Os convidados se foram aos poucos, numa comunicação silenciosa e maliciosa de que os, então marido e mulher, desejavam ficar à sós. John e Erin Spencer foram os últimos à saírem, um tanto quanto elevados pelo álcool que beberam e felizes pela felicidade de Alexander e da nova amiga do casal, Madelyn. Quando Alexander fechou o portão de ferro e deparou-se com o silêncio do castelo, pode sorrir. Caminhou lentamente pelo salão vazio e bagunçado, com os restos da festa alegre que houvera alí à pouco. Riu baixinho, lembrando do comentário de Vivian Howard, que abraçada ao marido comentou que Wildenthorn estava se tornando popular pelas festas grandiosas e um tanto quanto misteriosas. Mais tarde Alexander pode imaginar que era aquela mulher, também recém casada, que estava sendo observada com tanta atenção por Richard Winspear, seu irmão.
Enquanto subia as escadarias, lamentava por Richard. Sua aparência remetia não só o desleixo típico dos piratas - o que ele imaginava que o amigo se tornara - mas também o ódio e a dor de um amor não vivido. Alexander sabia como era aquela dor, vivera com Tereza. Mas não conhecia tal intensidade. A conheceu no tempo em que ficou longe de Madelyn, que a imaginou nos braços de seu irmão, Ralph.
Praguejou enquanto tinha a imagem do irmão em sua mente. Seguiu para a biblioteca e serviu-se de conhaque, enquanto fitava a noite através da janela. Ralph havia lhe dito, na noite do baile antes de Madelyn o encontrar, que seu estado de saúde estava ruim e que logo viria à falecer. E que Gerard estava atrás da irmã para matá-la. Enquanto Alexander agonizava com tais noticias, o irmão ainda confessou que estava apaixonado pela jovem e que lhe daria uma boa vida após a morte do irmão. A persuasão ocorreu de maneira fácil, já que Alexander amava muito aquela mulher e não desejava vê-la sofrer. Poderia ter se casado com ela naquele momento, mas logo morreria e Gerard a mataria. Ou algo pior. Sabia que com Ralph estava à salvo, Jonathan tinha uma fama ruim e agora Alexander sabia o motivo.
- Evageline... Como pode matar minha irmã...? - Alexander fechou os olhos e jogou a taça de vidro ao chão, trêmulo e inconformado.
A imagem de sua irmã salvando-o daquela desgraça e enfrentando os irmãos, sendo levada até a morte por ser uma pessoa boa no meio de todo aquele ninho de cobras o fez sentir-se impotente. Desde que soube de toda a história por Tereza, jamais demonstrara nada. Não queria que nem ela e nem Madelyn se sentissem inseguras ao seu lado. Mas alí, só, poderia por para fora toda sua tristeza. Por mais que aquele dia fosse o dia mais feliz de sua vida, jamais conseguiria preencher o espaço de sua querida Evangeline.
- Quando deixará as máscaras de lado, querido...? - Alexander sentiu o toque de Madelyn em seu ombro e ele se voltou, tentando esconder que chorava. A mesma se aproximou e o tomou pela mão, seguindo até o sofá e o fazendo se sentar. Abraçou-o e fez com que sua cabeça se inclinasse na direção de seu ombro, acariciando os cabelos negros do marido. - Divida tua dor comigo. Não está mais só.
Alexander pode, enfim, mostrar-se por completo para sua amada. A abraçou e chorou, sem dizer nenhuma palavra, mas deixando toda a tristeza pela irmã brotar por seus olhos. Não sabia quanto tempo ficaram alí, abraçados na escuridão da biblioteca, como um ser só. Como a amava, pensou. Alexander sentiu sua respiração se acalmar e ergueu-se, fitando Madelyn e então a tomando nos braços e erguendo a máscara até o nariz, a beijando com toda a paixão que possuía, demostrando naquele toque toda a ânsia de tê-la para sí. Madelyn o correspondia, como se sentisse aquele mesmo desejo na mesma medida. Eram iguais naquela noite.
- Alexander... Eu o amo. - Madelyn murmurou entre os beijos e então ele riu, a erguendo com facilidade nos braços poderosos e praticamente correndo pelas escadarias. Madelyn ria alto também, tão feliz como nenhuma mulher poderia se sentir. Seguiram para o quarto dele e então, para a surpresa da noiva, ele desceu a escada acoplada e caminhou pelo caminho da pequena floresta, a levando até o estudio.
Encontrou alí seus quadros e muitos outros. Madelyn em suas diversas facetas e em várias fases da vida. Com filhos em seu colo, cavalgando com um cavalo, rindo com seus novos amigos. Sorrindo, Madelyn o abraçou e lhe beijou nos lábios novamente. Foi então que lembrou-se do quadro que vira na noite em que fugira de seu casamento, o quadro que estava ela com um homem sem face. Soltou-se do marido e começou a procurar entre as telas.
- O que está fazendo, Maddy? - Perguntou um estupefato Alexander.
- O quadro em que estou eu e um homem sem face. - Disse Madelyn de maneira aborrecida.
- É nossa noite de núpcias... -Alexander se aproximou, envolvendo a cintura da esposa. Madelyn por sua vez se debateu, se afastando.
- Terminou todos os quadros, menos aquele. Por quê?
- Você sabe o motivo. - Alexander desviou o olhar.
- Onde ele está? - Insistiu Madelyn.
Praguejando, Alexander adentrou numa saleta acoplada e trouxe o quadro. Alí estavam ela e ele, um homem sem rosto, sem face. Madelyn se aproximou da tela e deslisou os dedos pelo espaço em branco e então sentiu novamente a aproximação de Alexander, que lhe beijava a curva do pescoço. Novamente ela se afastou e ele praguejou outra vez, parecendo sem paciência. Madelyn sorriu, cruzando os braços. Sabia o quão atraente estava em sua camisola rósea, que combinava com os cabelos rubros que caíam soltos até a altura das nádegas. Mesmo assim, se estivesse vestindo um saco de batatas, a vontade de Alexander tê-la seria a mesma. Imensa.
- Quando deixará a máscara cair?
- Quer que eu tire a máscara para você, Madelyn? Não me aceitou ainda...? - Ele se aproximou, tocando a máscara por sobre a face. A mulher se aproximou, tocando a mão do mesmo e impedindo o que ele iria fazer.
- Não, eu o aceitei. Se for tua vontade, aceitarei que passe o resto da tua vida com esta máscara. - Alexander pareceu se surpreender, arregalando os olhos por trás dos furos da máscara. - Eu o amo. Amarei com qualquer face que eu encontre aí, pois o conheço e nada me surpreenderia, nem de maneira boa ou ruim. Mas... -Se afastou e se aproximou do quadro, fitando a face em branco.
- Mas...? - Insistiu Alexander, surpreso.
- Jamais poderei ser tua enquanto você não se aceitar. Enquanto você não se amar, Alexander, não poderá amar outra pessoa. - Se postou atrás do quadro e então o fitou nos olhos, demonstrando o quão séria estava falando naquele momento.
- Mas eu a amo!
- Não por completo, como eu o amo. Sempre haverá um medo, uma insegurança...- Madelyn engoliu seco e ele não discutiu, sabia que aquilo era verdade. Alexander estralou os dedos de maneira nervosa e a fitou.
- Agora?!
- Sim, ou depois se quiser. Mas só me terá quando esse quadro estiver terminado. Quero...
- Diabos! - Interrompeu Alexander.
- Você sabe o motivo. - Alexander desviou o olhar.
- Onde ele está? - Insistiu Madelyn.
Praguejando, Alexander adentrou numa saleta acoplada e trouxe o quadro. Alí estavam ela e ele, um homem sem rosto, sem face. Madelyn se aproximou da tela e deslisou os dedos pelo espaço em branco e então sentiu novamente a aproximação de Alexander, que lhe beijava a curva do pescoço. Novamente ela se afastou e ele praguejou outra vez, parecendo sem paciência. Madelyn sorriu, cruzando os braços. Sabia o quão atraente estava em sua camisola rósea, que combinava com os cabelos rubros que caíam soltos até a altura das nádegas. Mesmo assim, se estivesse vestindo um saco de batatas, a vontade de Alexander tê-la seria a mesma. Imensa.
- Quando deixará a máscara cair?
- Quer que eu tire a máscara para você, Madelyn? Não me aceitou ainda...? - Ele se aproximou, tocando a máscara por sobre a face. A mulher se aproximou, tocando a mão do mesmo e impedindo o que ele iria fazer.
- Não, eu o aceitei. Se for tua vontade, aceitarei que passe o resto da tua vida com esta máscara. - Alexander pareceu se surpreender, arregalando os olhos por trás dos furos da máscara. - Eu o amo. Amarei com qualquer face que eu encontre aí, pois o conheço e nada me surpreenderia, nem de maneira boa ou ruim. Mas... -Se afastou e se aproximou do quadro, fitando a face em branco.
- Mas...? - Insistiu Alexander, surpreso.
- Jamais poderei ser tua enquanto você não se aceitar. Enquanto você não se amar, Alexander, não poderá amar outra pessoa. - Se postou atrás do quadro e então o fitou nos olhos, demonstrando o quão séria estava falando naquele momento.
- Mas eu a amo!
- Não por completo, como eu o amo. Sempre haverá um medo, uma insegurança...- Madelyn engoliu seco e ele não discutiu, sabia que aquilo era verdade. Alexander estralou os dedos de maneira nervosa e a fitou.
- Agora?!
- Sim, ou depois se quiser. Mas só me terá quando esse quadro estiver terminado. Quero...
- Diabos! - Interrompeu Alexander.
- Não soube como me segurei alí, pintando aquele quadro e a imaginando pronta para mim, a mulher que eu amo me esperando... Tive uma vontade de ferro. - Madelyn riu da forma que o marido falava, se afastando e fitando a face do homem que tanto amava. Ele se afastou, como se lembrando que havia tirado a máscara.
- É um horror, não é mesmo? - Sorriu, um sorriso sem graça. Madelyn sorriu por entre as lágrimas que brotavam de seus lábios e se aproximou novamente do mesmo, deslisando a mão por sobre a face marcada e o fitando com seus olhos verdes tão cheios de ternura.
- Eu amo tudo em você. Lamento por isso, mas mesmo assim amo cada cicatriz ou pequena deformação. O amo pelo homem que é e amo estas marcas... - Beijou a face de Alexander, enquanto voltava a murmurar. - ...pois elas mostram o quão corajoso você foi em Santa Marta. Elas fizeram de você o homem que tanto amo, o homem forte que sempre desejei para mim.
- Você é... - Dessa vez foi a vez de Madelyn o fazer se calar, soltando-o e seguindo até o aposento acoplado, onde havia o leito que seu marido havia preparado para a noite de núpcias. Grandes almofadas envoltas por mantas de veludo se faziam de cama, envoltas por velas que já estavam em seu fim. O perfume do incenso e o mundo de cores em véus que haviam no quarto, a faziam lembrar o oriente.
Tão envolta pelo amor que sentia por Alexander, Madelyn seguiu até a "cama" e despiu a própria camisola. Sorriu para o marido, emocionada, vendo que o mesmo sentia aquela tão forte emoção. Deitou-se alí e sorriu de maneira nervosa, abrindo-se por completo como uma flor para a primavera.
- Nesta noite, mostrarei meu amor por tí. - Murmurou.
Alexander se aproximou rapidamente, cobrindo o corpo com o dela e a beijando, saciando o desejo de apenas beijá-la. Fizeram amor lentamente naquela noite, e durante toda esta, suprindo toda a carência de todos os tipos de afeição existentes no mundo. Ambos passaram anos sem saber o que era carinho, afeto...Amor. Ao amanhecer puderam saber que nunca mais lhe faltariam nada do tipo.
Estavam juntos e juntos eram completos.
Completos e perfeitos.
==== FIM ====