, eles disseram que ela morreu para salvá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Céus! - Madelyn não conseguia ainda assimilar tantas informações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu, sem saber de nada disso, acabei por me casar com Jonathan. Era fraca e fiquei horrorizada com a aparência de Alexander, que jamais fora atrativa para mim. Depois da deformação, ficou ainda pior para que eu pudesse fitá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como eles estão o matando aos poucos...? - Murmurou Madelyn, enquanto ouvia a voz ficar mais próxima do quarto, temendo que fossem interrompidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ralph lhe droga com os remédios, ele é um homem sadio à muito tempo. Por isso que ele só sai à noite, a claridade do dia lhe faz muito mal com o efeito da medicação. Temo que se logo a medicação não parar, morrerá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas então, por que casar comigo?! - Perguntou de maneira nervosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você teria um filho de Alexander.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não era necessário que Ralph se casasse comigo... - Tereza riu, dando de ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, mas surpreendentemente ele realmente gosta de você. É a única mulher que vi que o tocou de alguma maneira, acabou por juntar o útil ao agradável. Assim como Jonathan, que acabou minando com a mulher que eu era, com a minha alegria de viver. - Seu olhar era triste e ela suspiraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas se estão falindo, precisariam do dinheiro com urgência. - Murmurou Madelyn, pensando de maneira rápida e prática, ao contrário de Tereza que demorara anos para assimilar todas aqueles fragmentos de informações tão óbvias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta seria aberta de supetão e Jonathan as flagrariam. Tereza arregalou os olhos e se postou em pé, enquanto Madelyn fazia o mesmo. Ele puxou a mulher para fora com certa brutalidade e a mesma correu na direção da nave, enquanto enviava para Madelyn um último olhar esperançoso. Jonathan, por sua vez, lhe ofereceu o braço delicadamente, contrastando com as maneiras dedicadas à esposa. Por fim adentrariam à nave e Madelyn receberia vários olhares, alguns curiosos e outros especulativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga-me, o que fazia com minha esposa...? - Murmurou Jonathan por entre os dentes, enquanto sorria para os convidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela me dizia...Sobre o que acontece entre um homem e uma mulher após o matrimônio. - Madelyn sorriu, baixando a cabeça e se fazendo de pudica. Jamais teria aquela inocência assim sendo a irmã de Gerard Therton. Mas, aparentemente, Jonathan caíria naquilo. Fixou seus olhos em Ralph, que lhe sorria de maneira satisfeita. Sorria da mesma maneira que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn ficou pálida e lembrou do encontro que Ralph teve na noite anterior, com um homem de aparência familiar. Foi entao que pode reconhecê-lo, era o amigo de Gerard. Sentiu um tremor subir sua espinha enquanto lembrava que ambos fechavam um acordo e ela os fitava de longe, discretamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Receberá o resto quando terminar o trabalho. - Disse Ralph, entregando um envelope para o homem. O mesmo sorriria de maneira despojada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desta vez nenhum demônio o protegerá. O trabalho será feito amanhã, no horário combinado. - E partiu, guardando o dinheiro no bolso do paletó. Madelyn estranhou aquilo, mas não lhe deu grande importância. Foi naquele momento que lembrou que diziam que Alexander era protegido por cinco ou sete demônios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mão fora entregue a Ralph, que lhe sorria. Ela permanecia séria e trêmula, o que todos atribuiriam ao nervosismo de uma noiva qualquer. Foi então que foi acordada de seus devaneios pela voz estridente do padre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhorita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum? - Ela pareceu saltar, o fitando como se tivesse sido acordada pelo velho. Ele lhe sorriu, repetindo o juramento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...aceita Ralph Dragear como seu esposo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-8509981835301435497?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/8509981835301435497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/8509981835301435497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-8-torre.html' title='Capt 8 - A Torre'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-5803039301455392945</id><published>2009-02-24T22:05:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:07:34.453-08:00</updated><title type='text'>Capt 7 - A Torre</title><content type='html'>Por mais que relutasse em admitir, Madelyn ficou entristecida ao ver que Alexander cumprira o prometido e não a procurou durante aquela semana. Estava num estado nervoso naquela semana, que chamou a atenção de Lilly, que a fitava de soslaio durante todo o dia. Na tarde do sétimo dia, o dia em que tudo deveria acontecer, tomou um susto ao ouvir a voz de Lilly.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdão, estava pensando em outra coisa, senhora. Me assustei. - Forçou um sorriso, enquanto arrancava algumas ervas daninhas do jardim, descarregando seu nervosismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está se assutando assim durante toda a semana, algum problema senhorita? - A velha senhora foi logo ao ponto, como de costume. Madelyn voltou a fitar o jardim, reparando que este estava muito bonito. Era seu trabalho principal naquele momento, deixar aquele jardim maravilhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não é nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não está doente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, não se preocupe, Lilly! Estou bem. - Se ergueu, fitando a senhora com um sorriso e adentrando ao castelo, querendo fugir daquele olhar inquisidor. Resolveu se preparar, tomando um grande banho naquele momento e se perfumando, sem saber como portar-se ou vestir-se. Foi quando a velha senhora bateu na porta, adentrando em seguida e a fitando de maneira discreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O mestre disse que hoje não era necessária mais a minha presença e tãopouco o jantar, nem para ele e nem para tí. E disse para dizer-lhe que dentro do baú está o começo. - A velha fez uma mesura e voltou-se para a saída, enquanto Madelyn erguia-se da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O começo?! Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se não sabes, senhorita, como eu poderia saber? - Lilly sorriu de maneira misteriosa e fechou a porta. Não tardou para que a mesma saísse do castelo e partisse para seu lar e, naquele tempo, Madelyn fitaria o baú sem saber como agir. Era bom aquele sentimento de excitação, poderia viver eternamente naquele encanto. Mas odiava mistérios e isso a fez ajoelhar-se na frente do baú, o abrindo. Alí haveria uma carta e ela a abriu de imeditado, deslisando os olhos por sobre a bela caligrafia.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;"Era uma vez, num reino distante, uma jovem senhorita um tanto quanto sonhadora.&lt;br /&gt;Um dia, após alguns pequenos problemas em seu destino, a senhorita adentrou num castelo&lt;br /&gt;mágico e abriu um baú, encontrando um belo vestido. Ela o vestiu e fitou-se no espelho. Uma simples&lt;br /&gt;garota se tornara uma princesa. A magia se iniciaria. Foi então que então ouviu um som.&lt;br /&gt;Um som que a atraiu como Eva à maçã proibida.&lt;br /&gt;Só não se sabia se este era tão perigoso quanto a tal maçã."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn riu, sem saber como interpretar tudo aquilo. Foi então que viu que o fundo do baú era falso e o abriu, flagrando um belo vestido púrpura. Trouxe o tecido macio contra o corpo, flagrando as belas costuras e o corte requintado. Segurou a respiração enquanto, por fim, fitou-se no espelho. Começou a rir, enquanto arrumava o cabelo e, por fim, rodopiava consigo mesma no aposento. Quando o último raio de luz morreu ao horizonte e o céu foi tomado pela noite, aquele som tão conhecido do piano forte de Alexander soou. Madelyn sentiu o coração bater mais forte e então saiu do quarto, flagrando todo o castelo iluminado por velas e castiçais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente começou a rir, seguindo o som do piano que via na direção da biblioteca. Ergueu as saias e desceu a escadaria. Quando encontrou as portas da biblioteca, respirou mais fundo. Lentamente, deslisou a mão por sobre a superfície de madeira e então a abriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um homem alí, tocando o piano. Trajava-se com requinte, como um lorde. E Alexander disse que não conseguia se portar assim! Sorriu novamente e se aproximou, fitando a tão conhecida máscara de Alexander. Se aproximou e se postou ao lado do piano, enquanto fitou a imagem do pianista, que tocava uma melancólica música. Quando este a findou, o sorriso que havia nos lábios de Madelyn morreu e então ela engoliu seco. Aqueles não eram os olhos de Alexander. E nem o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que... - Como uma garota atrevida, arrancou a máscara da face do homem e encontrou uma pessoa desconhecida. Era um homem de aproximados 30 anos, que lhe sorria com uma expressão satisfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhorita foi rápida. Está aqui... - Lhe entregou outro envelope, enquanto colocava a máscara por sobre a face e tornava a tocar o piano, desta vez uma música alegre. Madelyn se afastou, sem nada dizer, ainda envolta por uma grande surpresa. Jamais imaginaria que outra pessoa alí estivesse, estava acostumada somente com Lilly, Alexander e ocasionalmente Ralph alí. Mas nunca um estranho.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;"A ilusão é algo que toma o coração das pessoas, e não foi diferente com a jovem.&lt;br /&gt;Desejava ser uma princesa, e agora era. Estava no castelo, se vestia como uma princesa.&lt;br /&gt;Mas ainda faltava algo.&lt;br /&gt;Onde estaria seu príncipe? Afinal... É o que toda princesa procura.&lt;br /&gt;E naquela noite, ela teria a oportunidade de encontrá-lo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Madelyn franziu o cenho, guardando a carta no envelope e estranhando aquilo mais ainda. Confusa, abriu a porta e se deparou com o salão do castelo lotado de pessoas. Arregalou os olhos, enquanto via todas aquelas pessoas com máscaras. Haviam homens, mulheres. A música começaria e então muitas pessoas tornariam a dançar e conversar. Tudo fora feito com muita discrição. Ainda pasma, mal notou a aproximação de um máscarado em sua direção, que lhe fez uma mesura e a tomou pela mão para dançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela começou a dançar, mas logo que moldou seu corpo ao dele e fitou-lhe os olhos, sabia que não era Alexander. Forçou um sorriso ao estranho, enquanto fitava de soslaio as pessoas, que se divertiam naquele estranho baile de máscaras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Realmente, a senhorita está proporcionando uma aventura para estas pessoas. - Disse o homem ao seus ouvidos e ela arqueou as sobrancelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que diz isso, senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todos adoram um mistério. Um baile de máscaras, num castelo "amaldiçoado", é algo que encanta as pessoas, hávidas por emoção em suas vidas medíocres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ralph? - O homem riu, erguendo a máscara discretamente e lhe piscando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como me reconheceu, senhorita? - Parecia realmente surpreso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo tom de escárnio, senhor. É tão seu que é um pecado que outros possam usá-lo. - Ralph riria em seguida, aparentemente gostando da conversa de Madelyn. Ela por sua vez, lhe sorria e quando a música acabou, fez uma mesura e se afastou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas próximas horas, Madelyn viu-se dançando de braços em braços. Mas assim que se aproximava da pessoa, mesmo sem fitá-la, sabia que não era Alexander. Dançava, conversava, mas jamais sentiu seu coração bater mais rápido quando estava com seu "anjo". Estava desanimada, no fim das contas. Quando conseguiu se livrar de seus "pretendentes", ela se aproximou do jardim e leu a carta novamente, a interpretando de outra maneira naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "...ela teria a oportunidade de encontrá-lo." - Disse Madelyn num tom baixo, para sí mesma. Respirou fundo enquanto sentia que seu ânimo estava por se acabar. - Será que ele quer que eu me comprometa com algum dos homens daqui e parta? Será que é isso...? Será que o assustei com meus pedidos, minhas aproximações importunas...?- A jovem guardou a carta novamente, tendo as mãos levemente trêmulas e então ergueu os olhos para o céu, abraçando à sí mesma e fitando a lua, que tinha sua imagem borrada das lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Céus... - Murmurou novamente, enquanto caía em prantos. A festa estava quase se acabando e naquele momento ninguém mais se aproximava dela, isolada no jardim. Quando viu que não seria notada, Madelyn seguiu na direção do próprio quarto, subindo as escadarias de cabeça baixa. Estava realmente deprimida e temia que pudesse perder Alexander com aquela sua teimosia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que fitou uma flor por sobre um dos degraus. E outra. E mais uma flor. Cada degrau havia uma flor e Madelyn foi as recolhendo e subindo, seguindo um caminho que ia na direção do quarto de Alexander, onde o caminho aparentemente acabava. Adentrou ao quarto bruscamente, enquanto sorria por entre as lágrimas que derrubara aos poucos. Por sobre a cama, outra carta.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;" Certamente, a princesa buscou o príncipe em meio ao luxo, ao que era rico.&lt;br /&gt;Mas, infelizmente, não o encontrou.&lt;br /&gt;O que ela não sabia é que nem sempre o que parece é.&lt;br /&gt;E a esperança a faria o encontrar em outro lugar.&lt;br /&gt;Às vezes, encontramos nos lugares que menos esperamos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Ela sentou-se na cama, colocando a mão por sobre os lábios e então sorrindo consigo mesma. Pode ouvir o som do violino ao longe, tão fino e frágil, sendo combatido pelos sons fortes da festa. Sim, era aquele som que ela deveria ter seguido. O som que a tocava e a tentava, tal qual Eva ao fruto proibido. Sentiu o coração bater mais rápido e seguiu o som do violino, que atravessava os jardins e seguia na direção da torre. Temia a torre, Lilly dissera para nunca subir alí. Mas era daquela torre que o som vinha e ela sabia que jamais Alexander a faria algum mal. Sorriu e ergueu as saias, subindo aquelas escadarias rapidamente, tendo que parar eventualmente para recuperar o próprio fôlego. O som do violino ficava mais forte à cada degrau que subia e ao se deparar com a forte porta de madeira, ela engoliu seco.&lt;br /&gt;A empurrou com força, deparando-se com a silhueta másculina tão peculiar de Alexander, que era envolta pela luminozidade da lua. Ele trajava-se com vestimentas simples, mais simples do que as que usava como de costume, parecia um camponês. O violino era tocado com paixão e em sua face, a máscara com que Madelyn já se acostumara. Ela se aproximou rapidamente e o abraçou por trás, fazendo com que a música parasse antes do seu final, o que Alexander jamais deixou-se fazer antes.&lt;br /&gt;Ele deixou o violino e lado e se voltou para Madelyn, erguedo sua face e a fitando pelos buracos da máscara. Ela não conseguia controlar sua emoção, seu corpo tremia e Madelyn nem sabia justificar aquilo. Apenas sabia que sentia aquela coisa estranha, que tomava-a por completo sempre que estava com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não chore, srta. Therton....- Ele deslisou o dedo pela face de Madelyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pensei que não me quisesse mais aqui, contigo. - A mulher murmurou, com palavras trêmulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quis lhe dar a chance de encontrar seu príncipe. Convidei no salão os homens solteiros mais proeminentes da região e.... - Madelyn o empurrou, abraçando a sí mesma e fechando os olhos, se afastando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h3 class="smller" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=9446814812359691894"&gt;๑ Cristinα&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt; &lt;div class="para"&gt; - Como ousa?! Como ousa fazer isto comigo?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero que seja feliz, senhorita. Usei nosso pequeno jogo para isso e garanto que certamente algum homem se interessou por tí, alguém que a fará muito feliz. - Alexander se afastou, se aproximando da janela da torre novamente e fitando tudo alí fora. Madelyn, por sua vez, o observava de longe, sem saber como agir. Após alguns momentos de um silêncio sepulcral, ela tornou a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, por que está aqui? Por que fez com que eu pudesse encontrá-lo? - Ela falou num tom baixo, discreto e ao mesmo tempo cheio de reservas. Alexander por sua vez a fitou rapidamente, e então baixou a cabeça, praguejando baixinho. Foi então que ele cruzou os braços, como se não soubesse o que fazer com eles, e se encostou nas paredes da torre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cogitei que...Bem, eu acreditei que pudesse. Diabos, isso é tolice! - O homem se voltou para a janela e se segurou na mesma, inclinando seu corpo para baixo enquanto fechava os olhos. Madelyn se aproximou, envolta pela incerteza e pela esperança, que lhe tomavam metade à metade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor achou que fosse possível que eu pudesse escolhê-lo? É isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei, foi algo estúpido e...- Ele ergueu-se, aparentemente evitando fitá-la. - Acredito que a ofendi com tal pensamento, eu deveria imaginar que jamais pudesse se interessar por uma figura grotesca como eu. Sinto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alexander... - Madelyn o interrompeu, se postando próxima ao homem, que mantinha-se de costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-...muito se a ofendi com tal pressuposto, acredito que jamais se repetirá e...- Novamente Madelyn o interrompeu, o tocando nos ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-...por favor, olhe para mim. Por favor. - Falou num tom mais alto, para que o homem calasse seu discurso implacável e decidido. Ele a fitou nos olhos, parecendo nervoso com aquela situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, senhorita Therton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga-me, por que é tão decidido em ser infeliz? Vê a felicidade em suas mãos...- De uma maneira que choraria muitas mulheres, Madelyn tomou as mãos de Alexander entre as suas, como se ela fosse a materialização da felicidade daquele homem tão sofrido. -...e não a toma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O-o...O que quer dizer, senhorita? - Disse um atônito Alexander, que tinha as mãos geladas. Madelyn se aproximou ainda mais, soltando uma das mãos e erguendo levemente a máscara, fechando os olhos e o beijando suavemente nos lábios. Um toque, tão cheio de sentimento que valeria pela intensidade de mil noites de amor. Por fim se afastou, baixando a máscara e o fitando nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode notar que os olhos de Alexander brilhavam. Brilhavam pela emoção que o surpreendeu e então a abraçou de supetão, a apertando contra o próprio corpo como se desejasse se fundir à ela. Ser um mesmo ser, completo e feliz. Madelyn era sua felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, minha querida. Não a mereço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alexander, a vida lhe deu uma chance. A vida me colocou aqui, para ser salva por tí e....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... me salvar também. - O homem parecia sorrir por trás da máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abraçou com mais força e então Madelyn pode rir, perdendo-se naquele carinho. A tantos anos não sabia como era se sentir amada, protegida e saber que tudo aquilo era recíproco. Com Alexander, sentia-se em casa. Num lar que não era material e sim feito apenas da noção de paz que aquele sentimento a envolvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Devo ir, senhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alexander. Para tí serei sempre Alexander. - Ele a fitou nos olhos e então a soltou, parecendo-se envolto por todo aquele temor costumeiro. - Não mereces ter que viver com um homem monstruoso, Madelyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me importo, Alexander. - Ele se aproximou, a tomando entre as próprias mãos e a fitando com um olhar emocionado, mas dessa vez algo pareceu alarmar Madelyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu a amo, Madelyn. Nunca se esqueça disso, em circunstância alguma. A amarei até meus dias acabarem e sei que isso parece precipitado, nos conhecemos à tão pouco tempo, mas é tão intenso e verdadeiro que lhe prometo meu coração e minha fidelidade até o fim de meus dias. - Madelyn sorriu, emocionada também. Sabia que ele a amava desde o momento que a abraçou, sempre soubera na verdade. Só tivera uma confirmação alí. Foi então que respirou fundo, preparada para declarar-se ao seu "anjo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu o a...- Alexander a abraçou, fazendo-a parar de falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha querida Madelyn, não permitirei que fale algo que possa se arrepender mais tarde. Lembre apenas que a amo e que sempre estarei ao seu lado. Agora, por favor, é melhor que vá. - Se afastou bruscamente dela, se aproximando da janela e fitando a lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor! Vá! - Ele falou num tom alto, imperativo, mas sem ser rude. Parecia transmitir um desespero pela solidão e Madelyn não pode recusar aquilo à ele. Otimista, saiu dalí e desceu as escadarias, pensando que este deveria matar todos os seus demônios antes que eles pudessem serem felizes juntos. Sorriu, ele a amava. Ele dissera que a amava. E ela se sentia a mulher mais feliz do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; ====//===== &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os dias seguintes, Alexander sumiu. O procurou por todos os lugares durante o dia e a noite, já não ligando para o que a senhora Lilly pudesse pensar. Aliás, a perspicaz senhora já sabia o que estava acontecendo à muito tempo. Eventualmente, Ralph surgia e escapava das perguntas de Madelyn, como se soubesse que ela iria perguntar de Alexander. Estava começando a ser tomada pelo desespero e então, numa tarde, Ralph viera a procurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava sentada num banco no jardim, tentando não se alarmar com a situação. Alexander a amava e disse que sempre ficaria com ela, provávelmente ele tivera de viajar. Respirou fundo, sabia que aquilo era uma ilusão, ele jamais sairia do castelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhorita Therton, permita-me...?- Ralph fez um sinal para o lugar ao lado de Madelyn e ela fez um sinal positivo com a cabeça, lhe sorrindo. Finalmente ele se aproximara de bom gosto, talvez fosse um sinal de que fosse lhe dizer algo sobre Alexander.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desejo lhe falar à algum tempo. Sobre uma situação de matrimônio. - Ele falava de maneira desajeitada e então Madelyn sorriu, o fitando nos olhos. Alexander estava pedindo para que Ralph resolvesse os procedimentos para o casamento, e resolveu se manter distante até lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, pode falar! - Ralph lhe sorriu, aparentemente surpreso com sua reação. Foi então que encorajado com os modos de Madelyn, este ergueu-se e em seguida ajoelhou-se na frente da jovem, que por sua vez se recusava a acreditar no que estava acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhorita Madelyn Therton, aceita-se casar comigo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-5803039301455392945?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/5803039301455392945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/5803039301455392945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-7-torre.html' title='Capt 7 - A Torre'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-1352559874218898247</id><published>2009-02-24T22:02:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:05:35.892-08:00</updated><title type='text'>Capt 6 - A Torre</title><content type='html'>Madelyn acabou por agir com normalidade no dia seguinte, limpando a casa e cuidando do jardim, mas sua mente estava distante e a velha Lilly notaria a mudança de comportamento. A mulher se aproximou com olhos sagazes enquanto secava a mão no avental, estavam na cozinha naquele momento e Madelyn a ajudava a cozinhar, cortando os vegetais para o ensopado. Queria fazer uma janta estupenda para o seu anfitrião, queria surpreendê-lo e praticamente assumiu o controle das panelas naquela noite. Claro, precisou da ajuda paciente de Lilly e de um livro de receitas que encontrou na biblioteca. Estava decidida a ser uma cozinheira brilhante, indispensável para a vida daquele homem. Riu sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está diferente hoje, senhorita. Feliz. - Madelyn ergueu os olhos para Lilly que a flagrou rindo, parando de mover a faca naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sou feliz desde que cheguei aqui, senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum. Eu acredito que sim, mas está diferente. - A velha voltou-se de costas, mexendo algo no fogão. - Desde ontem está diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu...Eu realmente, estou muito feliz. Mas...-Sorriu, baixando a cabeça e voltando a cortar em fatias finas os vegetais, um por um.*...isso é um segredo meu. Ao menos por enquanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é preciso ser um gênio para descobrir o que aconteceu. - A mulher a fitou de soslaio, sorrindo de forma maliciosa. Madelyn a fitou de maneira surpresa, temerosa pela ação da criada. Temia que Lilly pudesse estragar o pouco avanço que havia tido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, o que de diferente aconteceu ontem? Além da visita de Ralph. - Riu, chamando o jovem com uma intimidade que surpreendeu Madelyn. Lilly saiu da cozinha, sem dar chances de réplica para a outra. Esta, por sua vez, acabou rindo das conclusões tiradas pela mulher. E talvez realmente fosse útil que Lilly acreditasse que Madelyn estivesse apaixonada pelo tal Ralph, jamais poderia atrapalhá-la com seu querido "anjo". Mas a idéia de ter interesses pelo tal rapaz, deixou-a indignada. Sempre gostara de homens que pareciam com homens, não mulheres em corpos quadrados. Fez uma careta e foi até a panela, jogando os vegetais alí dentro e mexendo com a colher de pau. Lilly retornou em poucos minutos e Madelyn foi direta ao assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhora, levarás o jantar ao senhor do castelo antes de partir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, é o que sempre faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não queres que eu leve? - Madelyn desviou o olhar de Lilly, não queria trair-se. Tinha medo que não encontrasse seu anfitrião e precisava vê-lo. Ansiava por aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, obrigada. - A velha pareceu indignada com a oferta e então ambas jantaram em silêncio. Madelyn, entretanto, não iria desistir tão fácilmente. Lavou a louça assoviando uma canção animada, para manter sua máscara de felicidade por seu "amor" por Ralph. Lilly com aquilo pareceu se esquecer do oferecimento da sua companheira de cozinha e então arrumou a bandeija e esperou alí, até que Madelyn sumisse de sua vista. Notando a intenção da senhora, Madelyn se despediu e rumou para a biblioteca, onde começou a tocar o piano forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com requintes de espiã, ela fechou os olhos e imaginou a subida lenta das pernas cansadas da mulher e quando imaginou que esta estivesse longe da biblioteca, saiu dalí. Apagou algumas das chamas das velas e pé ante pé seguiu Lilly, que partia para o outro lado do castelo. Será que aquele lugar nunca teria fim? Era enorme, e Madelyn esperava um dia poder vê-lo por completo.Lilly havia proibido seu acesso em sua maior parte, o que deixava aquilo tudo ainda mais interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estava se cansando de tanto suspense e de uma longa caminhada, viu que Lilly deixou a bandeija na frente de uma porta e bateu na mesma, saindo no mesmo momento. Madelyn abriu a primeira porta que encontrou e se enfiou alí, colando a orelha na superfície de madeira e ouvindo os passos lentos da senhora. O lugar era completamente escuro e ela sentiu o suave toque de teias de aranha em seus braços. Suportando o asco e o medo, saiu dalí somente quando teve certeza que Lilly desaparecera. Então, fitou a bandeija e se escondeu por trás da escadaria, envolta pela escuridão, esperando que ele logo surgisse. O que não aconteceu. Não soube ao certo quanto tempo ficou alí e pegou-se cochilando. Bocejando, sentiu o estômago roncar e fitou que a bandeija estava alí, intacta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelos anjos dos céus, eu já estou morrendo de fome e ele não comeu nada. - Ergueu-se e seguiu na direção da bandeija e levantou a tampa de metal, fitando o ensopado gelado. O ensopado que fez com tanto carinho e capricho, aquilo era quase uma afronta pessoal. Não que ele soubesse que fora ela, se soubesse que ela fizera aquela comida, certamente iria comer tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sou muito inteligente mesmo. - Tomou a bandeija e desceu, indo até a cozinha e esquentando novamente o ensopado. Desta vez serviu dois pratos e levou dois copos com um suco que ela mesma fizera. Seu pai certamente ficaria orgulhoso com seus progressos, por mais que liderar um fogão não fosse algo à altura de uma lady. Bem, paciência, ele deveria estar acostumado em frustrar suas expectativas com os filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele pensamento a fez parar num dos desgraus, lembrando do pai e sentindo um estranho ardor na face, das lágrimas. Logo lembrou de Gerard e a tristeza que seu pai sentira ao morrer. Havia se decepcionado novamente e morreu de desgosto. Respirando fundo, continuou a caminhar e decidiu deixar aquilo de lado. Gerard teria o que merecia da vida e seu pai não gostaria de vê-la sofrer. Não mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu na direção da porta e bateu duas vezes, esperando com a bandeija. Bateu novamente e nada, a comida já estava começando a esfriar. Cheia de determinação, ela abriu a porta e adentrou, encontrando um aposento de grande requinte. Quadros enormes com motivos alegres, uma cama com um dossel encantador e lençois de seda rubros, cadeiras envoltas de veludo. Um lugar digno de reis e rainhas. Deixou a bandeija por sobre uma mesa pequena que havia alí e abraçou à sí mesma, enquanto caminhava por alí e admirava o requinte e a hostentação que havia no lugar. Não fazia seu gosto, mas era mesmo muito bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor? Eu lhe trouxe comida. Senhor...? - Murmurou de início e ao não receber resposta alguma, cresceu seu tom de voz. Encontrou uma grande janela aberta e o violino por sobre uma cadeira. Sorriu consigo mesma e deslisou a mão pela madeira suave do instrumento, sentindo-se mais próxima do seu "anjo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anj...Digo, senhor! Onde está? - Ficou rubra por traír-se e sentiu-se feliz que ele não tivesse respondido, seria mesmo embaraçoso que ele soubesse que aquela estranha sem refinamento algum lhe amas...Não, não. O admirasse tanto assim. Confortável com a mentida dita à sí mesma, ela continuou a caminhar e encontrou uma grande varanda, que através de muitas árvores, poderia ver a janela do seu próprio aposento. Até que enfim conseguia ver que aquele lugar tinha fim. Foi então que baixou os olhos e viu uma grande escadaria, que descia até o chão e avistou um caminho de pedras que adentrava no meio das árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem pensar duas vezes, ela desceu as escadarias em passos rápidos. Estava envolta daquela excitação de descoberta e do eminente encontro com seu anfitrião. Seguiu o caminho e então descobriu um tipo de casa envolta por vidros, muitos destes quebrados. Respirou fundo e decidiu continuar, deparando-se com uma porta aberta. Mal a abriu, avistou um espelho. Por todo o caminho havia espelhos e ela começou a se sentir incomodada com aquilo. Foi então que num ambiente iluminado, viu-o de costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava pintando. Um quadro enorme de uma mulher sem face. Engoliu seco e então fitou os outros quadros alí, todos da nobreza e de belas mulheres, envoltas em vestimentas belíssimas, em seus corpos esguios. Madelyn voltou a fitar-se no espelho, deparando-se com o cabelo solto rubro e a face sem maquiagem. O vestido apertado e curto nos pés e o avental ao redor da cintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que faz aqui?! - Assustou-se com a voz furiosa e surpresa do homem, que em seguida começava a tentar esconder a face em desespero. Ele virou-se de costas novamente e começou a procurar algo, enquanto chutava as tintas e as mesas, até mesmo o quadro caiu ao chão, felizmente com o lado de madeira para baixo. Ela arregalou os olhos enquanto caminhava para trás, assustada com a reação dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Te dou um lar, comida, proteção! E você é uma idiota que não respeita minha privacidade, minha solidão! - Tornava a falar e Madelyn engoliu seco, foi então que ele parou o ataque de fúria e levou a máscara de madeira contra a face, a prendendo. Com o peito arqueado pela respiração acelerada, ele se voltou para Madelyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jovem havia pensado em fugir, sair daquele castelo e daquele homem que não compreendia seus modos. Mas então pensou que seria mais uma a temê-lo, a sentir-se horripilada com a figura do monstro. Não, ela não tinha medo dele. Ergueu a cabeça e se aproximou, cruzando os braços e o fitando com uma expressão tão descontente quanto a dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Terminou essa mostra de fúria direcionada à mim e a toda a humanidade? Ótimo, tem uma bandeija de comida já fria alí no seu quarto. - Os olhos por trás se arregalaram de leve, desconcertados. Madelyn deu-lhe as costas e começou a caminhar. Então voltou-se para trás e lhe enviou o olhar mais raivoso que possuia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será a terceira vez que a comida que eu fiz com tanto trabalho terá de ser requentada, por sua teimosia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não estou com fome. - Disse ele, tendo sua primeira reação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero saber, vai comer. Ficarei muito ofendida e triste se ver que minha dedicação não significa nada para tí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E não significa mesmo. Acha mesmo que ligo para uma mulher como você? - Ele lhe deu as costas, erguendo o quadro do chão e o colocando por sobre o cavalete, praticamente a ignorando. Madelyn piscou várias vezes, como se tivesse levado um tapa em sua face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ergueu as saias e saiu correndo, para que ele não flagrasse as lágrimas que viriam à cair de seus olhos. Percorreu todo o caminho até chegar ao seu quarto, onde caiu por sobre a cama e desatou a chorar em desespero. Será que jamais teria algo que quisesse? Tudo que desejava era ser feliz, numa vida tranqüila e ao lado dele. Mas isso jamais aconteceria. Naquele momento tomou a decisão de que partiria daquele castelo pela manhã, deixando de lado todas as doces expectativas que tinha em seu coração sofrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;=========== // ===========&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexander fitou o caminho por onde a mulher praticamente saiu correndo, praguejando em seguida e jogando a máscara para longe. Sentia o gosto do arrependimento aos poucos, lembrando da expressão magoada e das lágrimas que brilharam nos olhos da garota. Jogou a máscara contra o chão e se encostou no chão, deslisando até cair sentado e fechou os olhos. Não, ela não tinha culpa. Era uma mulher, provávelmente fazia coisas indignas como toda mulher, mas não merecia aquela raiva direcionada. Ele odiava Tereza, não aquela estranha. Mas ela não deveria ter vindo até alí, se intrometer em sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Protegendo-se naquele pensamento, Alexander voltou para seu quarto e se banhou numa banheira de água fria, que aparentemente já fora quente algumas horas atrás. Jogou-se na cama e fitou o teto, quando seu olhar fora atraído pelo violino e em seguida por uma bandeija. Levantou-se e seguiu na direção da bandeija, onde haviam dois pratos de ensopado e dois copos com suco. Sua atenção fora chamada para uma pequena flor ao lado dos pratos e ele deu um soco contra a mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cretino, eu sou um cretino! Mereço tudo isso que vivo! - Fechou os olhos e arqueou o corpo para baixo, sentindo-se o pior homem do mundo. Ela queria ser sua amiga. Queria ser grata e, como toda jovem, fora imprudente. Ele não poderia julgá-la, era o ser mais imprudente do mundo. Um idiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que...Fazia muito tempo que ninguém lhe tratava bem. Quase dez anos que suas atenções eram apenas da velha Lilly, Peter e de Ralph, que mantinha-se voluntáriamente distante de uma aproximação maior com o irmão. Não sabia ver com bons olhos atos gentis, nunca soubera. Desde sempre foram cheios de segundas intenções e isso permanecia até depois do desastre. Deveria desculpar-se, não queria que ela partisse dalí e sabia que uma mulher como aquela, não ficaria num lugar que sua presença fosse hostilizada. Tomou a bandeija em mãos, pôs o violino por sobre as tampas metálicas e saiu do quarto, seguindo na direção da parte do castelo em que ela ficava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi tomado por uma agradável surpresa, ao ver que tudo estava limpo e iluminado, os poucos móveis brilhavam e as cortinas foram remendadas. Ele era mesmo um idiota! Como pudera compará-la com Tereza, como pudera tratá-la como deveria tratar Tereza? Ela era o oposto de sua ex-noiva. Tereza, naquela situação, se portaria como uma princesa preguiçosa e mimada. Aquela estranha era toda bondade e prestatividade. Enquanto xingava à sí mesmo, adentrou na cozinha e preparou um lanche frio para ambos, com frutas, pão e carne. Temia que ela fosse lhe jogar o ensopado fervente e então preferiu algo que não fosse ferí-lo, caso ela tivesse um ataque de fúria. E era o que ele merecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adentrou ao quarto e a fitou adormecida, caída por sobre a cama com a mesma roupa de antes e em sua face ainda havia a vermelhidão das lágrimas. Cretino, mil vezes cretino. Colocou a bandeija por sobre a cama e trouxe um candelabro para o quarto escuro, iluminando-o. Foi então que começou a tocar uma canção no violino, uma canção cheia de paixão, com a docilidade de um novo amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;============= // ============&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seus sonhos, Madelyn corria de Gerard. Corria em meio á lágrimas e então encontrou o castelo, onde seu anjo ao invés de ajudá-la, a lhe virava as costas e subia as escadarias. Foi então que ouviu ao longe o barulho do violino, numa música tão envolvente e sensual, que seu anjo retornara de supetão e a puxara contra o corpo, fazendo-a dançar com ele. E, milagrosamente, ela sabia dançar. A situação do sonho era tao bizarra que Gerard a fitou ao longe, boquiaberto. Foi então que Madelyn acordou, com um sorriso debochado nos lábios, achando graça do sonho. Então abriu os olhos de supetão e ergueu-se, notando que o som ao violino não era apenas um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor! - Ergueu-se da cama, ao ver o seu "anjo". Ele, por sua vez, não parou de tocar e baixou a cabeça, parecia sorrir por trás da máscara. Ela caminhava para trás e ele a seguia com o violino, até que a acoou entre a parede e seu próprio corpo. Foi então que findou a música, dando um passo para trás e fazendo uma mesura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vim com seu jantar, milady. Estou profundamente envergonhado e estou disposto a fazer tudo pelo seu perdão, tudo. - Ele ergueu-se lentamente, fitando-a nos olhos e parecendo demonstrar um tanto quando inseguro em relação à eminente decisão que Madelyn pudesse tomar. Ela por sua vez se mostrou muito surpresa, deslisando a mão por sobre a face e então seguindo até a cama, onde sentou-se. Alexander se aproximou, levando a bandeija e abrindo a tampa metálica e mostrando a refeição. Madelyn segurou um sorriso ao ver o desastre que lhe fora apresentado, mas sabia que tudo fora feito com a melhor intenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada, senhor. E realmente acho que mereço isso. O senhor não foi nada bom comigo, eu que lhe fiz e desejei apenas o bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei e estou pronto para me redmir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é necessário, partirei pela manhã. - Madelyn desviou o olhar, fitando o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! - Ele tomou a mão dela e a apertou com um certo desespero, o que a fez fitá-lo novamente. - Não vá, por favor, não é necessário. E ainda corre perigo. - Evidentemente blefou, nada sabia da vida de Madelyn e aquele gesto a encheu de ternura em seu olhar. Novamente segurou seu sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, disse que fará tudo para se redimir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. Não voltarei atrás em minha palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn calou-se, enquanto comia em silêncio a refeição que fora trazida para sí. Quando tudo fora findado, se encostou no encosto da cama e o fitou de maneira séria, como se houvesse um plano mirabolante em suamente. Por fim sorriu e ele ergueu-se da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diabos, fale mulher!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pare de praguejar na frente de uma dama! - Retrucou Madelyn, fingindo-se ofendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, é o costume. Alías, nunca fui tão humilde quanto estou sendo esta noite, em toda minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem, nunca é tarde para aprender. - Novamente as palavras ácidas e voluntariosas de Madelyn o surpreenderam, jamais alguém o tratava assim, de igual para igual. Nunca. Fitou-a por trás da máscara e então se afastou na direção da janela, querendo fugir daqueles sentimentos estranhos que lhe atormentavam a alma e o coração. Madelyn, por sua vez, se erguera e se aproximara dele. Tocou-lhe o ombro e o fez virar-se, erguendo os olhos e o encarando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu pai disse que um dia eu seria uma princesa, nem se fosse por um dia. E me iludiu durante toda a minha vida, até que este sonho tolo fez parte de mim. Então, o que deve fazer é que eu tenha uma noite digna de uma princesa dos contos infantis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que diab...- O homem novamente arregalou os olhos por trás da máscara e Madelyn bateu os pés, sabia que com ele as coisas eram decididas nos gritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Shhhh! Fique calado! O senhor prometeu e se não cumprir, partirei achando que conheci o homem mais indigno da face da terra. - Se afastou, mantendo o maior drama possível. A verdade era que gargalhava intimamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que quer que eu faça? - Sensibilizado por sua "tristeza", Alexander se aproximou e a fitou um tanto quanto sem jeito, como um garoto que não sabia como agir na frente de uma mulher. Madelyn o fitou nos olhos e então sorriu, um sorriso tímido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me surpreenda. Terá uma semana. - Ele desviou o olhar e então estralou os dedos de maneira nervosa, era rude demais para parecer um príncipe. Mulher louca!, pensou consigo mesmo. Foi então que cometeu o erro de fitá-la e encontrar aqueles olhos tão cheios de esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E até lá podemos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não nos encontraremos. Em sete dias, quero ter a noite de uma princesa. Agora estou cansada, preciso dormir. - Pulou da cama e seguiu até a porta, a abrindo. Alexander saia resignado, quando empurrou a porta que já se fechava e a fitou, a fitou de maneira que fez com que o coração de Madelyn batesse mais rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, qual seu nome...? Não fomos apresentados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Madelyn Therton. E o senhor...? - Saberia o nome do seu anjo e seu coração bateu ainda mais acelerado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alexander Dragear. - Ela sorriu, fazendo uma mesura simples. O homem baixou a cabeça e partiu, deixando-a praticamente sem ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexander Dragear. Trocou sua roupa enquanto murmurava aquele nome baixinho, pensando em como em questão de minutos saíra de um inferno astral para um paraíso particular. Quando, por fim, enfiou-se por de baixo das cobertas ouviu uma batida em sua porta. Sabendo quem era, saltou e entrebriu a porta, o bastante apenas para que pudesse fitá-lo. Alexander estava com a mesma roupa e parecia angustiado com a tarefa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sou um príncipe. Sou um troglodita, tenho um corpo enorme, não sou esguio como um principe. Eu carrego peso, não caço passaros com uma cartola na cabeça. E ainda, para completar, tenho a feição mais feia que este mundo possui. Isso não dará certo, Srta. Therton. - Ele enquanto falava, segurava a porta com força, esbranquiçando as pontas de seus dedos. Madelyn por sua vez sorriu, achando graça da aflição dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero nada disso. Sempre achei príncipes enfadonhos, o que me encantava era o conto de fadas. O senhor fará tudo ainda melhor. Tudo mais perfeito. - O fitou nos olhos e então notou que seu tom não era azul, como antes concluíra, mas sim verdes. O verde mais belo que vira em sua vida. Sentindo-se sem jeito, baixou os olhos e então riu. - E, também, não sou uma princesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sorte delas. Das princesas. - Murmurou Alexander, que já se afastava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que diz isso? - Abriu mais a porta, o fitando com atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A concorrência seria desleal, milady. - Fez uma mesura e continuou a caminhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?! - Madelyn se sentiu insultada e começou a achar que o encanto era apenas unilateral. Foi então que ele, ao longe, gritou e fez sua voz escoar pelo castelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem desejaria qualquer princesa deste mundo tendo a tí? - Ele então partiu, deixando-a alí, boquiaberta e sendo sufocada por uma alegria imensa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-1352559874218898247?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/1352559874218898247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/1352559874218898247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-6-torre.html' title='Capt 6 - A Torre'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-3776457477400856234</id><published>2009-02-24T22:01:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:02:45.239-08:00</updated><title type='text'>Capt 5 - A Torre</title><content type='html'>Os dias se seguiram numa rotina agradável. Aos poucos fora melhorando, curando seus ferimentos e recuperando a agilidade de sua perna. A biblioteca já estava impecável, e Madelyn encheu-se de orgulho ao notar o trabalho terminado. Afinal, se passaram dois meses. Lilly a tratava com uma intimidade distante, como se estivesse a alertando que logo deveria partir. Mas Madelyn parecia postergar a realidade, não queria partir dali. Se sentia segura naquele castelo, com aquele relacionamento distante com o "anjo".&lt;br /&gt;Sim, considerava que havia um relacionamento entre eles. Começara a tocar piano, enquanto ainda arrumava a biblioteca. Durante as noites e madrugadas, ouvia a mesma música que tocava no piano soar pelos acordes do violino. Ele a respondia, a insentivava. O começo fora difícil, mas acreditava estar progredindo diáriamente com seus estudos autodidatas. Depois da terceira semana de tentativas, encontrou sobre o piano uma partitura de musicas mais fáceis, para seu treino inicial. Sentiu-se emocionada, fora alí que pudera confirmar que havia uma sintonia entre ambos.&lt;br /&gt;Durante as noites, ela o respeitava. Jantava e subia para o seu quarto, esperando o começo do soar da música. Na quinta semana, começou a limpar as escadarias e o grande salão, o que não fora muito difícil já que haviam poucos móveis e tapetes. Quando o trabalho fora findado, decidira agraciar seu anfitrião com velas, que percorriam o salão e as escadarias. As vezes fitava o lugar antes de se deitar, elevada em seus pensamentos, flagrando-se em sonhos com o tal anjo. Ela em seus braços, ao som do violino que aprendera a amar, dançando com este. Não sabia se era carência ou desespero, mas considerava-se sériamente comprometida com o dono daquele castelo. Em meio à aqueles pensamentos sorria enquanto limpava o jardim, arrancando alguns capins, quando foi surpreendida com uma voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veja só, ele a acolheu... - Assustada, ela se pôs em pé e fitou o homem. De prontidão o reconheceu, era o homem que lhe deixou alí na fatídica noite que chegara ao castelo. Fez uma mesura desajeitava, jamais soubera se portar com as pessoas da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde, senhor. - Sorriu de maneira polida, sem saber o que esperar dele. Ele fitou as vestimentas pequenas e apertadas em Madelyn e sorriu, de maneira afetada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vim ver o seu anfitrião... Sabe onde posso encontrá-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, sinto muito, eu... Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem imaginei, não convive com ele. *Ajeitou a cartola na cabeça e deu de ombros, dando-lhe as costas e seguindo na direção de dentro do castelo. - Não me siga, senhorita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não iria seguí-lo mesmo! - Disse num tom alto e então recebeu um olhar de censura vindo de Lilly, o que a fez sentir mais raiva ainda. Sabia que não devia se portar assim, mas não conseguia aguentar homens como aquele, como Gerard e Antoine.&lt;br /&gt;A tarde se passou, e aos poucos a curiosidade de Madelym foi sufocada. Terminou mais uma parte do jardim e limpou a ante-sala, a parte de baixo do castelo já estava completamente limpa. Seus próximos passos eram trocar as cortinas e... Bem, deveria parar de fazer planos. Não sabia até quando sua estada alí seria permitida. Triste com aquela idéia, ela banhou-se rapidamente e trocou de roupa, seguindo para a cozinha e jantando sozinha. Após isso, iluminou todo o andar de baixo do castelo com as velas e seguiu para a biblioteca, iniciando novamente seus estudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estava tocando a quase uma hora, iniciou o canto. Em questão de minutos, sentiu um olhar a tocando com atrevimento e se voltou para a porta, flagrando o tal homem que vira mais cedo. Forçou um sorriso e se pôs em pé, fazendo uma mesura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Findou seus negócios, senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. Mas não queria interromper sua música, estava agradável de se ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já estava terminando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É a música favorita dele, não? - Se aproximou do piano, deslisando a mão sobre a superfície de madeira polida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei. Eu gosto dela e sinto que ele gosta também. - Fitou o rapaz e naquele momento sentiu um olhar mais suave vindo da direção do mesmo. Ele sorriu e então se afastou, lhe dando as costas novamente. Parecia tomado pelo escárnio, pela revolta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, senhorita. Aproveite o quanto pode. Sabe como é, rei morto...- Calou-se, saindo da biblioteca enquanto deixava Madelyn assustada. Rei morto? Seu anjo estava...Doente? Sentiu um tremor tomar seu corpo, uma agonia tão grande que não sabia como agir. Nervosa, arrumou a biblioteca e seguiu para seu quarto. Em questão de minutos, estaria deitada em meio aos lençóis limpos e esperando que começasse a música. Mas ela não começou.&lt;br /&gt;Durante uma semana a música não começaria, o que deixaria Madelyn realmente preocupada. Lilly agia com normalidade em sua rotina, mas sua expressão era sempre taciturna ou triste. As partituras não foram mais trocadas, Madelyn já não sabia qual música ele queria ouvir. Era como se ele houvesse sumido, como se sua presença fosse a de um fantasma, que fora tragado para a eternidade. Foi então que ao deitar-se, já acostumada com o silêncio, pode ouvir o barulho estranho de coisas sendo quebradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem perder tempo em sentir medo ou pensar demais, saltou da cama e seguiu na direção do barulho, subindo as escadarias em direção á torre. Seu coração batia mais rápido e sabia que estava próxima de encontrá-lo, encontrar seu anjo. Correu o mais rápido que o silêncio de seus passos poderia aguentar e então, ao contrário do que imaginava, o barulho vinha de um quarto e não da torre. Empurrou a porta lentamente enquanto segurava o ar preso em seu peito, tentando não fazer som algum. Não queria delatar-se, não ainda. Não sem ver seu anjo. E alí estava ele.&lt;br /&gt;Costas másculas estavam viradas para Madelyn e ele chutava móveis, fazendo a madeira quebrar-se com aquele ato com facilidade, deixando clara a força que havia em seus músculos. O quarto estava virado em uma bagunça, móveis quebrados, assim como quadros e livros caídos ao chão. Por fim o homem se aproximou da varanda e se apoiou na murada, baixando a cabeça e recuperando seu ar. Madelyn tinha seu coração batendo descompassado e se aproximava lentamente, atravessando todas aquelas coisas sem fazer barulho algum. Não era uma mulher delicada, mas a vontade de se aproximar daquele homem era tão forte que parecia tomar seus pés por uma mágica. Quando se postou atrás do mesmo, estendeu sua mão na direção das costas dele e então hesitou, sem saber como agir. Era tão misterioso. Para ela, um anjo. Para os demais, um demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vim saber se... - Ao ouvir a voz feminina, o homem se voltou rapidamente, num susto. A fitou com aqueles olhos azuis grandes e então gritou, se escondendo por entre a escuridão novamente. Madelyn não pudera ver direito a face do homem, só perdeu-se naquelas íris claras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como ousa, mulher?! Como ousa invadir meu espaço?! - O homem praticamente urrava, enquanto procurava algo em meio à aquela bagunça. Foi então que surgiu da escuridão com uma máscara de madeira rústica, a fitando por buracos mal feitos que lhe davam uma aparência macabra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe-me, senhor. - Madelyn ergueria o queixo, decidida a mostrar-se corajosa. Todos naquela região o temiam, e com razão. Mas ela o ama...Ela o queria muito bem e iria se mostrar diferente dos demais. Sabia que sua face escondia algo, temia que fosse alguma maldição como os outros diziam. Mas tal maldição não seria permitida para alguém tão doce como ele. Sorrindo intimamente, ela o fitou nos olhos e manteve a expressão confiante. - Desejo apenas saber se está bem. Ouvi barulhos e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...presumiu que alguém tivesse vindo matar o monstro, senhorita? - A voz grossa e distorcida pela máscara vinha cheia de ironia, típica ação de uma pessoa ferida. Ferida em sua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, senhor. Presumi que estivesse desejando trocar alguns móveis e estivesse descartando os antigos. - Tratou de assumir a tática que usava com o irmão: responderia com uma displicente ironia. Ao contrário de Gerard e surpreendendo Madelyn, o homem pareceu sorrir por trás da máscara. Ela sentiu que ele sorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhorita está enganada. Estava apenas botando meus sentimentos para fora. - Parecia desejar assumir a calma de Madelyn naquele momento, controlando-se visívelmente. De maneira desajeitada, tentava se portar como um esguio lorde da moda, o que era difícil para um homem musculoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senti falta de sua música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... - O homem pareceu desconcertado com aquilo, como se não soubesse à muito tempo o que era receber uma palavra gentil de alguém. Por fim seguiu na direção da porta, feito um furacão, gritando. - É melhor ir dormir, senhorita. Já invadiu demais o que não devia por uma noite!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn sorriu consigo mesma, saindo dalí rapidamente enquanto escutava os passos rudes do homem e os bruscos fechares de portas. Seguiu para seu próprio quarto e se jogou na cama, encobrindo-se e fitando o teto. Não sentia medo dele, ela era diferente dos demais. Não o temia, não queria seu mal. Sorriu consigo mesma, como se sentisse que encontrara algo que era seu naquela noite. Se sentia em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu ainda... - Antes que terminasse aquelas palavras, pode ouvir um som fino e distante de um violino, que parecia tão feliz quanto ela de fazer soar sua música depois de tanto tempo. Novamente sorriu e então fechou os olhos, decidida que amanhã seria diferente. Seria bem melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;=== // ===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que custasse admitir, Alexander que tinha seu pulso acelerado naquele momento. Encostou-se na porta de seu quarto enquanto lembrava de tudo que acontecera naqueles últimos momentos. Fechou os olhos enquanto arrancava aquela máscara de madeira pavorosa de sua face. Foi então que a tomou em mãos e a fitou, lembrando que não era tão pavorosa quanto sua imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maldição... - Murmurou, enquanto despia-se e então sentou-se na cama, com a cabeça entre as mãos. Não podia, não deveria apegar-se novamente numa mulher. Por mais doce que o olhar daquela jovem lhe soasse, por maior a bondade que apresentasse em seus atos, era uma mulher. Era como as outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tereza. Aquele nome ecoou em sua mente e então Alexander praguejou, enquanto jogava seu corpo nu para trás e sentia a suave textura dos lençóis o envolvendo. Ela fora sua noiva e jurara-lhe amor eterno. Até que o viu após a trajédia. Nunca esqueceria o brilho de terror em sua face, nem o modo como o tratara depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais esqueceria o modo como seu coração fora partido. E não deixaria que aquela estranha o fizesse novamente. Afinal, era uma desconhecida tão sem refinamento e sem modos, jamais poderia gostar de uma mulher assim, afinal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riu de sí mesmo, uma risada amarga. Ainda agia como se fosse o herdeiro de um título importante, como se a sociedade o amasse como antigamente. Grande erro. Julgava a pobre jovem como os outros o julgavam agora, era mesmo um homem desprezível. Mas aquela reflexão não o fazia mudar de opinião à respeito das mulheres e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diabos!- Contrariando todas suas convicções e discursos para sí mesmo, Alexander viu-se na varanda, tocando uma canção no violino e esperando ardentemente que aquela fosse a trilha para o sono tranqüilo daquela estranha que entrara como um furacão em sua vida. Como uma agradável magia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-3776457477400856234?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/3776457477400856234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/3776457477400856234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-5-torre.html' title='Capt 5 - A Torre'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-8425445639470432601</id><published>2009-02-24T21:59:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T22:01:02.843-08:00</updated><title type='text'>Capt 4 - A Torre</title><content type='html'>- Maldita! É ela alí! - Praguejou um homem, enquanto saía da carruagem parada. Todos os homens desceram e trocavam olhares hesitantes entre sí, sem saberem como agir. Eram homens de pouca moral e muito vício em drogas e bebidas, foram enviados para trazer a mulher de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não vou buscá-la. - Disse um deles, cruzando os braços e evitando fitar o castelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sejam tolos, realmente acreditam que aquele homem tem um demônio no corpo?! - Voltou a falar o líder do grupo, exaltado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um, não. Cinco! - Disse o mais jovem, que já adentrava na carruagem. O líder desembainhou uma espada e começou a seguir a jovem, destemido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem quiser uma boa quantia em dinheiro, me siga! Nem o demônio poderá me deixar longe daquela fortuna.- Riu baixinho, enquanto caminhava rapidamente na direção da jovem. Pode ver o quão debilitada ela estava e como ela era bonita. Não tinha uma mulher à tanto tempo! Sentiu seu corpo responder por aquele pensamento, mas lembrou das instruções de Gerard Therton. Ela deveria voltar viva e imaculada. Era mesmo uma pena, pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Venham! - Fez um sinal para que os outros o seguissem. Três tiveram coragem de seguí-lo e ele riu por dentro, ótimo! Menos pessoas para dividirem com ele sua fortuna.&lt;br /&gt;Foi então que viu a jovem cair num dos degraus e ele gargalhou alto, nunca ganharia um dinheiro tão fácil em toda sua vida. Começou a correr em sua direção, quando avistou uma figura que surgiu entre a grande porta do castelo. Parou sua corrida, fazendo um sinal para os demais. Era um homem alto, com trajes negros e bem apanhados, porém de visível uso avançado. Não usava capa ou paletó, apenas a camisa branca e a calça negra, com as botas que envolviam seus pés. Na face, um tipo de máscara rústica ,em madeira, cobria-lhe praticamente toda a face, deixando apenas o lado do olho direito e sua face e testa à mostra. Caminhava de maneira lenta, porém vigorosa e então os fitou, em seguida observando a jovem que lhe dizia algo. Se baixou e tocou-lhe os cabelos, antes que essa caísse em inconsciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais fora um homem de rezar, mas naquele momento sentiu um calafrio percorrer seu peito. O homem desceu as escadarias com passos firmes e decididos, e a cada momento que se aproximava podia ver o quão forte e preparado fisicamente era. Um dos homens começou a correr, voltando. O outro caminhava lentamente para trás, sem saber como agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saiam daqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritou a voz do homem, que desembainhara uma espada e cortava de maneira violenta a vegetação que atrapalhava seu caminho. Sua voz era grossa e máscula, parecia mesmo ser um criado do demônio. Talvez fosse pior que este. De maneira desajeitada, desembainhou sua pistola e apontou para o homem, que rapidamente saltou em sua direção e lhe golpeou com a espada na mão, fazendo a pistola voar longe. Com a mão ferida e sentindo muita dor, ele gemeu. Foi então que o "endemoniado" lhe puxou com força pelo colarinho, erguendo-o para cima, aproximando de sua face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Geme de dor, não é mesmo seu maldito?! Mas não pensaram duas vezes em ferir a mulher! - Suas palavras eram ditas num tom baixo e cheio de ódio, e o homem temeu que ele fosse escolhido para algum tipo de ritual. Fitou os olhos claros e neles viu refletidos sua imagem, apesar da escuridão da noite. Ao longe, pode escutar as carruagens partindo. Estava alí, á sós com o demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E-eu... Misericórdia, senhor! - Gritou, sentindo que naquele momento perdia o controle. Suas calças estavam molhadas e o homem o jogou longe, evidentemente enojado com aquela ação e com a conduta tão medrosa e covarde do mesmo. Estendeu a espada na direção da garganta do outro, fazendo-o fechar os olhos e tremer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dirás que a mulher morreu e que os lobos a levaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Si...sim! Claro! Mas deixe-me ir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabes o que faço com traidores e mentirosos? - Disse lentamente, enquanto se baixava na direção do mesmo e fincava a espada no chão. Este fez um sinal positivo com a cabeça, suando frio. O homem se ergueu, trazendo a espada consigo e a embainhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Suma, verme. Nunca mais quero ver sua cara estúpida na minha frente. - Deu-lhe as costas, enquanto ouvia o homem correr feito desesperado para fora de sua propriedade. Foi então que fitou a jovem alí, caída ao chão e se aproximou rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se aproximou e a tomou no colo, fitando-lhe a face suja e inchada das lágrimas. O vestido branco já fora maculado pela terra e pelo sangue, havia sido baleada. A vegetação a arranhara e castigara, e flagrou-se trêmulo de raiva novamente. Adentrou ao casarão escuro, iluminado apenas pela lua, e começou a subir as escadarias lentamente, sem desgrudar seus olhos da face da mulher. Foi então que esta abriu os olhos e o fitou de maneira desnorteada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anjo... Você me salvou. - Ela murmurou, sorrindo e então caíndo em inconsciência novamente. O homem chutou a porta do aposento e fitou a cama e em seguida a mulher. Deitou-a alí e então a abraçou, soltando-a em seguida e a cobrindo, saindo de lá rapidamente. Estava fugindo de seus demônios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------ === -------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn abriu os olhos e sentou-se na cama, como num susto. Sentiu a claridade do dia ferir-lhe a visão e então a noite anterior passou por sua mente num vislumbre e a última coisa que pode lembrar foi daquele par de olhos a fitando. Seu anjo. Observou o lugar que estava com atenção, era um quarto com certo requinte, porém móveis vazios e aparentemente sem uso. Em seu corpo, uma camisola de algodão rósea e cheirando mofo, o que estranhou. Ergueu-se e seguiu na direção da janela, abrindo-a e fitando o sol que nascia tímidamente naquela manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, despertou minha senhorita! - Ela ouviu uma voz feminina soar e se voltou, fitando uma velha senhora que adentrava com uma bandeija. Não vestia trajes de criada e a tratava com uma simplicidade cheia de intimidade, como se fossem amigas. Madelyn sorriu e sentou-se na cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. Por quanto tempo dormi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Três dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Três dias?! Céus... - Murmurou, enquanto levava uma maçã aos lábios e a mordia, faminta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chegou num estado péssimo aqui. - Falou a senhora, que a observava em pé com uma expressão satisfeita na face enrugada e bondosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como cheguei...? Desculpe, eu não consigo lembrar. - Madelyn sorriu, embaraçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, nosso amo a encontrou ferida. Não sei de detalhes. Cheguei aqui pela manhã e a encontrei na cama, suja e desmaiada. Depois encontrei um bilhete com instruções do amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amo? Oh... O anjo. - Sorriu novamente, voltando a morder a maçã. Seu coração bateu mais rápido ao lembrar do par de olhos azuis, ou verdes, que a fitaram naquela noite. Sim, ele a salvara. Sentiu seu coração se aquecer, jamais ninguém a cuidara naquela vida, além de seu pai. Mas aquele era um segredo que ela guardaria para sí, como um tesouro. Seu tesouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anjo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esqueça, acho que ainda estou sob efeito da dor. - Riu, erguendo-se e seguindo na direção da janela. Queria esconder suas expressões faciais da velha mulher. - Diga-me, quando poderei encontrar seu amo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum, ele só é encontrado quando quer. Eu não o vejo a muito tempo. - Disse de maneira casual, enquanto recolhia a bandeija. Madelyn voltou-se, surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas ele não está aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém sabe onde ele está, senhorita....?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Therton. Madelyn Therton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prazer, Lilly Smith. - Sorriu a velha senhora, que seguia na direção da porta. - Encontrará roupas naquele baú, as lavei e sequei enquanto estava desmaiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada, Lilly. E... Diga-me, o que posso fazer enquanto estiver aqui? - Sorriu, tentando esconder a ansiedade. A velha senhora pareceu hesitante, pensando consigo mesma. Por fim sorriu e deu de ombros, saindo do quarto e falando às costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode limpar o castelo, senhorita. Uma ajuda sempre é de bom gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn viu-se só naquele aposento e caiu na cama, estranhando tudo aquilo. Uma governanta que não via seu mestre a muito tempo? Mas a própria Madelyn o viu ontem! Ergueu-se e rapidamente vestiu um vestido que encontrara alí. Ficou apertado e curto, a dona era mais magra e baixa que ela. Deu de ombros, ainda bem que "o anjo" não estava alí para ver aquele desastre estético. Riu consigo mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão afoita estava, que ao sair do quarto pode sentir a primeira fisgada de dor. Seu joelho! Estava torcido e sua perna ferida. Praguejou e lembrou de seu pai, ele a censuraria pois jamais uma dama se portaria assim, como um marujo beberrão.&lt;br /&gt;Apoiando-se na parede, pode caminhar pelo castelo com passos lentos. Era um lugar enorme e ao mesmo tempo triste. Evidentemente teve sua glória anos atrás, agora era um lugar vazio e fechado, escondido em meio às sombras do próprio esquecimento. Seguiu na direção das cortinas velhas e as abriu, deixando a luminosidade atingir o lugar. Era evidente que Lilly Smith era a única que cuidava daquele lugar enorme e isto chocou Madelyn. Uma senhora idosa jamais conseguiria dar conta daquilo tudo. Deslumbrou-se com todo o casarão, imaginando quem vivera alí e as festas que um dia, certamente, haviam acontecido naqueles salões.&lt;br /&gt;Foi então que lembrou da torre, que via atráves da cela da prisão. Sorrindo de forma maltreira, ela seguiu para fora do castelo e começou a atravessar o pequeno jardim descuidado, seguindo na direção da tal torre. Estava realmente feliz com aquela nova aventura e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não deveria entrar aí, senhorita. - Disse Lilly, que se aproximava rapidamente e falava de maneira apressada, tendo as faces tingidas de rubro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu só...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, senhorita. Não deves. - Suas palavras foram ditas de maneira tão forte que Madelyn jamais sonharia em retrucar, alías...Ela era uma convidada alí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga-me, Lilly. É a única que vem aqui? Além de seu amo, claro. - Se aproximou da velha senhora, que parecia esquiva a qualquer aproximação ou indagação de Madelyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, temos o velho Peter, ele cuida de alguns negócios para o meu amo. E das compras também. - Sorriu, enquanto voltava a caminhar, evidentemente fugindo da curiosa senhorita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E vives aqui, Lilly?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Antes do anoitecer estou partindo. - Parecia já perder a paciência, o que não assustou Madelyn de forma alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu? Ficarei aqui só?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. E aconselho que não saia de seu aposento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhorita. - Parou a velha senhora, fitando-a de maneira séria. - És uma convidada aqui, e sabes bem que tem uma dívida grande com meu amo. Então sugiro que siga as regras e seja mais discreta possível, até que possa partir daqui para sempre. Durante os dias, me ajude ou leia um livro. Durante às noites, leia ou durma. Está entendido ou tem mais alguma dúvida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. - Murmurou Madelyn, um pouco embaraçada com a reprimenda que levara de Lilly. Esta por sua vez se aproximou e a tocou nos ombros, sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então nos daremos bem, se agires assim. Enquanto estiver ferida, aconselho que fique na biblioteca. Depois disso, poderá me ajudar, até o dia em que partirá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com aquelas palavras ecoando pelo jardim, Lilly partiu. Madelyn abraçou à sí mesma, tudo que queria era não sair dalí. Aquele castelo macabro era seu recanto de paz, alí estava protegida. Por mais misteriosa que fosse a figura do tal "amo", ela sabia que ele jamais lhe faria algum mal. Desde que vira seus olhos, soubera que ele seria bom para ela. E não faria nada que pudesse tirá-la dalí, nada que pudesse tirá-la de perto de seu "anjo". Sorriu consigo mesma, estava enamorada por aquela situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrou uma biblioteca grande e cheia de poeira, o que a fez ter um ataque de espirros que pareciam jamais acabar. Teve de sair dalí e retornar com a face tampada com um lenço, se aproximando do lugar e deslumbrando-se com um piano forte no meio de toda aquela bagunça. Deslisou os dedos pela camada de sujeira e então fitou os livros, decidindo que aquele lugar seria o primeiro a ser limpo. E naquela tarde começou o trabalho, apesar das dores que sentia. Eventualmente, sentava-se para descansar e lembrava de seu pai. Ele amaria aquele lugar, amaria aquele piano. Foi naquele momento que Madelyn decidiu, em homenagem ao seu amado pai, começar a tocar piano. E a aprender ao menos duas línguas. Seria uma lady, como o pai sempre sonhara e ele estaria orgulhoso, onde quer que estivesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia se passou tão rápido e a noite caiu, que Madelyn se viu na escuridão.&lt;br /&gt;Saindo da biblioteca, encontrou alguns poucos castiçais que iluminavam o local e tomou um em mãos, seguindo na direção da cozinha e encontrando um prato de comida com um papel com sua inicial na frente. Sentindo-se grata com o gesto de Lilly, comeu sem parar. Quando viu o prato vazio, tomou o castiçal em mãos e então voltou a seguir até a biblioteca. Foi então que ouviu passos e sentiu seu coração bater mais rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h3 class="smller" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=9446814812359691894"&gt;๑ Cristinα&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt; &lt;div class="para"&gt; Lilly havia dito para se esconder e foi isso que fez, o mais rápido possível. Seguiu na direção de seu quarto e se trancou alí, trazendo um livro consigo. Trocou o vestido pela camisola e se enfiou por debaixo das cobertas, enquanto lembrava das palavras de Elisa. Dizia que naquele castelo vivia um homem dominado por cinco demônios...Ou seriam seis? Enquanto estava envolta por aquele devaneio, pode escutar o som de um violino acabando com o silêncio sepulcral que envolvia o castelo. Fechou os olhos e sentiu um tremor tomar seu corpo. Ela estava alí, sozinha num castelo abandonado com um homem tão misterioso e tão envolto de dúvidas e supertições, que ela flagrou-se temerosa. Mas não tinha medo dele, e sim de sí mesma. Tinha medo de não poder deleitar-se com aquilo para sempre. Tinha medo de tudo aquilo ser um sonho e que fosse acordar ao lado de Gerard. Com aquele pensamento, escondeu a face com o cobertou e fez uma prece, enquanto ouvia a triste canção no violino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, anjo. - Murmurou enquanto pegava no sono. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-8425445639470432601?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/8425445639470432601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/8425445639470432601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-4-torre.html' title='Capt 4 - A Torre'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-1718844213134778281</id><published>2009-02-24T21:58:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:59:06.947-08:00</updated><title type='text'>Capt 3 - A Torre</title><content type='html'>Madelyn voltou seus olhos para Thomas, um homem de aparência desleixada e poucos cabelos e em seguida a Antoine. Este, por sua vez, era a imagem do requinte. Seu exagero com os cuidados com a imagem faziam-no parecer até mesmo um tanto quanto afeminado. Mas aprendera com Gerard que não poderia jamais julgar alguém pela aparência. Quem conhecia seu irmão, à primeira vista, o achava um homem delicado e bem apanhado, agradável de se conviver. Grande ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que erro, mademoiselle... Ouvir a conversa dos outros. - Sorriu Antoine, que se aproximou e deslisou o dedo por sobre a volta da face de Madelyn. Ela engoliu seco, parecia que sua vida ficava pior a cada segundo. Thomas a puxou com força pelos cabelos e ela gritou, sendo calada pela mão suja do mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cala-te, vagabunda! Cometeu mesmo um grande erro, e agora terás que pagar. - A jogou no chão, desembainhando sua pistola e apontando para Madelyn. Ela fechou os olhos e começou a fazer uma prece rápida, desastrosa e cheia de arrependimentos e dúvidas. Foi então que a porta se abriu, e uma voz masculina disse de maneira exaltada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ralph está aqui! Está vindo para cá! Veio com ordens de Alexander! - O homem saiu dalí, deixando a porta aberta. Antoine, por sua vez, saiu rapidamente dalí. Madelyn abriu os olhos e fitou Thomas, que parecia realmente temer o tal Alexander. Sua testa suava e seus finos e escassos cabelos colavam às têmporas. Aproveitando o temor do homem, Madelyn chutou-lhe a virilha, aproveitando que estava caída ao chão, e enquanto o ouvia praguejar ergueu-se e saiu correndo, sem antes levar um tiro de raspão no tornozelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exaltação alí era geral, mas Madelyn não temia o tal Alexander como os demais. Sequer sabia quem era, afinal. Respirando fundo, continuou a correr de modo exasperado, deixando de lado aqueles pensamentos e tentanto suportar a dor que sentia. A camisola branca havia sido maculada pelo sangue rubro, que "subia" pelo tecido como uma praga. Madelyn já estava se cansando, quando ouviu a voz do irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ao diabos, Ralph, ele não é Alexander! Encontrem Madelyn já!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava suada e ferida, não tinha mais forças. Mas naquele momento, teve de tirá-la de suas entranhas. E foi assim que, desviando de muitos criados e fugindo de homens que a perseguiam, conseguiu sair do casarão pulando de uma janela. Acabara por torcer o pé no salto e teve de sufocar seu grito de dor. Sua visão estava turva pelas lágrimas e pela dor, praticamente não conseguia se mover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alí está ela! - Gritou uma criada da janela. Madelyn respirou fundo, tentando-se erguer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus, me ajude! Pai, de onde estiver, me ajude por favor! - Disse em meio ao seu desespero. Sabia que seu destino seria triste e findaria numa morte vã, naquela mesma noite.&lt;br /&gt;Fitou a lua que iluminava o castelo, e em especial aquela torre tão macabra. Foi então que ouviu a aproximação de um valete de uma carruagem. Sem saber como se portar ou raciocinar, seguiu seu coração. O mais rápido que pode adentrou na porta contrária da carruagem, praticamente desabando no banco de veludo vermelho vinho. Se jogou no "chão" que havia entre os bancos, ouvindo a voz dos valetes ao longe. Tudo parecia uma trilha macabra de sua dor e de seu medo. Sua visão estava turva, não conseguia mais entender as imagens ao seu redor, só sentia um cheiro de tabaco forte e o tato do veludo macio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos sair daqui, Bartolomeu. - Disse uma voz máscula firme, um tanto quanto nervosa. A porta fora aberta de supetão e o homem adentrou, ainda fitando o casarão. Madelyn viu o corpo alto envolto em roupas requintadas, sua visão era borrada. Tremeu. Sentiu a carruagem se mover a apertou com força o veludo vermelho entre os dedos, não sabia com quem estava partindo.&lt;br /&gt;Foi então que a cabeça do homem se moveu e ela pode sentir a força daquele olhar em seu corpo, mesmo sem conseguir vê-lo. Ele apertou com força a mão de contra a janela, gritando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parem a carroagem! - Sua voz era grossa e tão máscula que fazia Madelyn sentir calafrios, temê-lo ainda mais. Sentiu a carruagem parar e a gritaria do valete. O desespero começou a tomá-la novamente e de seus olhos, lágrimas desesperadas surgiram. Se aproximou do homem, por mais que o temesse, tocando suas pernas e o fitando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, senhor! Não deixe que me levem, não deixe que me encontrem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, sairás daqui agora! Já! Não quero problemas! - A porta foi aberta e Madelyn sentiu o vento frio da noite a chamando e, naquele momento, abraçou as pernas do desconhecido e caiu em pranto desesperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então me mate, me mate senhor! Mas não deixe que eles me encontrem... - Sua atitude servil surpreendeu até a sí mesma, mas não queria voltar para aquele casarão. Não queria voltar para Gerard e pela morte pela pistola de Thomas e Antoine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um momento de silêncio se passou e ela então pode ouvir uma conversa distante entre o valete e o tal homem sem face. Ela tentou controlar as lágrimas naquele momento, erguendo-se do chão de maneira desastrada, como um bebê que aprendia a andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela deve ter entrado aí quando estávamos na propriedade de Gerard Therton, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isto é óbvio! Mas... - Foi então que ouviu o barulho de patas de cavalos, certamente estavam vindo pelo menos duas carruagens na direção deles. O homem fitou Madelyn, que suplicou em silêncio uma última vez. Foi então que ele adentrou na carruagem e disse num tom alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos, vamos rápido para casa! - Madelyn pode fitar apenas dois castanhos claros fixados nela, extremamente desgosotos. Naquele momento pode fitar com calma a face do homem. Era jovem, de aproximados 25 anos e uma expressão temerosa na face. Sentiu-se grata por este.&lt;br /&gt;A carruagem voltou a correr e ela sorriu para o rapaz, que não a correspondeu. Fazia-a lembrar Antoine, com suas maneiras afetadas. Não sabia o quanto percorreram, só ouvia o praguejar nervoso do jovem e pode notar que este também temia pelas conseqüências daquilo. Foi então que ele a fitou e sorriu, um sorriso confiante e tolo, que a fez temer pela idéia que evidentemente ele teve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bartolomeu, mudança de planos! Vamos para Wildenthorn. - Riu baixinho e então fitou Madelyn, enquanto deslisava as mãos pelas pernas, como se limpando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha cara, eu lhe dei apenas uma carona. A partir dalí, deverás lutar por sí mesma. - Piscou com um dos olhos e Madelyn sentiu a virada da carruagem brusca e notou que adentravam numa floresta. O jovem rapaz batia o pé contra o chão da carroagem, enquanto fitava a janela como se temesse que estivessem sendo seguidos. Em seguida praguejou novamente, fitando de soslaio Madelyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que ela ouviu o barulho de um portão de ferro abrindo de maneira brusca, e em seguida a carruagem parando. A porta trás de sí fora aberta e dois homens a puxaram para fora, deixando-a no chão e rapidamente assumindo seus postos. Pela janela da carruagem, viu a face do jovem que lhe sorriu de maneira polida e aliviada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tua vida é somente por sua conta agora, milady. Estou em paz. - Fechou a porta e a carruagem saiu dalí rapidamente, deixando Madelyn entre os grandes portões de ferro. Trêmula, ela tenteu erguer-se e descobriu que aparentemente estava numa propriedade abandonada. Ótimo. Apoiando-se numa árvore, fitou o lugar onde estava e ao longe pode deslumbrar a proximidade do castelo que tanto admirava da prisão.&lt;br /&gt;Sorriu, enfim um deleite em meio a tanta sofridão. Encontrou um pedaço de pau no chão e o usou como apoio, caminhando na direção do castelo. O caminho era longo e a cada passo que dava, sentia suas forças se esvaírem ainda mais. Foi então que pode adentrar no jardim que antecipava o castelo, este descuidado e parecendo um lugar macabro, um castelo de uma bruxa má dos livros que lia. Riu, apesar da situação tão imprópria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguém aqui? - Gritou, com o máximo de força que podia. - Por favor, preciso de ajuda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada, nenhuma resposta. Sem desistir, continuou caminhando através das plantas crescidas, tendo que afastá-las de sí a cada momento. Foi então que ouviu o barulho de patas de cavalo e voltou-se para trás, reconhecendo o vulto de duas ou três carruagens. Gerard! Thomas e Antoine! Com aquele pensamento em mente, ela começou a correr por entre as plantas, em meio à lágrimas desesperadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por Deus, alguém me ajude! Me ajude! - Desta vez gritava, em desespero. Voltou a cabeça para trás e via que os homens vinham em sua direção, numa rapidez que parecia ser uma provocação do demônio para sí. Foi então que tropessou, caindo próxima as escadarias do castelo e bateu com a cabeça contra um dos degraus, podendo apenas abrir os olhos e flagrar uma imagem borrada. Um par de olhos claros a vislumbrou, por entre uma massa negra e ela ergueu os braços débilmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, anjo, leve-me desta vida tão triste. Por favor, salve-m...- Sentiu a aproximação dos olhos e um toque agradável sobre seus cabelos, o toque carinhoso de um anjo. Caiu em inconsciência, sendo tragada pelos braços negros de sua dor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-1718844213134778281?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/1718844213134778281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/1718844213134778281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-3-torre.html' title='Capt 3 - A Torre'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-4962516691242893481</id><published>2009-02-24T21:56:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:57:51.101-08:00</updated><title type='text'>Capt 2 - A Torre</title><content type='html'>Se aproximou da minúscula janela do cômodo, colocando sua cabeça por entre as grades e respirando um pouco de ar puro. Foi então que abriu os olhos, observando que estavam num casarão envolto por carruagens refinadas e escondido em meio à um matagal. Aparentemente havia um encontro de gente poderosa alí, pessoas sem moral alguma. Alguém com moral jamais se envolveria com Gerard.&lt;br /&gt;Controlando as lágrimas, pode notar que ao longe havia um castelo, envolto pela escuridão. Será que alguém vivia alí? Piscou algumas vezes, enquanto tentava pensar em como fugir daquela prisão em que se encontrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não adianta, já tentei de tudo. - Murmurou uma voz na escuridão. Piscando algumas vezes, os olhos de Madelyn se acostumaram com a escuridão e esta, então, pode observar a figura. Era uma mulher pequena e magra, de cabelos longos e negros, face arredondada e uma expressão triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tentou o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fugir. Já tentei de todas as maneiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E... Por acaso sabe o que fazem com as jovens que são presas aqui? - Perguntou Madelyn, inconcientemente segurando uma das grades da janela. A estranha deu de ombros, desviando o olhar e fitando uma barata morta ao chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Escravas. Prostitutas. Com sorte seremos isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Existem possibilidades piores. - A jovem se calou, escondendo a face por entre os braços apoiados no joelho.Já Madelyn se sentou ao seu lado, respirando fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual seu nome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Elisa. E o seu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Madelyn. Sou irmã de Gerard. - Elisa ergueu a face e a fitou nos olhos, como se comparando a situação de ambas e vendo que tudo podia ser bem pior. Madelyn sorriu, sentindo os efeitos das drogas sumirem aos poucos de sí, conseguiria se portar de maneira forte logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não gostaria de ter um irmão assim, senhorita. - Sorriu de maneira débil e Madelyn riu baixinho, era seu costume rir da própria desgraça. A partir dalí, a noite passou rapidamente. Elisa estava feliz com a nova companhia, parecia gostar de Madelyn e era evidentemente recíproco. Logo o dia surgiu e os barulhos da farra noturna acabaram.&lt;br /&gt;Certamente houvera uma festa indigna, regada à drogas e álcool, sendo feitos acordos de coisas sujas, coisas que Gerard adorava negociar. Madelyn descobriu mais sobre Elisa, sua história era bem previsível. Veio do interior, casou-se com um velho que a praticamente comprou de seus pais. Este foi morto por seus credores e ela foi tomada como pagamento da dívida. Fora vendida para Gerard, que provávelmente a venderia logo. Madelyn não pode deixar de lamentar pelo destino de Elisa. Era uma mulher conformada, que torcia pelo destino menos pior. Mas Madelyn era diferente, lutaria. Lutaria até o fim para sair daquele pesadelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã, jogaram dois pratos com comida para ambas. Uma comida fria e sem sal, provávelmente restos do que fora servido na noite anterior. Mas ambas estavam com tanta fome que engoliram tudo rapidamente, sem reclamar. Não que aquilo as saceou, mas a agonia incômoda da falta de comida no estômago ao menos parou de as tomar. Assim como a noite, o dia se passou. Mas dessa vez, lentamente. As conversas já não eram tão afoitas, ambas conheciam-se melhor. Duvidas foram findadas aos poucos, curiosidades já não existiam.&lt;br /&gt;Cinco dias se passaram e naquela noite, estava acontecendo outra festa. Os ânimos das prisioneiras haviam baixado muito, agora comentavam de seus sonhos e desejos que jamais aconteceriam. Trocavam suspiros e algumas lágrimas, da parte de Elisa, não tardavam em surgir. Madelyn se aproximou da janela, fitando o castelo como sempre o fazia durante a noite. Cruzou os braços e sorriu, chamando a atenção de sua companheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso saber o motivo do sorriso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou admirando o castelo. Queria saber que príncipe vive lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Príncipe?! Por Deus...- Elisa fez um sinal da cruz, fechando os olhos. - Não sabia que alí vive um demônio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Demônio?! Você está louca. - Riu Madelyn, parecendo ainda mais interessada no castelo. - Queria viver alí, parece tão encantador...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dizem que existe um homem dominado por sete demônios. Prefiro ser escrava do que viver lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Elisa! Quanto exageiro, é apenas uma história estúpida de gente que não tem o que fazer da vida. - Deu de ombros, mas sentiu um calafrio percorrer sua espinha. - Eu acho que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta se abriria naquele momento, e Gerard e mais três homens adentrariam. Madelyn fitou-o cheia de ódio, mantendo-se calada e parada onde estava. Um dos homens se aproximou de Elisa e tocou em sua face. Era jovem e de aparência calma, até mesmo atraente. Madelyn pode flagrar um certo ânimo de Elisa, como se esta estivesse mostrando o quão boa era para o homem, queria que este a levasse. Queria ser sua escrava. Aquele pensamento chocou Madelyn, que deixou os braços caírem ao lado do corpo e arregalou os olhos de leve. O conformismo de Elisa a chocou e seus modos vulgares ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Levarei esta. - O desconhecido a puxou pelo braço, trazendo-a contra sí. Ela, por sua vez fitou Madelyn, deixando clara sua vergonha perante a coragem e demonstração de moral da amiga. Madelyn pode notar naquele momento, que as pessoas realmente não eram iguais. Algumas lutavam até o fim, outras aceitavam a dor e tentavam conviver com esta da maneira mais suportável possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elisa e o homem saíram dalí, sendo seguidos por mais um homem. Gerard, enquanto ela estivera distraída, se aproximara da irmã e sorria para a mesma. Ela fixou seus olhos nele, deixando o mais claro possível o quanto o desprezava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor Lincon, esta é a minha irmã. Vê? Uma bela garota, muito saudável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me parece refinada o bastante, lamento. - O homem fez um sinal negativo com a cabeça, balançando sua cabeça branca. Era magro e velho, usava roupas grandes demais para sí. Mas parecia ser muito rico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim, senhor? - Retrucou Gerard, alarmado. Em contrapartida, Madelyn estava exultante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela seria dada a um homem intragável, porém exigente. É rico, não gostaria de deitar-se com uma cortezã camponesa, sinto muito. - Dessa vez, Madelyn ficou ofendida. Suas narinas se inflaram e ela se aproximou do velho, sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É seu inimigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sou uma mulher doente...Sabe como é, poderia findar com a vida dele. - Se aproximaria do velho de maneira insinuante, que por sua vez saiu rapidamente dalí, alarmado com a proximidade eminente da jovem com uma provável doença. Madelyn começou a rir e então Gerard a empurrou contra a parede, segurando-a pelo pescoço e a fitando com raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Doente?! Você é louca! Se porta como uma mulher qualquer, merece a vida que lhe darei! - Lhe deu um soco, e tão fraca como estava, Madelyn caiu ao chão. Ergueu seus olhos e fitou o irmão, sem saber o que dizer ou como se portar naquela situação. Ele, por sua vez, se aproximou e se ajoelhou ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha querida, eu a libertaria por um preço. Sabes bem qual é, não? Eu jamais saíria perdendo, jamais a deixaria partir sem ganhar nada em troca. - Sorriu, tocando-a na face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jamais dormiria contigo, prefiro morrer! - Gritou Madelyn, se afastando do irmão, praticamente rastejando sobre o chão frio da cela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Morrer é pouco para tí, vagabunda. Terás o que merece por tripudiar tanto de meu desejo e de meus sentimentos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sentimentos?! Você não tem sentimentos, Gerard! - Gritou Madelyn, enquanto observava este partir dalí rapidamente. Foi então que o homem parou, voltando-se e a fitando de uma maneira estranha. Doentia. Madelyn, pela primeira vez em toda sua vida, realmente temeu seu irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho mais sentimentos do que imagina, Madelyn. Um dia verás. - Saiu dalí, deixando suas palavras ecoarem pela cela vazia. Três dias se passaram, e ela se sentia tão só que seu coração parecia doer. Mas, nada é tão ruim que não possa piorar.&lt;br /&gt;Seu irmão já não a oferecia para ninguém. Já não desejava vendê-la e isso era visível. Ouvia mulheres entrarem e saírem de outras celas, mas ela não recebia nenhuma oferta. Era visível que ele desejava tê-la para sí, e somente para sí. Depois de uma semana, a comida foi ficando mais escassa, assim como a água. Estava fraca e frágil e então Gerard começou a visitá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E então? Serás minha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca... - Respondeu com dificuldade, mas sem hesitar. Estava muito fraca, seu corpo estava magro e sujo, seus lábios ressequidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não a tomarei à força. Quero que seja minha porque deseja isso. - Sorriu o irmão, que tomava um cálice com vinho e aparentemente deleitava-se com a situação de Madelyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais alguns dias se passaram e Madelyn pode notar que a paciência de Gerard estava se esgotando. Foi então que escutou sua voz comentar com seu amigo, naquela mesma noite, que depois da festa iria começar a torturá-la. Estava surpreso com sua força e já não aguentava esperar. Madelyn se encheu de pânico e ergueu-se, se aproximando da janela e fitando o castelo. Lembrou das palavras de Elisa e fechou os olhos, desejando estar alí naquele momento. Foi então que ouviu a aproximação de seu irmão e então resolveu tentar a sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que surpresa, em pé!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, Gerard. Estou disposta a aceitá-lo. - O fitou com resignação e este a respondeu com um sorriso satisfeito. Se aproximou da irmã e a abraçou de maneira carinhosa, afagando seu cabelo sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sabe como esperei por isso, Madelyn. Venha, será limpa e alimentada. - A trouxe pela mão, como se fosse um namorado com sua amante. Aquilo a encheu de nojo e, o pior, não sabia como definir aquela situação. Gerard era um maníaco e aparentemente, tinha em Madelyn sua fixação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi alimentada, comeu bem como não o fazia em semanas. Aparentemente os negócios do irmão iam bem, já que a fartura era visível. Criados a olhavam com curiosidade, evidentemente comentavam sobre a heresia que iria acontecer em poucas horas. Gerard a fitava ao longe, com evidente satisfação no rosto magro, como se antecipando o deleite de tê-la em seus braços. Madelyn, naquele momento, empurrou o prato. Sentiu-se enojada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pensei que fosse comer muito mais, Maddy. - Falou Gerard. Aquele apelido, soando em seus lábios, a irritou profundamente. Por fim forçou um sorriso, levantando-se com certa dificuldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou satisfeita. Desejo apenas um banho agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi feito. Tomou banho em águas perfumadas, num luxo que jamais encontrou. Nem na época de bonança de seu pai. Encontrou uma bela camisola branca, virginal, um tanto quando transparente e envolta de véus, certamente para fazê-la lembrar alguma criatura mitológica. Gerard sempre a comparara com uma ninfa. Sentiu um tremor tomar seu corpo e fitou-se no espelho com grande tristeza. Seria este seu destino? Ser amante de seu irmão?! Fechou os olhos e lembrou das palavras de seu pai. A vida devia à ele sua felicidade. Tomou um susto ao ouvir o barulho da porta abrindo e fitou pelo espelho a figura de seu irmão. Este parou e a observou com evidente desejo e ela sentiu-se enojada novamente.&lt;br /&gt;Gerard se aproximou novamente, como uma serpente envolvendo sua presa, e encostou seu corpo no de Madelyn. Esta, por sua vez, fechou os olhos e sentiu um tremor tomar seu corpo. Ele riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabia que lhe despertava sensações também, Madelyn...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só de imaginar que este pudesse achar que ela estava atraída ou feliz com aquela situação, Madelyn se encheu de raiva. Fitou a penteadeira e viu alí um vidro de perfume. Tão rápida quanto seu pensamento, o tomou em mãos e atingiu a cabeça de Gerard. Seu irmão gritou, levando a mão á cabeça e tingindo seus dedos com o sangue que caía dalí. Alarmada, Madelyn chutou a cabeça do irmão novamente e saiu correndo, sem saber para onde seguir naquele momento. Não conhecia aquele casarão, não sabia para onde ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que entrou numa saleta íntima, aparentemente uma sala secreta. Escondeu-se atrás de uma escrivaninha e manteve-se alí, acalmando os batimentos de seu coração. O que menos esperava era que naquele exato momento, fosse ter compania. Dois homens adentraram e começaram a conversar de maneira exaltada, aos sussurros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você me delatar, Antoine, verás! Ninguém pode saber que planejo a morte dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que pode fazer, Thomas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho alguns homens que sabem de sua história. Sabem que deixou o pobre Alexander tomar a culpa do incêndio no Galpão de Santa Marta. Ele e Richard Winpear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E daí? Alexander é rico, pode se defender. E Richard Winspear era um tolo, mereceu a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn lembrou da história, que acontecera anos atrás. Um atentado contra alguns homens amotinados, não conseguia recordar direito. Soube que alguns homens foram feridos no atentado, alguns morreram. O tal Richard Winspear fora tomado como o principal culpado pelo acontecido. Sentiu um temor tomar seu corpo, então ele fora apenas um pobre coitado no meio daquelas pessoas sujas?! Ele e o tal Alexander, pelo visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdida em meio à pensamentos, mal notou que sua presença havia sido descoberta. Dois pares de olhos a fitavam por baixo da escrivaninha e o tal Thomas a puxou com força para cima, a fitando com uma expressão de raiva e surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Temos uma espiã aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-4962516691242893481?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/4962516691242893481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/4962516691242893481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-2-torre.html' title='Capt 2 - A Torre'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-8876700657411587058</id><published>2009-02-24T21:54:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:56:18.368-08:00</updated><title type='text'>Conto - "A Torre" - Capt 1</title><content type='html'>Não sabia quanto tempo estava alí, estava zonza e sentindo muito frio. Um gosto metálico do sangue tomava seu paladar e, quando movia suas íris, parecia que o mundo estava acabando. Talvez estivesse, pensou consigo mesma, talvez ela tivesse ido parar no inferno. Mas... Será que seus pecados eram assim, tão graves?&lt;br /&gt;Segurou-se na parede, sentindo em seu tato uma superfície úmida de pedra. Ouvia, distante, risadas rudes de homens que diziam coisas que deixariam até um velho marujo enrubecido. Tossiu, não conseguia deixar de controlar sua personalidade irônica e piadista nem naquele momento. Era mesmo uma louca, pensou consigo mesma. Bem, ao menos aqueles pensamentos a faziam sentir-se um pouco otimista naquele momento. Engoliu seco, estava muito mal, certamente haviam feito algo com ela. Fechou os olhos enquanto tentava recuperar seu controle, quando conseguiu entender um pouco da conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prostituição? Mas ela é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dane-se. Vai me valer muito dinheiro. É uma garota bonita, deve admitir. Servirá como prostituta ou num caso infortuno, escrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escrava?! Por diabos, Gerard! Ela é sua irmã! E, além do mais, ela é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meia irmã, meu caro. Meia irmã. - A risada desagradável de seu meio-irmão soou, fazendo-a se sentir mais temerosa do seu futuro quanto antes. Sempre temera Gerard, o filho do primeiro casamento de seu pai. A diferença de idade deles era grande, o que não impediu a proximidade indesejada que sentia. Fechou os olhos, inevitávelmente pode deslumbrar o passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;- Nove anos atrás...- &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn dormia tranqüilamente, com o livro esquecido por sobre seu corpo e sendo bem guardada pelas sombras da árvore. Seu corpo juvenil estava envolto por um vestido róseo, que parecia desejar esconder que estava se tornando uma mulher. Sorria enquanto dormia, aparentemente estava tendo um belo sonho. A propriedade de seu pai, um homem que progredia financeiramente, parecia o cenário perfeito para o descanso de uma jovem de aparência tão agradável. Não que fosse bela, ainda possuía muito do modo desajeitado das jovens púberes, o que jamais incomodou Madelyn. Ela não queria crescer. Queria ser criança para sempre.&lt;br /&gt;Suspirou, se espreguiçando. Engoliu seco e então abriu os olhos, deslumbrando-se com o céu alaranjado, estava anoitecendo. Anoitecendo! Quanto tempo dormira?! De supetão, se sentou e então tomou um susto com um par de pernas másculas próximas de sí e rapidamente ergueu seus olhos, reconhecendo a imagem de seu meio-irmão, Gerard. A expressão dele era estranha para Madelyn, a fitava com uma seriedade incômoda, os olhos vidrados em seu corpo. Engoliu seco e então forçou um sorriso, se postando em pé rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gerard! Que surpresa encontrá-lo aqui! Eu... - Enrubeceu, não sabia como lidar com seu irmão mais velho. A diferença de idade entre ambos era grande. Madelyn tinha 15 anos e seu irmão 27. Gerard era um homem alto e magro, de cabelos loiros e expressão sempre cansada e marcada. Madelyn tentava, desesperadamente, gostar de seu irmão e se aproximar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estava a observando dormir, querida irmã. Realmente, está crescendo... Se tornando uma bela mulher. - Sorriu, um sorriso estranho, que em sua mente ainda infantil Madelyn pode comparar com um sorriso de uma serpente para Eva, cheia de intenções ruins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, o senhor está enganado. Eu sou uma menina ainda. - Cruzou os braços por sobre o peito, tentando esconder os seios que começavam à crescer. Os olhos do seu irmão fixaram alí e então Madelyn tomou o livro em mãos e saiu em disparada, com a face rubra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Devo ir, estão me esperando! - Quando saiu da linha de visão de Gerard, correu o máximo que pode até chegar em seu quarto. Encostou-se na porta enquanto acalmava sua respiração e tentava esquecer o que se passara alí. Tinha de ser amiga de seu irmão, a saúde de seu pai era frágil e sua mãe havia falecido no inverno passado. Por isso Gerard retornara. Sabia que seu pai estava doente e os negócios iam muito bem. O velho Eldred Therton fizera às pazes com seu filho e, naquele momento, o instruía para cuidar de sua filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn não gostava daqueles pensamentos, mas sabia que era o que iria acontecer. Não tardaria. Embora fosse uma jovem tão envolta com as ilusões da infancia, tinha uma parte de sí séria como uma anciã. O fato é que sabia que jamais seria amiga de seu irmão. Jamais. Mas deveria ao menos fingir para seu pai, uma grande emoção poderia matá-lo.&lt;br /&gt;Desde que ele retornara do exterior, da França, para retomar seu relacionamento com seu pai, ele a fitava daquela maneira. Três meses. Três longos meses para Madelyn. Cada vez que sentia os olhos de seu irmão sobre sí, sentia-se suja. Não, não queria pensar mal dele. Não poderia... Respirou fundo e desceu do seu quarto, estava sendo esperada para o jantar. Desceu as escadarias iluminadas, deparando-se com a imagem de seu pai. Ele estava tocando uma bela canção no piano forte, a melhor compra que fizera desde que a sorte lhe sorrira nos negócios. Sempre foi o desejo de seu pai, desde menino, ter um piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando pudera comprar, comprou o melhor que poderia-se comprar. Madelyn se aproximou do pai e se postou ao seu lado, postando a mão por sobre a superfície lisa e amadeirada, enquanto admirava a agilidade dos dedos de seu pai. Quando o mesmo terminou, a jovem bateu palmas e se aproximou do pai, pálido pelo esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha filha, queria tanto que aprendesse á tocar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E a cantar, bordar, se portar como uma lady, falar três línguas...- Ironizou Madelyn, que riu alto. Eram novos ricos e talvez por isso, jamais recebeu uma educação como as das jovens da alta sociedade. Sabia apenas pintar e desenhar muito bem, um talento natural. Foi apenas à três anos atrás que trocara as vestimentas pobres por belos vestidos rendados, requintados. Sua pele calejada se tornara macia, estava envolta de criados, antes era uma deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seria bom, para arranjar um bom casamento. Quero que se case com um príncipe, minha querida, digno de alguém tão bom como você. - E abraçou a filha, que se aninhou em seus braços e suspirou, controlando a emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com a beleza que tem, Madelyn não tera problemas. Moças prendadas existem aos montes nas altas rodas, meu pai. Mas o encanto pessoal, estas nenhuma delas possuem... - Falou Gerard, que se aproximava sorrateiramente como uma serpente. Sim, Gerard era tal qual uma serpente e Madelyn não poderia compará-lo com outro ser ou tirar essa imagem ruim que possuía dele de dentro de sua mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, estou morrendo de fome. Vamos? - Rapidamente mudou de assunto, evitando fitar Gerard. Este sorriu, um sorriso cheio de intenções nada boas e levou o cálice até os lábios, tomando o vinho em apenas um gole. O jantar foi como sempre, conversas cheias de tentativas de intimidade familiar e Gerard tentando uma aproximação estranha da própria irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Madelyn, permitiria que eu lhe mostrasse algo após o jantar? É um quebra-cabeças que lhe trouxe de presente, aposto que irá gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E-eu...Bem, eu...- Desviou os olhos do seu irmão, fitando o pai que por sua vez a obserava de maneira esperançosa, feliz com a atitude do filho. Não poderia decepcioná-lo. - Sim. Tudo bem, adoraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então deixarei os jovens em paz, estou cansado...- Levantou-se Eldred, que com a ajuda do mordomo seguiu na direção do quarto. - Boa noite, meus filhos. - Disse enquanto partia e então voltou a cabeça para trás, enviando um olhar cheio de amor para a filha. Parecia reconhecer naquele momento, o esforço da sua caçula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madelyn e Gerard foram para a biblioteca, num caminho que a encheu de pânico, e quando ouviu a porta ser fechada atrás de sí sentiu seu coração bater mais rápido. De fato, por sobre a escrivaninha havia um quebra-cabeças e então Gerard se postou atrás do mesmo, sorrindo para a irmã. Madelyn se aproximou lentamente, fixando seu olhar nas peças e se sentindo deleitada com o eminente divertimento. Fitou o irmão e sorriu, com aquela íntima e teimosa esperança de que estivesse errada em seu julgamento, que seu irmão queria realmente seu bem.&lt;br /&gt;Sentou-se na frente das peças e começou a trabalhar, esquecendo-se de Gerard. O irmão, por sua vez, tornou a encher seu cálice e beber, enquanto fitava a irmã. Estava sentado numa poltrona, com um livro no colo, certamente para disfarçar quando esta o fitava deliberadamente. Aqueles três meses haviam sido uma tortura para Gerard, que representava diáriamente para um homem que odiava. Sim, odiava Eldred. Odiava seu pai. O homem respirou fundo, fitando o perfil da irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retornara por saber da grande fortuna que seu pai estava acumulando, o que lhe fora uma grande alegria. Estava em um bar no cais, envolto de bêbados tão sujos quanto ele, quando ouvira falar das vitórias de seu genitor. Depois disso foi fácil. Criou uma história fantasiosa, comprou uma bela vestimenta e se apresentou cheio de "boas intenções" para o velho. E foi alí que começou aquela tortura. Representava diáriamente e sabia que Eldred não era burro, pelo contrário. Naqueles três meses se portara como um enfadonho lorde, longe de bebedeiras, jogos e libertinagem. Mas nem tudo fora ruim...&lt;br /&gt;Madelyn. Esta sim fora uma boa surpresa. Quando partira era uma criança chorona, mas encontrara uma jovem que o atraía como nenhuma jamais o fez. Seus olhos verdes, tão cheios de inocência, o tomavam de maneira arrebatadora. Seus cabelos rubros e rebeldes, como os de ninfas mitológias, incendiavam seu corpo. Mas era o corpo da jovem, que se desenvolvia à cada dia, que o tomava de desejo. Se controlava todos os dias, mas sabia que assim que o velho morresse, poderia tê-la para sí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou cansada... - Murmurou a irmã, o acordando de seus devaneios, bocejando. Gerard, envolto pelos efeitos do álcool, se aproximou da mesma e tomou seu pulso delicado entre as mãos. Madelyn arregalou de leve seus olhos, engolindo seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fique comigo, minha irmã. Estou me sentindo triste hoje. - Fixava seus olhos no pulso pálido, deleitando-se com aquele pedaço de pele clara. A menina sentiu um tremor tomando seu corpo e então o fitou nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, eu... - Ele a puxou para mais perto, fixando seus olhos nos da irmã e murmurando num tom baixo, com a voz rouca de desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor. Eu suplico. - A soltou, sentando-se na poltrona novamente e forçando um sorriso triste. Madelyn piscou algumas vezes, confusa, e então se sentou no sofá, desviando os olhos da imagem do irmão. Não sabia como agir, estava nervosa com aquela situação. Queria fugir, queria que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sou um homem de boas intenções, sabia? Ainda mais com aqueles que são bons comigo e cooperam. - A surpreendeu, sentando-se do seu lado e fitando seu pescoço. A jovem inclinou-se para trás, o fitando com uma expressão de medo. Quando deu por sí, sentiu o peso do corpo másculo por sobre sí e sua boca sendo tampada pela mão do irmão. Sentiu um forte cheio de álcool e tentou soltar-se desesperadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai cooperar, não é? Eu a quero tanto, minha irmã. Eu... - Madelyn se contorcia e naquele momento lágrimas de desespero caíram de seus olhos. O irmão ria consigo e então a porta se abriu, surpreendendo ambos. Eldred surgiu, em seus trajes de dormir, aparentemente insone. Flagrou os filhos daquela maneira e então tornou-se pálido, enconstando-se na parede e parecendo faltar-lhe ar. Gerard saltou rapidamente, se aproximando do velho e o observando com atenção. Madelyn começou à gritar, enquanto via naquele momento, seu pai morrer.&lt;br /&gt;Gerard ergueu-se e foi procurar ajuda, ou fingir. A jovem se aproximou do pai, que a fitava de maneira vidrada, sem foco de atenção. Ela tomou a mão do homem e a beijou, entre lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, eu não fiz isso... Não me deixe, eu o amo! Eu preciso de tí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei, filha. - Suas palavras eram pausadas e ditas com dificuldade, cheias de sofrimento. - Meu choque foi com seu irmão e com a minha tolice. O que será de tí...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma-te, não irás me deixar agora! - Beijou a mão de seu pai novamente, forçando um sorriso para tranqüilizá-lo, por mais que quisesse mesmo era tranqüilizar-se. - Irá viver, irá cuidar de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que Deus a ajude, minha filha. Dependerá apenas de tua sorte e de tua conduta e valentia. Jamais deixe-o tocar, jamais... Mereces um príncipe, eu...- Engasgou e Madelyn o abraçou, chorando copiosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu a amo, filha. E a vida será boa para tí, Ele deve isso para mim. A vida deve isso para mim. - Sorriu, acariciando sua cabeça e então Madelyn pode ouvir os batimentos pararem aos poucos. Em questão de segundos, Eldred Therton havia partido daquele mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos que se passaram foram um pesadelo para Madelyn. Gerard, assim que Eldred fora enterrado, começou a gastar o dinheiro que possuíam. A casa virou um antro de perdição, com festas e jogatinas, regadas a libertinagem e bebedeiras. Madelyn seguira o que seu pai pediu, escondendo-se de seu irmão e de toda aquela gente, tornando-se uma sombra que movia-se sorrateiramente pelo casarão. Os criados, aos poucos, partiram e sobraram apenas alguns pobres viciados, que cuidavam da casa de maneira displicente. Com o passar dos anos, Madelyn se tornou uma mulher forte. Fazia questão de ter saúde, para poder combater seu irmão. Se tornara uma sobrevivente e felizmente, seu corpo cooperou com aquela situação. Gerard era poucos centímentos mais alto que ela, mas perdia em força e agilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante anos fugiu do irmão, fugiu de seus ataques. Quando completara 21 anos de idade, começara a combatê-lo. Pode um dia deleitar-se com uma bela surra, fazendo-o se arrepender do modo que a tratara durante todos aqueles anos. Perdera a feminilidade e a fragilidade, era uma mulher que já não possuía o romantismo dentro de sí. O príncipe que seu pai desejara para ela havia morrido e existia apenas nos livros que ela, relutava em admitir, lia constantemente. Através deles fugia de sua triste realidade e se envolvia numa felicidade utópica. Incorporava rainhas e princesas, jovens com finais felizes. Talvez, dizia aquela esperança sempre vivente em seu coração, pudesse ter um final feliz no fim das contas.&lt;br /&gt;O que não podia contar, era com o revide de seu irmão. Depois de três anos, o dinheiro havia sido completamente esgotado e ele envolto em dívidas. Ela, então, descobriu que o irmão estava envolto com negócios escusos. Mas, jamais imaginaria que ele a envolveria em situação tão baixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhorita, está tão cansada. Preparei um chá calmante, para que possa dormir. - A nova criada da casa, Lucy, adentrou nos aposentos de Madelyn e a surpreendeu com a gentileza. Realmente, a barulheira de Gerard e de seus convidados naquela noite estava infernal. Ficou grata com a idéia de Lucy e sorriu para a mesma, talvez pudessem ser amigas no fim das contas. Lucy era uma das tantas jovens que vinham para lá, iludidas com propostas de fortunas ou bons casamentos. Provávelmente se tornaria uma prostituta, ou algo até pior. Respirou fundo e lamentou em silêncio o destino da jovem, que partira tão sorrateiramente quanto chegara e então começou à tomar o chá calmamente. Não tardou e os efeitos do chá vieram à tona, fazendo-a cair em sono profundo em seu leito. Somente acordou alí, naquele lugar sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estava surpresa com o comportamento do irmão, mas temia por seu destino. Ele não pouparia nem sua irmã, sua ganância era maior do que qualquer noção de decência em seu caráter.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-8876700657411587058?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/8876700657411587058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/8876700657411587058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/conto-torre-capt-1.html' title='Conto - &quot;A Torre&quot; - Capt 1'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-3636551063256238229</id><published>2009-02-24T21:52:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:53:18.479-08:00</updated><title type='text'>Epílogo - Tormenta</title><content type='html'>Sorriu consigo mesma, enquanto observava seu filho mais velho caminhando por entre os jardins com a filha de Etan, parecia que algo surgia ao ar naquele momento. O rapaz, uma típica miniatura de seu pai, estufava seu peito enquanto parecia desejar mostrar-se o mais másculo possível para a jovem Cathy, que sorria com uma sabedoria típica das mulheres, sendo elas jovens ou idosas. Vivian abraçou à sí mesma, enquanto se afastava da janela e consedendo a privacidade digna do amor, aquela que ela e seu querido Gregor tiveram.&lt;br /&gt;Se sentou em frente ao piano e deslisou seus dedos por entre as teclas, fazendo a magia tomar a sala novamente e sentiu que seu pai estava alí, consigo. Quando as últimas notas soaram, ela abriu os olhos e se deparou com Gregor parado na porta, a fitando como se nunca a tivesse visto antes. Como se tivesse se apaixonado naquele exato momento. Não, não haviam se passado 15 anos e ela não havia envelhecido. A fitava como se não soubesse de todos seus segredos, como se já não tivesse desvendado seus encantos. Sempre seria como a primeira vez. Ele piscou, como se acordando de um devaneio e se aproximou, sorrindo-lhe e ela pensou que a experiência apenas o favorecera. As ruguinhas ao redor de seus olhos lhe davam um ar vivido, os fios brancos que surgiam nas têmporas pareciam tão sedutores como ela nunca imaginou que seria.&lt;br /&gt;Sim, com ele sempre tudo seria como a primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querida... - Levou sua mão aos lábios, fitando-a de maneira galanteadora. Ela riu, dando-lhe um tapinha na mão e o mesmo sentou-se ao seu lado em frente ao piano. Começou a dedilhar nas teclas, mas era tão provido de talento quanto o cachorro que possuíam, Rufus, que por sua vez descansava na frente da lareira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou me sentindo velha hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Velha? Ainda é a mesma... A conheci ontem, quando briguei com seu pai... - Arqueou as sobrancelhas negras e Vivian novamente riu, fazendo um sinal positivo com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te amo. Nunca se esqueça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei. Somos um só, esqueceu? Se um de nós ''sumir'', ambos morreremos. - A abraçou carinhosamente, trazendo-a até seu peito e apertando de leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um silêncio confortável se instalou, enquanto cada um dos dois pensava nas palavras ditas por ele, o quão verdadeiras eram. Vivian, em seu ceticismo juvenil, jamais imaginou que iria amar alguém assim. Jamais imaginaria que em 25 anos, estaria alí, vivendo em Longburn. Teve 3 filhos, Jacques, Henrich e Juliette. Jacques era o mais velho, estava agora passeando pelo jardim com sua amada e era imensamente parecido com Gregor. Impetuoso, discreto até mesmo obscuro. Já Henrich era parecido com sua mãe, sendo um homem calmo e bem humorado, um tanto quanto arrogante em alguns momentos. Mas Juliette, a mais nova, parecia ter o sangue de seu tio Richard. Era sempre inconstante e insatisfeita, queria viver a vida ao máximo. Porém, era limitada pelo sexo que nascera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juliette sempre fazia Vivian lembrar de seu irmão, e aquilo lhe trazia muita dor. Recebia apenas poucos bilhetes do irmão, com poucas palavras que mostravam apenas que estava bem e vivo. Mas era isso que importava, no fim das contas. Queria muito que ele fosse feliz, tão feliz como ela e Gregor. Uma história que tinha tudo para ser triste e teve um final feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas horas mais tarde, pode deparar-se com toda sua família envolta à mesa e ainda os Spencer, até mesmo a velha Josephine, que a tratava com uma forçada candura e amabilidade. Erin e John haviam tido dois filhos, um casal de gêmeos. As irmãs dele acabaram por se casarem com homens de fortuna, agradando tanto à sí mesmas quanto a mãe. Claro, o casamento de Vivian foi um grande lamento para as jovens. Etan Thompson, desde seu casamento com Gregor, manteve-se num discreto distanciamento. Mas Vivian suspeitava que não era por causa dela, e sim de um envolvimento amoroso delicado que ele vivia. Quem diria, Etan morrendo de amores por alguém que não fosse ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um brinde ao amor. Amor que nos une nessa mesa, amor entre pais e filhos, homem e mulher, entre amigos...- E ergueu o cálice seu filho mais velho, Jacques. Certamente este seria um bom político. Ele acabou por trocar um olhar com Cathy, que parecia deslumbrar o futuro de seu pretendente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jantar continuaria, conversas animadas surgiriam. Vivian se sentiu elevada naquele momento, realmente feliz com o destino que lhe surgira. Gregor se tornara um homem mais brando com o passar dos anos, e ela voltou a ser uma mulher segura. Seus filhos eram sadios e com bom caráter, e isso era o importante. Sentiu um toque nos ombros e se voltou para a criada, que se inclinava em sua direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhora, um senhor disse que precisa lhe falar urgentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem, Judith?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um amigo, diz ele. Se apresentou como Barão de Sayerne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivian se ergueu da mesa, pedindo licença para os convidados. Estava apreensiva, não sabia o que poderia encontrar naquele momento. Caminhou na direção do hall, sendo discretamente seguida por seu marido, que agia de maneira visívelmente superprotetora. Fitou um homem de costas, com os cabelos prateados nas têmporas e trajando um tipo de sobretudo aveludado vermelho escuro. Tinha uma bengala em mãos e um porte seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sempre ficava aqui, na janela. Obsevando você e papai lidarem com a vida, enquanto eu assistia. Eu assistia, não vivia, minha querida Vivian... Será que me perdoará por escolher viver? - Voltou-se lentamente, e Vivian se deparou com a imagem tão familiar de seu irmão e aquela noção a fez correr em sua direção, o abraçando e liberando suas lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richard a abraçou e chorou também. Era um homem maduro e aparentemente cheio de posses, embora ainda envolto de mistérios que Vivian desejava ardentemente saber. Viu que ele tinha o corpo debilitado e uma cicatriz tomava sua face, mas não o deixando de maneira alguma feio. Era até mesmo atrativo, fazia-o lembrar um pirata dos romances que lia. Talvez ele se tornara um pirata, ou um ladrão de tesouros. Talvez trabalhou muito e conseguiu tudo aquilo. Gregor os fitava ao longe, também emocionado com a felicidade da mulher. Aquele mistério perduraria, mas felizmente a espera de sua amada findou-se. A vida não poderia ser tão boa para Vivian e ela se sentia, depois de tantos anos, uma mulher completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; FIM &lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-3636551063256238229?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/3636551063256238229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/3636551063256238229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/epilogo-tormenta.html' title='Epílogo - Tormenta'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-547935407934667345</id><published>2009-02-24T21:49:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:52:13.144-08:00</updated><title type='text'>Capt 12  - Tormenta (FINAL)</title><content type='html'>Foi chegado do dia de sua fuga. Não tinha certeza se estava fazendo o correto, mas havia escolhido partir com o "Sr. H" . A mala estava ao lado da cama, já havia escrito uma carta de despedida aos seus patrões e alunas, sabia que iriam implicar com sua partida e por mais que não fosse uma atitude correta, iria fugir. O sol estava quase nascendo no horizonte e Vivian alisava seu vestido de forma nervosa. Tinha uma terrível dor em seu coração ao deixar Gregor, mas a afeição dele surgira somente naqueles últimos dias...Não surgira? Estava mesmo confusa e então tomou sua mala em mãos, deixando uma carta em especial para Etan Thompson por sobre sua escrivaninha, com o anel que ele lhe dera.&lt;br /&gt;Saiu do quarto lentamente, sem fazer barulho algum. Desceu as escadarias e fitou o quarto de Gregor ao fundo do corredor, parando e fechando os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Adeus. - Murmurou, sentindo o ardor das lágrimas tomar seus olhos. Saiu de lá rapidamente, antes que mudasse de idéia e adentrasse naquele quarto, implorando para que Gregor a amasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguiu sair da casa, sem ser vista por ninguém. Sentiu um arrepio de excitação subir por sua espinha, estava realmente nervosa. Caminhava a pé pela estradinha que seguia até o vilarejo, pensando no que seria feito com suas roupas e perteces que deixara para trás. Alías, aquele pensamento tão futil parecia ser o ópio para tirá-la de dúvidas ainda piores. Havia o amado por dez anos, não iria perder sua chance agora. Não iria perder de viver uma vida plena com alguém que a esperou como ela o fez.&lt;br /&gt;Envolta em seus pensamentos, ordenava para sí mesma que adentrasse num estado de felicidade e otimismo, senão assustaria seu "Sr.H", por mais que ele a amasse. E então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fugindo, Srta. Winspear? - Perguntou Gregor Howard, que surgira como um raio sobre seu cavalo, a fitando com uma expressão de desagrado e decepção. Vivian ergueu a face para fitá-lo, como fizera a mais de um mês, quando o encontrara em frente à Longburn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não estou fugindo. - Respondeu simplesmente, tentando aparentar segurança por mais que seu coração patesse descompassadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não? E o que é esta mala? Presentes para os pobres? - Arqueou as sobrancelhas, fitando Vivian com uma expressão irônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou partindo, senhor. Não fugindo. - Não conseguia mais encará-lo, então fez uma mesura rápida e começou a caminhar pela trilha novamente. Mas óbviamente, Gregor não a deixaria partir assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Partindo para onde? Arton?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Estou partindo para me casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Casar?! - Gregor saltou do cavalo, se postando na frente de Vivian de supetão. - Mas com quem? Etan?! Ele jamais a faria fugir para se casar e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é com Etan e eu não estou fugindo! Fala como se eu estivesse fazendo algo errado! - Vivian desviou do caminho de Gregor, caminhando com a máxima rapidez que conseguia levando aquela mala pesada. Estava irritada com ele, fazendo-a se sentir mal com sua escolha. Gregor novamente caminhou ao seu lado, ignorando o peso de sua mala e mantendo os braços cruzados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está fugindo sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não estou não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está fugindo sim...-Antes de Vivian replicar novamente, ele se postou em sua frente a apertou seus braços, fazendo-a fitar nos seus olhos. - Está fugindo de mim, do meu amor por tí! Como pode ser tão medrosa assim, Vivian?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu amor?! - Vivian arqueava seu corpo para trás, em seguida balançando a cabeça para os lados. - Do que está falando, senhor?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu a amo, Vivian. Sempre a amei. - Ele a soltou, dizendo aquelas palavras lentamente, com uma ternura que trouxe lágrimas aos olhos da mulher. Ela por sua fez deixou a mala cair ao chão e em seguida o empurrou, seguindo para frente com as mãos por sobre a face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você me tortura! Não é justo! - Dizia por entre lágrimas, ainda mais perdida do que nunca. Gregor se aproximou e a abraçou com força, como o fizera à dez anos atrás, querendo fundir seu corpo no dela. Um corpo, uma alma. Era o que havia alí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu a amo. E quero que seja feliz. - Se afastou dela, nutrindo uma expressão triste na face. - Sei que está fugindo com o homem que dedicou estes últimos dez anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. - Disse Vivian, ainda trêmula. Ela abraçaria à sí mesma, muito nervosa com aquilo tudo. Fitava Gregor com uma expressão de perda na face pálida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jamais seria tão egoisa a ponto de te separar de tal amor. Vá Vivian. Por mais que eu saiba que estou condenado, é um consolo saber de sua felicidade. - Montou no cavalo rapidamente, não enviando mais nenhum olhar para Vivian, que mantinha-se calada, impassível como uma estátua de cera. Partiu com o animal num galope veloz, deixando para trás uma poeira que envolvia sua imagem à sumir pelo horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivian, por sua vez, sentaria-se na estradinha e esconderia sua face por entre os dedos, chorando copiosamente. Gregor escolhera seu destino de uma maneira mais decidida do que ela já fizera um dia. Logo ergueu-se, respirando fundo e tomou a mala em mãos. A manhã já estava a acolhendo e sabia que estava sendo esperada pelo "Sr.H" naquele momento. Temia que ele achasse que ela havia desistido e partisse mais uma vez de sua vida. Não suportaria novamente. O dualismo entre dois amores em seu coração a torturava, mas era um alívio saber que seria acolhida por um amor puro e forte como o daquele homem que a esperava na igreja.&lt;br /&gt;Ao longe viu a igrejinha surgir no horinzonte e sorriu consigo mesma, apesar da estranha melancolia que tomava seu coração. Caminhava na direção da mesma com passos tranqüilos, ainda não havia ninguém alí na frente ainda. Só desejava não decepcionar seu "Sr.H", já não era a jovem bela e atrativa que um dia fora, agora era uma mulher vivida, praticamente opostos. Postou-se em frente a igreja, fitando a ruela que tinha um certo movimento e reparando em cada figura masculina que por alí passava. Claro, também seria reparada pelos demais, era mesmo uma movimentação estranha para uma manhã. O sol já começava a se tornar forte e Vivian sentiu um profundo desespero a tomar. Será que seria novamente esquecida por ele? Como fora anos atrás?&lt;br /&gt;Pensou em Gregor e desejou estar fazendo a escolha certa. Sabia que se fosse deixada alí, partiria para outro lugar qualquer. Não teria coragem de encarar toda aquela gente, que neste momento já leu a carta de despedida que deixara. Não poderia encarar Gregor, jamais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que a porta da igreja se abriu e uma menina saiu dalí, a tomando pela mão e puxando para dentro do lugar. Apesar de estranhar, Vivian a seguiu. Estava conformada, fora iludida novamente. Via uma certa movimentação de pessoas alí, certamente mais tarde haveria um casamento ou batisado. A menina a trouxe para uma saleta e apontou para um belo vestido branco que alí estava. Então, entregou um bilhete e saiu dalí rapidamente, correndo para a nave da capela.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;"Confie em mim, minha querida.&lt;br /&gt;Sr. H"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um alívio profundo a tomou e então, sorrindo, levou o bilhete aos lábios e o beijou. Iria se casar, iria se casar com seu amado! Uma mulher surgiu por entre a porta, uma mulher simples que lhe sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vim ajudar a senhorita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos próximos minutos, Vivian vestiu-se de noiva e teve os cabelos arrumados com cuidado. Havia um falatório na capela que ela estranhou, afinal ela não conhecia quase ninguém na região. Alí tinha contato apenas com seus patrões e, agora, com Etan e Gregor. Gregor. Suspirou, tentando deixar a tristeza para trás. Fitou-se no espelho naquele momento, sorrindo para sua imagem. Era uma noiva feliz, a espera de dez anos não fora em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora caminhava pelo corredor por entre os bancos da igreja. Haviam apenas pessoas estranhas alí, em trajes requintados e sorrindo com aprovação. Fato extremamente estranho. Sentiu-se ainda mais nervosa quando se deparou com um jovem ao fundo, sorrindo-lhe. Seu "Sr.H".Era alto, de olhos e cabelos castanhos. Era um belo rapaz, sem dúvidas. Retribuiu o sorriso, tentando deixar de lado a imagem de Gregor em sua mente. Será que um dia os olhos daquele homem lhe fariam sentir espasmos de alegria, como os de Gregor faziam? Será que viria ao seu socorro e a trataria como uma lady em qualquer momento, como Gregor o faria? Engoliu seco, jamais seria capaz de amar outro que não fosse Gregor.&lt;br /&gt;Estava a poucos passos do homem quando parou, fitando aquelas pessoas. Todos a observavam com curiosidade, como se desconfiando de seus pensamentos. "Sr. H" a fitava com um sorriso seguro, um sorriso com uma afeição distante, como a de um desconhecido. Não podia continuar, não podia errar novamente. Caminhou mais um passo para frente, não podia desistir alí. A honra daquele homem seria jogada no lixo. Parou. Mas casar-se com ele seria enganar à sí e ao homem. Fechou os olhos e respirou fundo, entreabrindo os lábios e procurando palavras para findar com tudo aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...sim, senhorita? - Disse uma voz masculina estranha. Certamente de seu "noivo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, eu... - Foi então que sentiu um toque em sua mão, alguém tomando-a entre sí. Abriu os olhos e voltou-se para o lado, deparando-se com Gregor alí, trajando um fraque. Ela arregalou os olhos e então ele sorriu, a fitando de um modo tão caloroso que podia sentir uma carícia em sua face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdoe meu irmão, ele esqueceu que a noiva deveria ser buscada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor...? - Engoliu seco, sem saber como pensar naquele momento. Gregor tirou de seu bolso uma pequena flor, igual a que lhe dera naquele dia e colocou em seu cabelo. Foi então que sorriu novamente, apertando sua mão entre a dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem se importar com as outras pessoas, o abraçou naquele momento e começou a chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Queria tanto que fosse você! Queria tanto que ambos fossem um só... - Foi então que ele se afastou, erguendo sua face e sorrindo. Também havia lágrimas presas nos olhos negros, que a fitavam emocionados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor H e Gregor são um só. Gregor e Vivian também sempre foram um só. - Com aquelas palavras, a levou na direção do altar. Assim como Gregor estava escondido, de deparou com a presença já chorosa de Erin e John, que trouxera consigo suas irmãs, que estranhamente pareciam felizes com a união. Etan e a tal viúva estavam alí, de braços dados e aparentemente alegres com o acontecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cerimônia se passou rapidamente, e Vivian prestou atenção nas palavras do paroco, levando-as para seu coração. Era bem ciente da mão de Gregor entre a sua, a apertando com uma suavidade. Fitou a cruz atrás do paroco, agradecendo a Deus por fazê-la tão feliz. Sentiu então, as bençãos de seu pai e sua mãe, onde eles estivessem, abençoando aquela união e sua felicidade. Lamentou apenas que Richard, seu amado irmão, não estivesse alí. Orou em silêncio por ele, desejando tamanha felicidade para seu irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegada a hora do beijo, Vivian fitou Gregor nos olhos e ergueu os lábios. Esperaram dez anos por aquele beijo, esperaram dez anos por aquela união. Gregor a beijou com um toque inocente nos lábios, um toque inocente e ao mesmo intenso. Se afastou da amada um tanto quanto relutante mas com uma expressão de felicidade tão grande em sua face que encheu o coração de Vivian de felicidade. Sorrindo, ambos partiram da igreja sob uma chuva de arroz e recebendo palmas e parabéns daqueles que alí estavam. Adentraram numa carruagem, a mesma que vira chegar trazendo Gregor e sob o banco havia um buquet das flores simples que ele havia lhe oferecido naquela noite, sob o luar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partiram naquele momento e Vivian o abraçou de prontidão, trocando mais um beijo caloroso. Em seguida, ainda abraçados, ficaram a se fitar em silêncio. Foi Vivian que o quebrou, sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei como nunca imaginei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me desculpe por...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Shhh...-Vivian colocou o dedo por sobre os lábios de Gregor, fitando-o de modo sério. - Agora não existem mais "Sr.H", "Sr. Howard" e "Srta. Winspear". Agora somos novos "eus" numa vida nova e cheia de alegria. O amo, Gregor, e não desejo saber detalhes pormenores de tudo que atrapalhou nosso amor. Não, apenas desejo compartilhar minha vida contigo, amando-o ainda mais do que o amei durante estes dez anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gregor apenas acariciaria sua face e então começou a lhe contar como planejara tudo aquilo, arrancando gargalhadas da amada. Também contara como fizera para trazer seus amigos e conhecidos tão rapidamente para uma paróquia no meio do nada. E, em seguida, detalhou a conversa com Etan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele ficou surpreso com nossa história e desistiu de tí prontamente. É um homem bom e admirador do amor. Espero que um dia ele saiba o que é se sentir assim, como nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele merece, Gregor. E nós merecemos e conseguimos. Ele também conseguirá. - Sorriu-lhe e então desviou o olhar, fitando Longburn que surgira em sua linha de visão. Riu consigo mesma, emocionada. Seria a senhora de Longburn, jamais seu pai e sua mãe poderiam ficar tão felizes. Abraçou Gregor antes de sair da carruagem e então foi recebida pelos criados, boa parte criados antigos. Observou a presença da Sra. Lincon, que mal podia esconder sua emoção e a abraçou fortemente, mostrando que também estava muito feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fugindo da água que caía dos céus. Gregor e Vivian, por sua vez, trocaram um olhar de profundo entendimento. Começaram a dançar alí, uma valsa que ambos ouviam em sua mente. A chuva sempre os envolvera nos momentos mais emocionantes e sabiam que estavam sendo agraciados pelos céus naquele instante. Rindo, Vivian trocou mais um beijo com Gregor e imaginou se um dia poderia ser mais feliz do que era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te amo, Sra. Howard. - Disse Gregor ao seus ouvidos e então a tirou do chão, arrancando-lhe uma gargalhada e caminhando na direção do grande casarão. Vivian o fitou com um olhar tão cheio de amor que nada mais foi preciso ser dito naquele momento. Eram feitos um para o outro. Pensou no seu pai e em sua mãe, pensou em Richard. Se ao menos pudesse saber dele, sua felicidade seria completa. Foi então que sentiu um aperto no peito e voltou a cabeça para trás, pouco antes de Gregor adentrar com ela para dentro do casarão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem montado num cavalo a fitava distantemente, uma imagem tão conhecida por Vivian. Richard estava alí e lhe acenou com o chapéu, desmontando de seu cavalo e fazendo uma mesura teatral, como fazia para alegrá-la quando criança. Em seguida montou no animal e partiu, deixando Vivian ainda mais emocionada. Ele estava alí, cuidando-a de longe. Amando-a de longe. Como Gregor o fizera. Fitou seu marido e sorriu, estavam dentro do salão. Talvez a história se repetisse, talvez um dia pudesse ter Richard por perto como tinha Gregor agora. E então nada poderia ser mais perfeito para Vivian Howard. Jamais imaginaria que tudo iria acabar assim tão bem, para uma história como a sua, a história de um amor eterno. Ela que nunca fora romântica, agora acreditava num final feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;----- FIM -----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;- Até mesmo o mais duro coração é tocado. - &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi difícil saber quem ficara mais surpreso com o envolvimento de Vivian e Gregor. Etan Thompson se mantinha estranhamente calado na tarde após o casamento, enquanto ouvia o seu criado pessoal arrumando suas coisas para que pudesse partir naquele exato momento. Embora os ex-patrões de Vivian o envolvessem com todos aqueles cuidados, com um visível fim de interesse, para ele nada alí o seguraria mais.&lt;br /&gt;Estranhamente, pegou-se com seu ego partido agora. Não, não amava Vivian Winspear. Mas estava começando a se acostumar com sua presença branda e segura em sua vida, já a via como mãe dos filhos que teriam e a senhora de suas propriedades. Era um homem rico e solitário. De fato, tinha grandes problemas de relacionamentos com as mulheres, num geral. Não via sinceridade em nenhuma, apenas o interesse em seu dinheiro. Com esse inconformismo, acabou deleitando-se na sua condição de solteiro. Até a hora que viu-se invejando profundamente seu bom amigo John Spencer, que após 10 anos de luta encontrou um amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou-se rindo, jamais amaria. Haviam pessoas que não nasceram para amar, e pensava nisso de maneira completamente despojada de raiva ou tristeza. Era simples. Era como se alguns nascessem mais propensos aos esportes, outros não. O amor funcionava do mesmo tipo. Escolhia algumas pessoas para possuí-lo, e os pobres infelizes que se aventuravam a tentar tê-lo, sofreriam suas punições. Era uma peça que não se encaixava. Sim, Etan estava completamente conformado. Dando de ombros, se afastou da janela e colocou seu chapéu na cabeça, caminhando para fora do casarão, enquanto sua carruagem estava sendo arrumada. Enquanto se despedia dos criados, notou a aproximação de uma esbaforida jovem. Era Alice Chapman, uma jovem viúva que tinha uma vida cheia de problemas, tanto financeiros quanto sentimentais. Era loira e magra, de aparência um tanto quanto sofrida e de modos reprimidos. Etan lhe dava atenção nos encontros e jantares, parecia o único que desejava se aproximar de uma pessoa tão visívelmente triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor já está partido? - Perguntou Alice com a face corada, tanto pelo esforço físico quando pelo rubor da vergonha, por demonstrar tais ações. Etan se surpreendeu com aquilo e então sorriu para a mesma, de maneira polida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, senhora. Já fiquei tempo demais. Eu... - Alice se aproximou, tomando a mão de Etan e o fitando nos olhos, parecendo estar prestes à chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sentirei sua falta, senhor. Foi meu único amigo em tanto tempo, quero que saiba que desejo tudo que melhor que o mundo possa lhe dar. - Suas mãos magras pareciam trêmulas e ela baixou os olhos. Da mesma maneira impulsiva como viera, partiria naquele momento, correndo como uma fugitiva. Etan ficou sem palavras, enquanto obsevava sua imagem sumir à sua linha de visão. Foi então que ouviu a voz do cavalariço, falando à suas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se importe com a srta. Chapman. É uma pobre louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Louca? - Perguntou Etan, cheio de curiosidade. Estranhamente tinha a mão formigando do toque de Alice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. Vive escondida pelos cantos, com marcas pelo corpo. Pobre sr. Chapman, casou-se com uma louca. Para seu próprio bem, morreu cedo e não teve que viver este inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Etan ouviu ainda mais coisas sobre a jovem Sra. Chapman. Seu marido foi encontrado morto em casa, aparentemente envenenou-se sem querer. Alguns diziam que fora a própria Alice, mas como seu pai era um homem influente na região, nada mais fora dito. Carl Johnson, pai de Alice, era um homem influente e respeitado na região, com posses. O difícil era acreditar que o mesmo deixasse-a passar por momentos tão difíceis na vida.&lt;br /&gt;Adentrou na carruagem e partiu, agora com a mente distante de todo a história com Vivian Winspear. Agora parecia sentir um estranho aperto no peito, como se houvesse deixado uma parte de sí com aquela estranha jovem, e pior, sentia que ela não era o que todos pensavam. Ela era o que ele sentia que ela era, uma vítima das circunstâncias. Uma vítima da maldade do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-547935407934667345?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/547935407934667345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/547935407934667345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-12-tormenta-final.html' title='Capt 12  - Tormenta (FINAL)'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-7376624534933731969</id><published>2009-02-24T21:48:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:49:35.438-08:00</updated><title type='text'>Capt 11 - Tormenta</title><content type='html'>Vivian estava enlevada, caminhando com passos um tanto quanto nervosos no corredor do casarão, tão feliz que parecia à ponto de explodir. Etan andava distante, como se estranhando seus modos tão alegres, em contrapartida com a discreta preceptora que pedira em matrimônio. O jantar seria servido logo e Etan jogava animadamente cartas com seus anfitriões. Naquela noite haviam mais convidados, algumas pessoas populares da região, ávidas em manter contato com dois homens ricos como Etan Thompson e Gregor Howard. Sorriu consigo mesma, era a única alí que pouco se importava com o dinheiro dos cavalheiros. Já fora rica, já fora pobre. Estava confortável agora. Aprendera à duros modos que, no fim das contas, o que lhe trazia mesmo felicidade era o amor que tinha por seu misterioso senhor. Não que dinheiro não fosse bom, não era hipócrita! Achava bom ter certas comodidades e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cuidado, senhorita! - Tão entretida estava com seus pensamentos, que acabou tropeçando no pé de Gregor, que estava na sala escura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado, senhor. Mas o senhor que devia tomar cuidado... - Soltou-se rapidamente dos braços do homem, se afastando como se o seu toque a queimasse. Não compreendia o talento que Gregor tinha de tirar-lhe o fôlego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prometo que nunca mais a assustarei com os meus modos esquisitos. Mas compreenderá...- Estendeu a mão na direção de Vivian, que fitou a mesma com a sobrancelha levemente arqueada. Então observou Gregor, que tinha um sorriso dócil nos lábios. Ainda doía demais lembrar das palavras dele, tanto no passado quanto as últimas, no baile de Erin e John. Mas...Ela também já agira assim com ele. Dando de ombros, lhe deu a mão e ele a levou na direção da janela. Foi então que a soltou, tampando seus olhos com as mãos e começou a falar baixinho, num sussurro íntimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Antes de ver o que vou mostrar, saiba que não é nada que nunca não tenha visto. Certamente, a senhorita se depara sempre com ele, não lhe dá o devido valor. Mas irei pedir para que aqui, esta noite comigo, veja como ele nos abraça...- Soltou as mãos dos olhos de Vivian, que se deparou com o céu mais estrelado que já vira um dia. A mesma não pode segurar um sorriso e sentiu um tremor subir à sua espinha, a proximidade de Gregor a deixava nervosa, confusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É lindo, Sr. Howard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veja as estrelas. Elas sempre olham por tí, por mais que você nem lembre que elas existam...Mas elas estão alí, não importa como você se porta com elas, olhando-a, cuidando-a...Amando-a. - Vivian voltou-se para Gregor, engolindo seco. Seus olhos negros a fixavam como a dez anos atrás, com aquele brilho que a atormentou durante tanto tempo. Foi então que ele continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para um amor tão grande, não existe razões ou impedimentos, nem decepções ou esquecimentos. Ele está alí, sempre estará. Não existe possibilidade de matá-lo. Ele simplesmente vive para sempre. - Um meio sorriso tomou seus lábios e então se afastou, deixando-a sozinha na sala escura, ela e as estrelas. Vivian sentou-se na poltrona mais próxima, trêmula e então fitou o céu, perguntando se alí havia alguma resposta para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez minutos depois, deixou o salão cheia de dúvidas. Não queria fantasiar, mas Gregor havia dito palavras poderosas demais. Se não fosse sua imaginação a enganando, podia jurar que havia significados secretos naquela declaração, algo que ela preferia não se torturar. Ele poderia estar a testanto, ou atormentando! Mas...Foi sinceridade que viu naquele olhar, alí. Haviam duas almas naquela sala, tão cientes uma da outra que nada poderia separará-los ou acabar com aquela magia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu para o salão, onde as pessoas já estavam alí, entretidas com suas boas companhias. Etan conversava animadamente com uma jovem viúva, que perdera seu marido com poucos meses de casamento. Tinha um sorriso fácil e uma beleza agradável e, sem notar, Vivian viu-se desejando que Etan se interessasse pela pobre mulher. Seria um acalento para a alma dos três. Foi então que notou que uma jovem casadoura, Felicia Carter, parecia deliciada com a conversa com Gregor, que por sua vez parecia tão galante como sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivian viu-se contorcendo o guardanapo durante o jantar, enquanto observava Gregor e Felicia trocando flertes, que certamente agradavam todos que alí estavam. Foi então que fitou seu prato de comida e escondeu sua própria expressão. Não, não podia ser. Não podia estar com ciúmes, não o amava. Não mesmo, imagine! Amava seu querido "Sr. H" e sempre amaria. Respirou aliviada, erguendo a cabeça e deparando-se com um olhar curioso de Gregor fixado em sua face. Aquela situação estava ficando fora do controle! Alegando um mal estar, saiu o mais rápido do jantar e se escondeu em seu quarto, jogando-se na cama e respirando fundo. Logo trocou-se e se enfiou por baixo dos cobertores, escondendo a própria face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era madrugada quando despertou, ouvindo um barulho de lá de fora. Seguiu até sua janela e se deparou com Gregor em baixo da mesma, caminhando por entre o jardim e fitando as estrelas. Vivian seguiu a direção dos seus olhos e se deparou com as mesmas. Compartilharam aquela visão, perdidos em pensamentos tão similares e cientes da proximidade de ambos. Vivian voltou a fitá-lo e ele a correspondeu, com um sorrisão tão sincero nos lábios que a tocou. Foi então que ouviu-se um trovão ao longe e então uma onda de excitação a tomou, como se aquilo fosse um sinal. Sorriu para Gregor, ambos sempre seriam acalentados pela chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que o viu se abaixar e tomar uma flor em mãos, uma flor simplória e sem grande atrativos. Ele a apertou contra o peito, no sentido do coração e então adentrou a casa. Momentos depois, Vivian ouviu uma batida rápida. Correu até a porta e a abriu, não encontrando ninguém. Foi então que baixou os olhos e encontrou aquela for alí, sozinha. Tão frágil e sem atrativos, mas que tocou o coração de Vivian como nunca um presente a tocara. Caminhou na direção da cama e se sentou, voltando a fitar as estrelas e deslisando os dedos por sobre as pétalas da flor. Não havia como mentir à sí mesma, amava Gregor Howard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã, enquando arrumava alguns livros após a aula, ouviu uma batida na porta. Se deparou com Gregor, que a fitava com um meio sorriso nos lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde, srta. Winspear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde, sr. Howard. - Respondeu simplesmente, sem saber como se portar. Estava muito confusa, não sabia como agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fiquei feliz em partilhar aquele momento contigo, pela madrugada. O momento em que o céu começa a ficar claro e conserva as estrelas, em particular, me toca como poucas coisas me tocaram. - Como você me tocou, pensou Gregor e disse isso através de seu olhar. Vivian ficou rubra e então sorriu, baixando a cabeça e fitando os livros que estavam por sobre a mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mesmo lindo. Está fazendo me tornar uma amante das estrelas, sr. Howard. Eu realmente...- Gregor a interrompeu, colocando sua mão por sobre a dela que estava na capa do livro. A fitava de maneira fixa, onde seria impossível desviar o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me perdoa, Srta Winspear? Não conseguirei viver sabendo que me consideras tão mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh... Senhor, eu já o perdoei. - Vivian se surpreendeu com a rapidez da própria resposta e sorriu, sendo correspondida por um sorriso aliviado do homem. Foi então que a magia aconteceu novamente, ambos ficaram trocando olhares alí, em silêncio, como se nada no mundo pudesse atrapalhar. Como se nada pudesse separ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vivian, querida! - Adentrou Etan na sala, flagrando a cena. Vivian soltou a mão de Gregor, rubra. Ele, por sua vez, parecia disposto a mantê-la ao seu lado, se postando de maneira tão próxima e íntima que Etan julgaria certamente&lt;br /&gt;que algo acontecia alí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sr. Thompson, como tem passado? - Forçou um sorriso e se deparou com uma expressão de desagrado vindo de Etan, certamente com o orgulho tão ferido que seu ego gigantesco não poderia suportar. Ele fitou Gregor e então cruzou os braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Howard, precisamos conversar. - Seus modos eram tão dramáticos que Vivian poderia jurar que logo ele desembanharia uma espada e lutaria por sua honra. Segurou um sorriso e então notou que Gregor fazia o mesmo, podendo jurar que aquele exato pensamento passou por sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, você primeiro, Etan. - Gregor fez um sinal para que ele passasse e então Etan jogou uma carta por sobre a mesa, saindo de supetão e deixando clara sua decepção e raiva. Gregor saiu também, mas antes fazendo uma mesura para Vivian da porta. Quando deu por sí só, Vivian tomou a carta em mãos e sentou-se na poltrona, abrindo o envelope e se deparando com a caligrafia do "Sr. H".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Querida Vivian.&lt;br /&gt;Não posso mais esperar, não posso mais suportar.&lt;br /&gt;Espero poder encontrá-la com seus pertences, em frente à Igreja do vilarejo.&lt;br /&gt;Amanhã, pela manhã.&lt;br /&gt;Vamos fugir, vamos casar.&lt;br /&gt;Vamos finalmente ser felizes.&lt;br /&gt;Te amo para sempre.&lt;br /&gt;Sr. H."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que Vivian sentiu um aperto no peito e se sentiu a pior pessoa do mundo. Amava dois homens e não sabia se poderia escolher. Não sabia como agir e aquele pensamento lhe trouxe lágrimas nos olhos. Mas algo deveria ser feito e Vivian não sabia se faria a escolha certa. "Sr. H" lhe era algo seguro, afinal... Fora-lhe fiel durante dez anos. Mas Gregor, com suas promessas silenciosas, fazia-a sentir-se envolta num sonho secreto.&lt;br /&gt;Vivian enquanto pensava deitada em seu leito, fitando o teto, desejou que ambos fossem um homem só, mas sabia que aquilo era pura ilusão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-7376624534933731969?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/7376624534933731969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/7376624534933731969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-11-tormenta.html' title='Capt 11 - Tormenta'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-7206073290855639231</id><published>2009-02-24T21:46:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:48:08.215-08:00</updated><title type='text'>Capt 10 - Tormenta</title><content type='html'>Foi com uma venenosa raiva que Gregor descobriu que Etan fora até o encontro de Vivian, para pedí-la em casamento. Controlou-se e pensou rápido, deixando seus negócios de lado e partindo no mesmo instante, afinal, já demorara demais. Estava em sua carruagem, sendo levado até a propriedade em que a mulher lecionava, sendo mais uma vez torturado por dúvidas e arrependimentos. Lembrou-se dos anos passados ao longe, tentando tirá-la de sua cabeça, odiando-a por fazê-lo amá-la tanto. Considerar aquele amor uma maldição e talvez por isso, agora fosse tarde demais para merecê-lo. Talvez Etan já tivesse se casado naquele momento com Vivian, talvez ela houvesse aceitado o pedido. Era melho que ele voltasse para...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calado, homem. - Falou Gregor para sí mesmo, enquanto fitava a paisagem borrada pela velocidade do correr dos cavalos. Um tremor subiu à sua espinha e sentiu um medo que nunca sentira na vida. Nem quando enfrentara os maiores desafios e perigos de sua vida. Suspirou. Lembrou da expressão triste de Vivian quando a acusara de ser oferecida e então fechou os olhos. - Não desista de nós, minha querida. Não esqueça do nosso amor. Escute-me...Não desista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;======== /// ========&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivian engoliu seco, fixando os olhos na imagem de Etan. Era belo em seu modo de ser. Arrogante como quase toda pessoa rica, como ela mesma fora. Já tinha certa idade, como ela também no momento. Segurou o ar, sem saber como agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivian engoliu seco, fixando os olhos na imagem de Etan. Era belo em seu modo de ser. Arrogante como quase toda pessoa rica, como ela mesma fora. Já tinha certa idade, como ela também no momento. Segurou o ar, sem saber como agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E então, minha querida? - Insistiu Etan, conservando o sorriso galante a duras custas nos lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela soltou o ar lentamente, considerando as palavras de Erin. Não queria ser só para o resto da vida, não queria ser uma intrusa em famílias, uma sombra esquecida em esquinas e corredores. Lembrou do pai e de sua mãe, do amor que ambos possuíam e os invejou. Porém...Aquele fora um casamento de conveniência. Quem sabe com o tempo viesse a amar Etan. Já o respeitava, quem sabe algo pudesse surgir dalí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sr. Thompson, eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, Etan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Etan, eu ace...- Naquele momento uma brisa tocou sua face, algo que pareceu fazê-la sentir um peso no seu peito. As palavras do "Sr. H" estavam vivas em sua mente, como se ele estivesse alí, a proibindo de aceitar aqueel compromisso. Fazendo-a lembrar do amor de ambos, suplicando pela negativa. Vivian arrependeu-se prontamente, mas considerou uma outra possibilidade. - ...realmente irei considerar seu pedido. Mas espero conhecê-lo melhor antes do casamento, antes de uma divulgação de nosso compromisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então não estamos juntos? - Perguntou um confuso Etan, ainda ajoelhado. Vivian sorriu, o puxando pelas mãos e o fazendo por-se em pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estaremos nos conhecendo. Não quero cometer um engano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não será um engano, a farei feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei que sim. O problema é se eu o farei feliz. - Vivian falou de prontidão, como se aquele pensamento chicoteasse sua mente. Será que poderia fazer um homem feliz, um homem que não fosse seu "Sr. H"? Abraçou a sí mesma, voltando a sorrir para Etan, que a fitava de maneira desconfiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ao menos fique com o anel, aqueça meu coração. - Etan se aproximou, praticamente enfiando o anel de noivado no seu dedo. Vivian deu de ombros, ninguém de importante e que desconhecesse o flerte iria vê-lo. Não queria partir o coração de Etan precipitadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos entrar, está frio. - Continuou Vivian, que começou a caminhar na frente de Etan, que murmurou para que esta ouvisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe que é a sua melhor opção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquelas palavras de Etan a irritaram profundamente, como se ele fizesse questão de demonstrar que sabia de seu precário leque de opções. Adentrou no casarão, caminhando com passos calmos, mas rápidos. Queria fugir para seu aposento, esconder-se do seu intrépido pretendente. Pode descansar por algumas horas durante à noite, nos intervalos dos seus pensamentos. Estava confusa e triste. Confusa, por não saber o que escolher naquele momento, quando a vida lhe dava uma nova chance. Triste, por saber que jamais amaria Etan como amara o "Sr. H" ou sequer sentiria aquele estranho sentimento que a envolvia quando encontrava Gregor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fitou o sol nascendo no horizonte e observou uma carruagem se aproximando do casarão. Uma carruagem requintada, deve ser algum partente rico dos seus patrões. Troucou-se, vestindo seu costumeiro vestido cinza e desceu rapidamente, contendo a curiosidade sobre o tal visitante. Etan ainda não despertara, assim como a maioria das pessoas alí. Vivian saiu do casarão, disposta a dar as boas vindas ao visitante. Não queria que este tivesse a impressão de estar visitando pessoas desleixadas. Se aproximou do homem, que jazia de costas, e então sentiu um frio na barriga, como se borboletas voassem alí. Respirou fundo e falou num tom alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem vindo, senhor. Posso ajudá-lo...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que o homem voltou-se e, inevitávelmente, Vivian deu um passo para trás. Gregor Howard alí, naquela casa?! Respirou fundo e ergueu o queixo, não sabia como reagir. Não sabia como controlar a mágoa naquele momento. Ele sorriu, parecendo um tanto quanto sem jeito e tirou o chapéu, fazendo uma mesura discreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, Srta. Winspear. Eu vim aqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-...procurar o Sr. Thompson, eu imagino. Ele ainda está dormindo. - Como se não pudesse controlar-se, Vivian deslisou a mão por sobre as dobras de suas saias, mostrando o belo anel de noivado. Gregor fixou seus olhos na peça de ouro, engolindo seco e então portando-se de maneira exageradamente ereta. Vivian sentiu uma íntima satisfação, que a fez sorrir discretamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, eu irei esperá-lo então. - Gregor nada comentou sobre o anel, parecendo fingir que não o viu. Vivian sentiu-se uma fraude naquele momento, mas não pode conter sua vingança. Ele a julgara como uma qualquer? Agora teria motivos para julgá-la mesmo. Ela estava noiva de Etan. Ao menos seria o que ele imaginaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia passou lentamente, como se fosse um pobre doente se arrastando, torturando-se. Vivian ensinou suas duas alunas, enquanto soube o quão feliz o anfitrião ficou em receber mais um cavalheiro rico em sua casa, certamente considerando fazer alguns contatos para o futuro. Ganância, pensou Vivian, controlava todos. Evitou Gregor e Etan durante todo o dia, sendo obrigada a estar entre eles somente à noite, após o jantar. Sentou-se numa poltrona e Etan rapidamente a acompanhou, tomando sua mão entre a dele e fitando-a com um evidente interesse, sendo notado por todos. Era mesmo indiscreto.&lt;br /&gt;Gregor os observava discretamente, enquanto fumava seu charuto na sacada. Vivian se sentia incomodada com seu olhar sagaz e ao mesmo tempo acusador, mas ela estava disposta a não entregar-se a um remorso que não era seu. Fitou Etan e sorriu, soltando a mão discretamente. Etan ergueu-se e foi até a sacada, sorrindo para o amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não disse que conseguiria? - Fez um sinal na direção de Vivian, que conversava com o anfitrião de maneira séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda não se casou com ela. - Disse Gregor entre os dentes, tentando controlar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não está vendo o anel em seu dedo, homem? - Riu Etan, cruzando os braços e fitando Gregor com algum atenção, arqueando uma das sobrancelhas. - As vezes acho que deseja que não nos casemos. - Gregor voltou-se para o amigo, tragando o charuto e então falando num tom baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E não desejo mesmo. - Etan riu novamente, dando-lhe um tapa amigável nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei que acha que eu mereço coisa melhor, mas estou perfeitamente contente com esta escolhida. - Gregor desviou o olhar, fitando Vivian e então respirando fundo. Etan tratava-a como uma mercadoria e achava que ele era contra o casamento por achar que Vivian não era boa o bastante. O ego do seu amigo era mesmo avassalador. Respirou fundo, reconhecendo a situação: Vivian jamais o aceitaria em casamento naquele momento. Havia mágoa em seu coração, o considerava ainda menos do que dez anos atrás. Deveria pensar rápido, antes que ela e Etan escolhessem a data de seu casamento. Ela o amava, sabia disso. Amava o "Sr. H" e reagia a Gregor Howard. Foi então que teve uma agradável idéia e sorriu maltreiramente, como um garotinho perverso escolhendo uma vítima para suas brincadeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivian acordou triste naquela manhã cinzenta. Sabia que Gregor partiria naquela tarde, não era do tipo inconveniente como Etan, que entrava na casa dos outros e se hospedava sem a menor vergonha ou noção de senso de hospitalidade. Sentia vergonha, pois era ela o motivo da visita do homem que já estava alí a uma semana e parecia disposto a ficar até que ela lhe dissesse sim. Praguejando, voltou-se para a janela e viu Gregor montado num cavalo, indo correr pelos campos como se assim jogasse para fora toda a sua brutalidade. Era um homem rústico, selvagem, no corpo de um lorde. Vendo-o se afastar, vestiu-se rapidamente e foi aproveitar seu desjejum. Queria logo que eles partissem por mais que, mesmo o odiando tanto, sentisse um infame prazer ao tê-lo por perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se na mesa com os outros criados, quando uma pilha de cartas foi entregue à governanta. Ela começou a distribuir entre os criados, quando duas cartas pararam em suas mãos. Uma era de Erin e a outra não havia remetente. Arqueou as sobrancelhas, abrindo o envelope alí mesmo e delisando os olhos no que havia escrito e sentiu seu coração disparar ao reconhecer a caligrafia.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;"Srta. Winspear.&lt;br /&gt;Estou aqui, sempre estive contigo.&lt;br /&gt;Não me esqueça. Não esqueça do nosso amor.&lt;br /&gt;Não deixe nosso amor morrer.&lt;br /&gt;Lembre de mim.&lt;br /&gt;Não permita, por favor.&lt;br /&gt;A amo ainda mais do que dez anos a trás.&lt;br /&gt;Sr. H"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu os olhos e fitou o teto da saleta do seu patrão, sendo acolhida pelos criados. Etan segurava sua mão e ao vê-la abrir os olhos, começou a falar sem parar sobre sua preocupação com sua saúde. Foi então que focalizou a imagem de Gregor, fitando-a de longe com os braços cruzados, um olhar expeculador e ao mesmo tempo tão discreto, tão distante e ao mesmo tempo perto. Ela se pôs em pé com certa dificuldade, sorrindo aos demais e soltando da mão de Etan discretamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou bem. Não se preocupem. Agora, se me derem licença...- Ergueu-se rapidamente, saindo dalí como se estivesse fugindo de alguém e seguiu para o jardim, sentando-se num dos bancos que alí estavam e releu a carta com calma, tentando não iludir-se com algo tão impossível. Quando deu por sí, estava com os olhos nublados das lágrimas, lágrimas contidas por dez anos. Levou o papel até o peito, respirando fundo e então murmurando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca o esqueci. Nunca deixarei morrer nosso amor...Ele é eterno. - Ergueu-se do banco e guardou a carta consigo, saindo de lá para dar suas aulas. Mal imaginava que alí, escondido por entre o jardim, havia um coração tão feliz quanto o dela. Gregor ria consigo mesmo, saindo do seu esconderijo e fitando sua amada adentrar ao casarão, notando que esta estava sedo viajada por Etan, da janela. O observou de soslaio e cruzou os braços, dizendo num tom baixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou novamente no jogo. - Sabia que agora o que lhe faltava era pouco. Mas o elo ainda era tão frágil que ainda havia grandes chances de perdê-la. Mas não deixaria isso acontecer nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-7206073290855639231?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/7206073290855639231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/7206073290855639231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-10-tormenta.html' title='Capt 10 - Tormenta'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-389154243301109659</id><published>2009-02-24T21:44:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:46:16.749-08:00</updated><title type='text'>Capt 9 - Tormenta</title><content type='html'>Gregor fitava John do outro lado da mesa, mas mesmo se passando um mês ainda não conseguia concentrar-se em nada que não o lembrasse de Vivian. Erguera-se da poltrona, envolto em pensamentos inquietantes, tendo a voz de John distante e destorcida, vacilante. Foi então que apoiou os pulsos na mesa de mogno e inclinou-se na direção do homem, parecendo ter um brilho raivoso nos olhos e o deixando surpreso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como foi capaz de deixar Vivian, John? - Perguntou de supetão, com a voz baixa e cheia de perguntas implícitas naquela frase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do que está falando, Howard?! - John parecia chocado com a mudança obrupta de assunto e então se ergueu, temeroso pelas próximas ações de Gregor, que parecia a ponto de explodir. Jamais vira o amigo agir de forma tão passional, o que realmente o assustou. Sua imagem, com a barba por fazer, os olhos levemente avermelhados e os quilos que perdera, ajudavam a John tentar evitar alguma discussão com o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é um cretino, John. - Se aproximou da lareira e então baixou a cabeça, apoiando-se na parede e fechando os olhos. John ainda não falara nada, parecia chocado demais para isto. - Ela o amava tanto que o deixou para que pudesse ficar com outra mulher. Ela privou-se de você e você jamais deu valor à isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do que está falando, Howard? Vivian jamais me amou, até senti que ela ficou aliviada em ver-me casando com Erin, assim como quando rompeu comigo. - John serviu um cálice de whisky ao homem, se aproximando lentamente. Foi então que Erin adentrou à sala, deparando-se com aquele clima de tensão e fitando-os com uma expressão curiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Erin, o Sr. Howard acha que Vivian me ama. - Disse John para a esposa, num misto de incredualidade e diversão, o que fez Gregor voltar-se para trás e tomar o cálice em mãos. Erin fitou o homem e então riu baixinho, fazendo um sinal negativo com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, não. Ela amava outro... Um homem que morreu à dez anos atrás. Pobre Vivy. - Negou rapidamente Erin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E posso saber quem era este tal homem? - Depois de um momento de silêncio, Gregor perguntou de maneira calma, parecendo assimilar cada nova informação. Erin fitou John que por sua vez deu de ombros, que também voltou a atenção a Gregor. A mulher sentou-se numa poltrona e respirou fundo antes de começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu jamais o conheci, na verdade. Creio que fosse um daqueles homens que morreram no atentado do galpão de Santa Marta. Vivian se correspondia com ele por cartas e um dia, sem mais nem menos, nunca mais recebeu alguma resposta. - Gregor a fitou com uma expressão surpresa, em seguida tomando todo o conteúdo do cálice de whisky e então caminhando pela sala como um leão enjaulado. Erin e John trocavam olhares surpresos, sem saber entender a reação dele. Foi então que o homem parou e se aproximou de Erin, passando a mão pela própria face e então indagando, com uma voz um tanto quanto descontrolada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Voltarei em questão de duas horas. Preciso do endereço da Srta. Winspear, por favor. - Assim como quase todas as ações daquele homem naquela tarde, sua saída foi rápida e descontrolada. O casal ficou num silêncio surpreso, sem saber o que falar um para o outro, envoltos em suspeitas e expectativas. Só uma certeza era vista naquela situação: Gregor tinha algum sentimento por Vivian.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gregor montou seu cavalo e partiu, acompanhando a tórrida velocidade dos seus pensamentos. A mensão de ter cometido um erro tão grave, um engano tão estúpido o fazia sentir-se o pior homem do mundo, o mais idiota e cego. Logo chegou na vila de Arton e desmontou seu cavalo de prontidão, seguindo na direção da casa de sua velha conhecida, a já idosa Sra. Tilly. Bateu na porta da casa da mulher e um jovenzinho de cabelos rubros a abriu, o fitando por entre o vão e indagando quem era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou Gregor Howard, desejo falar com a Sra. Tilly. - Gregor recebeu um olhar vacilante e então a porta fora fechada em sua cara. Ouviu uma conversa baixa e então a porta novamente foi aberta, sendo recebido por um sorriso surpreso na face de Tilly. Matilda Peterson, mais conhecida por Tilly, era uma velha amiga de seu pai...E cúmplice de algumas travessuras de Gregor. Foi recebido com um abraço da velha senhora, que o fez sentar-se numa poltrona enquanto lhe servia chá. Um silêncio incômodo se instalou, enquanto Gregor batia o pé contra o chão e estralava os dedos. Tilly o fitou de soslaio e então sentou-se, instalada na segurança de sua vivência e experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, me conte o que lhe incomoda. O conheço bem para saber que está agoniado. - Levou a pequena xícara de porcelana aos lábios. Quando Gregor conseguiu uma grande fortuna, instalou Tilly num modo de vida confortável, e ela seria eternamente grata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Preciso saber se tem alguma correspondência minha. - Gregor a fitava nos olhos, sério. A velha suspirou, parecendo pensativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum... Não, nenhuma que eu lembre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem mesmo uma antiga...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não. Desculpe-me. - Deu de ombros, sorrindo de maneira polida. Gregor baixou a cabeça, fitando os desenhos do carpete com uma expressão desolada. Estava aliviado e ao mesmo tempo decepcionado. Aliviado por saber que não perdera todo aquele tempo em meio à sofridão e a amargura. Decepcionado, pois aquela história havia lhe trazido uma esperança tênue, que jazia findada à dez anos atrás. Ergueu-se da cadeira, colocando o chapéu negro por sobre a cabeça e então fazendo uma mesura cortês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Devo ir. Desculpe-me qualquer inconveniente. Tenha uma boa tarde Tilly. - Virou-se e então saiu da casa, seguindo com passos largos em direção ao cavalo, enquanto seu coração era inundado por uma estranha tristeza, tão maltreira quanto uma criança sapeca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor! Senhor! Minha bisavó o chama! - O menino ruivo correu atrás dele e então Gregor seguiu na direção da casa, desta vez calmamente e distraído em pensamentos. A velha Tilly parecia nervosa, em pé próxima ao armário dos licores. Quando o viu, disparou um discurso nervoso e emoldurado pelas lágrimas que envolviam a face enrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sr. Howard, eu... Eu preciso lhe pedir perdão. Nunca lhe entreguei uma carta, pensando que assim pudesse salvá-lo daquela gente mesquinha e suja. Você logo se recuperaria de um amor juvenil e inconsequente e partir de Arton seria a solução de sua vida. Veja o que é agora! Um homem rico, saudável, respeitável e belo! Se o senhor ficasse aqui com a Srta. Winspear se tornaria um...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tilly, do que está falando?! Você... - Ele pausou as palavras, fechando os olhos e tentando se controlar. - ...não me contou que a Srta. Winspear me procurou? - A velha senhora se aproximou, trazendo duas cartas amassadas e amareladas em mãos, o fitando ainda de maneira triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entenda que fiz isso para o seu bem. Me perdoe. - Baixou sua cabeça de modo servil, como o fazia anos atrás antes de ser uma mulher "fina". Gregor sentou-se e abriu as cartas rapidamente, deslisando os olhos por entre as palavras de ambas. Sentia o desespero de Vivian, sentia acima de tudo seu amor incondicional. Não sabia como, mas aquilo o fez sentir as lágrimas tomando seus olhos. Ela o amava. Era por ele que ela abdicara do amor. Vivian Winspear o amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tilly, a compreendo. Mas esta foi a única e a última vez que deixarei alguém interfirir na minha vida e, principalmente, no meu amor por Vivian. - Saiu da casa apressadamente, mas diferentemente da outra vez, estava inundado por uma onda de expectativa. Sabia que as chances de ser negado eram enormes, mas dessa vez não desistiria tão fácil. Ele conhecia Vivian tão bem... E a julgara tão erroneamente pensando que não a conhecia. Partiu naquele mesmo dia de Arton, levando consigo a esperança de poder ser ao menos perdoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia se passado um mês. Vivian já estava novamente na residencia dos Bernard, uma família influente da região de Norton. Havia acabado a aula de aritmética, quando uma criada surgiu com uma carta em mãos. Ao longe notou a caligrafia familiar de Erin e não pode evitar em sentir um aperto no peito. Abriu a carta quando chegou ao seu aposento privativo, abriu a carta e começou a lê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Querida Vivian.&lt;br /&gt;Jamais pude entender o motivo de deixar Arton naquela noite, mas não invadirei sua privacidade.&lt;br /&gt;Escrevo para convidá-la a vir nos ver com mais freqüencia, já que é uma das grandes culpadas&lt;br /&gt;pela nossa felicidade.&lt;br /&gt;Estou muito feliz. Valeu à pena esperar dez anos por meu grande amor.&lt;br /&gt;Também lhe comprimento pela conquista. Etan Thompson se declarou seu admirador&lt;br /&gt;fervoroso ao meu marido, e acredito que logo receberá uma visita especial do mesmo aí.&lt;br /&gt;Desculpe-me, mas não pude negar o pedido tão caloroso dele, lhe passei seu endereço.&lt;br /&gt;Saiba que faço tudo por sua felicidade e espero que considere as intenções de Etan com&lt;br /&gt;grande carinho e atenção.&lt;br /&gt;Não quero vê-la só até o fim de nossos dias. Perdoe-me o pensamento negativo, mas sempre&lt;br /&gt;lhe fui sincera.&lt;br /&gt;Aguardo resposta e espero que esteja tudo bem contigo.&lt;br /&gt;Sempre a amarei.&lt;br /&gt;Erin."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivian riu ao ler a carta e a guardou no mesmo momento, retornando a sua rotina diária. O que não pode contar é que as palavras da amiga ficavam chicoteando sua cabeça. Admitia que a vida de preceptora já não a agradava como antes e o pedido de Etan lhe parecia a cada segundo mais sedutor. Sabia que jamais o amaria, tinha aquela certeza no seu coração. Jamais sabia que ele teria o efeito que...Gregor Howard produzia em sua vida. Sim, acabara aceitando que aquele homem a tocava de uma maneira estranha, forte e intensa. Lamentava que seu destino tivesse a arrancado de seu amor e de sua grande paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro dias após a carta de Erin, a chegada de Etan não a surpreendeu. Lhe tratou de forma cortês e reservada, sem perguntar-lhe o motivo de sua fuga do casamento de sua prima. Rapidamente fez amizade com a família com quem vivia, sendo aceito no meio rapidamente. Não escondia sua admiração por Vivian, parecia disposto a cada momento lhe dar uma prova de sua afeição. Foi então que, numa noite quente de primavera, a chamou para passear nos jardins da propriedade. Vivian sabia o que viria a acontecer à seguir. Ele a pediria em casamento. Se aproximaram de uma grande árvore centenária e então ela se encostou no seu tronco, sem saber como reagir ao pedido que seria realizado. Etan começou a falar-lhe um discurso cheio de clichês sobre beleza, encanto e amores possíveis e prováveis. Mas Vivian estava envolta mesmo da lembrança das cartas do "Sr. H" e dos olhos de Gregor, e foi naquele momento que se sentiu tola. Seria capaz de perder mais uma oportunidade daquelas? Engoliu seco enquanto via o homem se ajoelhar e então respirou fundo, quando ouviu a pergunta ser dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhorita Winspear, quer se casar comigo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-389154243301109659?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/389154243301109659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/389154243301109659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-9-tormenta.html' title='Capt 9 - Tormenta'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-3775388965630928108</id><published>2009-02-24T21:42:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:44:30.620-08:00</updated><title type='text'>Capt 8 - Tormenta</title><content type='html'>Vivian o viu partir em direção à Longburn. Suspirou, enquanto sentia um aperto no peito, um grande sentimento de perda. Sabia que ele a perdoaria um dia. Era um homem bom. Começou a retornar para Spencer Park, caminhando rapidamente e envolta nas reflexões do encontro daquela manhã. Gregor se tornara um homem direito, belo, responsável e rico. Não entendia como mantinha-se solteiro, tão arredio ao amor. Sim, notara que após cada risada que dava dos flertes das Srtas. Spencer vinham seguidas de uma expressão de desgosto. Felizmente, apenas Vivian notava aquelas facetas de Gregor, por mais distantes que ambos fossem.&lt;br /&gt;Logo avistou a movimentação na casa dos Spencer e os chiliques histéricos de Josephine, que parecia à ponto de um colapso. Assim que a viu se aproximar, fez um sinal para que se aproximasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para onde foi, srta. Winspear? Sumiu sorrateiramente como um fantasma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fui dar uma volta. Matar a saudade dos campos daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum. Que ótimo. Poderia ajudar a criadagem com os preparativos então, eu e as outras mulheres vamos nos arrumar para o casamento. - Josephine sorriu e lhe deu as costas, sem dar tempo para réplicas. Vivian baixou a cabeça, pronta para aceitar a ordem da mulher. Foi quando correu na direção da mesma e se interpôs em seu caminho, erguendo o queixo e sorrindo, de maneira visívelmente falsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, minha senhora. Sou uma convidada, uma visitante. A senhora que é "de casa" que deve ajudar a criadagem, não alguém como eu. Até mais ver. - Fez uma mesura exagerada e partiu, agora sorrindo com gosto ao lembrar a expressão surpresa da sra. Spencer. Adentrou a casa com o ânimo revigorado, seguindo para seu quarto quando ouviu palmas e uma risada discreta. Voltou-se e flagrou Etan Thompson vindo ao seu encontro, com passos lentos e preguiçosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabia que por trás da preceptora existia a trigresa. Oh! - Ergueu as mãos, sorrindo maltreiramente. - É um comentário respeitoso, saiba disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, se assim for... - Cruzou os braços e sorriu, acompanhando o flerte. - ...o aceitarei como um elogio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E é, Srta. Winspear. Mas...Agora com esta desculpa, se chegares pouco arrumada ao baile de comemoração será motivos de veneno para a Sra. Spencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não ligo para ela. Mas sim, pretendo me arrumar. Confesso que Longburn me trouxe um novo ânimo, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu notei. - A fitou de uma maneira estranha e Vivian ficou sem saber o que fazer. As faces se tornaram rubras e então ela apontou para as escadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou subir. Logo vai ser a cerimônia religiosa e...Bem. Até mais tarde. - Forçou um sorriso e fez uma mesura, subindo as escadarias como se estivesse fungindo de Etan. E realmente estava. Toda vez que algum homem demonstrava um interesse, mesmo que mínimo, Vivian entrava em pânico. Não sabia se o modo como Gregor Howard lhe falou naquela noite interfiria, mas sabia diretamente que a razão era o "Sr. H". Se jogou na cama e fechou os olhos, voltando a lembrar daquilo tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte em que escrevera a carta, arrumara uma mala com seus pertences, o que poderia levar no momento de urgente. O resto de suas roupas deixou em baús, com bilhetes para que a Sra. Lincon os guardasse e alguns para que vendesse. Vestiu seu vestido mais leve e então uma grossa capa por sobre, estava ventando. Iria partir, como Richard o fizera. Partir para a liberdade, a única chance de ser feliz. Ansiosa, escreveu várias cartas, algumas de instrução, outras de notícia. Mas nunca revelando nada sobre o "Sr. H". Agia feito uma louca, inconsequente. Mas na verdade, nada daquilo fazia sentido... Nada além do seu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partiu de Longburn em meio à uma grande ventania, pedindo para que um rapaz lhe levasse até a colina em troca de algumas moedas. E assim o fez, partindo por entre os gramados e voltando a face para trás, fitando o casarão em meio as sombras. Era uma etapa que havia findado em sua vida. Permitiu derramar uma última lagrima, orou pela alma de seu pai e pela vida de seu irmão. Quando deu por sí, lá estava: Na colina. Pediu para o rapaz a esperar e então ficou alí, abraçada a sí mesma e esperando que ele viesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora se passou, começou a garoar. Vivian suspirou, segurando o choro. Não, ele jamais a deixaria, a largaria naquela situação. Fitou o rapaz, que a observava com uma expressão de pena. Outra hora se passou e então Vivian embarcou na carruagem modesta, baixando a cabeça e deixando o pranto cair. O rapaz fez um grande caminho de volta e então Vivian pediu para que ele a levasse até a casa de Erin. Não voltaria à Longburn. Alí conhecera a dor. Bateu na porta de Erin e foi recebida pela prima, e foi então que caiu em seus braços e tornou a chorar. Em meio à lágrimas, contou tudo que aconteceu para ela. Sua tia, viúva à dois anos, a fitava ao longe de maneira introspectiva e pensativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Richard pode ter...Participação na morte do Sr. H?! Não posso crer, minha querida Vivy! - Erin apertou sua mão, também partilhando as lágrimas. Vivian respirou fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu pai está morto, meu irmão...Sabes que devo considerá-lo assim, Erin. Deve ter partido para outro país, é um fugitivo e jamais voltarei a vê-lo. E...o homem que eu amava está morto. Devo encarar a situação. - Já não chorava, apenas fitava o chão de forma apática, séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabes bem que poderá se casar com qualquer partido daqui. Ainda é uma moça bem quista na sociedade. E tem algum dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, jamais poderia amar outro homem. Sabe Erin...- Fitou a prima, apertando sua mão e tornando a falar. Sua voz era cheia de emoção e firme, como se tivesse crescido alguns anos naqueles poucos dias. -... o amor só me trouxe dor. Eu não seria capaz de partilhar minha vida com alguém com que eu não partilhasse gostos, desejos, sonhos e o respeitasse, admirasse. Não conseguiria sem amar. E eu não quero mais amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas...Pode ser que conheça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Erin. Não quero mais amar e sei que não serei capaz disso, não amarei nunca outro homem. - Ergueu-se, se aproximando da janela e fitando a chuva que caía do jardim, dando as costas a Erin e sua tia. - Você diz para eu me casar com outro, mas já reparou na sua relação com John? Seria capaz de amar outro? Pertencer a outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. - Erin não pensou duas vezes antes de responder, baixando a cabeça e fitando as próprias mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As coisas não são assim. Nunca terei a sorte de encontrar alguém como ele. Agora desejo me reservar para viver em paz, cumprir meu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que pretende? Não me diga que quer entrar no convento?! - Sua prima saltou, despertando um sorriso em Vivian, que voltou a fitá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não conseguiria me privar assim dos prazeres mundanos, minha querida. Amanhã partirei para uma escola, pretendo ser professora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh não, Vivy! Você é tão jovem, bonita... - Erin calou-se ao ver a expressão fechada da prima, que sentou-se e ficou em silêncio. No dia seguinte, Vivian partiu sorrateiramente, deixando a população local surpresa. Ninguém nunca entendera os motivos daquela opção estranha da tão popular jovem. Alguns diziam que ela ficou louca, outros que era realmente fria. Histórias foram criadas, mas ninguém nunca chegou à conclusão que apenas era alguém só, com o coração partido e a vida inteira pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivian abriu os olhos e ergueu-se da cama, abraçando a sí mesma e então sorrindo. Como Etan pudera se interessar nela, com todas aquelas jovens dispostas ao seu carinho e atenção? Ainda rindo, partiu para a igreja onde acontecera um casamento que a emocionou muito. Quando os noivos saíram da igreja, jogou arroz para o alto e tinha os olhos marcados pela emoção. Foi então que notou que Gregor a observava distante, parecendo desejar decifrá-la naquele instante. Como se jamais a tivesse visto antes. Como se...Vivian balançou a cabeça, deixando aqueles pensamentos de lado. Estava velha e calejada demais para se portar como uma adolescente sonhadora. Mas toda aquela reflexão sobre seu passado a fez sentir um grande desejo de deixar de sofrer, queria muito ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas até o baile passaram rapidamente e Vivian se fitava no espelho, como se mal conhecesse aquela no reflexo. Havia trocado o vestido marrom por um púrpura, um dos últimos vestidos que ainda guardara depois daqueles anos. Havia arrumado-o, deixando um pouco mais na moda e o efeito não fora um dos piores. Agora tinha curvas de mulher, que preenchiam o tecido de maneira até mesmo atrevida, o que a fez sorrir com a própria vaidade que despertara. O que Gregor acharia dela com aquele vestido? E as pérolas de sua mãe? E o penteado que a criada a ajudara fazer, deixando-a tão parecida com a mulher que fora um dia. Será que ele pediria para dançar com ela? Riu baixinho e então saiu do quarto rapidamente, partindo com as irmãs de John na mesma carruagem, para Longburn. Sentia o olhar surpreso e ao mesmo tempo desgostoso para consigo vindo das jovens, mas pouco se importava. Parecia uma borboleta saída do casulo e se sentia assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando adentrou ao casarão lotado de pessoas, viu o quão apreciada fora pelas vistas gerais. Conversava com as pessoas de maneira animada, estava realmente feliz. Erin, ao longe, a fitou com uma expressão tão feliz que fez Vivian se sentir mais animada ainda. Foi requisitada para uma dança com um jovem oficial, e de prontidão o aceitou. Dançando, sentiu o olhar das pessoas sobre sí. Mas mal imaginava que era motivo de especulação ao longe, de dois homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gregor, meu amigo...O que acha da Srta. Winspear? - Perguntou Etan Thompson, que não desviava os olhos da figura da mulher em questão. Gregor, por sua vez, o fitou de soslaio e arqueou uma das sobrancelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual o motivo de tal pergunta, homem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Queria saber se tenho sua aprovação. - O homem fitou Gregor, sem nenhum traço de ironia ou gozação no olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está...Está dizendo que está interessado em Vivian Winspear? - Perguntou Gregor, que agora o fitava com extrema atenção. Etan se aproximou mais do amigo, dando um gole na taça que havia entre os dedos e continuando. Dividia sua atenção entre Gregor e Vivian, no salão de dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. Veja, ela é uma mulher mais velha e vivida. Sei que viveu um amor perdido e...Bem, meu amigo, sou um viúvo e já estou com trinta e oito anos. Não quero uma mocinha deslumbrada. Vivian Winspear tem tudo que desejo numa mulher... E, esta noite, notei que é uma perfeita dama da sociedade escondida em...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-...vestimentas de preceptora? - Interrompeu Gregor, que cruzou os braços e fitou o amigo, ainda sem demonstrar grandes reações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela ama outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei que com o tempo aprenderá a me amar. E eu a ela. - Etan parecia orgulhoso com a própria escolha, fitando Vivian como se esta fosse uma nova carruagem ou arma, a ser apreciada por todos. - E notei que existe um certo interesse dela em relação à mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Interesse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, longe de todos tivemos um flerte. - O homem riu, parecendo ter o ego elevado com aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com licença, tenho um assunto à resolver. - Gregor disse rapidamente, saindo de supetão e deixando o amigo sem chances de resposta. Mas este não se surpreendeu, era acostumado com a personalidade taciturna e impulsiva do seu amigo. Gregor saiu da casa, se aproximando do jardim e parando no lugar onde brigara com Vivian, parando alí e fitando a lua, tentando discretamente jogar para fora toda a raiva que sentia naquele momento. Acendeu seu charuto, sem saber o que fazer. Foi então que ouviu uma voz familiar o chamando, discretamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que faz aí só, Sr. Howard? - Gregor voltou-se e fitou Vivian, que se aproximara sorrateiramente e o observava com uma expressão curiosa. Estava mesmo muito bonita naquela noite. Uma versão mais sedutora e agradável da jovem que o humilhara naquele mesmo lugar, anos atrás. Aquele pensamento o deixou amargurado e então ele tragou o charuto, a fitando por entre a fumaça clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga-me, Srta. Winspear? Se pretendia se oferecer a Etan Thompson ou a qualquer homem, por que negara meu pedido de casamento anos atrás? - Vivian arregalou os olhos e deu um passo para trás, entreabrindo os lábios e nada dizendo. Gregor riu, uma risada sem felicidade e cheia de ironia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já havia perdido seu grande amor, podia ficar com qualquer um... Até mesmo Etan Thompson, mas nunca um jovem pobre e que a enojava com seu amor. Esta noite ví que a senhorita não mudou em nada. Nada mesmo. Ainda deixa a vida ser governada por sentimentos e desejos baixos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheio de raiva, Gregor adentrou ainda mais ao jardim e deixou uma Vivian estupefata e com o coração partido. Não sabia quando, mas sentiu como se houvesse perdido uma parte de sí naquela noite. Rapidamente, saiu correndo dalí e pediu para ser levada para Spencer Park. Deixaria Arton naquela noite, deixando alí mais um pedaço de seu coração e novamente sendo marcada pelas palavras de Gregor Howard. Ele sempre a julgaria errôneamente, ela jamais teria chances de recomeçar. Não sabia o porquê, mas sentia-se muito triste em saber que nunca seria vista com bons olhos por aquele homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-3775388965630928108?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/3775388965630928108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/3775388965630928108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-8-tormenta.html' title='Capt 8 - Tormenta'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-1598982024567719635</id><published>2009-02-24T21:40:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:41:59.549-08:00</updated><title type='text'>Capt 7 - Tormenta</title><content type='html'>Vivian acabara por despertar mais cedo que os demais, descobrindo que as festividades duraram muito mais tempo depois de sua partida. Tomou um café rápido e vestiu o primeiro vestido que encontrou, prendendo os cabelos de modo automático e partindo sem fitar-se no espelho. Queria passear sozinha, sem ter medo de ser flagrada por alguma pessoa inconveniente. Queria ver Longburn em paz. E tinha esta chance, já que o casamento na igreja aconteceria ao entardecer e as festividades em noite avançada. Claro, uma idéia exótica de sua prima, o que era de se imaginar.&lt;br /&gt;Bem humorada, continuou a caminhar por entre os campos, enlevada pelas lembranças de sua juventude, quando fazia aquele caminho com Erin para fazer exercício ou ver John. Seus passos eram lentos, perdia-se fitando todo aquele esplendor e via-se dando sorrisos soltos, sem intenções. Apenas pela alegria de estar alí...Ela, aquele lugar maravilhoso e suas lembranças acolhedoras. Decidida a chegar a Longburn antes que alguém pudesse dar por sua falta, apertou o passo na direção da grande casa e quando notou a proximidade, ergueu as saias e começou a correr. Corria, como fazia quando era jovem. Rindo, acabou chegando em sua linha de visão o casarão ao longe e os jardins que o emolduravam. Parou, com a respiração acelerada e sentiu-se extremamente emocionada. Foi inevitável não lembrar dos seus últimos dias no paraíso.&lt;br /&gt;Vivian trajava negro e fitava o jardim da casa, lembrando daquela noite em que destratara Gregor. Não conseguia esquecer seu olhar de desprezo, suas palavras cruéis. Estava vivendo um pesadelo. Richard estava desaparecido e ela acabara por descobrir, através do velho senhor Spencer que seu pai estava caído em dívidas, coisa que Richard somente se aprofundou em seu desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, o piano não! - Exclamou Vivian, ao ver que seu piano forte estava sendo levado. Se aproximou dos carregadores a segurou suas mangas, tornando a chorar. Sra. Lincon a puxou e então Vivian escondeu sua face por entre os braços da governanta, desatando em lágrimas. Empregados foram dispensados, móveis sendo vendidos, tudo para cobrir as dívidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh minha menina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sra. Lincon, onde está Richard? Não posso acreditar que ele me deixou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele logo aparecerá, verás...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isto é um pesadelo! Um pesadelo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soltou-se dos braços da governanta e correu ao escritório. Não, não estava só. A ultima carta que mandara ao "Sr. H" não fora respondida, o que ela estranhou. Mas, certamente não tardaria em receber uma resposta. Não podia esperar por viver com ele, fugir daquilo tudo. Ao ver-se perdendo todos seus bens materiais, acabou notando o que seu pai não notara: Que os bens materiais não eram tão importantes quanto o amor de seus bem quistos. Foi então que ouviu duas batidas na porta e a face agradável de John surgindo, com uma expressão um tanto quanto transtornada. Se aproximou rapidamente de Vivian e então baixou os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho notícias ruins, Srta. Winspear. Falarei rapidamente para que não possa vacilar...- Respirou fundo, fechando os olhos e tornando a falar. - Richard foi preso, tentou assassinar um dos homens que atormentava seu pai. As dívidas são maiores do que imaginávamos, terá que vender a casa e as propriedades. Felizmente, lhe restará uma boa quantia em dinheiro, que lhe servirá até o matrimônio. - Calou-se, abrindo os olhos e se deparando com uma Vivian pálida e trêmula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor me repita, o que John fez?! - Era visível que tinha medo do que acabasse por descobrir, mas tinha que levar isso à diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Houve um atentado, ontem à noite. Ele e mais os herdeiros de Lopez atearam fogo no galpão de Santa Marta, onde os homens faziam uma reunião secreta. - A voz de John era baixa e sua face, rubra. Parecia temer as reações de Vivian.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Galpão de Santa Marta?! Mas... - Vivian respirou fundo. Era onde mandava entregar as cartas ao Sr. H. Fechou os olhos e continuou a falar. - ...existem mortos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dois homens morreram. Houveram vários feridos. Felizmente, não foi provado que Richard realmente fez parte do atentado, mas é certamente um dos prováveis envolvidos. Está foragido e creio que não aparecerá tão cedo. Sinto muito, Vivy. - John se abaixou, tomando as mãos de Vivian nas suas. Sentia-se culpado. Se tivesse se casado com Vivian, ela não estaria naquela situação tão triste. Era egoísta, pensara somente em seu próprio lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desejo ficar só, John. Me deixe. - Falou Vivian, o fitando de maneira séria e controlada. Ergueu-se da cadeira e se aproximou da janela, fitando os homens levarem os pertences do casarão por entre o jardim. John ergueu-se, um tanto hesitante e a fitou, calado. E então partiu rapidamente, precisava pensar. Precisava pensar bem antes de fazer o que imaginava.&lt;br /&gt;Já Vivian abraçou à sí mesma, respirando fundo. Mais uma desgraça. Primeiro seu amado pai, agora perdera Richard para sempre. E talvez... Não, não era possível. Se aproximou dos papéis e, com lágrimas nos olhos, começou a escrever numa caligrafia borrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Caro Sr. H.&lt;br /&gt;Acredito em teu amor, pois acredito no meu.&lt;br /&gt;Sei que existe sentimentos iguais, corações batendo num mesmo ritmo, em uníssono.&lt;br /&gt;Não posso imaginar-me viver sem tí.&lt;br /&gt;Eu o amo. Desesperadamente.&lt;br /&gt;Creio que deva saber de minha situação, nada mais me prende aqui.&lt;br /&gt;Só posso desejar uma coisa em minha vida: ficar ao teu lado.&lt;br /&gt;Encontre-me na colina de Willard, às 8 da noite.&lt;br /&gt;Deixarei de lado tudo para começar uma nova vida contigo.&lt;br /&gt;Começar um novo eu.&lt;br /&gt;Eternamente sua...&lt;br /&gt;Vivian."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele mesmo minuto, mandou a carta para a Sra. Tilly. O resto do dia se passou num misto de tristeza e excitação. Ninguém imaginava o que estava à fazer, sequer sabia quem era seu amado. Só tinha certeza de que o amava e, por mais insano que isso pudesse parecer, nada foi tão real do que aquelas cartas trocadas entre dois corações unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe o que me lembra esse jardim? - Vivian acordou de seus devaneios, fitando Gregor que se aproximava sorrateiramente. Se distraíra tanto que não ouvira o aproximar do homem, montado num belo cavalo negro e digníssimo em um traje de montaria fino. Os olhos negros a fitavam como se vasculhassem sua alma, numa tortura muda, discreta. Vivian desviou o olhar, sabendo bem do que ele se referia. A tal noite chuvosa, em que o desprezara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei. E quero que saiba que sinto muito. Por tudo. - Respondeu Vivian, erguendo a face o fitando por sobre o animal, mantendo-se séria e compenetrada. Sabia reconhecer seus erros e tinha humildade em tentar repará-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei que sente, Srta. Ainda mais eu me tornado rico... - Rapidamente foi interrompido pela voz estupefata da mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-...não diga bobagens! Eu não acredito que leve... - Foi então a vez de Gregor interrompê-la, saltando do cavalo e então apontando para Longburn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...e o dono do lugar em que vivera seus anos mais felizes. - Fitou-a com um olhar cheio de curiosidade e sarcasmo, parecendo não deixar fugir qualquer mudança de expressão da mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor é o novo dono de Longburn? - Depois de um momento de silêncio, rapidamente Vivian se recompôs e tentou agir com naturalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. - Ele se aproximou mais alguns passos de Vivian, como a própria imagem de todos seus erros do passado, a atormentando e ao mesmo tempo fascinando. - Eu disse a tí e ao seu pai que teria Longburn para mim. Srta. Winspear, eu... - Parecia sério, fitando-a nos olhos e parecendo alguém mais humano, mais dócil. Uma imagem que rapidamente sumiu da expressão de Gregor, como se ele fosse vencido por uma outra vontade íntima. -...eu tenho sempre o que quero. Nunca se esqueça.&lt;br /&gt;Como se fugindo dos próprios demônios, Gregor se afastou rapidamente e montou o cavalo numa rapidez que surpreendeu Vivian. Ele partiu tão rapidamente como chegou e então, com um pensamento um tanto quanto irônico, a mulher reconheceu que a presença daquele homem sempre fora como uma tempestade em sua vida: Forte, intensa, sorrateira e que lhe deixaria marcas para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-1598982024567719635?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/1598982024567719635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/1598982024567719635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-7-tormenta.html' title='Capt 7 - Tormenta'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-3033697369165740522</id><published>2009-02-24T21:39:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:40:51.398-08:00</updated><title type='text'>Capt 6 - Tormenta</title><content type='html'>- Realmente, não lembra a jovem que conheci. - Disse Sr. Sinclair para todos, quando a figura de Vivian desapareceu por completo, subindo as escadarias rapidamente. Logo o homem continuou. - Tão discreta e melancólica, nem parece a jovem que animava qualquer a reunião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deve compreender quanta tristeza este lugar trás a minha prima, Sr. Sinclair. - Erin desatou a defender Vivian, enquanto se aproximava do noivo e se sentava ao lado dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh sim, pobre garota. Um pai suícida, um irmão marginal e uma fortuna perdida! - Exclamou Josephine, fingindo ter um pouco de compaixão e, é claro, declarando a história de Vivian para os demais que não a conheciam na reunião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que me entristece é saber o quão triste ficaria o velho Winspear ao ver a filha assim... Precisamos ajudá-la, meus amigos. - Declarou Sinclair, fitando os demais. Gregor, na varanda, ouvia a conversa enquanto fumava seu charuto aparentemente "distraído" com as estrelas naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Devemos lhe arranjar um matrimônio! Se não casar logo, será uma velha preceptora solitária, não quero que isso aconteça com a minha querida amiga. - John se manifestou, recebendo um sorriso animado da noiva e então fitando os dois solteiros presentes, com uma expressão inquisidora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu filho querido, achas mesmo que alguém desejará casar com ela? Está velha, sem contatos ou propriedades, ou seja, pobre. Perdeu o brilho da juventude, agora é uma mulher discreta e com medo da vida. Nunca poderá competir com as jovens casadouras, tão prendadas, belas e cheias de vida. - A voz de Josephine se ergueu, enquanto a mesma dava uma volta pela sala e fitava as filhas, que sorriam entre sí, confirmando a afirmativa da mãe sobre a comparação velada entre elas e Vivian.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alíás... - continuou Josephine - ... ela nunca desejou se casar. Terminou o compromisso com meu John sem mais nem menos e jamais aceitou nenhuma proposta de casamento. Creio que seja fria ou até mesmo algo pior...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como ousa falar algo do tipo, mamãe?! - Disparou John, a fitando cheio de vergonha. O veneno de Josephine para com Vivian era exagerado, o que trazia um incomodo geral entre as pessoas que alí estavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E estou mentindo? Mesmo em seu auge, nenhum homem demonstrou nenhum interesse sentimental por ela, meu querido John. Nem mesmo você, que por sinal não ficou nem um pouco infeliz com o término do noivado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha sogra se engana. - Erin se levantou, se aproximando da sogra e a fitando nos olhos. Não havia bons sentimentos de Josephine para com Erin, achava-a desmerecedora dos sentimentos de John. - Vivian teve um grande amor, sim. Mas as pessoas que não a conhecem se deleitam ao falar mal do que mal sabem.&lt;br /&gt;Josephine teve as faces enrugadas tomadas pelo rubro e fechou os dedos de encontro à palma, irritada com as palavras da futura nora, que por sua vez parecia tomada de uma estranha valentia. Amava demais a prima e ninguém além dela e de John sabiam o quão boa ela fora para com o casal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um grande amor? E podemos saber quem é? - Indagou Etan Thompson, aparentemente interessado no novo fuxico que instalara naquela festa. Gregor adentrara novamente, fitando Erin com uma expressão reservada, todos estavam esperando a resposta da mesma. Erin, por sua vez, ergueu o queixo de maneira orgulhosa e em seguida riu, fazendo um sinal negativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jamais revelaria as intimidades de minha prima, já o fiz até demais. Apenas posso dizer que foi à muito tempo, ela ficou muito marcada com a história e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-...jamais pode entregar seu coração a outro, Srta? - Concluiu Gregor, que se aproximava do grupo e arqueava uma das sobrancelhas para Erin, que tinha a face rubra. Havia dito muito, não poderia remendar. A mulher fez apenas um sinal positivo com a cabeça e então o resto do grupo ficou envolvido com a história misteriosa da herdeira de Heinrich Winspear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho isso muito romantico. Entregar seu coração a alguém e privar-se desta maneira como Srta. Vivian o fez. É mesmo uma mulher intrigante. - Tornou a falar Etan, que fitou a escada por onde Vivian subira momentos antes, aparentemente a imaginando com seu amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que diz isso, Etan? Está interessado em Vivian Winspear? - Indagou Gregor Howard, que fitava as chamas da lareira de modo instrospectivo. Suas palavras eram ásperas, combinando com sua figura um tanto quanto distante e misteriosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está, Gregor? - Etan se levantou, cruzando os braços e caminhando na direção de Gregor, que mantinha os olhos fixos nas chamas rubras da lareira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tanto quanto a Sra. Spencer. - Os demais riram das palavras de Gregor, que manteve-se impassível enquanto Etan lhe dava tapas amigáveis nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu amigo, ainda quero conhecer a mulher que quebrará este gelo em que você se mantém. - Etan disse entre sorrisos e então se afastou, se aproximando de Louisa e pedindo para que ela tocasse algo no piano forte. Assim Vivian já não era mais o foco de ninguém naquela noite. Ou era o que se imaginava.&lt;br /&gt;Gregor novamente se aproximou da janela, parecendo ainda mais introspectivo quanto antes. Fixou seus olhos em John e então cerrou-os, parecendo solucionar o mistério que o atormentara durante tanto tempo. Vivian amava John Spencer, que amava sua prima e era recíproco. Vivian abdicou de seu amor pela felicidade do casal.&lt;br /&gt;Naquele momento a admirou ainda mais e odiou a sí mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-3033697369165740522?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/3033697369165740522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/3033697369165740522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-6-tormenta.html' title='Capt 6 - Tormenta'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-3675265696550910836</id><published>2009-02-24T21:38:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:39:21.453-08:00</updated><title type='text'>Capt 5 - Tormenta</title><content type='html'>Não soube bem ao certo qual dos dois desviou o olhar antes. Só notou o fim daquela comunicação visual quando a voz de Josephine a praticamente arrancou daquele encanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Realmente, uma bela apresentação. Mas tão triste! Garanto que Laura os animarão muito mais. - Vivian foi quase empurrada do banco, se levantando um tanto cambaleante enquanto Laura Spencer se sentava alí, aproveitando a proximidade com Gregor e querendo trocar os mesmos olhares que trocaram antes. Forçando um sorriso, se afastou evitando fitar aquela cena. O estranho é que ver ele com a jovem lhe trouxe um aperto no coração, algo que íntimamente se recriminou. Não gostava dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei que pensa como seria se tivesse dito sim, minha prima. - Erin a acordou de seus devaneios, se afastando por entre os convidados sorrateiramente, a deixando com aquele pensamento em mente. Do que sua prima estava falando? De seu compromisso com John? Ou... Não, ninguém sabia disso. Fixou seus olhos na imagem de Gregor, que gracejava com Louisa Spencer, irmã de John próximo do piano. Sentou-se lentamente na poltrona, mais uma vez retroagindo no tempo.&lt;br /&gt;Estava em frente ao piano, chovia ao lado de fora de sua casa. Lágrimas caíram por entre seus dedos, molhando as teclas. Nunca havia chorado tanto em sua vida. Erguia os olhos avermelhados, fitando a sala escura e procurando seu pai, imaginando que aquilo era uma piada, uma ilusão. Tocaria aquela música até que ele aparecesse, até que ele a envolvesse com seu amor, que a protegesse do mundo. A governanta, Sra. Lincon a fitava da porta da sala, com os olhos avermelhados de lágrimas e sentindo muita pena da jovem Winspear. O que seria de Vivian? Não tinha mais seu pai, nem John. Não poderia nunca poder contar com Richard, que com a morte do pai parecia ter um demônio no corpo, não parando em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha querida... - Se aproximou a governanta, a tocando nos ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me deixe! Vá! - Gritou Vivian, parecendo temer sí mesma. Sra. Lincon partiu rapidamente, sem saber o que ser feito da voluntariosa garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não soube bem ao certo o quanto mais tocou, mas pode sentir um olhar sobre sí. Voltou os olhos para fora da janela, fitando um homem que a observava ao longe, no jardim, em meio à chuva. Seu pai! Seu pai voltou! Se levantou e atravessou todo o casarão, erguendo as saias negras volumosas e rindo. Uma grande piada, sabia que ele não a deixaria. Sempre soube que.... Sem fôlego, se aproximou do homem e descobriu que não era seu pai. Soltou as saias ao chão, tendo o sorriso morrido em seus lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que faz aqui? - Murmurou, fitando o rapaz que julgava ser um dos responsaveis da morte de seu pai. Um dos que trouxe tantas desgraças para a vida de Heinrich Winspear, que o fez tirar a própria vida. Soube do suicídio do pai na manhã anterior, quando Richard surgira por entre a porta em estado lamentável. Vivian fazia um bordado, próxima à lareira. Havia acabado de mandar uma carta ao seu admirador secreto, estava com um ótimo humor. Seu irmão adentrara a sala, com as roupas amassadas e a face inchada. Se aproximou da irmã e se ajoelhou ao seu lado, depositando a face por sobre as pernas de Vivian, em seguida desatando a chorar como um menino. Em meio à lágrimas, contou que o pai de ambos havia se suicidado na noite anterior, foi encontrado num hotel barato. Havia tomado venêno e deixado uma carta para ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me responda, o que faz aqui?! - Gritou Vivian ao ver que Gregor nada fazia, a fitando por entre a chuva e mantendo-se mudo. Tornou a chorar e então foi abraçada com certa violência pelo rapaz, que a apertava contra os braços como se quisesse fundir o corpo de Vivian ao seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou te proteger! Você é minha, vou te proteger...Nunca mais o mundo a fará sofrer! - Disse aos seus ouvidos, com a voz trêmula de emoção. Lágrimas deslisavam pela face do jovem, se misturando as gotas de chuva. Vivian o empurrou, o fitando de maneira raivosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do que está falando?! Você é louco! - Estava mesmo chocada com os modos do rapaz. Imagine, casar-se com ele! Novamente Gregor se aproximou, tomando as mãos de Vivian entre as dele, a pele macia da jovem rica contra a arranhada e calejada do jovem pobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu a amo. Meu coração sangra ao te ver sofrer, case-se comigo! Irei cuidar de tí, irei a fazer feliz nem que isso seja a última coisa que faça neste mundo.- Vivian se calou, fitando-o nos olhos. Estava realmente louco, havia perdido a noção das coisas. Ela, casando-se com um dos desafetos do seu pai?! Ainda mais aquele homem odiável. Acabou por rir alto, soltando da mão dele como se o toque a queimasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é louco ou perdeu mesmo a razão? Acha mesmo que me casaria contigo?! Um pobretão, que infernou a vida do meu pai até que ele mesmo a findasse. Um homem tão egocêntrico que acha que pode se casar com uma jovem como eu?! - O homem a fitou como se jamais tivesse a visto antes, pálido pelas palavras que ouviu da mulher que dizia amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas...Você me ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como pode achar isso?! Jamais o amaria, nem se esta fosse minha última opção na vida. - Ergueu o queixo, em sinal de orgulho. Naquele momento teve uma revelação: jamais cogitaria amar outra pessoa, a não ser seu querido "Sr. H.". Onde ele estaria agora? Enquanto o fitava, fitava aquele jovem pobre e sem atrativos, teve a idéia de escrever para seu amado. Certamente ele a apoiaria naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após alguns momentos de um silêncio entre ambos, Gregor respirou fundo e se aproximou de Vivian, tomando-a entre os braços e erguendo seu queixo, a focalizando em seus olhos. Seu corpo estava trêmulo, parecia estar prestes à perder a compostura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mulher odiável. Acha mesmo que alguém desejará tê-la? Alguém tão venenosa e fútil, tão vazia de sentimentos e respeito ao próximo. Ainda irá se arrepender, senhorita. Ainda se arrependerá de ter feito tão pouco de meus desejos e sentimentos. - A empurrou, fazendo-a cambalear para trás. A fitou uma última vez, e aquele olhar Vivian jamais esqueceria. Havia ódio e desprezo, algo que jamais havia recebido de alguém. Foi então que lhe deu as costas e partiu, a deixando sozinha em meio a aquele jardim enorme, tomado pela tempestade.&lt;br /&gt;Vivian ergueu-se do sofá, se sentindo entristecida. Sabia que logo desataria à chorar, e isso seria demais na frente de toda aquela gente. Fitou Josephine e em seguida John, dando-lhes um sorriso polido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Irei me recolher. Amanhã me parece ser um dia cansativo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pretende voltar amanhã mesmo, srta. Winspear? - Indagou Tomas, a fitando com uma expressão de falso interesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, sim. Após o casamento. Ficarei apenas uma hora nas festividades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem mesmo amor pelo que faz, não é mesmo? Acredito que foi uma boa escolha, jamais teria sido uma boa esposa. - Disse Josephine, sorrindo de modo discreto e ao mesmo tempo diabólico. Vivian baixou os olhos, fitando as próprias mãos enquanto tentava pensar em alguma resposta. Todos estavam calados, pasmos com as palavras ferinas da Sr. Spencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Srta. Vivian tem muito mais à mostrar ao mundo sendo preceptora. Tem espírito livre, é talentosa. Muito mais do que as vaidades mundanas da maioria das esposas, Sra. Spencer. Mas isso não quer dizer que não seria uma esposa devotada e uma mãe amável. - Gregor acabaria com o silêncio, surpreendendo à todos e devolvendo a Josephine uma resposta que a deixou sem palavras. Vivian o fitaria surpresa e em seguida sorriu, um sorriso tão cheio de gratidão que Gregor pareceu não aguentar, desviando os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu, sem dúvidas, serei uma ótima esposa. - A voz afetada de Louisa soou, fazendo charme à Gregor novamente, que riu das maneiras da jovem. Vivian viu naquela mudança de foco a oportunidade de sair, fazendo uma discreta mesura geral e seguindo para o próprio quarto, em passos rápidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando adentrou ao aposento, se jogou na cama e ficou a fitar os desenhos em madeira que haviam no teto do quarto. Magoara Gregor à dez anos atrás e agora ele se mostrava tão bom para ela. Ele realmente se vingou... Se mostrou tão piedoso e superior como ela jamais fora um dia, e aquela idéia a fazia se sentir o ser mais pequeno e egoísta do mundo. Era tarde para se arrepender.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9033997897031525302-3675265696550910836?l=osecretojardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/3675265696550910836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9033997897031525302/posts/default/3675265696550910836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osecretojardim.blogspot.com/2009/02/capt-5-tormenta.html' title='Capt 5 - Tormenta'/><author><name>Cristina.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03542902556697769198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-xxAlTSFPY8U/TYqYHeygNoI/AAAAAAAAALU/cj-u2sh2KpQ/s220/moto_0603.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9033997897031525302.post-8945958923185806494</id><published>2009-02-24T21:36:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:37:49.177-08:00</updated><title type='text'>Capt 4 - Tormenta</title><content type='html'>Vivian desviou o olhar de Gregor, baixando os olhos sem saber o que fazer. Parecia que aquela festa era um ninho de cobras e ela, o alimento delas. Os quatro homens a fitavam, estranhando seu acanhamento. Nunca fora uma pessoa tímida, e jamais imaginariam que seu silêncio estava além da timidez. Respirou fundo e forçou um sorriso, fitando Gregor e fazendo uma mesura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, nos conhecemos. Espero que esteja bem, senhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou muito bem, senhorita, como pode ver. - Sorriu de modo galante e as irmãs de John suspiraram discretamente, se aproximando de todos. Apenas Gregor e Vivian sabiam que aquilo não era um flerte, era uma provocação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabaria por forçar um sorriso e não continuar o breve diálogo, para logo findar com aquilo. O que não foi necessário, logo as irmãs de John chamaram a atenção dos cavalheiros com suas vestimentas requintadas, suas provocações "inocentes" e a alegria da juventude. Aliviada, Vivian seguiu na direção da grande janela da sala e ficou a fitar a noite estrelada. Parecia ser este o único acalento para aquela situação. Queria fugir de Gregor, de Josephine e de toda aquela gente que conhecia tão bem sua história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está tudo bem? - Vivian voltou a face e se deparou com a expressão preocupada de Erin. Oh, como sua prima era querida, como a amava! Forçou um sorriso e fez um sinal positivo com a cabeça. Estava realmente decidida a se mostrar feliz, para fazê-la feliz até a sua partida. Logo estaria novamente na casa dos Hiller, tornando a ensinar as jovens filhas do casal e vivendo na segurança de sua vida discreta e sem grandes planos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está sim. É claro, é inevitável vir para Arnand e não lembrar do passado. Mas, fique tranqüila, não existe nenhum tipo de dor no meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fico aliviada com tuas palavras, prima. É impressão minha ou minha sogra a alfinetou agora à pouco...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, perguntou de Richard. Mas não foi nada que seu noivo não deu um jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- John gosta muito de você, Vivy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu dele. - Voltou a cabeça para trás e fitou John, que conversava animadamente com Gregor. Foi inevitável seus olhos focarem a imagem do homem que a provocara momentos antes e, um tremor tomou seu corpo. Erin a fitava de soslaio, parecia que nada escapava de seus olhos. Entreabriu os lábios mas nada dissera, sendo interrompida pelo chamar de Josephine para o jantar.&lt;br /&gt;Sentou-se ao lado de Erin e teve o azar de ficar em frente a Gregor, tendo Josephine ao seu lado. Respirou fundo, não tinha como ficar pior. Felizmente o assunto geral foram os preparativos do casamento e o quão prendadas eram as irmãs de John, que se inflavam a cada elogio recebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca me esquecerei o último baile de seu pai, srta. Winspear. - Disse um senhor ao fundo da mesa, sem nenhuma maldade ou intenção de atingí-la. Sua voz era tranqüila e parecia mostrar-se saudoso. Vivian sorriu ao mesmo, fazendo um sinal positivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não consigo me lembrar de festa tão feliz para mim, senhor. Foi uma ocasião que me deixa boas lembranças, realmente. - Manteve o sorriso e voltou a se concentrar na comida, dando por terminado o assunto. Porém, o homem tornou a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lembro que cantava divinamente, srta. Não havia voz mais bela que a tua. - Ergueu o cálice em direção à Vivian, que por sua vez sentiu o arder das lágrimas envolver seus olhos e face. Parecia voltar no tempo naquele momento, tocando seu piano forte e seu pai, a escutando sentado próximo à lareira. Tinha uma expressão de paz e amor para com a filha, era visível seu orgulho. Vivian cantava as canções que o faziam feliz, por mais que o dia de trabalho fora ruim para seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Tua voz me faz me sentir em casa. Encontro meu lar em tí, minha querida. Em tua música, a esperança de um dia ser feliz." &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu querido Senhor H. lhe escrevera isso numa de suas cartas. Vivian sabia todas de cor, as guardara como tesouros durante aqueles 10 anos. Jamais alguém conhecera tão bem sua alma, tocara seu coração como ele o fizera. Após o dia do ataque á ela e Erin, passou-se um mês em que todos os dias trocara cartas com seu amado admirador. Ao fim dos trinta dias, estava completamente apaixonada.&lt;br /&gt;Palavras que antes transmitiam apenas flertes e conversas casuais sobre poesia, natureza e política local, logo se tornaram longas juras de amor. Novamente Vivian se sentia segura. Alguém a amava neste mundo, alguém nascera para ela. Almas que pertenciam uma a outra, como partes de um mesmo ser. Tão envolta estava naquele romance, que sequer notara as mudanças que aconteciam ao seu redor naquele mês. Seu pai ainda não retornara, Richard acabara por assumir alguns negócios da família. Sempre apareciam homens batendo nas portas de Lorgburn, mas em sua ignorância, jamais dera algum valor à aqueles fatos. Quando realmente caiu em sí, tomou uma carruagem e seguiu para a cidade, à fim de procurar seu irmão na casa de reuniões local. Passando pela praça da cidade, viu uma reunião de homens que gritavam ao redor de um palanque, onde um jovem discursava algo aos berros, em ecstase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pare a carruagem, homem. - Disse Vivian, quando estavam próximos ao povo. Foi então que reconheceu o jovem que gritava, era o mesmo que enfrentara seu pai naquela tarde. Vivian torceu o nariz, rapaz impertinente aquele. Até que começou a prestar atenção no que o outro gritava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fomos roubados, precisamos agir. Homens como Winspear e Lopez não podem ficar impunes! Temos que tomar o que é nosso de direito, não farão jantares e gozarão de luxos às nossas custas! - Vivian arregalou os olhos, estavam fazendo um complô contra seu pai e o sr. Lopez. O fitou com tanta raiva que, inevitávelmente, ele sentiu a força de seu olhar e o correspondeu. No meio de todos aqueles homens, de todas aquelas pessoas, a troca de olhares acabara por dizer bem mais do que mil palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é ele? - Perguntou ao cocheiro, com a voz carregada de raiva. O homem se encolheu, conhecia bem o temperamento da srta. Winspear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É Gregor Howard, senhorita. Acredito que o pai dele tinha negócios com o seu, à algum tempo atrás. - O comentário foi feito de supetão, surpreendendo Vivian. Seu pai metido com toda aquela gente pobre? Vivian voltou-se para frente e respirou fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Continue guiando, este homenzinho vai ter o que merece. - Como um rapazote daqueles ousa falar de seu pai? Vivian estava realmente furiosa, já o odiava mais do que odiara alguém em sua vida. Ouvia ao longe o continuar da reunião dos homens, mas estava com a cabeça em outro lugar. Não podia imaginar o seu pai, aquele homem tão bom e cuidadoso, prejudicando alguém com menos sorte na vida. Não, Gregor Howard era um homem sem moral que estava tentando prejudicar seu pai. No fim das contas, não encontrara Richard e partira imediatamente para casa, tinha que escrever para seu pai urgentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que não toca e canta para nós, Srta. Winspear? - A voz de Sr. Howard acordou Vivian de seu triste devaneio. Ela tomou um gole do vinho como se este pudesse esconder sua face, mas nada fora dito para salvá-la. Fez um sinal positivo com a cabeça, evitando fitá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acredito que as senhoritas Spencer estejam bem mais aptas à mostrar seus talentos do que eu, senhor. - Fitou as moças, novamente infladas com a chance de mostrar seus dotes aos cavalheiros. Principalmente a Gregor. Mas este,por sinal aproveitou que Vivian era o foco das atenções, e continuou a insistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Creio que o senhor Sinclair esteja um tanto saudoso esta noite. Irá negar este prazer ao nosso amigo? - Gregor fitava Vivian fixamente, como um gato que brincava com um rato acuado. Em seguida fitou o tal Sr. Sinclair, que realmente parecia feliz com a perspectiva de ouví-la. Sem falsas modéstias, sabia que provávelmente era melhor que as jovens irmãs de John.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, se é para satisfazer o sr. Sinclair, cantarei e tocarei piano forte após o jantar. - John emitiu um som de alegria e Erin sorriu. Vivian permitiu-se ficar feliz naquele momento, era apreciada por pessoas importantes para sí. Gregor se encostou na cadeira e a fitou com os olhos semi-cerrados, sem expressar nada em sua face máscula. Não havia como negar, se tornara um belo homem. E rico, pelo visto. Pelo visto vencera na vida, como mesmo previra à dez anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se sentou em frente ao piano, dedilhando um pouco para se acostumar com as teclas do mesmo. À algum tempo não tocava por prazer e, por questão de orgulho próprio, iria mostrar-se tão talentosa quanto antes. Respirando fundo, escolheu uma música de composição própria, tocando-a de cabeça. A música que fizera ao seu pai. Fechou os olhos e lembrou da imagem dele, sentado ao fundo da sala e a fitando com os olhos amorosos, com o pequeno cálice de licor entre os dedos. Dez anos atrás, tocara aquela música entre lágrimas durante três noites seguidas. Enquanto deslisava os dedos por entre as teclas, sua voz envolvia a sala e parecia adentrar ao coração daquelas pessoas, até mesmo as que a desejavam tão mal. Três minutos e meio. Foi a duração de sua música, da lembrança de seu pai, da dor que sentia ao lembrar de tudo aquilo.&lt;br /&gt;Quando soou o último som do piano, abriu os olhos e se deparou com aquelas pessoas em silêncio. Erin tinha os olhos marejados, John a fitava com u
