O Pigmalião
“Vou transformar esse filhote de dragão numa duquesa!”, essas foram as palavras que designariam o desenrolar de uma das histórias mais famosas do cinema clássico, a do musical estrelado por Audrey Hepburn chamado “My Fair Lady”. O enredo é baseado na lenda do Pigmalião, o rei de Chipre e escultor que se apaixonou pela sua obra prima, a estátua daquela que imaginava ser a mulher perfeita. Penalizada, a deusa Afrodite transformou a estátua numa mulher de carne e osso, Galatéia. Não diferente do mito do mito do Pigmalião, o filme mostra o encontro entre o culto professor de fonética Henry Higgins e a mendiga vendedora de flores Eliza Dolittle. Num embate entre ambos e horrorizado com o modo de falar da jovem, o professor diz que a transformaria numa perfeita lady em apenas 6 meses. Bem, o que se imagina ao vislumbrar tal cena é a transformação de Eliza, que termina o filme tal qual a diva de Pigmalião, perfeita aos olhos de seu “criador”.
O que se pode tirar do famoso filme é muito mais do que a história de amor entre Higgins e Dolittle, mas sim, a importância de como algo pode ser aceito, vendido e até amado quando se mostra envolto por algum verniz de cultura, erudição. Assim como a florista, um empregado ou uma empresa consegue alavancar-se e até ser melhor aceita quando mostra-se capaz de dominar a língua portuguesa com perícia.
Um comunicador institucional, aquele que lida com todos os viés comunicativos de uma organização, quando se não tem segurança e domínio da linguagem vigente em seu país mostra-se completamente incapaz. Lidar com as palavras, saber dominá-las – e não ser dominado – é uma das capacidades mais imprescindíveis para um comunicador. De tal profissional se espera a completa segurança para tratar a comunicação e nenhuma comunicação é feita com palavrórios errôneos, frases desconexas e sem sentido. O feitiço viraria contra o feiticeiro, o comunicador – a quem se espera ser o pilar da sabedoria linguística da corporação – se tornará desnecessário, podendo ter seu cargo usurpado por pessoas com outras formações diferentes da sua.
Um comunicador institucional deve dominar não só as vivências de uma vida corporativa, as estratégias de comunicação, mas sim como estas devem ser guiadas e redigidas de maneira correta. É o caminho correto para que tal profissional seja digno da mesma admiração que se daria a uma obra prima tal qual a do Pigmalião.