Bem mais que um sapo
É inevitável. O primeiro julgamento que fazemos sempre é o da superfície, o estético, aquele que nos faz recordar de algo já impregnado em nossa mente, em nossas lembranças. É o mais fácil, talvez o instintivo. Mas nem sempre é o correto, a vida é cheia de camadas, nuances que não são perceptíveis a tais julgamentos superficiais.
Uma das histórias infantis mais famosas da literatura clássica universal é a da “Princesa e o Sapo”. A princesa julga a criatura somente por sua aparência grotesca e animalesca, sem imaginar que por trás daquela forma de anfíbio existia um príncipe encantado. Fugindo das fantasiosas e romantizadas histórias infantis, pode-se sim aplicar tal conceito na nossa vida.
Em 1994 o mundo perdeu o seu ídolo máximo do rock, Kurt Cobain. Tido como revolucionário, ergueu as bases do estilo grunge e o popularizou pelo planeta. Todos invejavam sua vida de dinheiro, festas e glamour. Ninguém imaginava o que realmente deveria ser a vida deste por trás da máscara de pop star. Seu suicídio foi um choque para o mundo, ninguém imaginava que alguém com tanto poderia ver-se numa vida miserável. A verdade é que nem tudo que parece, é.
Não se trata somente da vida humana, mas de expressões desta também. Uma pessoa leiga em literatura sempre considera a poesia como algo leve, ligado ao amor romântico, à paixão. Engana-se profundamente. Entre os malabares de palavras complicadas, entre frases com rimas básicas, pode-se encontrar a faceta de dizeres que alardeiam violência, dor e a morte.
Nem sempre a melhor embalagem contém o melhor produto. A quem deseja levar a vida com prudência, deve usá-la para construir seus julgamentos. A forma é diferente do conteúdo, por mais que insistamos em uni-los como uma coisa só. No final das contas a princesa estava certa, vale à pena beijar o sapo.